Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/08/2018

18 de Agosto de 2018

Livros do Antigo Testamento (21)

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18 de Agosto de 2018

Livros do Antigo Testamento (21)

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24/09/2017 00:00 - Atualizado em 02/11/2017 13:34

Livros do Antigo Testamento (21) 0

24/09/2017 00:00 - Atualizado em 02/11/2017 13:34

Neste artigo damos continuidade aos fatos e conteúdos referentes à leitura de Gênesis 18, entre os anúncios da geração de Isaac e a destruição de Sodoma e Gomorra.

1. A Intercessão de Abraão pelo Justo de Sodoma e Gomorra (Gênesis 18, 16-32).

Abraão aproximou-se dele e disse: “Exterminarás o justo com o ímpio? E se houver 50 justos na cidade? Ainda a destruirás e não pouparás o lugar por amor aos 50 justos que nele estão? Longe de ti fazer tal coisa: matar o justo com o ímpio, tratando o justo e o ímpio da mesma maneira. Longe de ti! Não agirá com justiça o juiz de toda a terra? “ Respondeu o Senhor: “Se eu encontrar 50 justos em Sodoma, pouparei a cidade toda por amor a eles”. Mas Abraão tornou a falar: “Sei que já fui muito ousado a ponto de falar ao Senhor, eu que não passo de pó e cinza. Ainda assim pergunto: E se faltarem cinco para completar os 50 justos? Destruirás a cidade por causa dos cinco?” Disse ele: “Se encontrar ali 45, não a destruirei”. “E se encontrares apenas 40?”, insistiu Abraão. Ele respondeu: “Por amor aos 40 não a destruirei”. Então continuou ele: “Não te ires, Senhor, mas permite-me falar. E se apenas 30 forem encontrados ali?” Ele respondeu: “Se encontrar 30, não a destruirei”. Prosseguiu Abraão: “Agora que já fui tão ousado falando ao Senhor, pergunto: E se apenas 20 forem encontrados ali? “ Ele respondeu: “Por amor aos 20 não a destruirei”. Então Abraão disse ainda: “Não te ires, Senhor, mas permite-me falar só mais uma vez. E se apenas dez forem encontrados?” Ele respondeu: “Por amor aos dez não a destruirei”. Tendo acabado de falar com Abraão, o Senhor partiu, e Abraão voltou para casa (Gênesis 18, 23-33). Um texto longo e repetitivo, que deseja, assim, explicitar a função maçante de quem insistentemente quer salvar o ‘inocente’ (Lot?) da destruição das cidades pecadoras.

Na verdade, o longo texto que se encerra com a lacônica cena dos três homens, na pessoa de um só (Senhor) afastando-se de Abraão e dirigindo-se às cidades do pecado, e Abraão retornando à sua Tenda, constitui-se no testemunho acerca de uma das funções dos líderes em Israel: interceder pela sorte do povo.

Em diversas cenas, Moisés, não será apresentado como libertador, mas ele irá interceder pelo povo de Israel junto a Deus, por causa de seus pecados:

Disse o Senhor a Moisés: “Tenho visto que este povo é um povo obstinado. Deixe-me agora, para que a minha ira se acenda contra eles, e eu os destrua. Depois farei de você uma grande nação”. Moisés, porém, suplicou ao Senhor, o seu Deus, clamando: “Ó Senhor, por que se acenderia a tua ira contra o teu povo, que tiraste do Egito com grande poder e forte mão?” (Êxodo 32, 9-11).

Na história da teologia cristã, já presente, sobretudo, na Carta aos Hebreus, reencontramos esta figura na Pessoa de Cristo, Sumo Sacerdote, que intercede eficaz e definitivamente por nós!

Por essa razão, Cristo é o mediador de uma nova aliança para que os que são chamados recebam a promessa da herança eterna, visto que Ele morreu como resgate pelas transgressões cometidas sob a primeira aliança (Hebreus 9, 15).

2. Gênesis 21, 1-8: O nascimento de Isaac.

O Senhor foi bondoso com Sara, como Lhe dissera, e fez por ela o que prometera. Sara engravidou e deu um filho a Abraão em sua velhice, na época fixada por Deus em sua promessa. Abraão deu o nome de Isaque ao filho que Sara lhe dera. Quando seu filho Isaque tinha oito dias de vida, Abraão o circuncidou, conforme Deus lhe havia ordenado. Estava ele com cem anos de idade quando lhe nasceu Isaque, seu filho. E Sara disse: “Deus me encheu de riso, e todos os que souberem disso rirão comigo”. E acrescentou: “Quem diria a Abraão que Sara amamentaria filhos? Contudo, eu lhe dei um filho em sua velhice!” O menino cresceu e foi desmamado. No dia em que Isaque foi desmamado, Abraão deu uma grande festa (Gênesis 21, 1-8).

Como havia sido prometido no Capítulo 18, agora, o menino, que trouxe ‘sorrisos’ de incredulidade do alcance da obra de Deus, antes, negativo, agora ganha nome, da onda de alegria de Sara por, finalmente ser Mãe: ““Deus me encheu de riso, e todos os que souberem disso rirão comigo”.” Deus encheu a pobre Humanidade descrente de risos, através da profecia da Páscoa e da Eucaristia, sinal permanente de nosso riso provocado por Deus, no mundo:

Isaque tem origem no hebraico Itshak ou Yitzháq, derivado da palavra tzaháq, e quer dizer “riso” ou “ele ri”, por extensão “filho da alegria”. Isaque é nome de um personagem bíblico mencionado no Antigo Testamento como o descendente de Abraão e Sara, e pai de Jacó e Esaú1.

Na analogia cristã ele será símbolo do Filho sacrificado, antecipação de Cristo, o verdadeiro cordeiro que Deus providenciou para colocar no nosso lugar, no sacrifício consumado a Deus:

Então disse Deus: “Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto num dos montes que lhe indicarei”. Isaque disse a seu pai Abraão: “Meu pai!” “Sim, meu filho”, respondeu Abraão. Isaque perguntou: “As brasas e a lenha estão aqui, mas onde está o cordeiro para o holocausto?” Respondeu Abraão: “Deus mesmo há de prover o cordeiro para o holocausto, meu filho”. E os dois continuaram a caminhar juntos (Gênesis 22, 2. 7, 8).

Referência:

1 Isaque é nome de um personagem bíblico mencionado no Antigo Testamento como o descendente de Abraão e Sara, e pai de Jacó e Esaú. Ele é considerado um dos três patriarcas do povo de Israel, junto à Abraão e Jacó. De acordo com o livro de Gênesis, Abraão foi testado por Deus quando o ordenou que sacrificasse seu filho Isaque. No último momento um anjo surgiu, o impedindo de cometer tal ato. De acordo com os relatos bíblicos, Isaque (ou Isaac) foi o único patriarca do Antigo Testamento que não teve o seu nome alterado por ordem de Deus. Outra curiosidade interessante sobre esta figura mística é a sua longevidade: Isaque teria sido o que mais viveu, atingindo a marca dos 180 anos de vida. Foi adotado ocasionalmente como um nome cristão durante a Idade Média, mas tornou-se logo muito popular entre os judeus. Após a Reforma Protestante começou a ser utilizado pelos puritanos ingleses com mais frequência, mas ainda hoje é bastante comum entre os judeus. Este é um nome predominantemente masculino e muito comum entre os brasileiros, assim como outras variações deste nome, como Isaac, por exemplo. Cf. https://www.dicionariodenomesproprios.com.br/isaque/

 

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24/09/2017 00:00 - Atualizado em 02/11/2017 13:34

Neste artigo damos continuidade aos fatos e conteúdos referentes à leitura de Gênesis 18, entre os anúncios da geração de Isaac e a destruição de Sodoma e Gomorra.

1. A Intercessão de Abraão pelo Justo de Sodoma e Gomorra (Gênesis 18, 16-32).

Abraão aproximou-se dele e disse: “Exterminarás o justo com o ímpio? E se houver 50 justos na cidade? Ainda a destruirás e não pouparás o lugar por amor aos 50 justos que nele estão? Longe de ti fazer tal coisa: matar o justo com o ímpio, tratando o justo e o ímpio da mesma maneira. Longe de ti! Não agirá com justiça o juiz de toda a terra? “ Respondeu o Senhor: “Se eu encontrar 50 justos em Sodoma, pouparei a cidade toda por amor a eles”. Mas Abraão tornou a falar: “Sei que já fui muito ousado a ponto de falar ao Senhor, eu que não passo de pó e cinza. Ainda assim pergunto: E se faltarem cinco para completar os 50 justos? Destruirás a cidade por causa dos cinco?” Disse ele: “Se encontrar ali 45, não a destruirei”. “E se encontrares apenas 40?”, insistiu Abraão. Ele respondeu: “Por amor aos 40 não a destruirei”. Então continuou ele: “Não te ires, Senhor, mas permite-me falar. E se apenas 30 forem encontrados ali?” Ele respondeu: “Se encontrar 30, não a destruirei”. Prosseguiu Abraão: “Agora que já fui tão ousado falando ao Senhor, pergunto: E se apenas 20 forem encontrados ali? “ Ele respondeu: “Por amor aos 20 não a destruirei”. Então Abraão disse ainda: “Não te ires, Senhor, mas permite-me falar só mais uma vez. E se apenas dez forem encontrados?” Ele respondeu: “Por amor aos dez não a destruirei”. Tendo acabado de falar com Abraão, o Senhor partiu, e Abraão voltou para casa (Gênesis 18, 23-33). Um texto longo e repetitivo, que deseja, assim, explicitar a função maçante de quem insistentemente quer salvar o ‘inocente’ (Lot?) da destruição das cidades pecadoras.

Na verdade, o longo texto que se encerra com a lacônica cena dos três homens, na pessoa de um só (Senhor) afastando-se de Abraão e dirigindo-se às cidades do pecado, e Abraão retornando à sua Tenda, constitui-se no testemunho acerca de uma das funções dos líderes em Israel: interceder pela sorte do povo.

Em diversas cenas, Moisés, não será apresentado como libertador, mas ele irá interceder pelo povo de Israel junto a Deus, por causa de seus pecados:

Disse o Senhor a Moisés: “Tenho visto que este povo é um povo obstinado. Deixe-me agora, para que a minha ira se acenda contra eles, e eu os destrua. Depois farei de você uma grande nação”. Moisés, porém, suplicou ao Senhor, o seu Deus, clamando: “Ó Senhor, por que se acenderia a tua ira contra o teu povo, que tiraste do Egito com grande poder e forte mão?” (Êxodo 32, 9-11).

Na história da teologia cristã, já presente, sobretudo, na Carta aos Hebreus, reencontramos esta figura na Pessoa de Cristo, Sumo Sacerdote, que intercede eficaz e definitivamente por nós!

Por essa razão, Cristo é o mediador de uma nova aliança para que os que são chamados recebam a promessa da herança eterna, visto que Ele morreu como resgate pelas transgressões cometidas sob a primeira aliança (Hebreus 9, 15).

2. Gênesis 21, 1-8: O nascimento de Isaac.

O Senhor foi bondoso com Sara, como Lhe dissera, e fez por ela o que prometera. Sara engravidou e deu um filho a Abraão em sua velhice, na época fixada por Deus em sua promessa. Abraão deu o nome de Isaque ao filho que Sara lhe dera. Quando seu filho Isaque tinha oito dias de vida, Abraão o circuncidou, conforme Deus lhe havia ordenado. Estava ele com cem anos de idade quando lhe nasceu Isaque, seu filho. E Sara disse: “Deus me encheu de riso, e todos os que souberem disso rirão comigo”. E acrescentou: “Quem diria a Abraão que Sara amamentaria filhos? Contudo, eu lhe dei um filho em sua velhice!” O menino cresceu e foi desmamado. No dia em que Isaque foi desmamado, Abraão deu uma grande festa (Gênesis 21, 1-8).

Como havia sido prometido no Capítulo 18, agora, o menino, que trouxe ‘sorrisos’ de incredulidade do alcance da obra de Deus, antes, negativo, agora ganha nome, da onda de alegria de Sara por, finalmente ser Mãe: ““Deus me encheu de riso, e todos os que souberem disso rirão comigo”.” Deus encheu a pobre Humanidade descrente de risos, através da profecia da Páscoa e da Eucaristia, sinal permanente de nosso riso provocado por Deus, no mundo:

Isaque tem origem no hebraico Itshak ou Yitzháq, derivado da palavra tzaháq, e quer dizer “riso” ou “ele ri”, por extensão “filho da alegria”. Isaque é nome de um personagem bíblico mencionado no Antigo Testamento como o descendente de Abraão e Sara, e pai de Jacó e Esaú1.

Na analogia cristã ele será símbolo do Filho sacrificado, antecipação de Cristo, o verdadeiro cordeiro que Deus providenciou para colocar no nosso lugar, no sacrifício consumado a Deus:

Então disse Deus: “Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto num dos montes que lhe indicarei”. Isaque disse a seu pai Abraão: “Meu pai!” “Sim, meu filho”, respondeu Abraão. Isaque perguntou: “As brasas e a lenha estão aqui, mas onde está o cordeiro para o holocausto?” Respondeu Abraão: “Deus mesmo há de prover o cordeiro para o holocausto, meu filho”. E os dois continuaram a caminhar juntos (Gênesis 22, 2. 7, 8).

Referência:

1 Isaque é nome de um personagem bíblico mencionado no Antigo Testamento como o descendente de Abraão e Sara, e pai de Jacó e Esaú. Ele é considerado um dos três patriarcas do povo de Israel, junto à Abraão e Jacó. De acordo com o livro de Gênesis, Abraão foi testado por Deus quando o ordenou que sacrificasse seu filho Isaque. No último momento um anjo surgiu, o impedindo de cometer tal ato. De acordo com os relatos bíblicos, Isaque (ou Isaac) foi o único patriarca do Antigo Testamento que não teve o seu nome alterado por ordem de Deus. Outra curiosidade interessante sobre esta figura mística é a sua longevidade: Isaque teria sido o que mais viveu, atingindo a marca dos 180 anos de vida. Foi adotado ocasionalmente como um nome cristão durante a Idade Média, mas tornou-se logo muito popular entre os judeus. Após a Reforma Protestante começou a ser utilizado pelos puritanos ingleses com mais frequência, mas ainda hoje é bastante comum entre os judeus. Este é um nome predominantemente masculino e muito comum entre os brasileiros, assim como outras variações deste nome, como Isaac, por exemplo. Cf. https://www.dicionariodenomesproprios.com.br/isaque/

 

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica