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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/01/2018

17 de Janeiro de 2018

Livros do Antigo Testamento (34)

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Livros do Antigo Testamento (34)

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22/12/2017 10:52 - Atualizado em 22/12/2017 10:53

Livros do Antigo Testamento (34) 0

22/12/2017 10:52 - Atualizado em 22/12/2017 10:53

Neste artigo, avançamos na epopeia de Moisés. Ele deve aprender a esperar e confia em Deus. É Deus que liberta, Moisés conduz. Além disso, aqui se apresenta o modelo da ação ‘salvífica’ de Deus, de Abraão, Isaac e Jacó. Não haverá simples intervenção divina a cada dificuldade ou contrariedade. Israel é o campo de batalha da fé. Nestes anos de deserto se aprenderá a crer e obedecer em Deus, Único e Verdadeiro, pela sendas da História, humana e conturbada.

1. Ex 5: Moisés aprende a fé na realidade

E disseram-lhes: “O Senhor atente sobre vós, e julgue isso, porquanto fizestes o nosso caso repelente diante de Faraó, e diante de seus servos, dando-lhes a espada nas mãos, para nos matar” (Ex 5, 21).

Esta é a percepção inicial da história da Salvação trazida por Moisés e Aarão da parte do povo. Deus, esse estranho do passado, trouxera sofrimento. A palha dada agora deve ser buscada e os tijolos entregues: “Palha não se dá a teus servos”, e nos dizem: “Fazei tijolos; e eis que teus servos são açoitados; porém o teu povo tem a culpa” (Ex 5, 16).

A Salvação não é simples intervenção de Deus, tornando nossa vida mais confortável e segura. Não se confia em Deus somente porque em nossa vida tudo esteja bem. Em Deus se confia no sofrimento.

Aqui se percebe a teologia dos milagres como um ensinamento oposto ao engodo e ao engano dos cristãos neopentecostais das ‘igrejotas’ de ‘milagres, bênçãos e prosperidade’, que lamentavelmente se propagam entre nós, e quem sabe até por nossa responsabilidade.

No fim, o próprio Moisés, ainda sem fé madura, se une ao ‘coro’ lamentoso dos judeus no Egito. Ele imaginava em sua superficialidade: Deus virá e pronto, estaremos salvos.

Então, tornando-se Moisés ao Senhor, disse: “Senhor! por que fizeste mal a este povo? Por que me enviaste? Porque desde que me apresentei a Faraó para falar em teu nome, ele maltratou a este povo; e de nenhuma sorte livraste o teu povo” (Ex 5, 22-23).

Crises de uma vocação nascente. Ele quer enquadrar a Deus em suas estreitas concepções de como Deus deve se comportar e agir. Moisés ainda não percebeu que para crer em Deus, fé sadia, não se pode colocar condições a Deus. Ele não fará nossa vontade, Ele não tem prazos impostos por nossas urgências, Ele nos conduzirá por caminhos a nós estranhos.

Por isso, o Cap. 6 é um longo monólogo. Aos ‘por quês’ de Moisés, aturdido por sua fé insípida, Deus se contrapõe com revelação mais profunda de Si mesmo. Não há conteúdo inédito, mas revisitação da Tradição dos Pais.

2. Ex 6: Quem é o Deus que liberta Israel? O texto possui dupla função: de um lado, aprofundar a Revelação iniciada na sarça ardente, e ao mesmo tempo, endossar ao mensageiro aquilo que deve comunicar. É evidente que sendo textos escritos em período profético, pós exílico, eles expressam claramente a vocação mosaica a partir do modelo profético: escuta e comunica ao povo!

Falou mais Deus a Moisés, e disse: “Eu sou o Senhor. E Eu apareci a Abraão, a Isaque, e a Jacó, como o Deus Todo-Poderoso; mas pelo Meu nome, o Senhor, não lhes fui perfeitamente conhecido. E também estabeleci a Minha aliança com eles, para dar-lhes a terra de Canaã, a terra de suas peregrinações, na qual foram peregrinos. E também tenho ouvido o gemido dos filhos de Israel, aos quais os egípcios fazem servir, e lembrei-Me da minha aliança” (Ex 6, 2-5).

Moisés a pouco reintroduzido no seio da tradição judaica dos Pais, deve cada vez mais inserir-se neste contexto teológico da Revelação a Abraão para poder exercer plenamente seu papel. Definitivamente ele não é o centro da solução, seus talentos humanos não serão suficientes para libertar Israel.

Ao mesmo tempo, sua função profética implica que ele forneça a Israel elementos para crer e celebrar a Identidade do Deus dos Pais. Que Israel se adapte a Deus, experimentando seu Poder, sua Justiça e particularmente sua Misericórdia!

Portanto, dize aos filhos de Israel: “Eu sou o Senhor, e vos tirarei de debaixo das cargas dos egípcios, e vos livrarei da servidão, e vos resgatarei com braço estendido e com grandes juízos. E eu vos tomarei por meu povo, e serei vosso Deus; e sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tiro de debaixo das cargas dos egípcios; E eu vos levarei à terra, acerca da qual levantei minha mão, jurando que a daria a Abraão, a Isaque e a Jacó, e vo-la darei por herança, eu o Senhor (Ex 6, 6-8)

Na dimensão histórica, âmbito do humano, o horizonte é a fronteira do Egito, de suas duras penas, da escravidão humana. Sem nos esquecermos de que ela é tão profunda que a cada obstáculo será recordada com saudades (as panelas cheias de carne).

Ao contrário, na ótica divina a libertação tem âmbito mais largo e profundo, mais duradouro que as travas do Egito. O pecado é o senhor mau da vida humana, patrão cruel que rouba energias, desfruta de nossa vida e arruína nosso devir.

Não por acaso, a Voz Divina nem sempre se faz ouvir quando o coração está repleto de angústia, fome ou ao contrário, de falsa fartura:

Deste modo, falou Moisés aos filhos de Israel, mas eles não ouviram a Moisés, por causa da angústia de espírito e da dura servidão (Ex 6, 9).

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Livros do Antigo Testamento (34)

22/12/2017 10:52 - Atualizado em 22/12/2017 10:53

Neste artigo, avançamos na epopeia de Moisés. Ele deve aprender a esperar e confia em Deus. É Deus que liberta, Moisés conduz. Além disso, aqui se apresenta o modelo da ação ‘salvífica’ de Deus, de Abraão, Isaac e Jacó. Não haverá simples intervenção divina a cada dificuldade ou contrariedade. Israel é o campo de batalha da fé. Nestes anos de deserto se aprenderá a crer e obedecer em Deus, Único e Verdadeiro, pela sendas da História, humana e conturbada.

1. Ex 5: Moisés aprende a fé na realidade

E disseram-lhes: “O Senhor atente sobre vós, e julgue isso, porquanto fizestes o nosso caso repelente diante de Faraó, e diante de seus servos, dando-lhes a espada nas mãos, para nos matar” (Ex 5, 21).

Esta é a percepção inicial da história da Salvação trazida por Moisés e Aarão da parte do povo. Deus, esse estranho do passado, trouxera sofrimento. A palha dada agora deve ser buscada e os tijolos entregues: “Palha não se dá a teus servos”, e nos dizem: “Fazei tijolos; e eis que teus servos são açoitados; porém o teu povo tem a culpa” (Ex 5, 16).

A Salvação não é simples intervenção de Deus, tornando nossa vida mais confortável e segura. Não se confia em Deus somente porque em nossa vida tudo esteja bem. Em Deus se confia no sofrimento.

Aqui se percebe a teologia dos milagres como um ensinamento oposto ao engodo e ao engano dos cristãos neopentecostais das ‘igrejotas’ de ‘milagres, bênçãos e prosperidade’, que lamentavelmente se propagam entre nós, e quem sabe até por nossa responsabilidade.

