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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/01/2018

17 de Janeiro de 2018

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31/12/2017 00:00

Anno Domini 0

31/12/2017 00:00

Nossa vida é temporal, incontestavelmente marcada pelo tempo. Entendemos a História como ciência quando aprendemos a medir e a contá-lo. Uma das formas adotadas para contar o tempo foi dividi-lo em anos, espaço no qual se renovam ciclicamente as estações climáticas. Portanto, de alguma forma, o ano é símbolo da vida como um todo: tem seu início, se desenrola e chega ao seu fim, permitindo-nos viver todos os processos pelos quais sentimos, na própria natureza, o ciclo da vida acontecer.

A tecnologia avançou, muita coisa mudou, mas a expectativa humana é a mesma de sempre: sendo metáfora da vida, o ano carrega consigo alegrias, tristezas, surpresas, comoções, decepções, reflexões, decisões, mas, acima de tudo, esperança. A renovação do ciclo anual é celebrada com grande esperança por todos: quem não espera que o ano seguinte será melhor do que o presente?

Foi no tempo que a humanidade contemplou sua plenificação, quando o Verbo se fez carne e veio habitar entre nós (cf. Jo 1,14). A partir de então, embora continuasse sendo como era, passou a ser “kairós”, tempo de salvação, e os anos passaram a ser “anos da graça do Senhor”: este evento salvífico é tão marcante que, na cultura, passamos a chamar os anos de “Anno Domini” (Ano do Senhor), colocando ao lado do algarismo correspondente a abreviatura “A. D.”.

O tempo também é uma realidade sacramental que vislumbramos no decorrer do ano, não somente por causa das celebrações litúrgicas (o ano litúrgico), mas porque, sendo tempo presente, é abertura ao que vem depois, é prenúncio da vida nova. Vivemos voltados para a plenitude, que se dará “no fim dos tempos”. Apesar de a expressão “fim dos tempos” ser carregada de pavor e surpresa para com o desconhecido, a ideia subjacente é muito profunda: em Deus, o fim é o cume, a razão pela qual tudo se desenrolou. A própria encarnação do Senhor está voltada para o fim, e é por causa do fim que ela pode ser chamada de “plenitude dos tempos”, pois deu início ao mistério da salvação e da plenitude que aguardamos. É neste sentido que chamamos cada ano de “Anno Domini”.

A Bíblia comenta bastante sobre os anos e suas estações climáticas. E chama de felizes os que temem o Senhor, comparando-os a árvores que, plantadas à beira do rio, dão frutos o ano todo, e suas folhas servem de remédio (Ez 47,12; Ap 22,2). E o salmista proclama: “O ano todo coroais com vossos dons” (Sl 64(65),11).

Folhas serão retiradas dos calendários. Algarismos serão mudados de todos os sistemas que contam o tempo. Mas uma coisa permanece igual: a Graça de Deus, ontem, hoje e sempre (cf. Hb 13,8). Nesse sentido, não há ano melhor que outro, porque, tendo o Senhor – ou sendo o ano consagrado a Ele (A. D.) –, que podemos esperar de melhor? Tudo que acontece está sob o seu olhar. É Ele que, na alegria, se regozija conosco; na tristeza, enxuga nossas lágrimas; na saúde, nos enche de coragem para lutar; na doença, sustenta nossa debilidade. E o mais importante: em cada situação, continua nos amando e respeitando, como prometeu, por todos os dias da nossa vida.

Desejamos que 2018 seja “o ano da graça do Senhor” (cf. Lc 4,19) para todas as pessoas, principalmente porque aumentamos nossa consciência de que, nas mudanças do tempo, o amor imutável do Senhor sempre nos sustenta (cf. Liturgia das Horas). Que em nossa vida sempre ressoe a solene proclamação da noite da Páscoa: “A ele (Cristo) o tempo, e a eternidade, a glória e o poder, pelos séculos sem fim. Amém” (Missal Romano, Vigília Pascal).

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Nossa vida é temporal, incontestavelmente marcada pelo tempo. Entendemos a História como ciência quando aprendemos a medir e a contá-lo. Uma das formas adotadas para contar o tempo foi dividi-lo em anos, espaço no qual se renovam ciclicamente as estações climáticas. Portanto, de alguma forma, o ano é símbolo da vida como um todo: tem seu início, se desenrola e chega ao seu fim, permitindo-nos viver todos os processos pelos quais sentimos, na própria natureza, o ciclo da vida acontecer.

A tecnologia avançou, muita coisa mudou, mas a expectativa humana é a mesma de sempre: sendo metáfora da vida, o ano carrega consigo alegrias, tristezas, surpresas, comoções, decepções, reflexões, decisões, mas, acima de tudo, esperança. A renovação do ciclo anual é celebrada com grande esperança por todos: quem não espera que o ano seguinte será melhor do que o presente?

Foi no tempo que a humanidade contemplou sua plenificação, quando o Verbo se fez carne e veio habitar entre nós (cf. Jo 1,14). A partir de então, embora continuasse sendo como era, passou a ser “kairós”, tempo de salvação, e os anos passaram a ser “anos da graça do Senhor”: este evento salvífico é tão marcante que, na cultura, passamos a chamar os anos de “Anno Domini” (Ano do Senhor), colocando ao lado do algarismo correspondente a abreviatura “A. D.”.

O tempo também é uma realidade sacramental que vislumbramos no decorrer do ano, não somente por causa das celebrações litúrgicas (o ano litúrgico), mas porque, sendo tempo presente, é abertura ao que vem depois, é prenúncio da vida nova. Vivemos voltados para a plenitude, que se dará “no fim dos tempos”. Apesar de a expressão “fim dos tempos” ser carregada de pavor e surpresa para com o desconhecido, a ideia subjacente é muito profunda: em Deus, o fim é o cume, a razão pela qual tudo se desenrolou. A própria encarnação do Senhor está voltada para o fim, e é por causa do fim que ela pode ser chamada de “plenitude dos tempos”, pois deu início ao mistério da salvação e da plenitude que aguardamos. É neste sentido que chamamos cada ano de “Anno Domini”.

A Bíblia comenta bastante sobre os anos e suas estações climáticas. E chama de felizes os que temem o Senhor, comparando-os a árvores que, plantadas à beira do rio, dão frutos o ano todo, e suas folhas servem de remédio (Ez 47,12; Ap 22,2). E o salmista proclama: “O ano todo coroais com vossos dons” (Sl 64(65),11).

Folhas serão retiradas dos calendários. Algarismos serão mudados de todos os sistemas que contam o tempo. Mas uma coisa permanece igual: a Graça de Deus, ontem, hoje e sempre (cf. Hb 13,8). Nesse sentido, não há ano melhor que outro, porque, tendo o Senhor – ou sendo o ano consagrado a Ele (A. D.) –, que podemos esperar de melhor? Tudo que acontece está sob o seu olhar. É Ele que, na alegria, se regozija conosco; na tristeza, enxuga nossas lágrimas; na saúde, nos enche de coragem para lutar; na doença, sustenta nossa debilidade. E o mais importante: em cada situação, continua nos amando e respeitando, como prometeu, por todos os dias da nossa vida.

Desejamos que 2018 seja “o ano da graça do Senhor” (cf. Lc 4,19) para todas as pessoas, principalmente porque aumentamos nossa consciência de que, nas mudanças do tempo, o amor imutável do Senhor sempre nos sustenta (cf. Liturgia das Horas). Que em nossa vida sempre ressoe a solene proclamação da noite da Páscoa: “A ele (Cristo) o tempo, e a eternidade, a glória e o poder, pelos séculos sem fim. Amém” (Missal Romano, Vigília Pascal).

Padre Cristiano Holtz Peixoto
Autor

Padre Cristiano Holtz Peixoto

Vigário paroquial da Catedral Metropolitana