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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 16/12/2018

16 de Dezembro de 2018

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18/11/2017 00:00 - Atualizado em 19/11/2017 15:50

Servo bom 0

18/11/2017 00:00 - Atualizado em 19/11/2017 15:50

Estamos no penúltimo domingo do ano litúrgico, o trigésimo terceiro domingo do tempo comum. Neste domingo também celebramos o Dia Mundial dos pobres. Este dia foi criado pelo Papa Francisco, pois, ele pede a todos que voltemos o nosso coração e o nosso olhar aqueles que mais necessitam e a Igreja seja profética chamando a atenção da sociedade para essa realidade.

A primeira leitura deste domingo (Pr 31,10-13.19-20.30-31) nos faz ler um trecho que exalta a virtude da “prudência”, da solicitude e previdência, demonstrada por uma mulher de muito valor. Isso, porque o fim do ano litúrgico, salienta a expectativa da vinda do Senhor, nos quer exortar a exercitar estas virtudes. E, de fato, a prudência ou previdência é uma das virtudes mais louvadas na Sagrada Escritura. Este hino à mulher de valor figura, pois, como conclusão de um livro que fala diversas vezes de mulheres. No Capítulo 31,10-31, a figura da mulher, não é mais como personificação poética da Sabedoria, mas como uma dona de casa judia que realiza concretamente os conselhos que a Dona Sabedoria dos primeiros capítulos dá. É a Dona Sabedoria em forma plena. E feliz de quem a adquirir! Ela vale mais do que uma pedra de coral (linguagem utilizada pelos comerciantes judeus da época).

A segunda leitura (1Ts 5, 1-6) ressalta que a todos os filhos da luz, que tenham uma atitude vigilante, ou seja, assim como o ladrão entra em nossas casas e não sabemos a hora. Assim também será a segunda vinda do Senhor. Para isso, o cristão deve-se preparar a cada dia e a cada momento. Não durmamos, como os outros, mas sejamos vigilantes e sóbrios.

No Evangelho deste domingo (Mt 25, 14-30), Jesus conta a parábola dos talentos: um homem que, partindo de viagem para o estrangeiro, chamou os seus próprios servos e entregou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois, a outro um. A cada um, de acordo com a sua capacidade. Depois de muito tempo ele voltou e pôs-se a ajustar as contas com eles. Elogiou e recompensou os que fizeram render os talentos a eles confiados e repreendeu e castigou o que não fez render o único talento recebido.

O significado da parábola é claro. Nós somos os servos; os talentos são as condições com que Deus dotou cada um de nós (a inteligência, a capacidade de amar, de fazer os outros felizes, os bens temporais, a missão evangelizadora, o cuidado com os necessitados, a preocupação com um mundo mais justo…); o tempo que dura a ausência do patrão é a vida; o regresso inesperado, a morte; a prestação de contas, o juízo; entrar no gozo de Senhor, o Céu. Não somos donos, mas administradores de uns bens dos quais teremos de prestar contas.

Na parábola, parábola o Senhor ensina-nos especialmente a necessidade de corresponder à graça de maneira esforçada, exigente e constante durante toda a vida. Importa fazer render os dons que recebemos do Senhor. O importante não é o número, mas a generosidade para fazê-los frutificar.

O último servo, revela-nos como é que o homem se comporta quando não vive uma fidelidade ativa em relação a Deus, ou seja não confia no Senhor. Prevalecem o medo, a auto estima, a afirmação do egoísmo que procura justificar a sua conduta com as injustas pretensões do seu senhor que deseja colher onde não semeou. “Servo mau e preguiçoso”, é como o Senhor o chama ao ouvir as suas desculpas. Esqueceu uma verdade essencial: que o homem foi criado para conhecer, amar e servir a Deus neste mundo e assim merecer a vida com o próprio Deus para sempre no Céu.

Através desta parábola, o Evangelista São Mateus nos exorta a estarmos alertas e vigilantes. Não podemos esquecer os compromissos assumidos com o Cristo Senhor. O cristão não pode deixar na gaveta os dons recebidos de Deus. No mundo, somos as testemunhas de Cristo. É com o nosso coração que Jesus continua a amar os pecadores do nosso tempo; é com as nossas palavras que Jesus continua a consolar os que estão tristes e desanimados; é com os nossos braços abertos que Jesus
continua a acolher cada irmão que está sozinho e abandonado.

Estejamos atentos e sempre vigilantes, pois, o Senhor virá e ele não tardará. Que esta liturgia toque o nosso coração para assim vivermos como sentinelas do Senhor, com o Senhor e no Senhor. E, que como sentinelas, sempre acolhamos em nossos lares os pobres, nunca lhes furtando socorro em suas necessidades, particularmente neste domingo, como gesto concreto do desejo da Igreja e do Papa Francisco.

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18/11/2017 00:00 - Atualizado em 19/11/2017 15:50

Estamos no penúltimo domingo do ano litúrgico, o trigésimo terceiro domingo do tempo comum. Neste domingo também celebramos o Dia Mundial dos pobres. Este dia foi criado pelo Papa Francisco, pois, ele pede a todos que voltemos o nosso coração e o nosso olhar aqueles que mais necessitam e a Igreja seja profética chamando a atenção da sociedade para essa realidade.

A primeira leitura deste domingo (Pr 31,10-13.19-20.30-31) nos faz ler um trecho que exalta a virtude da “prudência”, da solicitude e previdência, demonstrada por uma mulher de muito valor. Isso, porque o fim do ano litúrgico, salienta a expectativa da vinda do Senhor, nos quer exortar a exercitar estas virtudes. E, de fato, a prudência ou previdência é uma das virtudes mais louvadas na Sagrada Escritura. Este hino à mulher de valor figura, pois, como conclusão de um livro que fala diversas vezes de mulheres. No Capítulo 31,10-31, a figura da mulher, não é mais como personificação poética da Sabedoria, mas como uma dona de casa judia que realiza concretamente os conselhos que a Dona Sabedoria dos primeiros capítulos dá. É a Dona Sabedoria em forma plena. E feliz de quem a adquirir! Ela vale mais do que uma pedra de coral (linguagem utilizada pelos comerciantes judeus da época).

A segunda leitura (1Ts 5, 1-6) ressalta que a todos os filhos da luz, que tenham uma atitude vigilante, ou seja, assim como o ladrão entra em nossas casas e não sabemos a hora. Assim também será a segunda vinda do Senhor. Para isso, o cristão deve-se preparar a cada dia e a cada momento. Não durmamos, como os outros, mas sejamos vigilantes e sóbrios.

No Evangelho deste domingo (Mt 25, 14-30), Jesus conta a parábola dos talentos: um homem que, partindo de viagem para o estrangeiro, chamou os seus próprios servos e entregou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois, a outro um. A cada um, de acordo com a sua capacidade. Depois de muito tempo ele voltou e pôs-se a ajustar as contas com eles. Elogiou e recompensou os que fizeram render os talentos a eles confiados e repreendeu e castigou o que não fez render o único talento recebido.

O significado da parábola é claro. Nós somos os servos; os talentos são as condições com que Deus dotou cada um de nós (a inteligência, a capacidade de amar, de fazer os outros felizes, os bens temporais, a missão evangelizadora, o cuidado com os necessitados, a preocupação com um mundo mais justo…); o tempo que dura a ausência do patrão é a vida; o regresso inesperado, a morte; a prestação de contas, o juízo; entrar no gozo de Senhor, o Céu. Não somos donos, mas administradores de uns bens dos quais teremos de prestar contas.

Na parábola, parábola o Senhor ensina-nos especialmente a necessidade de corresponder à graça de maneira esforçada, exigente e constante durante toda a vida. Importa fazer render os dons que recebemos do Senhor. O importante não é o número, mas a generosidade para fazê-los frutificar.

O último servo, revela-nos como é que o homem se comporta quando não vive uma fidelidade ativa em relação a Deus, ou seja não confia no Senhor. Prevalecem o medo, a auto estima, a afirmação do egoísmo que procura justificar a sua conduta com as injustas pretensões do seu senhor que deseja colher onde não semeou. “Servo mau e preguiçoso”, é como o Senhor o chama ao ouvir as suas desculpas. Esqueceu uma verdade essencial: que o homem foi criado para conhecer, amar e servir a Deus neste mundo e assim merecer a vida com o próprio Deus para sempre no Céu.

Através desta parábola, o Evangelista São Mateus nos exorta a estarmos alertas e vigilantes. Não podemos esquecer os compromissos assumidos com o Cristo Senhor. O cristão não pode deixar na gaveta os dons recebidos de Deus. No mundo, somos as testemunhas de Cristo. É com o nosso coração que Jesus continua a amar os pecadores do nosso tempo; é com as nossas palavras que Jesus continua a consolar os que estão tristes e desanimados; é com os nossos braços abertos que Jesus
continua a acolher cada irmão que está sozinho e abandonado.

Estejamos atentos e sempre vigilantes, pois, o Senhor virá e ele não tardará. Que esta liturgia toque o nosso coração para assim vivermos como sentinelas do Senhor, com o Senhor e no Senhor. E, que como sentinelas, sempre acolhamos em nossos lares os pobres, nunca lhes furtando socorro em suas necessidades, particularmente neste domingo, como gesto concreto do desejo da Igreja e do Papa Francisco.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro