Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/11/2017

23 de Novembro de 2017

Livros do Antigo Testamento (27)

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23 de Novembro de 2017

Livros do Antigo Testamento (27)

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03/11/2017 12:19 - Atualizado em 03/11/2017 12:20

Livros do Antigo Testamento (27) 0

03/11/2017 12:19 - Atualizado em 03/11/2017 12:20

A saga de Jacó com seus parentes expressa a já conhecida lógica de embate entre a cultura humana e a fé em Deus. As diversas labutas de Jacó deverão nos conduzir a entender melhor como Deus entra na vida de pecado dos homens e a transforma em oportunidades de Salvação.

Gn 29-31 são capítulos salpicados de ‘estórias’ de família, como vimos anteriormente na saga de Abraão. Temos os casamentos de Jacó com as duas filhas (primas) de Labão, seu tio, temos lutas por terra e gado.

A primeira a casar-se com Jacó é a primogênita, Lia, com que se casará por engano no dia de seu casamento com a mais nova, Raquel:

E disse Jacó a Labão: Dá-me minha mulher, porque meus dias são cumpridos, para que eu me case com ela. Então reuniu Labão a todos os homens daquele lugar, e fez um banquete. E aconteceu, à tarde, que tomou Lia, sua filha, e trouxe-a a Jacó que a possuiu (Gn 29, 21-23).

Ele trabalhara durante sete anos para casar-se com Raquel. Percebe-se a trama entre costumes locais, cultura familiar e negócios. O sobrinho refugiado deve trabalhar pelo que deseja conquistar. Para o leitor moderno parece confuso e às vezes até desagradável, mas aqui se exprime a lógica Divina da História da Salvação: Deus passa pela vida social de cada tempo elevando seu padrão de consciência.

E, como entre nós, mesmo o enredo parecendo confuso, onde coisas humanas são ‘misturadas’ com os Desígnios Divinos, o Projeto de Deus evolui ao conduzir Israel pelas estradas da História à Salvação.

Jacó não pode casar a filha mais nova (Raquel) antes da primogênita (Lia), diz o Pai ao explicar-lhe o engodo de núpcias:

E aconteceu que pela manhã, viu que era Lia; pelo que disse a Labão: Por que me fizeste isso? Não te tenho servido por Raquel? Por que então me enganaste? E disse Labão: Não se faz assim no nosso lugar, que a menor se dê antes da primogênita (Gn 29, 25-26).

O trabalho em família será o argumento para que se percorra a estrada dos valores e conceitos de matrimônio e da família. É bem verdade que em Israel, partindo das instituições existentes, Deus leva seu povo a esmerar-se na consciência de verdadeira família (a de Deus).

Outro elemento que volta à tona, em meio aos inevitáveis conflitos da poligamia (casamento com múltiplas esposas) de Jacó e o costume de entregar escravas domésticas ao leito matrimonial do patrão, por parte de esposas inférteis ou inseguras:

Vendo Raquel, que não dava filhos a Jacó, teve inveja de sua irmã, e disse a Jacó: Dá-me filhos, se não morro. Então se acendeu a ira de Jacó contra Raquel, e disse: Estou eu no lugar de Deus, que te impediu o fruto de teu ventre? E ela disse: Eis aqui minha serva Bila; coabita com ela para que dê à luz sobre meus joelhos, e eu assim receba filhos por ela. Assim lhe deu a Bila, sua serva, por mulher; e Jacó a possuiu. E concebeu Bila, e deu a Jacó um filho (Gn 30, 1-5).

Raquel, a esposa amada, por quem trabalhou 14 anos, era estéril, enquanto sua irmã Lia, a mais velha, dada em casamento por engodo e costume, era fértil e lhe dará muitos filhos. Uma história que Jacó ouvira sobre seu pai (Isaac) e sobre seu avô (Abraão):

Vendo, pois, o Senhor que Lia era desprezada, abriu a sua madre; porém Raquel era estéril (Gn 29, 31).

Deus escreve certo em linhas tortas”, assim diz a sabedoria popular, por isso o exercício permanente de confiar em Deus diante de impasses e dramas diários. A solução falsa da concepção através da serva é antecipação ansiosa e desastrosa, que levará para a tenda matrimonial discórdia e infelicidades.

Outro elemento interessante nestas narrativas patriarcais é o embate entre bênção material, o gado, por exemplo, e os conflitos de terra causados pela expansão sobremaneira da parte dos patriarcas:

E cresceu o homem em grande maneira, e teve muitos rebanhos, servas, servos, camelos e jumentos (Gn 30,43).

Na verdade, trata-se da promessa Divina, confirmada a Abraão: “Eu te abençoarei”! Deus passa pela vida dos patriarcas, e o sabemos pela marca da abundância e da fertilidade.

O último elemento didático que chama atenção na narrativa de Jacó é o ‘furto’ dos ídolos de Labão, por parte da filha Raquel, esposa amada de Jacó:

E levou todo o seu gado e todos os seus bens, que havia adquirido, o gado que possuía, que alcançara em Padã-Arã, para ir a Isaque, seu pai, à terra de Canaã. E havendo Labão ido a tosquiar as suas ovelhas, furtou Raquel os ídolos que seu pai tinha (Gn 31, 18-19).

Urge mostrar que a volta de Jacó para casa (Canaã), após 14 anos de serviço entre a família de parentes da mãe, não poderia ser marcada pela regressão da confiança em ‘ídolos’. Quem os conduzira até ali?

Se o Deus de meu pai, o Deus de Abraão e o temor de Isaque não fora comigo, por certo me despedirias agora vazio. Deus atendeu à minha aflição, e ao trabalho das minhas mãos, e repreendeu-te ontem à noite (Gn 31, 42).

 

 

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Livros do Antigo Testamento (27)

03/11/2017 12:19 - Atualizado em 03/11/2017 12:20

A saga de Jacó com seus parentes expressa a já conhecida lógica de embate entre a cultura humana e a fé em Deus. As diversas labutas de Jacó deverão nos conduzir a entender melhor como Deus entra na vida de pecado dos homens e a transforma em oportunidades de Salvação.

Gn 29-31 são capítulos salpicados de ‘estórias’ de família, como vimos anteriormente na saga de Abraão. Temos os casamentos de Jacó com as duas filhas (primas) de Labão, seu tio, temos lutas por terra e gado.

A primeira a casar-se com Jacó é a primogênita, Lia, com que se casará por engano no dia de seu casamento com a mais nova, Raquel:

E disse Jacó a Labão: Dá-me minha mulher, porque meus dias são cumpridos, para que eu me case com ela. Então reuniu Labão a todos os homens daquele lugar, e fez um banquete. E aconteceu, à tarde, que tomou Lia, sua filha, e trouxe-a a Jacó que a possuiu (Gn 29, 21-23).

Ele trabalhara durante sete anos para casar-se com Raquel. Percebe-se a trama entre costumes locais, cultura familiar e negócios. O sobrinho refugiado deve trabalhar pelo que deseja conquistar. Para o leitor moderno parece confuso e às vezes até desagradável, mas aqui se exprime a lógica Divina da História da Salvação: Deus passa pela vida social de cada tempo elevando seu padrão de consciência.

E, como entre nós, mesmo o enredo parecendo confuso, onde coisas humanas são ‘misturadas’ com os Desígnios Divinos, o Projeto de Deus evolui ao conduzir Israel pelas estradas da História à Salvação.

Jacó não pode casar a filha mais nova (Raquel) antes da primogênita (Lia), diz o Pai ao explicar-lhe o engodo de núpcias:

E aconteceu que pela manhã, viu que era Lia; pelo que disse a Labão: Por que me fizeste isso? Não te tenho servido por Raquel? Por que então me enganaste? E disse Labão: Não se faz assim no nosso lugar, que a menor se dê antes da primogênita (Gn 29, 25-26).

O trabalho em família será o argumento para que se percorra a estrada dos valores e conceitos de matrimônio e da família. É bem verdade que em Israel, partindo das instituições existentes, Deus leva seu povo a esmerar-se na consciência de verdadeira família (a de Deus).

Outro elemento que volta à tona, em meio aos inevitáveis conflitos da poligamia (casamento com múltiplas esposas) de Jacó e o costume de entregar escravas domésticas ao leito matrimonial do patrão, por parte de esposas inférteis ou inseguras:

Vendo Raquel, que não dava filhos a Jacó, teve inveja de sua irmã, e disse a Jacó: Dá-me filhos, se não morro. Então se acendeu a ira de Jacó contra Raquel, e disse: Estou eu no lugar de Deus, que te impediu o fruto de teu ventre? E ela disse: Eis aqui minha serva Bila; coabita com ela para que dê à luz sobre meus joelhos, e eu assim receba filhos por ela. Assim lhe deu a Bila, sua serva, por mulher; e Jacó a possuiu. E concebeu Bila, e deu a Jacó um filho (Gn 30, 1-5).

Raquel, a esposa amada, por quem trabalhou 14 anos, era estéril, enquanto sua irmã Lia, a mais velha, dada em casamento por engodo e costume, era fértil e lhe dará muitos filhos. Uma história que Jacó ouvira sobre seu pai (Isaac) e sobre seu avô (Abraão):

Vendo, pois, o Senhor que Lia era desprezada, abriu a sua madre; porém Raquel era estéril (Gn 29, 31).

Deus escreve certo em linhas tortas”, assim diz a sabedoria popular, por isso o exercício permanente de confiar em Deus diante de impasses e dramas diários. A solução falsa da concepção através da serva é antecipação ansiosa e desastrosa, que levará para a tenda matrimonial discórdia e infelicidades.

Outro elemento interessante nestas narrativas patriarcais é o embate entre bênção material, o gado, por exemplo, e os conflitos de terra causados pela expansão sobremaneira da parte dos patriarcas:

E cresceu o homem em grande maneira, e teve muitos rebanhos, servas, servos, camelos e jumentos (Gn 30,43).

Na verdade, trata-se da promessa Divina, confirmada a Abraão: “Eu te abençoarei”! Deus passa pela vida dos patriarcas, e o sabemos pela marca da abundância e da fertilidade.

O último elemento didático que chama atenção na narrativa de Jacó é o ‘furto’ dos ídolos de Labão, por parte da filha Raquel, esposa amada de Jacó:

E levou todo o seu gado e todos os seus bens, que havia adquirido, o gado que possuía, que alcançara em Padã-Arã, para ir a Isaque, seu pai, à terra de Canaã. E havendo Labão ido a tosquiar as suas ovelhas, furtou Raquel os ídolos que seu pai tinha (Gn 31, 18-19).

Urge mostrar que a volta de Jacó para casa (Canaã), após 14 anos de serviço entre a família de parentes da mãe, não poderia ser marcada pela regressão da confiança em ‘ídolos’. Quem os conduzira até ali?

Se o Deus de meu pai, o Deus de Abraão e o temor de Isaque não fora comigo, por certo me despedirias agora vazio. Deus atendeu à minha aflição, e ao trabalho das minhas mãos, e repreendeu-te ontem à noite (Gn 31, 42).

 

 

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica