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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/09/2018

21 de Setembro de 2018

Sinais do Céu

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Sinais do Céu

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07/01/2018 00:00

Sinais do Céu 0

07/01/2018 00:00

O Natal traz para nós uma série de imagens muito características que povoam nosso imaginário. Neste primeiro domingo do ano, no Brasil, celebramos a solenidade da Epifania do Senhor. Duas são as ideias centrais que esta solenidade nos traz: a primeira é que, ao ouvir a palavra “epifania”, lembramos dos Reis Magos e da estrela; a segunda, cada vez mais difundida, que a palavra epifania vem do grego e sua tradução é “manifestação”. Na verdade, se trata da junção da proposição “epi” (do alto) com uma palavra cujo radical vem do verbo “phaino” (manifestar). Assim, epifania significação “manifestação do alto”.

A estrela se torna o grande sinal da presença do Rei dos judeus nascido. Sendo guiados por ela, os magos acorrem até o presépio onde Jesus estava reclinado, adoram-no e oferecem-lhe seus presentes: ouro, incenso e mirra. Mas, em última instância, a grande epifania se dá quando o Filho de Deus assume como sua a nossa história, nascendo, como nós, de uma mulher, de carne como cada um de nós. A Luz do mundo vem até nós, e a estrela que foi vista no céu é apenas um reflexo pálido do mistério de amor realizado por nós.

Deus se comunica conosco com uma linguagem acessível a nós. O inefável, ao se encarnar, se faz compreensível. Se não fosse assim, não poderíamos chegar até Ele. Mas só podemos compreender por analogia, ou seja, por associação de ideias, pois seus pensamentos e caminhos não são como os nossos (cf. Is 55,8-9). Por isso, o Senhor nos envia sinais, e por meio deles comunica sua vontade e seus desígnios. Assim, lemos a história da salvação e vemos nela os sinais do que aconteceria na história (o cordeiro pascal do Êxodo prefigura a Páscoa de Jesus), compreendendo de que forma Deus age.

Nesse sentido, somos convidados a, no hoje da nossa existência, perceber os sinais do céu, enviados pelo próprio Deus. Sabemos que Deus fala conosco de muitas formas, e uma delas é nos acontecimentos da história. Que podemos deduzir ao olhar para a realidade que nos circunda? Sabemos que Deus nunca abandona seus filhos, então tudo está sob o seu olhar. O que os fatos e acontecimentos do nosso presente estão comunicando a nós, convidando-nos a confiar em Deus?

Muitas são as vezes que lemos na Bíblia a palavra “sinal” (o próprio evangelista João chama os milagres de Jesus de “sinais”). Ora, um sinal é uma realidade que transcende a si mesmo para comunicar algo maior. Em que medida reconhecemos que as situações são, além de si mesmas, sinais de Deus, e que nós mesmos, com nossa vida por vezes tão simples, também somos sinais de Deus para o mundo perdido, sem sabor, sem esperança?

A estrela é luz. Jesus é a Luz do mundo. Foi Ele que disse de nós: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13-16). O papel da luz é iluminar. Que, neste Ano dos Leigos, procuremos agir de tal forma que os que tiverem contato conosco consigam enxergar em nossas vidas a presença de Deus, e também digam como os magos: “Vimos a Luz de Deus e viemos adorá-lo” (Mt 2,2).


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Sinais do Céu

07/01/2018 00:00

O Natal traz para nós uma série de imagens muito características que povoam nosso imaginário. Neste primeiro domingo do ano, no Brasil, celebramos a solenidade da Epifania do Senhor. Duas são as ideias centrais que esta solenidade nos traz: a primeira é que, ao ouvir a palavra “epifania”, lembramos dos Reis Magos e da estrela; a segunda, cada vez mais difundida, que a palavra epifania vem do grego e sua tradução é “manifestação”. Na verdade, se trata da junção da proposição “epi” (do alto) com uma palavra cujo radical vem do verbo “phaino” (manifestar). Assim, epifania significação “manifestação do alto”.

A estrela se torna o grande sinal da presença do Rei dos judeus nascido. Sendo guiados por ela, os magos acorrem até o presépio onde Jesus estava reclinado, adoram-no e oferecem-lhe seus presentes: ouro, incenso e mirra. Mas, em última instância, a grande epifania se dá quando o Filho de Deus assume como sua a nossa história, nascendo, como nós, de uma mulher, de carne como cada um de nós. A Luz do mundo vem até nós, e a estrela que foi vista no céu é apenas um reflexo pálido do mistério de amor realizado por nós.

Deus se comunica conosco com uma linguagem acessível a nós. O inefável, ao se encarnar, se faz compreensível. Se não fosse assim, não poderíamos chegar até Ele. Mas só podemos compreender por analogia, ou seja, por associação de ideias, pois seus pensamentos e caminhos não são como os nossos (cf. Is 55,8-9). Por isso, o Senhor nos envia sinais, e por meio deles comunica sua vontade e seus desígnios. Assim, lemos a história da salvação e vemos nela os sinais do que aconteceria na história (o cordeiro pascal do Êxodo prefigura a Páscoa de Jesus), compreendendo de que forma Deus age.

Nesse sentido, somos convidados a, no hoje da nossa existência, perceber os sinais do céu, enviados pelo próprio Deus. Sabemos que Deus fala conosco de muitas formas, e uma delas é nos acontecimentos da história. Que podemos deduzir ao olhar para a realidade que nos circunda? Sabemos que Deus nunca abandona seus filhos, então tudo está sob o seu olhar. O que os fatos e acontecimentos do nosso presente estão comunicando a nós, convidando-nos a confiar em Deus?

Muitas são as vezes que lemos na Bíblia a palavra “sinal” (o próprio evangelista João chama os milagres de Jesus de “sinais”). Ora, um sinal é uma realidade que transcende a si mesmo para comunicar algo maior. Em que medida reconhecemos que as situações são, além de si mesmas, sinais de Deus, e que nós mesmos, com nossa vida por vezes tão simples, também somos sinais de Deus para o mundo perdido, sem sabor, sem esperança?

A estrela é luz. Jesus é a Luz do mundo. Foi Ele que disse de nós: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13-16). O papel da luz é iluminar. Que, neste Ano dos Leigos, procuremos agir de tal forma que os que tiverem contato conosco consigam enxergar em nossas vidas a presença de Deus, e também digam como os magos: “Vimos a Luz de Deus e viemos adorá-lo” (Mt 2,2).


Autor

Cristiano Holtz Peixoto

Editorialista do Jornal Testemunho de Fé