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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 12/12/2019

12 de Dezembro de 2019

“A Sagrada Escritura”

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“A Sagrada Escritura”

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20/09/2013 16:15 - Atualizado em 23/09/2013 16:22

“A Sagrada Escritura” 0

20/09/2013 16:15 - Atualizado em 23/09/2013 16:22

O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática Dei Verbum, no nº 21, afirma que “a Igreja sempre venerou as divina Escrituras, como também o próprio corpo do Senhor” e, mais na frente, no mesmo número, que “sempre considerou as divinas Escrituras e continua a considerá-las, juntamente com a Sagrada Tradição, como regra suprema da sua fé (...) elas continuam a dar-nos imutavelmente a palavra do próprio Deus, e fazem ouvir a voz do Espírito Santo através das palavras dos profetas e apóstolos”. Consideremos agora alguns pontos importantes sobre a Escritura Sagrada.

Revelação e Escritura

Deus revelou-se a si mesmo e o mistério de sua vontade a fim de que os homens pudessem ter acesso a sua Vida. Esta revelação divina tem seu ponto culminante na Pessoa de Jesus, que é o seu mediador e a sua plenitude. Ele é a Palavra do Pai encarnada que veio dar a Vida em abundancia aos homens. Ora, aquilo que o Senhor revelou, por atos e palavras, foi entregue aos apóstolos com a missão de transmitir as futuras gerações. Esta Tradição Apostólica guarda e comunica na sua pregação oral, na sua vivência e nas suas instituições aquilo que receberam do próprio Cristo. Foi ela quem mostrou à Igreja quais são exatamente os Livros Sagrados que contêm a Palavra de Deus escrita pela inspiração do Espírito Santo.

A Bíblia

 Do ponto de vista etimológico, a palavra “Bíblia” significa conjunto de pequenos livros. O termo latino tem sua origem no grego e, nesta língua, “bíblia” é o diminutivo plural de “biblos” (livro). Bíblia ficou como designativo para os livros nos quais a Igreja reconheceu como inspirados. Outros nomes podem ser dados aos Escritos, tais como Sagrada Escritura, Sagradas Letras, Divina Escritura... De forma geral, apresentam o duplo caráter dos escritos: por um lado, são inspirados pela ação do Espírito Santo e, por outro, são escritos por homens, os hagiógrafos, situados em determinado momento histórico.

 

O Cânon Bíblico

O termo grego “canôn” significa relação, catálogo, tabela, lista. Sendo assim, o cânon bíblico é a lista dos livros que a Igreja reconheceu como inspirados e que contêm, por isso, a Palavra de Deus. Podemos perceber ao longo da história uma diferença na definição do cânon entre os cristãos: a Bíblia Católica possui 73 livros enquanto que a Bíblia Protestante possui 66 livros. Esta última possui menos sete livros e alguns trechos (perícopes): Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico, 1 e 2 Macabeus, além de Ester 10,4-16; Daniel 3,24-20; 13–14.

 

Por que esta diferença?

Esta diferença se dá porque Lutero, no século XVI, assumiu a classificação feita pelos judeus da Palestina, no século I. A classificação palestinense ocorreu no sínodo de Jâmnia e dizia que os livros inspirados deviam obedecer quatro critérios: serem escritos em hebraico, serem escritos na Terra Santa, terem sido escritos antes do tempo do Governador Esdras e sem contradição com a Lei (Torá). Ora, a questão é que os apóstolos e os evangelistas não utilizaram este cânon de Jâminia; mas, usaram a versão dos Setenta, que possuía aqueles livros e perícopes rejeitadas pelos judeus. De fato, das 350 citações do Antigo Testamento no Novo, 300 pertencem a Bíblia dos Setenta. Até o século XVI, a Tradição da Igreja sempre citou aqueles sete livros e aquelas passagens como Sagrada Escritura, levando o Concílio de Trento a afirma de maneira categórica que eles são livros e passagens inspirados pertencentes ao cânon.

 

O Antigo e o Novo Testamento

A Bíblia se divide em duas partes segundo a centralidade do seu conteúdo. A primeira parte chamada de Antigo Testamento trata da Antiga Aliança que Deus selou como os israelitas, se tornando o seu Deus. Possui 46 livros divididos em quatro grupos de acordo com o conteúdo e o gênero que pertencem: o Pentateuco; os Livros Históricos, os Livros Proféticos e os Sapienciais. A segunda parte chamada de Novo Testamento trata da Nova Aliança, prometida já na Antiga. Esta Nova Aliança se dá com o Mistério Pascal de Cristo. Possui 27 livros, que podem ser divididos da seguinte maneira: os Evangelhos; os Atos dos Apóstolos; as Cartas de São Paulo; as Cartas Católicas e o Livro do Apocalipse.

A nossa palavra “testamento” vem do grego “diathéke” e significa “a vontade de um testamento; um pacto, uma aliança”. Esta, por sua vez, tenta traduzir o termo hebraico “berit” que corresponde a aliança feita entre Deus e os homens, testemunhadas na Sagrada Escritura. No Antigo Testamento, três alianças se destacam: a feita com Noé, a com Abraão e, por último e retomando todas as anteriores, a com o Povo de Israel. No Novo Testamento, Jesus vai ser a Nova Aliança plenificando a aliança com o Antigo Povo, universalizando-a e tornando-a eterna e definitiva.

 

Para aprofundar...

Para saber mais sobre o assunto, conferir os parágrafos do CIC, nos 51 ao 82, do 101 ao 133; o Compêndio do Catecismo, da pergunta 18 até a 24; e, a Constituição Dogmática Dei Verbum, do nº 14 ao 20.

 

Pe. Vitor Gino Finelon

 

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“A Sagrada Escritura”

20/09/2013 16:15 - Atualizado em 23/09/2013 16:22

O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática Dei Verbum, no nº 21, afirma que “a Igreja sempre venerou as divina Escrituras, como também o próprio corpo do Senhor” e, mais na frente, no mesmo número, que “sempre considerou as divinas Escrituras e continua a considerá-las, juntamente com a Sagrada Tradição, como regra suprema da sua fé (...) elas continuam a dar-nos imutavelmente a palavra do próprio Deus, e fazem ouvir a voz do Espírito Santo através das palavras dos profetas e apóstolos”. Consideremos agora alguns pontos importantes sobre a Escritura Sagrada.

Revelação e Escritura

Deus revelou-se a si mesmo e o mistério de sua vontade a fim de que os homens pudessem ter acesso a sua Vida. Esta revelação divina tem seu ponto culminante na Pessoa de Jesus, que é o seu mediador e a sua plenitude. Ele é a Palavra do Pai encarnada que veio dar a Vida em abundancia aos homens. Ora, aquilo que o Senhor revelou, por atos e palavras, foi entregue aos apóstolos com a missão de transmitir as futuras gerações. Esta Tradição Apostólica guarda e comunica na sua pregação oral, na sua vivência e nas suas instituições aquilo que receberam do próprio Cristo. Foi ela quem mostrou à Igreja quais são exatamente os Livros Sagrados que contêm a Palavra de Deus escrita pela inspiração do Espírito Santo.

A Bíblia

 Do ponto de vista etimológico, a palavra “Bíblia” significa conjunto de pequenos livros. O termo latino tem sua origem no grego e, nesta língua, “bíblia” é o diminutivo plural de “biblos” (livro). Bíblia ficou como designativo para os livros nos quais a Igreja reconheceu como inspirados. Outros nomes podem ser dados aos Escritos, tais como Sagrada Escritura, Sagradas Letras, Divina Escritura... De forma geral, apresentam o duplo caráter dos escritos: por um lado, são inspirados pela ação do Espírito Santo e, por outro, são escritos por homens, os hagiógrafos, situados em determinado momento histórico.

 

O Cânon Bíblico

O termo grego “canôn” significa relação, catálogo, tabela, lista. Sendo assim, o cânon bíblico é a lista dos livros que a Igreja reconheceu como inspirados e que contêm, por isso, a Palavra de Deus. Podemos perceber ao longo da história uma diferença na definição do cânon entre os cristãos: a Bíblia Católica possui 73 livros enquanto que a Bíblia Protestante possui 66 livros. Esta última possui menos sete livros e alguns trechos (perícopes): Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico, 1 e 2 Macabeus, além de Ester 10,4-16; Daniel 3,24-20; 13–14.

 

Por que esta diferença?

Esta diferença se dá porque Lutero, no século XVI, assumiu a classificação feita pelos judeus da Palestina, no século I. A classificação palestinense ocorreu no sínodo de Jâmnia e dizia que os livros inspirados deviam obedecer quatro critérios: serem escritos em hebraico, serem escritos na Terra Santa, terem sido escritos antes do tempo do Governador Esdras e sem contradição com a Lei (Torá). Ora, a questão é que os apóstolos e os evangelistas não utilizaram este cânon de Jâminia; mas, usaram a versão dos Setenta, que possuía aqueles livros e perícopes rejeitadas pelos judeus. De fato, das 350 citações do Antigo Testamento no Novo, 300 pertencem a Bíblia dos Setenta. Até o século XVI, a Tradição da Igreja sempre citou aqueles sete livros e aquelas passagens como Sagrada Escritura, levando o Concílio de Trento a afirma de maneira categórica que eles são livros e passagens inspirados pertencentes ao cânon.

 

O Antigo e o Novo Testamento

A Bíblia se divide em duas partes segundo a centralidade do seu conteúdo. A primeira parte chamada de Antigo Testamento trata da Antiga Aliança que Deus selou como os israelitas, se tornando o seu Deus. Possui 46 livros divididos em quatro grupos de acordo com o conteúdo e o gênero que pertencem: o Pentateuco; os Livros Históricos, os Livros Proféticos e os Sapienciais. A segunda parte chamada de Novo Testamento trata da Nova Aliança, prometida já na Antiga. Esta Nova Aliança se dá com o Mistério Pascal de Cristo. Possui 27 livros, que podem ser divididos da seguinte maneira: os Evangelhos; os Atos dos Apóstolos; as Cartas de São Paulo; as Cartas Católicas e o Livro do Apocalipse.

A nossa palavra “testamento” vem do grego “diathéke” e significa “a vontade de um testamento; um pacto, uma aliança”. Esta, por sua vez, tenta traduzir o termo hebraico “berit” que corresponde a aliança feita entre Deus e os homens, testemunhadas na Sagrada Escritura. No Antigo Testamento, três alianças se destacam: a feita com Noé, a com Abraão e, por último e retomando todas as anteriores, a com o Povo de Israel. No Novo Testamento, Jesus vai ser a Nova Aliança plenificando a aliança com o Antigo Povo, universalizando-a e tornando-a eterna e definitiva.

 

Para aprofundar...

Para saber mais sobre o assunto, conferir os parágrafos do CIC, nos 51 ao 82, do 101 ao 133; o Compêndio do Catecismo, da pergunta 18 até a 24; e, a Constituição Dogmática Dei Verbum, do nº 14 ao 20.

 

Pe. Vitor Gino Finelon

 

Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida