Arquidiocese do Rio de Janeiro

32º 17º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 10/12/2018

10 de Dezembro de 2018

“Faça-se em mim segundo a tua palavra...”

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24/12/2017 00:00

“Faça-se em mim segundo a tua palavra...” 0

24/12/2017 00:00

Neste quarto domingo do Advento, a liturgia da Palavra começa nos colocando em contato com o texto de 2Sm 7: a promessa de uma estabilidade para a casa e o reino de Davi. O texto começa nos mostrando o rei Davi que, de certo modo, consulta o profeta Natã. Davi partilha com o profeta a sua insatisfação com o fato dele morar numa casa de cedro, enquanto a Arca da Aliança, sinal visível da presença de Deus no meio do seu povo, está abrigada em uma tenda. O profeta, desejoso talvez de agradar ao coração do rei, responde sem delongas e sem, também, ouvir o real desejo de Deus: Vai e faze tudo o que diz o teu coração, pois o Senhor está contigo.

Deus, todavia, durante a noite, dirige sua palavra ao profeta Natã: este deve anunciar a Davi que não será ele a fazer uma “casa” para o Senhor (cf. 2Sm 7,5). Ao contrário, será o próprio Deus que fará uma “casa” para Davi (cf. 2Sm 7,11). Davi quer construir uma casa/Templo para Deus; mas será Deus quem irá construir uma casa/dinastia para Davi. O seu reino e a sua casa serão estáveis e Deus suscitará depois de Davi um filho seu, que será confirmado em sua realeza pelo próprio Senhor, que o tratará como se fosse seu filho.

O salmo 88, salmo de resposta dessa liturgia da Palavra, celebra a aliança que Deus fez com Davi: Eu firmei uma Aliança com meu servo, meu eleito, e eu fiz um juramento a Davi, meu servidor. O mesmo salmo, mostra como o rei se compromete com Deus, invocando-o como Pai: Ele (o rei), então, me invocará: Ó Senhor, vós sois meu Pai, sois meu Deus, sois meu Rochedo onde encontro a salvação!  Deus, por sua vez, se compromete a firmar com o rei sua Aliança indissolúvel: Guardarei eternamente para ele a minha graça, e com ele firmarei minha Aliança indissolúvel”.

A esperança messiânica permaneceu e cresceu em Israel. Com o fim da monarquia, os israelitas continuaram aguardando que Deus enviasse seu ungido, seu Messias, um rei como Davi, que de novo os estabeleceria na terra, não mais como vassalos de nenhum poder estrangeiro, mas como verdadeiros donos daquela terra que o Senhor havia prometido dar a Abraão.

O projeto de Deus, contudo, ultrapassava em muito as expectativas de Israel. De fato, como diz a Escritura, os pensamentos de Deus não são os nossos. Ao contrário, são muito mais altos que os nossos: Com efeito, os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, e os vossos caminhos não são os meus caminhos, oráculo do Senhor. Quanto os céus estão acima da terra, tanto os meus caminhos estão acima dos vossos caminhos, e os meus pensamentos acima dos vossos pensamentos (cf. Is 55,8-9). O Pai haveria de nos dar muito mais no seu Cristo. Este é o mistério do qual o apóstolo Paulo fala na segunda leitura. Mistério oculto, mantido em sigilo desde sempre, mas agora plenamente manifesto em Cristo.

No evangelho encontramos a realização desse mistério. O anjo aparece para anunciar à Virgem que Deus quer realizar, por meio de sua colaboração, o seu projeto salvador.

O anjo aparece e saúda a Virgem de modo extraordinário: Alegra-te, cheia de graça, o Senhor é contigo. O “alegra-te” é um convite a entrar na alegria da chegada do Messias, tal como encontramos em Sf 3,14-15 (Rejubila, filha de Sião, solta gritos de alegria, Israel! Alegra-te e exulta de todo coração, filha de Jerusalém! O Senhor revogou a tua sentença, eliminou o teu inimigo. O Senhor, o rei de Israel, está no meio de ti, não verás mais a desgraça) e em Zc 9,9 (Exulta muito, filha de Sião! Grita de alegria, filha de Jerusalém! Eis que o teu rei vem a ti: ele é justo e vitorioso, humilde, montado sobre um jumento, sobre um jumentinho, filho de jumenta). Depois o anjo afirma ser a Virgem “cheia de graça”. Tal saudação, nunca fora dada a nenhuma outra figura nem do Antigo, nem do Novo Testamento. Por fim, a saudação do anjo inclui a insinuação de uma missão: O Senhor está contigo. Várias vezes esta expressão se repete no Antigo Testamento quando uma missão especial é confiada a alguém (cf. Jz 6,12).

Maria fica, então, perturbada não com a presença do anjo, mas com suas palavras. “Qual será o significado de tal saudação?” (Lc 1,29), pensa a Virgem. O anjo então lhe anuncia o que nela se dará: Maria vai gerar um filho, ao qual imporá um nome que significa sua missão – Jesus, Deus salva! Ele será chamado “Filho do Altíssimo” e receberá o “trono de Davi, seu pai”. Jesus não é simplesmente um descendente de Davi. Ele vem de Deus, é o Filho do Altíssimo. O trono de Davi não significa, aqui, o trono terreno. Jesus não reinará sobre Israel como o fizera Davi. Ele será colocado no trono de Davi, porque agora ele será reconhecido como o verdadeiro Messias, como aquele que fora outrora anunciado e esperado por Israel.

Maria não se opõe e nem duvida. A Virgem quer apenas compreender o mistério: Como se dará isso, se não conheço homem algum? Ou seja, como ela será mãe, sendo virgem? O anjo lhe explica que é pela força do Espírito Santo que o Cristo será gerado em seu ventre. Maria será coberta com a “sombra do Altíssimo” e assim nela será gerado o Senhor.

Depois de anunciar a Maria que também Isabel gerou um filho na velhice, o anjo como que aguarda uma resposta da Virgem Maria. Ele só se retira depois que, de modo sublime, Maria responde a Deus por meio do anjo, dizendo: Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.

Estando já às portas do Natal do Senhor vemos a Palavra de Deus nos mostrar como o Senhor é fiel. Ele prometeu e Ele cumpriu. O cumprimento, no entanto, da sua promessa, excedeu em muito as expectativas do povo de Israel. Ele não nos deu um rei, simplesmente. Ele nos deu seu próprio Filho, da sua mesma substância, Deus eterno com o Pai que se fez homem para nossa salvação. Ele não nos concedeu a posse de uma terra qualquer. Em Cristo, Ele nos concedeu penetrar no Reino dos Céus, porque pela sua Páscoa Cristo abriu para nós as portas da eternidade. Diante de tão grande mistério, o que podemos fazer senão cantar com o salmista: Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor! Em Cristo, o amor de Deus tornou-se visível aos nossos olhos e, por isso, celebramos, nos alegramos, cantamos esse amor!

E qual será nossa resposta a tão grande amor? Deus espera uma resposta de nós, assim como o anjo esperou, da Virgem, uma resposta. Que a resposta da Virgem nos inspire, e que digamos, também nós, a Deus: Eis aqui a serva, o servo do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra!


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Neste quarto domingo do Advento, a liturgia da Palavra começa nos colocando em contato com o texto de 2Sm 7: a promessa de uma estabilidade para a casa e o reino de Davi. O texto começa nos mostrando o rei Davi que, de certo modo, consulta o profeta Natã. Davi partilha com o profeta a sua insatisfação com o fato dele morar numa casa de cedro, enquanto a Arca da Aliança, sinal visível da presença de Deus no meio do seu povo, está abrigada em uma tenda. O profeta, desejoso talvez de agradar ao coração do rei, responde sem delongas e sem, também, ouvir o real desejo de Deus: Vai e faze tudo o que diz o teu coração, pois o Senhor está contigo.

Deus, todavia, durante a noite, dirige sua palavra ao profeta Natã: este deve anunciar a Davi que não será ele a fazer uma “casa” para o Senhor (cf. 2Sm 7,5). Ao contrário, será o próprio Deus que fará uma “casa” para Davi (cf. 2Sm 7,11). Davi quer construir uma casa/Templo para Deus; mas será Deus quem irá construir uma casa/dinastia para Davi. O seu reino e a sua casa serão estáveis e Deus suscitará depois de Davi um filho seu, que será confirmado em sua realeza pelo próprio Senhor, que o tratará como se fosse seu filho.

O salmo 88, salmo de resposta dessa liturgia da Palavra, celebra a aliança que Deus fez com Davi: Eu firmei uma Aliança com meu servo, meu eleito, e eu fiz um juramento a Davi, meu servidor. O mesmo salmo, mostra como o rei se compromete com Deus, invocando-o como Pai: Ele (o rei), então, me invocará: Ó Senhor, vós sois meu Pai, sois meu Deus, sois meu Rochedo onde encontro a salvação!  Deus, por sua vez, se compromete a firmar com o rei sua Aliança indissolúvel: Guardarei eternamente para ele a minha graça, e com ele firmarei minha Aliança indissolúvel”.

A esperança messiânica permaneceu e cresceu em Israel. Com o fim da monarquia, os israelitas continuaram aguardando que Deus enviasse seu ungido, seu Messias, um rei como Davi, que de novo os estabeleceria na terra, não mais como vassalos de nenhum poder estrangeiro, mas como verdadeiros donos daquela terra que o Senhor havia prometido dar a Abraão.

O projeto de Deus, contudo, ultrapassava em muito as expectativas de Israel. De fato, como diz a Escritura, os pensamentos de Deus não são os nossos. Ao contrário, são muito mais altos que os nossos: Com efeito, os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, e os vossos caminhos não são os meus caminhos, oráculo do Senhor. Quanto os céus estão acima da terra, tanto os meus caminhos estão acima dos vossos caminhos, e os meus pensamentos acima dos vossos pensamentos (cf. Is 55,8-9). O Pai haveria de nos dar muito mais no seu Cristo. Este é o mistério do qual o apóstolo Paulo fala na segunda leitura. Mistério oculto, mantido em sigilo desde sempre, mas agora plenamente manifesto em Cristo.

No evangelho encontramos a realização desse mistério. O anjo aparece para anunciar à Virgem que Deus quer realizar, por meio de sua colaboração, o seu projeto salvador.

O anjo aparece e saúda a Virgem de modo extraordinário: Alegra-te, cheia de graça, o Senhor é contigo. O “alegra-te” é um convite a entrar na alegria da chegada do Messias, tal como encontramos em Sf 3,14-15 (Rejubila, filha de Sião, solta gritos de alegria, Israel! Alegra-te e exulta de todo coração, filha de Jerusalém! O Senhor revogou a tua sentença, eliminou o teu inimigo. O Senhor, o rei de Israel, está no meio de ti, não verás mais a desgraça) e em Zc 9,9 (Exulta muito, filha de Sião! Grita de alegria, filha de Jerusalém! Eis que o teu rei vem a ti: ele é justo e vitorioso, humilde, montado sobre um jumento, sobre um jumentinho, filho de jumenta). Depois o anjo afirma ser a Virgem “cheia de graça”. Tal saudação, nunca fora dada a nenhuma outra figura nem do Antigo, nem do Novo Testamento. Por fim, a saudação do anjo inclui a insinuação de uma missão: O Senhor está contigo. Várias vezes esta expressão se repete no Antigo Testamento quando uma missão especial é confiada a alguém (cf. Jz 6,12).

Maria fica, então, perturbada não com a presença do anjo, mas com suas palavras. “Qual será o significado de tal saudação?” (Lc 1,29), pensa a Virgem. O anjo então lhe anuncia o que nela se dará: Maria vai gerar um filho, ao qual imporá um nome que significa sua missão – Jesus, Deus salva! Ele será chamado “Filho do Altíssimo” e receberá o “trono de Davi, seu pai”. Jesus não é simplesmente um descendente de Davi. Ele vem de Deus, é o Filho do Altíssimo. O trono de Davi não significa, aqui, o trono terreno. Jesus não reinará sobre Israel como o fizera Davi. Ele será colocado no trono de Davi, porque agora ele será reconhecido como o verdadeiro Messias, como aquele que fora outrora anunciado e esperado por Israel.

Maria não se opõe e nem duvida. A Virgem quer apenas compreender o mistério: Como se dará isso, se não conheço homem algum? Ou seja, como ela será mãe, sendo virgem? O anjo lhe explica que é pela força do Espírito Santo que o Cristo será gerado em seu ventre. Maria será coberta com a “sombra do Altíssimo” e assim nela será gerado o Senhor.

Depois de anunciar a Maria que também Isabel gerou um filho na velhice, o anjo como que aguarda uma resposta da Virgem Maria. Ele só se retira depois que, de modo sublime, Maria responde a Deus por meio do anjo, dizendo: Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.

Estando já às portas do Natal do Senhor vemos a Palavra de Deus nos mostrar como o Senhor é fiel. Ele prometeu e Ele cumpriu. O cumprimento, no entanto, da sua promessa, excedeu em muito as expectativas do povo de Israel. Ele não nos deu um rei, simplesmente. Ele nos deu seu próprio Filho, da sua mesma substância, Deus eterno com o Pai que se fez homem para nossa salvação. Ele não nos concedeu a posse de uma terra qualquer. Em Cristo, Ele nos concedeu penetrar no Reino dos Céus, porque pela sua Páscoa Cristo abriu para nós as portas da eternidade. Diante de tão grande mistério, o que podemos fazer senão cantar com o salmista: Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor! Em Cristo, o amor de Deus tornou-se visível aos nossos olhos e, por isso, celebramos, nos alegramos, cantamos esse amor!

E qual será nossa resposta a tão grande amor? Deus espera uma resposta de nós, assim como o anjo esperou, da Virgem, uma resposta. Que a resposta da Virgem nos inspire, e que digamos, também nós, a Deus: Eis aqui a serva, o servo do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra!


Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida