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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 15/12/2018

15 de Dezembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (24)

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15 de Dezembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (24)

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13/10/2017 15:18 - Atualizado em 13/10/2017 15:19

Livros do Antigo Testamento (24) 0

13/10/2017 15:18 - Atualizado em 13/10/2017 15:19

Neste artigo nos dedicamos à saga de Isaac, o segundo patriarca, agora casado com Rebeca. Nestes capítulos ver-se-ão as virtudes e atitudes importantes de um verdadeiro patriarca, além dos dramas e encrencas de que Deus se utilizará para conduzir a história da salvação.

1. A infertilidade de Rebeca e os gêmeos Esaú e Jacó

Como no caso de seu pai, Abraão, Isaac enfrenta também o drama da infertilidade. Parece ser um bom argumento para reafirmar que a promessa só seguirá avante graças à intervenção de Deus:

E Isaac orou insistentemente ao Senhor por sua mulher, porquanto era estéril; e o Senhor ouviu as suas orações, e Rebeca sua mulher concebeu (Gn 25, 21).

São modelos de fé na narrativa do Gênesis, que servem de catequese, de instrução para a comunidade crente de Israel: é preciso saber rezar, e rezar com insistência, se se quiser avançar com sucesso na história da salvação.

Talvez seja um tema insuportável para a mentalidade moderna, calcada, entre outras coisas, na autonomia, entender como na história fundante de Israel, a dependência de Deus seja uma forma louvável e paradigmática de viver a fé e transmiti-la aos outros!

Neste mesmo relato aparece então a prole de Isaac que será parte de um enredo intrigante. Dois meninos, gêmeos, que desde o ventre da mãe, lutam entre si!

E os filhos lutavam dentro dela; então disse: se assim é, por que sou eu assim? E foi perguntar ao Senhor. E o Senhor lhe disse: duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor (Gn 25, 22-23).

No ventre de Rebeca existem, em conflito, duas nações. Este antagonismo estivera presente, de certa maneira, na vida de Abraão, com os filhos Ismael e Isaac. E o povo de Jacó irá prevalecer sobre aquele de seu irmão primogênito, Esaú.

E saiu o primeiro ruivo e todo como um vestido de pelo; por isso chamaram o seu nome Esaú. E depois saiu o seu irmão, agarrada sua mão ao calcanhar de Esaú; por isso se chamou o seu nome Jacó (Gn 25, 25-26).

Depois de nascidos, eles se contraporão em tudo: na aparência, na ação e profissão, no caráter:

E cresceram os meninos, e Esaú foi homem perito na caça, homem do campo; mas Jacó era homem simples, habitando em tendas (Gênesis 25,27).

Eles se contrastaram até no afeto dos pais. Este cenário, descrito dessa maneira, indicava já um cenário problemático e conflituoso mais ainda, como o veremos.

E amava Isaac a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebeca amava a Jacó (Gn 25, 28).

2. As lentilhas de Esaú

A unidade dos versículos 28-34, narra um episódio que será decisivo no desenrolar de uma trama urdida entre Rebeca e Jacó. Uma estória culinária que, na verdade, escondia uma forte disputa pelo dom da primogenitura:

E Jacó cozera um guisado; e veio Esaú do campo, e estava ele cansado. E disse Esaú a Jacó: deixa-me, peço-te, comer desse guisado vermelho, porque estou cansado. Por isso se chamou Edom (Gênesis 25, 29-30).

De uma simples requisição alimentar entre irmãos, veio à tona um pedido inusitado do cozinheiro, Jacó: a primogenitura do irmão pelo prato de comida. Desproporcional, deveria ser recusado; porém, Esaú cede, não entende a gravidade de tal gesto, e vende sua autoridade e futura bênção.

Então disse Jacó: vende-me hoje a tua primogenitura. E disse Esaú: eis que estou a ponto de morrer; para que me servirá a primogenitura? Então disse Jacó: jura-me hoje. E jurou-lhe e vendeu a sua primogenitura a Jacó (Gn 25, 31-33).

O texto não se esquiva de oferecer ao leitor, que se nutre desta tradicional catequese, um grave juízo de valor, que deverá corroborar fatos que serão narrados mais adiante. Esta venda sairá mais caro que um prato de lentilhas para Esaú:

E Jacó deu pão a Esaú e o guisado de lentilhas; e ele comeu, e bebeu, e levantou-se, e saiu. Assim desprezou Esaú a sua primogenitura (Gênesis 25, 34).

Além disso, em Gn 26, 34, Esaú realiza algo ainda mais abominável diante dos seus pais, ele se casa com mulheres da terra, mulheres pagãs:

Ora, sendo Esaú da idade de quarenta anos, tomou por mulher a Judite, filha de Beeri, heteu, e a Basemate, filha de Elom, heteu (Gn 26, 34).

A desaprovação de Isaac e Rebeca não será sem redundância no futuro do primogênito de Isaac:

E estas foram para Isaac e Rebeca uma amargura de espírito (Gn 26, 35).

 

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Livros do Antigo Testamento (24)

13/10/2017 15:18 - Atualizado em 13/10/2017 15:19

Neste artigo nos dedicamos à saga de Isaac, o segundo patriarca, agora casado com Rebeca. Nestes capítulos ver-se-ão as virtudes e atitudes importantes de um verdadeiro patriarca, além dos dramas e encrencas de que Deus se utilizará para conduzir a história da salvação.

1. A infertilidade de Rebeca e os gêmeos Esaú e Jacó

Como no caso de seu pai, Abraão, Isaac enfrenta também o drama da infertilidade. Parece ser um bom argumento para reafirmar que a promessa só seguirá avante graças à intervenção de Deus:

E Isaac orou insistentemente ao Senhor por sua mulher, porquanto era estéril; e o Senhor ouviu as suas orações, e Rebeca sua mulher concebeu (Gn 25, 21).

São modelos de fé na narrativa do Gênesis, que servem de catequese, de instrução para a comunidade crente de Israel: é preciso saber rezar, e rezar com insistência, se se quiser avançar com sucesso na história da salvação.

Talvez seja um tema insuportável para a mentalidade moderna, calcada, entre outras coisas, na autonomia, entender como na história fundante de Israel, a dependência de Deus seja uma forma louvável e paradigmática de viver a fé e transmiti-la aos outros!

Neste mesmo relato aparece então a prole de Isaac que será parte de um enredo intrigante. Dois meninos, gêmeos, que desde o ventre da mãe, lutam entre si!

E os filhos lutavam dentro dela; então disse: se assim é, por que sou eu assim? E foi perguntar ao Senhor. E o Senhor lhe disse: duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor (Gn 25, 22-23).

No ventre de Rebeca existem, em conflito, duas nações. Este antagonismo estivera presente, de certa maneira, na vida de Abraão, com os filhos Ismael e Isaac. E o povo de Jacó irá prevalecer sobre aquele de seu irmão primogênito, Esaú.

E saiu o primeiro ruivo e todo como um vestido de pelo; por isso chamaram o seu nome Esaú. E depois saiu o seu irmão, agarrada sua mão ao calcanhar de Esaú; por isso se chamou o seu nome Jacó (Gn 25, 25-26).

Depois de nascidos, eles se contraporão em tudo: na aparência, na ação e profissão, no caráter:

E cresceram os meninos, e Esaú foi homem perito na caça, homem do campo; mas Jacó era homem simples, habitando em tendas (Gênesis 25,27).

Eles se contrastaram até no afeto dos pais. Este cenário, descrito dessa maneira, indicava já um cenário problemático e conflituoso mais ainda, como o veremos.

E amava Isaac a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebeca amava a Jacó (Gn 25, 28).

2. As lentilhas de Esaú

A unidade dos versículos 28-34, narra um episódio que será decisivo no desenrolar de uma trama urdida entre Rebeca e Jacó. Uma estória culinária que, na verdade, escondia uma forte disputa pelo dom da primogenitura:

E Jacó cozera um guisado; e veio Esaú do campo, e estava ele cansado. E disse Esaú a Jacó: deixa-me, peço-te, comer desse guisado vermelho, porque estou cansado. Por isso se chamou Edom (Gênesis 25, 29-30).

De uma simples requisição alimentar entre irmãos, veio à tona um pedido inusitado do cozinheiro, Jacó: a primogenitura do irmão pelo prato de comida. Desproporcional, deveria ser recusado; porém, Esaú cede, não entende a gravidade de tal gesto, e vende sua autoridade e futura bênção.

Então disse Jacó: vende-me hoje a tua primogenitura. E disse Esaú: eis que estou a ponto de morrer; para que me servirá a primogenitura? Então disse Jacó: jura-me hoje. E jurou-lhe e vendeu a sua primogenitura a Jacó (Gn 25, 31-33).

O texto não se esquiva de oferecer ao leitor, que se nutre desta tradicional catequese, um grave juízo de valor, que deverá corroborar fatos que serão narrados mais adiante. Esta venda sairá mais caro que um prato de lentilhas para Esaú:

E Jacó deu pão a Esaú e o guisado de lentilhas; e ele comeu, e bebeu, e levantou-se, e saiu. Assim desprezou Esaú a sua primogenitura (Gênesis 25, 34).

Além disso, em Gn 26, 34, Esaú realiza algo ainda mais abominável diante dos seus pais, ele se casa com mulheres da terra, mulheres pagãs:

Ora, sendo Esaú da idade de quarenta anos, tomou por mulher a Judite, filha de Beeri, heteu, e a Basemate, filha de Elom, heteu (Gn 26, 34).

A desaprovação de Isaac e Rebeca não será sem redundância no futuro do primogênito de Isaac:

E estas foram para Isaac e Rebeca uma amargura de espírito (Gn 26, 35).

 

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica