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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 24/03/2017

24 de Março de 2017

Luz no túnel escuro

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27/09/2013 12:57 - Atualizado em 27/09/2013 12:57

Luz no túnel escuro 0

27/09/2013 12:57 - Atualizado em 27/09/2013 12:57

Luz no túnel escuro / Arqrio

A pesquisa da Fiocruz sobre os usuários de crack acende um pouco de luz de entendimento para a ação. O número de dependentes cresceu nas capitais do Brasil. Depois da região Nordeste, nossa região Sudeste é a que possui maior incidência de dependentes. Reúne cerca de 113 mil consumidores. São crianças e adolescentes e rapazes e moças, inclusive grávidas. A alta percentagem, por atingir a infância e a juventude, compromete o futuro da nação brasileira.

O impacto abre luz para a necessidade de levar a peito as políticas públicas existentes: a prevenção do uso da droga, o cuidado com os dependentes e o enfrentamento do tráfico. Leva a otimizar o programa governamental: “Crack: É Possível Vencer”.

A pesquisa mostra a dificuldade dos usuários da droga terem acesso aos serviços de saúde e assistenciais. A maioria dos entrevistados manifestou desejo de buscar tratamento. Pequena parcela de dependentes disse tê-lo recebido em Centros de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas. Número bem menor procurou comunidades terapêuticas. Portanto, são dois desafios: aumentar o acesso aos serviços e atender ao desejo de superação e libertação das drogas.

O tempo de uso também acende luzes. Nas capitais, a média é de oito anos e em outros municípios de cinco anos. A ideia comum era que o consumo de crack levava à morte em cerca de três anos. Logo, não é inútil investir no tratamento. Diante da rejeição da internação obrigatória, existe quem defenda um programa de consultórios de rua.

O maior motivo para o uso do crack, segundo os entrevistados, é tanto a vontade quanto a curiosidade, somadas a perdas afetivas, problemas familiares e violência sexual. Os autores apontam a necessidade de se reforçar laços familiares e ações preventivas nas escolas.

A Cracolândia é mais que eufemismo. Trata-se de “cidades” dentro da outra com sociabilidade própria. Vários tipos humanos, homens e mulheres, que se relacionam e compactuam. Sem vínculos, compartilham intimidades. Há venda e compra do objeto do desejo. Fazem panelinha e se alimentam nas ruas. Estão deitados nas calçadas ou correndo, quase sempre entre os carros. Bandos em fuga arriscam acidentes e mortes. Causam mais repulsa que compaixão.

Pareciam zumbis. Não mais ou não todos, pois a pesquisa mostra a lucidez dos que desejam tenuamente ou querem fortemente ser tratados. A verdade é que são abandonados à própria privação, pois o crack está intimamente ligado à pobreza. Que fazer? Diante dos escombros, sentimo-nos como em qualquer pós-guerra, convocados ao mutirão de restauração de vidas.

Um dos acontecimentos da Jornada Mundial da Juventude foi, em 24 de julho de 2013, a visita do Papa Francisco ao Hospital São Francisco de Assis na Providência de Deus. O Santo Padre ensinou-nos: “Abraçar, abraçar. Precisamos todos aprender a abraçar quem passa necessidade, como fez São Francisco”. Referia-se ao abraço dado ao leproso, o qual se tornou “mediador de luz” para o santo frade. Assim, o Papa indicara nossa atitude para o dependente químico. Consequentemente, os pesquisados pela Fiocruz que acendem alguma luz para algumas práticas, através da mediação ilustrativa da pesquisa. Importante mediação!

Parece que estamos em bom caminho de comprometimento, com a dignidade humana, nunca perdida, do usuário de crack. O caminho de ir ao encontro dele com amor, fé, ciência e técnica.

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27/09/2013 12:57 - Atualizado em 27/09/2013 12:57

A pesquisa da Fiocruz sobre os usuários de crack acende um pouco de luz de entendimento para a ação. O número de dependentes cresceu nas capitais do Brasil. Depois da região Nordeste, nossa região Sudeste é a que possui maior incidência de dependentes. Reúne cerca de 113 mil consumidores. São crianças e adolescentes e rapazes e moças, inclusive grávidas. A alta percentagem, por atingir a infância e a juventude, compromete o futuro da nação brasileira.

O impacto abre luz para a necessidade de levar a peito as políticas públicas existentes: a prevenção do uso da droga, o cuidado com os dependentes e o enfrentamento do tráfico. Leva a otimizar o programa governamental: “Crack: É Possível Vencer”.

A pesquisa mostra a dificuldade dos usuários da droga terem acesso aos serviços de saúde e assistenciais. A maioria dos entrevistados manifestou desejo de buscar tratamento. Pequena parcela de dependentes disse tê-lo recebido em Centros de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas. Número bem menor procurou comunidades terapêuticas. Portanto, são dois desafios: aumentar o acesso aos serviços e atender ao desejo de superação e libertação das drogas.

O tempo de uso também acende luzes. Nas capitais, a média é de oito anos e em outros municípios de cinco anos. A ideia comum era que o consumo de crack levava à morte em cerca de três anos. Logo, não é inútil investir no tratamento. Diante da rejeição da internação obrigatória, existe quem defenda um programa de consultórios de rua.

O maior motivo para o uso do crack, segundo os entrevistados, é tanto a vontade quanto a curiosidade, somadas a perdas afetivas, problemas familiares e violência sexual. Os autores apontam a necessidade de se reforçar laços familiares e ações preventivas nas escolas.

A Cracolândia é mais que eufemismo. Trata-se de “cidades” dentro da outra com sociabilidade própria. Vários tipos humanos, homens e mulheres, que se relacionam e compactuam. Sem vínculos, compartilham intimidades. Há venda e compra do objeto do desejo. Fazem panelinha e se alimentam nas ruas. Estão deitados nas calçadas ou correndo, quase sempre entre os carros. Bandos em fuga arriscam acidentes e mortes. Causam mais repulsa que compaixão.

Pareciam zumbis. Não mais ou não todos, pois a pesquisa mostra a lucidez dos que desejam tenuamente ou querem fortemente ser tratados. A verdade é que são abandonados à própria privação, pois o crack está intimamente ligado à pobreza. Que fazer? Diante dos escombros, sentimo-nos como em qualquer pós-guerra, convocados ao mutirão de restauração de vidas.

Um dos acontecimentos da Jornada Mundial da Juventude foi, em 24 de julho de 2013, a visita do Papa Francisco ao Hospital São Francisco de Assis na Providência de Deus. O Santo Padre ensinou-nos: “Abraçar, abraçar. Precisamos todos aprender a abraçar quem passa necessidade, como fez São Francisco”. Referia-se ao abraço dado ao leproso, o qual se tornou “mediador de luz” para o santo frade. Assim, o Papa indicara nossa atitude para o dependente químico. Consequentemente, os pesquisados pela Fiocruz que acendem alguma luz para algumas práticas, através da mediação ilustrativa da pesquisa. Importante mediação!

Parece que estamos em bom caminho de comprometimento, com a dignidade humana, nunca perdida, do usuário de crack. O caminho de ir ao encontro dele com amor, fé, ciência e técnica.

Dom Edson de Castro Homem
Autor

Dom Edson de Castro Homem

Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro