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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 14/12/2017

14 de Dezembro de 2017

Livros do Antigo Testamento (29)

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14 de Dezembro de 2017

Livros do Antigo Testamento (29)

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17/11/2017 14:53 - Atualizado em 17/11/2017 14:53

Livros do Antigo Testamento (29) 0

17/11/2017 14:53 - Atualizado em 17/11/2017 14:53

A saga de José, filho de Jacó, ocupará os capítulos 37 a 50, concluindo, assim, o primeiro livro da Bíblia, o Gênesis. Uma estória empolgante, de inveja, desentendimentos, lutas familiares, mas, sobretudo, a oportunidade de ver de que maneira Deus salva Israel, através das mazelas da família patriarcal. E, no fim, a saga de José prepara os caminhos para a futura chegada de Moisés.

1. Gn 37: A Saga de José dos sonhos

Eis a história da descendência de Jacó: José, ainda jovem, com a idade de 17 anos, apascentava o rebanho com seus irmãos, os filhos de Bala e os filhos de Zelfa, mulheres de seu pai; e ele contou ao seu pai as más conversas dos irmãos. Israel amava José mais do que todos os outros filhos, porque ele era o filho de sua velhice; e mandara-lhe fazer uma túnica de várias cores. Seus irmãos, vendo que seu pai o preferia a eles, conceberam ódio contra ele e não podiam mais tratá-lo com bons modos (Gn 37, 1-4).

A narração sobre a vida de José inicia-se colocando diante dos leitores os elementos de uma tragédia anunciada: ele denunciava seus irmãos ao Pai (v. 1); Era o predileto do Pai, com direito a uma veste especial (uma túnica de várias cores). Por isso, tornara-se facilmente objeto do ódio e do desprezo deles (conceberam ódio contra ele e não podiam mais tratá-lo com bons modos).

Não bastasse já este cenário nebuloso, José tinha dons oníricos e de interpretação que irão exasperar o péssimo relacionamento dele com seus irmãos:

Ora, José teve um sonho, e o contou aos seus irmãos, que o detestaram ainda mais: “Ouvi, disse-lhes ele, o sonho que tive: estávamos ligando feixes no campo, e eis que o meu feixe se levantou e se pôs de pé, enquanto os vossos o cercavam e se prostravam diante dele.” Seus irmãos disseram-lhe: “Quererias, porventura, reinar sobre nós e tornar-te nosso senhor?” E odiaram-no ainda mais por causa de seus sonhos e de suas palavras. José teve ainda outro sonho, que contou aos seus irmãos. “Tive, disse ele, ainda um sonho: o sol, a lua e 11 estrelas prostravam-se diante de mim.” Ele contou isso ao seu pai e aos seus irmãos, mas foi repreendido por seu pai: “Que significa, disse-lhe ele, este sonho que tiveste? Viremos, porventura, eu, tua mãe e teus irmãos a nos prostrar por terra diante de ti?” Seus irmãos ficaram, pois, com inveja dele, mas seu pai guardou a lembrança desse acontecimento (Gn 37, 6-11).

Dois sonhos, nos quais ele se apresentava como objeto de subserviência de seus irmãos em relação a ele. A reação foi dura e incisiva: “Quererias, porventura, reinar sobre nós e tornar-te nosso senhor?”

A situação se torna irrespirável a ponto de seu próprio Pai se indispor com ele, tornando perfeita a crise familiar. Assim, está preparado o ‘clímax’ para seção da venda de José a mercadores.

Os sonhos parecem ser na Bíblia uma referência à revelação pessoal de Deus, uma tarefa sobrenatural, e, portanto, avisos e mensagens divinas:

Os sonhos podem ser naturais (Ec 5.3), divinos (Gn 28.12) ou de origem maligna (Dt 13.1-2; Jr 23.32). O uso mais comum é o sonho como meio de comunicação de Deus ao homem (Nm 12.6), como fez com Abimeleque (Gn 20.3), Jacó (Gn 31.10-11), Labão (Gn 31.24) e Salomão (1Rs 3.5), um aviso sobre algo no presente momento. Outro uso de sonhos é Deus contando futuros eventos como fez com José e também com o padeiro, o copeiro e o faraó, que tiveram seus sonhos revelados por José como instrumento de Deus (Gn 41.16, 28, 32). Alguns outros exemplos são Gideão (Jz 7.13-15), Nabucodonosor (Dn 2.1-45 e 4.4-28) e Daniel (7.1-28)1.

2. A venda de José aos mercadores

Os irmãos de José foram apascentar os rebanhos de seu pai em Siquém. Israel disse a José: “Teus irmãos guardam os rebanhos em Siquém. Vem: vou mandar-te a eles.” “Eis-me aqui”, respondeu José. “Vai, pois, ver se tudo corre bem a teus irmãos e ao rebanho, e traze-me notícias deles.” Enviou-o do vale de Hebron, e José foi a Siquém. Um homem encontrou-o errando pelo campo: “Que buscas?”, perguntou ele.“Busco meus irmãos, respondeu ele. Dize-me onde apascentam os rebanhos.”E o homem respondeu: “Partiram daqui e ouvi-os dizer: Vamos a Dotain.” Partiu então José em busca dos seus irmãos e encontrou-os em Dotain. Eles o viram de longe. Antes que José se aproximasse, combinaram entre si como o haveriam de matar; e disseram: “Eis o sonhador que chega. Vamos, matemo-lo e atiremo-lo numa cisterna; diremos depois que uma fera o devorou; e então veremos de que lhe aproveitaram os seus sonhos (Gn 37, 12-20).

Aqui está a ‘ocasião’ propícia para a revanche dos irmãos, sempre molestados pela inveja deste filho dileto de Jacó, e que tem sonhos de supremacia sobre eles: ‘Eis o sonhador que chega. Vamos, matemo-lo e atiremo-lo numa cisterna; diremos depois que uma fera o devorou; e então veremos de que lhe aproveitaram os seus sonhos’.

A trama bíblica é sempre sofisticada, e da primeira intenção de fratricídio (o velho Caim ainda vivo!), passa-se da cisterna vazia à venda a mercadores que passavam por lá! O autor revela a intenção velada de Rubens de resgatá-lo após a ira desafogada contra ele por parte de seus irmãos.

Neste contexto aparentemente trágico e absurdo, Deus está plantando o futuro da dinastia patriarcal de Israel, como já fizera outras vezes.


1 http://todahelohim.com/2009/06/sonho-na-biblia.html

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Livros do Antigo Testamento (29)

17/11/2017 14:53 - Atualizado em 17/11/2017 14:53

A saga de José, filho de Jacó, ocupará os capítulos 37 a 50, concluindo, assim, o primeiro livro da Bíblia, o Gênesis. Uma estória empolgante, de inveja, desentendimentos, lutas familiares, mas, sobretudo, a oportunidade de ver de que maneira Deus salva Israel, através das mazelas da família patriarcal. E, no fim, a saga de José prepara os caminhos para a futura chegada de Moisés.

1. Gn 37: A Saga de José dos sonhos

Eis a história da descendência de Jacó: José, ainda jovem, com a idade de 17 anos, apascentava o rebanho com seus irmãos, os filhos de Bala e os filhos de Zelfa, mulheres de seu pai; e ele contou ao seu pai as más conversas dos irmãos. Israel amava José mais do que todos os outros filhos, porque ele era o filho de sua velhice; e mandara-lhe fazer uma túnica de várias cores. Seus irmãos, vendo que seu pai o preferia a eles, conceberam ódio contra ele e não podiam mais tratá-lo com bons modos (Gn 37, 1-4).

A narração sobre a vida de José inicia-se colocando diante dos leitores os elementos de uma tragédia anunciada: ele denunciava seus irmãos ao Pai (v. 1); Era o predileto do Pai, com direito a uma veste especial (uma túnica de várias cores). Por isso, tornara-se facilmente objeto do ódio e do desprezo deles (conceberam ódio contra ele e não podiam mais tratá-lo com bons modos).

Não bastasse já este cenário nebuloso, José tinha dons oníricos e de interpretação que irão exasperar o péssimo relacionamento dele com seus irmãos:

Ora, José teve um sonho, e o contou aos seus irmãos, que o detestaram ainda mais: “Ouvi, disse-lhes ele, o sonho que tive: estávamos ligando feixes no campo, e eis que o meu feixe se levantou e se pôs de pé, enquanto os vossos o cercavam e se prostravam diante dele.” Seus irmãos disseram-lhe: “Quererias, porventura, reinar sobre nós e tornar-te nosso senhor?” E odiaram-no ainda mais por causa de seus sonhos e de suas palavras. José teve ainda outro sonho, que contou aos seus irmãos. “Tive, disse ele, ainda um sonho: o sol, a lua e 11 estrelas prostravam-se diante de mim.” Ele contou isso ao seu pai e aos seus irmãos, mas foi repreendido por seu pai: “Que significa, disse-lhe ele, este sonho que tiveste? Viremos, porventura, eu, tua mãe e teus irmãos a nos prostrar por terra diante de ti?” Seus irmãos ficaram, pois, com inveja dele, mas seu pai guardou a lembrança desse acontecimento (Gn 37, 6-11).

Dois sonhos, nos quais ele se apresentava como objeto de subserviência de seus irmãos em relação a ele. A reação foi dura e incisiva: “Quererias, porventura, reinar sobre nós e tornar-te nosso senhor?”

A situação se torna irrespirável a ponto de seu próprio Pai se indispor com ele, tornando perfeita a crise familiar. Assim, está preparado o ‘clímax’ para seção da venda de José a mercadores.

Os sonhos parecem ser na Bíblia uma referência à revelação pessoal de Deus, uma tarefa sobrenatural, e, portanto, avisos e mensagens divinas:

Os sonhos podem ser naturais (Ec 5.3), divinos (Gn 28.12) ou de origem maligna (Dt 13.1-2; Jr 23.32). O uso mais comum é o sonho como meio de comunicação de Deus ao homem (Nm 12.6), como fez com Abimeleque (Gn 20.3), Jacó (Gn 31.10-11), Labão (Gn 31.24) e Salomão (1Rs 3.5), um aviso sobre algo no presente momento. Outro uso de sonhos é Deus contando futuros eventos como fez com José e também com o padeiro, o copeiro e o faraó, que tiveram seus sonhos revelados por José como instrumento de Deus (Gn 41.16, 28, 32). Alguns outros exemplos são Gideão (Jz 7.13-15), Nabucodonosor (Dn 2.1-45 e 4.4-28) e Daniel (7.1-28)1.

2. A venda de José aos mercadores

Os irmãos de José foram apascentar os rebanhos de seu pai em Siquém. Israel disse a José: “Teus irmãos guardam os rebanhos em Siquém. Vem: vou mandar-te a eles.” “Eis-me aqui”, respondeu José. “Vai, pois, ver se tudo corre bem a teus irmãos e ao rebanho, e traze-me notícias deles.” Enviou-o do vale de Hebron, e José foi a Siquém. Um homem encontrou-o errando pelo campo: “Que buscas?”, perguntou ele.“Busco meus irmãos, respondeu ele. Dize-me onde apascentam os rebanhos.”E o homem respondeu: “Partiram daqui e ouvi-os dizer: Vamos a Dotain.” Partiu então José em busca dos seus irmãos e encontrou-os em Dotain. Eles o viram de longe. Antes que José se aproximasse, combinaram entre si como o haveriam de matar; e disseram: “Eis o sonhador que chega. Vamos, matemo-lo e atiremo-lo numa cisterna; diremos depois que uma fera o devorou; e então veremos de que lhe aproveitaram os seus sonhos (Gn 37, 12-20).

Aqui está a ‘ocasião’ propícia para a revanche dos irmãos, sempre molestados pela inveja deste filho dileto de Jacó, e que tem sonhos de supremacia sobre eles: ‘Eis o sonhador que chega. Vamos, matemo-lo e atiremo-lo numa cisterna; diremos depois que uma fera o devorou; e então veremos de que lhe aproveitaram os seus sonhos’.

A trama bíblica é sempre sofisticada, e da primeira intenção de fratricídio (o velho Caim ainda vivo!), passa-se da cisterna vazia à venda a mercadores que passavam por lá! O autor revela a intenção velada de Rubens de resgatá-lo após a ira desafogada contra ele por parte de seus irmãos.

Neste contexto aparentemente trágico e absurdo, Deus está plantando o futuro da dinastia patriarcal de Israel, como já fizera outras vezes.


1 http://todahelohim.com/2009/06/sonho-na-biblia.html

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica