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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 16/11/2018

16 de Novembro de 2018

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27/10/2017 00:00

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27/10/2017 00:00

A liturgia deste XXX domingo do tempo comum nos apresenta a realidade do maior mandamento. É a pergunta que está no Evangelho deste domingo: “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” perguntam ao Senhor para tentar apanhá-lo em armadilha. Ou seja, qual o preceito que, sendo observado, resume a observância de toda Lei? Jesus responde prontamente: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!” Como bom judeu, o Senhor Jesus nada mais faz que retomar o preceito do Antigo Testamento: Amar a Deus! que é também a oração diária do povo de Israel. Amá-Lo dessa forma significa fazer d’Ele o tudo da nossa existência, significa viver a vida aberta para Ele, buscando a Sua santa vontade. Amá-Lo é não conceber a vida como algo que é meu em sentido absoluto, mas um dom que recebi de Deus, que em diante de Deus devo viver e a Quem devo, um dia, devolver com frutos.

Na primeira leitura (Ex 22,20-26) os versículos nos ensinam a proteger os pobres, especialmente os órfãos e as viúvas. Ensina também a não cobrar juros a alguém do próprio povo de Israel e a não guardar o agasalho do pobre como penhor durante a noite, pois ele precisa dele para se proteger contra o frio. É o chamado “código da aliança”. Para um tempo de rejeição dos estrangeiros, esse texto questiona a situação de muitas regiões e povos.

A segunda leitura (1Ts 1, 5c-10) nos mostra que devemos ser imitadores do Senhor. Paulo elogia a comunidade de Tessalônica pelo comportamento que se difunde como exemplo em Jesus Cristo.

No Evangelho (Mt 22, 34-40) Jesus é interpelado pelos fariseus. Eles querem saber qual é o maior dos mandamentos. Jesus responde, buscando fundamentação em duas passagens da Bíblia: “Amarás o Senhor teu Deus com todas…” (Dt 6,5). E, “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18). Seguindo ainda a tradição judaica do Antigo Testamento, ele liga, condiciona o amor a Deus ao amor aos outros, aos próximos, àqueles que a providência divina coloca no nosso caminho: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos”. Eis, portanto: a medida da verdade do amor a Deus é o amor, a dedicação para com os outros; e não os outros teoricamente, mas os próximos: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo!” Estes preceitos já valiam para um bom judeu. Jesus está respondendo a um fariseu, um escriba judeu. Basta recordar como a primeira leitura de hoje, tirada da Torah, da Lei de Moisés, já ligava os dois amores, a Deus e ao próximo.

Jesus coloca o Amor de Deus e ao próximo como o centro essencial da Lei. Esses dois mandamentos são a expressão maior da vontade de Deus. É o resumo de toda a Bíblia. Podemos dizer que Jesus convida à alegria, porque é um apelo ao amor. O mandamento do amor é ao mesmo tempo o da alegria, pois esta virtude ensina São Tomás: “não é diferente da caridade, mas um certo ato e efeito seu”. Por isso, um dos elementos mais claros para medirmos o grau da nossa união com Deus é verificarmos o nível de alegria e bom humor que pomos no cumprimento do dever, no trato com os outros, à hora de enfrentarmos a dor e as contrariedades.

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração” (Mt 22,37). Mas, como amar? O Catecismo nos diz que a maneira concreta de amar a Deus é viver as virtudes teologais: fé, esperança e caridade (cfr. Cat. 2086). Quando a graça de Deus atingiu a nossa vida, nós, sendo o que somos, passamos a ser o que não éramos: filhos no Filho. Todo o nosso ser foi elevado à vida sobrenatural: nós passamos a ser templos de Deus, moradas do Altíssimo.

O nosso amor a Deus revela-se nos pequenos acontecimentos de cada dia: amamos a Deus e aos irmãos através do trabalho bem feito, da vida familiar, das relações sociais, do descanso. Tudo pode converter-se em obras de amor. O amor a Deus deve ser supremo e absoluto. O amor a Deus manifesta-se necessariamente no amor aos outros. O sinal externo da nossa união com Deus é o modo como vivemos a caridade com os que estão ao nosso lado. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos. Jesus nos fará dar passos a mais nesse sentido ao dizer que devemos “amar como Ele nos amou”, ou seja, dando a vida uns pelos outros.

Peçamos a Virgem Maria nos ensine a corresponder o amor do seu Filho e assim possamos também amar o nosso próximo. Saibamos amar os nossos irmãos com obras e não apenas com palavras como bem vai nos lembrar o I Dia Mundial dos Pobres que celebraremos no próximo XXXIII domingo do ano.  

 

Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

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27/10/2017 00:00

A liturgia deste XXX domingo do tempo comum nos apresenta a realidade do maior mandamento. É a pergunta que está no Evangelho deste domingo: “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” perguntam ao Senhor para tentar apanhá-lo em armadilha. Ou seja, qual o preceito que, sendo observado, resume a observância de toda Lei? Jesus responde prontamente: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!” Como bom judeu, o Senhor Jesus nada mais faz que retomar o preceito do Antigo Testamento: Amar a Deus! que é também a oração diária do povo de Israel. Amá-Lo dessa forma significa fazer d’Ele o tudo da nossa existência, significa viver a vida aberta para Ele, buscando a Sua santa vontade. Amá-Lo é não conceber a vida como algo que é meu em sentido absoluto, mas um dom que recebi de Deus, que em diante de Deus devo viver e a Quem devo, um dia, devolver com frutos.

Na primeira leitura (Ex 22,20-26) os versículos nos ensinam a proteger os pobres, especialmente os órfãos e as viúvas. Ensina também a não cobrar juros a alguém do próprio povo de Israel e a não guardar o agasalho do pobre como penhor durante a noite, pois ele precisa dele para se proteger contra o frio. É o chamado “código da aliança”. Para um tempo de rejeição dos estrangeiros, esse texto questiona a situação de muitas regiões e povos.

A segunda leitura (1Ts 1, 5c-10) nos mostra que devemos ser imitadores do Senhor. Paulo elogia a comunidade de Tessalônica pelo comportamento que se difunde como exemplo em Jesus Cristo.

No Evangelho (Mt 22, 34-40) Jesus é interpelado pelos fariseus. Eles querem saber qual é o maior dos mandamentos. Jesus responde, buscando fundamentação em duas passagens da Bíblia: “Amarás o Senhor teu Deus com todas…” (Dt 6,5). E, “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18). Seguindo ainda a tradição judaica do Antigo Testamento, ele liga, condiciona o amor a Deus ao amor aos outros, aos próximos, àqueles que a providência divina coloca no nosso caminho: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos”. Eis, portanto: a medida da verdade do amor a Deus é o amor, a dedicação para com os outros; e não os outros teoricamente, mas os próximos: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo!” Estes preceitos já valiam para um bom judeu. Jesus está respondendo a um fariseu, um escriba judeu. Basta recordar como a primeira leitura de hoje, tirada da Torah, da Lei de Moisés, já ligava os dois amores, a Deus e ao próximo.

Jesus coloca o Amor de Deus e ao próximo como o centro essencial da Lei. Esses dois mandamentos são a expressão maior da vontade de Deus. É o resumo de toda a Bíblia. Podemos dizer que Jesus convida à alegria, porque é um apelo ao amor. O mandamento do amor é ao mesmo tempo o da alegria, pois esta virtude ensina São Tomás: “não é diferente da caridade, mas um certo ato e efeito seu”. Por isso, um dos elementos mais claros para medirmos o grau da nossa união com Deus é verificarmos o nível de alegria e bom humor que pomos no cumprimento do dever, no trato com os outros, à hora de enfrentarmos a dor e as contrariedades.

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração” (Mt 22,37). Mas, como amar? O Catecismo nos diz que a maneira concreta de amar a Deus é viver as virtudes teologais: fé, esperança e caridade (cfr. Cat. 2086). Quando a graça de Deus atingiu a nossa vida, nós, sendo o que somos, passamos a ser o que não éramos: filhos no Filho. Todo o nosso ser foi elevado à vida sobrenatural: nós passamos a ser templos de Deus, moradas do Altíssimo.

O nosso amor a Deus revela-se nos pequenos acontecimentos de cada dia: amamos a Deus e aos irmãos através do trabalho bem feito, da vida familiar, das relações sociais, do descanso. Tudo pode converter-se em obras de amor. O amor a Deus deve ser supremo e absoluto. O amor a Deus manifesta-se necessariamente no amor aos outros. O sinal externo da nossa união com Deus é o modo como vivemos a caridade com os que estão ao nosso lado. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos. Jesus nos fará dar passos a mais nesse sentido ao dizer que devemos “amar como Ele nos amou”, ou seja, dando a vida uns pelos outros.

Peçamos a Virgem Maria nos ensine a corresponder o amor do seu Filho e assim possamos também amar o nosso próximo. Saibamos amar os nossos irmãos com obras e não apenas com palavras como bem vai nos lembrar o I Dia Mundial dos Pobres que celebraremos no próximo XXXIII domingo do ano.  

 

Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro