Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 14/12/2017

14 de Dezembro de 2017

Livros do Antigo Testamento (31)

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14 de Dezembro de 2017

Livros do Antigo Testamento (31)

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01/12/2017 13:53 - Atualizado em 01/12/2017 13:54

Livros do Antigo Testamento (31) 0

01/12/2017 13:53 - Atualizado em 01/12/2017 13:54

A saga de Moisés, que ocupa, junto ao protagonismo inédito de Deus, que escolhera Israel, pela eleição de Abraão e dos patriarcas, começa com uma longa meditação sobre sua vocação. De onde emana sua autoridade como ‘condutor’ de Israel?

1. Ex 2, 1-10: Nascimento e salvação de Moisés:

E foi um homem da casa de Levi e casou com uma filha de Levi. E a mulher concebeu e deu à luz um filho; e, vendo que ele era formoso, escondeu-o três meses. Não podendo, porém, mais escondê-lo, tomou uma arca de juncos, e a revestiu com barro e betume; e, pondo nela o menino, a pôs nos juncos à margem do rio. E sua irmã postou-se de longe, para saber o que lhe havia de acontecer (Ex 2, 1-4)

No capítulo anterior, vimos como o fim da ‘era de José’ trouxera dissabores e perseguição para a comunidade judaica no Egito. No auge das estratégias egípcias para oprimir Israel, a decisão do ‘controle brutal’ da natalidade, com a eliminação dos meninos judeus:

E disse: Quando ajudardes a dar à luz às hebreias, e as virdes sobre os assentos, se for filho, matai-o; mas se for filha, então viva (Ex 1,16)

Assim, no início do Capítulo 2, a decisão de tentar preservar o menino da morte prevista pelo Estado egípcio. A mãe de Moisés, filha da casa Levítica, aposta numa estratégia arriscada: pô-lo no caminho da filha do Faraó, quem sabe...:

E a filha de Faraó desceu a lavar-se no rio, e as suas donzelas passeavam, pela margem do rio; e ela viu a arca no meio dos juncos, e enviou a sua criada, que a tomou. E abrindo-a, viu ao menino e eis que o menino chorava; e moveu-se de compaixão dele, e disse: Dos meninos dos hebreus é este. (Ex 2, 5-6)

Para a longa experiência patriarcal, aqui se aliaram a ‘astúcia humana’ e a Providência Divina. Colocar nossos planos, mesmo aparentemente improváveis nas Mãos de Deus, resulta sempre em sucesso.

A filha do Faraó assume a criação do menino condenado à morte e ganha sobrevida e uma formação inigualável que o prepara para os grandes desafios que o esperam. Deus não o poupou em vão:

Então lhe disse a filha de Faraó: “Leva este menino, e cria-mo; eu te darei teu salário. E a mulher tomou o menino, e criou-o. E, quando o menino já era grande, ela o trouxe à filha de Faraó, a qual o adotou; e chamou-lhe Moisés, e disse: Porque das águas o tenho tirado (Ex 2, 9-10).

Moisés, agora, desmamado, conhecedor dos elementos rústicos da língua hebraica, passa da choupana hebraica para a ‘Casa do Faraó’. Seu nome indica os albores de sua vocação: ‘: Porque das águas o tenho tirado’.

Portanto, segundo o texto bíblico, “Moisés” significaria “Salvado das águas”, lembrando o episódio de quando era menino, quando foi encontrado dentro de um cesto no rio Nilo. A palavra em hebraico tem o som de do verbo ‘tirar fora’. Apesar disso, a maioria dos estudiosos pensa que a origem do nome tem a ver com uma etimologia egípcia, com uma palavra que significa ‘filho de’ ou ‘gerado por’. Essa palavra é muito comum em nomes egípcios, como por exemplo em Thutmosis (filho de Thot) ou também Ramses (Filho de Ra)1.

Não por acaso neste nome, dado pela maternidade egípcia, esconde-se algo que está no centro de sua missão: salvar Israel. E será pela águas do Mar Vermelho, a pé enxuto, que a narrativa da Páscoa (Ex 14-15) nos contará sobre o prodigioso transpasse da Comunidade dos Judeus em fuga do Faraó, arrependido de os ter libertado:

Provavelmente podemos unir os dois significados. Primeiro o nome tinha o significado que lhe foi dado pelos egípcios, pela filha do Faraó. Ganhou,  mais tarde, o significado de ‘Tirar fora’, quando Moisés se tornou o protagonista que libertou o povo através das águas do Mar Vermelho, tirando-o fora do Egito2.

2. Ex 2, 11-25: Assassinato de um egípcio e a fuga a Madiã

E aconteceu naqueles dias que, sendo Moisés já homem, saiu a seus irmãos, e atentou para as suas cargas; e viu que um egípcio feria a um hebreu, homem de seus irmãos. E olhou a um e a outro lado e, vendo que não havia ninguém ali, matou ao egípcio, e escondeu-o na areia. E tornou a sair no dia seguinte, e eis que dois homens hebreus contendiam; e disse ao injusto: “Por que feres a teu próximo?” O qual disse: “Quem te tem posto a ti por maioral e juiz sobre nós? Pensas matar-me, como mataste o egípcio?” Então temeu Moisés, e disse: “Certamente este negócio foi descoberto”. (Ex 2, 11-14)

Na segunda parte do relato, Moisés, já adulto, demanda conhecimento de seus ‘irmãos’, os hebreus, e sai do círculo do Palácio para as ruas, a realidade. E se dá conta da dura vida de seus parentes e coetâneos: ‘E aconteceu naqueles dias que, sendo Moisés já homem, saiu a seus irmãos, e atentou para as suas cargas; e viu que um egípcio feria a um hebreu, homem de seus irmãos.’

Neste momento, em sua ingênua maneira de ‘fazer justiça’, assume um tom inadequado, quer assumir com suas próprias mãos algo mais complexo e reestabelece pela violência o estado de justiça social para os hebreus. Ledo engano, matar o soldado que cumpre as ordens do Estado, não só nada muda de verdade, como causará seu autoexílio, sob a crítica de seus próprios ‘irmãos’:

E tornou a sair no dia seguinte, e eis que dois homens hebreus contendiam; e disse ao injusto: “Por que feres a teu próximo?” O qual disse: “Quem te tem posto a ti por maioral e juiz sobre nós? Pensas matar-me, como mataste o egípcio?” Então temeu Moisés, e disse: “Certamente este negócio foi descoberto”. Ouvindo, pois, Faraó este caso, procurou matar a Moisés; mas Moisés fugiu de diante da face de Faraó, e habitou na terra de Madiã, e assentou-se junto a um poço (Ex 2,13-15).

1 http://www.abiblia.org/ver.php?id=7102

2 http://www.abiblia.org/ver.php?id=7102

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Livros do Antigo Testamento (31)

01/12/2017 13:53 - Atualizado em 01/12/2017 13:54

A saga de Moisés, que ocupa, junto ao protagonismo inédito de Deus, que escolhera Israel, pela eleição de Abraão e dos patriarcas, começa com uma longa meditação sobre sua vocação. De onde emana sua autoridade como ‘condutor’ de Israel?

1. Ex 2, 1-10: Nascimento e salvação de Moisés:

E foi um homem da casa de Levi e casou com uma filha de Levi. E a mulher concebeu e deu à luz um filho; e, vendo que ele era formoso, escondeu-o três meses. Não podendo, porém, mais escondê-lo, tomou uma arca de juncos, e a revestiu com barro e betume; e, pondo nela o menino, a pôs nos juncos à margem do rio. E sua irmã postou-se de longe, para saber o que lhe havia de acontecer (Ex 2, 1-4)

No capítulo anterior, vimos como o fim da ‘era de José’ trouxera dissabores e perseguição para a comunidade judaica no Egito. No auge das estratégias egípcias para oprimir Israel, a decisão do ‘controle brutal’ da natalidade, com a eliminação dos meninos judeus:

E disse: Quando ajudardes a dar à luz às hebreias, e as virdes sobre os assentos, se for filho, matai-o; mas se for filha, então viva (Ex 1,16)

Assim, no início do Capítulo 2, a decisão de tentar preservar o menino da morte prevista pelo Estado egípcio. A mãe de Moisés, filha da casa Levítica, aposta numa estratégia arriscada: pô-lo no caminho da filha do Faraó, quem sabe...:

E a filha de Faraó desceu a lavar-se no rio, e as suas donzelas passeavam, pela margem do rio; e ela viu a arca no meio dos juncos, e enviou a sua criada, que a tomou. E abrindo-a, viu ao menino e eis que o menino chorava; e moveu-se de compaixão dele, e disse: Dos meninos dos hebreus é este. (Ex 2, 5-6)

Para a longa experiência patriarcal, aqui se aliaram a ‘astúcia humana’ e a Providência Divina. Colocar nossos planos, mesmo aparentemente improváveis nas Mãos de Deus, resulta sempre em sucesso.

A filha do Faraó assume a criação do menino condenado à morte e ganha sobrevida e uma formação inigualável que o prepara para os grandes desafios que o esperam. Deus não o poupou em vão:

Então lhe disse a filha de Faraó: “Leva este menino, e cria-mo; eu te darei teu salário. E a mulher tomou o menino, e criou-o. E, quando o menino já era grande, ela o trouxe à filha de Faraó, a qual o adotou; e chamou-lhe Moisés, e disse: Porque das águas o tenho tirado (Ex 2, 9-10).

Moisés, agora, desmamado, conhecedor dos elementos rústicos da língua hebraica, passa da choupana hebraica para a ‘Casa do Faraó’. Seu nome indica os albores de sua vocação: ‘: Porque das águas o tenho tirado’.

Portanto, segundo o texto bíblico, “Moisés” significaria “Salvado das águas”, lembrando o episódio de quando era menino, quando foi encontrado dentro de um cesto no rio Nilo. A palavra em hebraico tem o som de do verbo ‘tirar fora’. Apesar disso, a maioria dos estudiosos pensa que a origem do nome tem a ver com uma etimologia egípcia, com uma palavra que significa ‘filho de’ ou ‘gerado por’. Essa palavra é muito comum em nomes egípcios, como por exemplo em Thutmosis (filho de Thot) ou também Ramses (Filho de Ra)1.

Não por acaso neste nome, dado pela maternidade egípcia, esconde-se algo que está no centro de sua missão: salvar Israel. E será pela águas do Mar Vermelho, a pé enxuto, que a narrativa da Páscoa (Ex 14-15) nos contará sobre o prodigioso transpasse da Comunidade dos Judeus em fuga do Faraó, arrependido de os ter libertado:

Provavelmente podemos unir os dois significados. Primeiro o nome tinha o significado que lhe foi dado pelos egípcios, pela filha do Faraó. Ganhou,  mais tarde, o significado de ‘Tirar fora’, quando Moisés se tornou o protagonista que libertou o povo através das águas do Mar Vermelho, tirando-o fora do Egito2.

2. Ex 2, 11-25: Assassinato de um egípcio e a fuga a Madiã

E aconteceu naqueles dias que, sendo Moisés já homem, saiu a seus irmãos, e atentou para as suas cargas; e viu que um egípcio feria a um hebreu, homem de seus irmãos. E olhou a um e a outro lado e, vendo que não havia ninguém ali, matou ao egípcio, e escondeu-o na areia. E tornou a sair no dia seguinte, e eis que dois homens hebreus contendiam; e disse ao injusto: “Por que feres a teu próximo?” O qual disse: “Quem te tem posto a ti por maioral e juiz sobre nós? Pensas matar-me, como mataste o egípcio?” Então temeu Moisés, e disse: “Certamente este negócio foi descoberto”. (Ex 2, 11-14)

Na segunda parte do relato, Moisés, já adulto, demanda conhecimento de seus ‘irmãos’, os hebreus, e sai do círculo do Palácio para as ruas, a realidade. E se dá conta da dura vida de seus parentes e coetâneos: ‘E aconteceu naqueles dias que, sendo Moisés já homem, saiu a seus irmãos, e atentou para as suas cargas; e viu que um egípcio feria a um hebreu, homem de seus irmãos.’

Neste momento, em sua ingênua maneira de ‘fazer justiça’, assume um tom inadequado, quer assumir com suas próprias mãos algo mais complexo e reestabelece pela violência o estado de justiça social para os hebreus. Ledo engano, matar o soldado que cumpre as ordens do Estado, não só nada muda de verdade, como causará seu autoexílio, sob a crítica de seus próprios ‘irmãos’:

E tornou a sair no dia seguinte, e eis que dois homens hebreus contendiam; e disse ao injusto: “Por que feres a teu próximo?” O qual disse: “Quem te tem posto a ti por maioral e juiz sobre nós? Pensas matar-me, como mataste o egípcio?” Então temeu Moisés, e disse: “Certamente este negócio foi descoberto”. Ouvindo, pois, Faraó este caso, procurou matar a Moisés; mas Moisés fugiu de diante da face de Faraó, e habitou na terra de Madiã, e assentou-se junto a um poço (Ex 2,13-15).

1 http://www.abiblia.org/ver.php?id=7102

2 http://www.abiblia.org/ver.php?id=7102

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica