Arquidiocese do Rio de Janeiro

29º 21º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 24/06/2018

24 de Junho de 2018

Identidade da Vocação Laical

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24 de Junho de 2018

Identidade da Vocação Laical

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08/01/2018 00:00 - Atualizado em 09/01/2018 14:37

Identidade da Vocação Laical 0

08/01/2018 00:00 - Atualizado em 09/01/2018 14:37

“Vós sois testemunhas destas nossas...”

(Lc 24, 48)

“Dai-nos, ó Deus, o espírito de fortaleza, para que, sustentados pelo exemplo de São Sebastião, vosso glorioso mártir, possamos aprender com ele a obedecer mais a vós do que aos homens” (Oração do dia de São Sebastião – 20 de janeiro)

A questão da identidade sempre provocou debates calorosos. É fácil fazer um currículo, mas realmente respondemos à questão: “Quem sou eu?”; Isto sempre foi e sempre será um desafio.

Segundo o autor Zygmunt Bauman, em seu livro “Identidade”: “a medida que nos deparamos com as incertezas e as inseguranças da “modernidade líquida”, nossas identidades sociais, culturais, profissionais, religiosas e sexuais sofrem um processo de transformação contínua, que vão do perene ao transitório, com todas as angústias para a psique.

O precursor de Jesus (João Batista), conseguiu definir de forma precisa a sua identidade: “Eu sou a voz que clama no deserto (Mt 3,3); ele tem consciência de que não é a Palavra, pois é o Cristo, de quem não é digno de desatar as sandálias. (Cf. Lucas 3,16)

Um dia Jesus perguntou aos seus discípulos: “o que dizem os homens ao meu respeito? Responderam eles: uns dizem que és João Batista, outros Elias, outros pensam que ressuscitou algum dos antigos profetas”. Perguntou-lhes, então: “E vós quem dizeis que eu sou? Pedro respondeu: O Cristo de Deus” (Lc 9, 18-20)

Em nossos dias a identidade ficou bastante fragmentada, pois não falamos e também não desenvolvemos o conceito de mártir (testemunha e herói). As pessoas procuram “celebridades”. A vocação cristã a qual fomos chamados, também nem sempre é entendida, pois quando falamos em vocação vem-nos a mente: sacerdotes, religiosos(as) e certas profissões.

O que é vocação e identidade do leigo?

O Concílio Vaticano II, procurou em seus documentos, demonstrar que o leigo é o grande protagonista da evangelização. O Papa Bento XVI, no Ano Paulino, elencou o nome de todos os cristãos que anunciaram “o Cristo” juntamente com o apóstolo Paulo; e conclui que Paulo não tinha vocação de solista e tudo fazia com os cristãos de suas comunidades, que nós chamamos de leigos (palavra que no sentido usual, não é muito positiva).

Após o Concílio Vaticano II, se tornou comum vermos nas paróquias, o padre vestido de leigo e o leigo vestido de padre (em relação as vestes). No documento de padre, ou quem substitui; mas como aquele que desempenha sua vocação batismal.

Como a palavra “Mártir”, significa também testemunha, eu deixo o testemunho de pároco: Na paróquia da Ressurreição, os grupos de coroinhas e jovens, são frutos do convite de jovens que convidam outros jovens. E assim os grupos vão se solidificando na verdadeira vocação cristã.

A Cidade do Rio de Janeiro, tem o privilégio de ter como padroeiro, um oficial romano, que diante do Império Romano, preferiu o martírio às honrarias oferecidas. Ele é o “leigo” que assumiu sua identidade preferindo obedecer a voz de sua consciência como cristão, do que oferecer sacrifícios aos deuses.

O autor mencionado no início deste texto, afirma que vivemos numa sociedade onde tudo é líquido: a modernidade líquida, a vida líquida, o amor líquido e até a vigilância líquida. Mas o nosso desafio é de não construirmos sobre a areia, pois a casa construída na areia, que é líquida, desaba e a sua ruína é grande. (Cf. Mt 7,26)

Celebrar um Mártir é cantar as alegrias do Senhor que deu a força ao homem de fé, de construir sua casa sobre a rocha... “Sopram os ventos... E a casa não desaba, porque estava construída sobre a rocha”. (Cf. Mt 7,24)

Hoje (31\12) celebramos a Sagrada Família e no Evangelho de Lucas 2,21-39, lembrei-me do tema proposto: Identidade e Vocação Laical: É Simeão que acolhe a Família Sagrada. “Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. Porque meus olhos viram a vossa Salvação que preparastes diante de todos os povos como luz para iluminar as nações, e para a glória do vosso povo”.

Havia também uma profetiza Ana; louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam libertação. E assim, dois leigos que vieram antes de Jesus enviar os discípulos em missão – “Ide, pois, e ensinai a todas as nações” (Cf. Lc 28,19-20) – já demonstravam uma identidade, até o momento não conhecida.

O Evangelho do dia 1º de janeiro, festa de Santa Maria Mãe de Deus (Lc 2, 16- 21), nos apresenta os primeiros três leigos do cristianismo anunciando a Boa-Nova: “os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo que tinha sido dito; e assim todos os que ouviram os pastores ficaram maravilhados com aquilo que contavam”.

Concluindo, podemos refletir: o Mártir, patrono de nossa cidade, um verdadeiro arauto do amor de Deus e cantarmos:

Sebastian, Sebastião \ Diante da tua imagem \ Tão castigada e tão bela \ penso na tua cidade \ Peço que olhes por ela \ Cada parte do teu corpo \ Cada flecha envenenada \ Flechada por pura inveja \ é um pedaço de bairro \ é uma praça do Rio \ Enchendo de horror quem passa \ Oô cidade, oô menino \ Que me ardem de paixão \ Eu prefiro que essas flechas \ Saltem pra minha canção \ Livrem da dor meus amados \ Que na cidade tranquila \ Sarada cada ferida \ Tudo se transforme em vida \ Canteiro cheio de flores pra que só chorem, querido, \ Tu e a cidade, de amores. (Gilberto Gil & Milton Nascimento - SEBASTIAN- Milton Nascimento e Gilberto Gil. Álbum: Gilberto Gil – Duetos).

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Identidade da Vocação Laical

08/01/2018 00:00 - Atualizado em 09/01/2018 14:37

“Vós sois testemunhas destas nossas...”

(Lc 24, 48)

“Dai-nos, ó Deus, o espírito de fortaleza, para que, sustentados pelo exemplo de São Sebastião, vosso glorioso mártir, possamos aprender com ele a obedecer mais a vós do que aos homens” (Oração do dia de São Sebastião – 20 de janeiro)

A questão da identidade sempre provocou debates calorosos. É fácil fazer um currículo, mas realmente respondemos à questão: “Quem sou eu?”; Isto sempre foi e sempre será um desafio.

Segundo o autor Zygmunt Bauman, em seu livro “Identidade”: “a medida que nos deparamos com as incertezas e as inseguranças da “modernidade líquida”, nossas identidades sociais, culturais, profissionais, religiosas e sexuais sofrem um processo de transformação contínua, que vão do perene ao transitório, com todas as angústias para a psique.

O precursor de Jesus (João Batista), conseguiu definir de forma precisa a sua identidade: “Eu sou a voz que clama no deserto (Mt 3,3); ele tem consciência de que não é a Palavra, pois é o Cristo, de quem não é digno de desatar as sandálias. (Cf. Lucas 3,16)

Um dia Jesus perguntou aos seus discípulos: “o que dizem os homens ao meu respeito? Responderam eles: uns dizem que és João Batista, outros Elias, outros pensam que ressuscitou algum dos antigos profetas”. Perguntou-lhes, então: “E vós quem dizeis que eu sou? Pedro respondeu: O Cristo de Deus” (Lc 9, 18-20)

Em nossos dias a identidade ficou bastante fragmentada, pois não falamos e também não desenvolvemos o conceito de mártir (testemunha e herói). As pessoas procuram “celebridades”. A vocação cristã a qual fomos chamados, também nem sempre é entendida, pois quando falamos em vocação vem-nos a mente: sacerdotes, religiosos(as) e certas profissões.

O que é vocação e identidade do leigo?

O Concílio Vaticano II, procurou em seus documentos, demonstrar que o leigo é o grande protagonista da evangelização. O Papa Bento XVI, no Ano Paulino, elencou o nome de todos os cristãos que anunciaram “o Cristo” juntamente com o apóstolo Paulo; e conclui que Paulo não tinha vocação de solista e tudo fazia com os cristãos de suas comunidades, que nós chamamos de leigos (palavra que no sentido usual, não é muito positiva).

Após o Concílio Vaticano II, se tornou comum vermos nas paróquias, o padre vestido de leigo e o leigo vestido de padre (em relação as vestes). No documento de padre, ou quem substitui; mas como aquele que desempenha sua vocação batismal.

Como a palavra “Mártir”, significa também testemunha, eu deixo o testemunho de pároco: Na paróquia da Ressurreição, os grupos de coroinhas e jovens, são frutos do convite de jovens que convidam outros jovens. E assim os grupos vão se solidificando na verdadeira vocação cristã.

A Cidade do Rio de Janeiro, tem o privilégio de ter como padroeiro, um oficial romano, que diante do Império Romano, preferiu o martírio às honrarias oferecidas. Ele é o “leigo” que assumiu sua identidade preferindo obedecer a voz de sua consciência como cristão, do que oferecer sacrifícios aos deuses.

O autor mencionado no início deste texto, afirma que vivemos numa sociedade onde tudo é líquido: a modernidade líquida, a vida líquida, o amor líquido e até a vigilância líquida. Mas o nosso desafio é de não construirmos sobre a areia, pois a casa construída na areia, que é líquida, desaba e a sua ruína é grande. (Cf. Mt 7,26)

Celebrar um Mártir é cantar as alegrias do Senhor que deu a força ao homem de fé, de construir sua casa sobre a rocha... “Sopram os ventos... E a casa não desaba, porque estava construída sobre a rocha”. (Cf. Mt 7,24)

Hoje (31\12) celebramos a Sagrada Família e no Evangelho de Lucas 2,21-39, lembrei-me do tema proposto: Identidade e Vocação Laical: É Simeão que acolhe a Família Sagrada. “Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. Porque meus olhos viram a vossa Salvação que preparastes diante de todos os povos como luz para iluminar as nações, e para a glória do vosso povo”.

Havia também uma profetiza Ana; louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam libertação. E assim, dois leigos que vieram antes de Jesus enviar os discípulos em missão – “Ide, pois, e ensinai a todas as nações” (Cf. Lc 28,19-20) – já demonstravam uma identidade, até o momento não conhecida.

O Evangelho do dia 1º de janeiro, festa de Santa Maria Mãe de Deus (Lc 2, 16- 21), nos apresenta os primeiros três leigos do cristianismo anunciando a Boa-Nova: “os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo que tinha sido dito; e assim todos os que ouviram os pastores ficaram maravilhados com aquilo que contavam”.

Concluindo, podemos refletir: o Mártir, patrono de nossa cidade, um verdadeiro arauto do amor de Deus e cantarmos:

Sebastian, Sebastião \ Diante da tua imagem \ Tão castigada e tão bela \ penso na tua cidade \ Peço que olhes por ela \ Cada parte do teu corpo \ Cada flecha envenenada \ Flechada por pura inveja \ é um pedaço de bairro \ é uma praça do Rio \ Enchendo de horror quem passa \ Oô cidade, oô menino \ Que me ardem de paixão \ Eu prefiro que essas flechas \ Saltem pra minha canção \ Livrem da dor meus amados \ Que na cidade tranquila \ Sarada cada ferida \ Tudo se transforme em vida \ Canteiro cheio de flores pra que só chorem, querido, \ Tu e a cidade, de amores. (Gilberto Gil & Milton Nascimento - SEBASTIAN- Milton Nascimento e Gilberto Gil. Álbum: Gilberto Gil – Duetos).

Monsenhor José Roberto Rodrigues Devellard
Autor

Monsenhor José Roberto Rodrigues Devellard

Pároco da Paróquia da Ressurreição, Diretor Artístico do Museu Arquidiocesano e Coordenador da Comissão de Arte Sacra