No fim, o próprio Moisés, ainda sem fé madura, se une ao ‘coro’ lamentoso dos judeus no Egito. Ele imaginava em sua superficialidade: Deus virá e pronto, estaremos salvos.

Então, tornando-se Moisés ao Senhor, disse: “Senhor! por que fizeste mal a este povo? Por que me enviaste? Porque desde que me apresentei a Faraó para falar em teu nome, ele maltratou a este povo; e de nenhuma sorte livraste o teu povo” (Ex 5, 22-23).

Crises de uma vocação nascente. Ele quer enquadrar a Deus em suas estreitas concepções de como Deus deve se comportar e agir. Moisés ainda não percebeu que para crer em Deus, fé sadia, não se pode colocar condições a Deus. Ele não fará nossa vontade, Ele não tem prazos impostos por nossas urgências, Ele nos conduzirá por caminhos a nós estranhos.

Por isso, o Cap. 6 é um longo monólogo. Aos ‘por quês’ de Moisés, aturdido por sua fé insípida, Deus se contrapõe com revelação mais profunda de Si mesmo. Não há conteúdo inédito, mas revisitação da Tradição dos Pais.

2. Ex 6: Quem é o Deus que liberta Israel? O texto possui dupla função: de um lado, aprofundar a Revelação iniciada na sarça ardente, e ao mesmo tempo, endossar ao mensageiro aquilo que deve comunicar. É evidente que sendo textos escritos em período profético, pós exílico, eles expressam claramente a vocação mosaica a partir do modelo profético: escuta e comunica ao povo!

Falou mais Deus a Moisés, e disse: “Eu sou o Senhor. E Eu apareci a Abraão, a Isaque, e a Jacó, como o Deus Todo-Poderoso; mas pelo Meu nome, o Senhor, não lhes fui perfeitamente conhecido. E também estabeleci a Minha aliança com eles, para dar-lhes a terra de Canaã, a terra de suas peregrinações, na qual foram peregrinos. E também tenho ouvido o gemido dos filhos de Israel, aos quais os egípcios fazem servir, e lembrei-Me da minha aliança” (Ex 6, 2-5).

Moisés a pouco reintroduzido no seio da tradição judaica dos Pais, deve cada vez mais inserir-se neste contexto teológico da Revelação a Abraão para poder exercer plenamente seu papel. Definitivamente ele não é o centro da solução, seus talentos humanos não serão suficientes para libertar Israel.

Ao mesmo tempo, sua função profética implica que ele forneça a Israel elementos para crer e celebrar a Identidade do Deus dos Pais. Que Israel se adapte a Deus, experimentando seu Poder, sua Justiça e particularmente sua Misericórdia!

Portanto, dize aos filhos de Israel: “Eu sou o Senhor, e vos tirarei de debaixo das cargas dos egípcios, e vos livrarei da servidão, e vos resgatarei com braço estendido e com grandes juízos. E eu vos tomarei por meu povo, e serei vosso Deus; e sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tiro de debaixo das cargas dos egípcios; E eu vos levarei à terra, acerca da qual levantei minha mão, jurando que a daria a Abraão, a Isaque e a Jacó, e vo-la darei por herança, eu o Senhor (Ex 6, 6-8)

Na dimensão histórica, âmbito do humano, o horizonte é a fronteira do Egito, de suas duras penas, da escravidão humana. Sem nos esquecermos de que ela é tão profunda que a cada obstáculo será recordada com saudades (as panelas cheias de carne).

Ao contrário, na ótica divina a libertação tem âmbito mais largo e profundo, mais duradouro que as travas do Egito. O pecado é o senhor mau da vida humana, patrão cruel que rouba energias, desfruta de nossa vida e arruína nosso devir.

Não por acaso, a Voz Divina nem sempre se faz ouvir quando o coração está repleto de angústia, fome ou ao contrário, de falsa fartura:

Deste modo, falou Moisés aos filhos de Israel, mas eles não ouviram a Moisés, por causa da angústia de espírito e da dura servidão (Ex 6, 9).

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica