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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 07/12/2019

07 de Dezembro de 2019

“O Dia do Senhor”

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“O Dia do Senhor”

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20/09/2013 16:09 - Atualizado em 23/09/2013 16:15

“O Dia do Senhor” 0

20/09/2013 16:09 - Atualizado em 23/09/2013 16:15

O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática Sacrosanctum Concilium, no nº 106, afirma que “o domingo é o fundamento e o centro de todo o ano litúrgico”. A Igreja confere toda esta importância a este dia porque é nele que se celebra o Mistério Pascal de Cristo. Vejamos abaixo qual é o significado do dia do Senhor.

 

Dia do Senhor - Dies Domini

No século I era concebido pelos judeus como o primeiro dia da semana (Yom Rishom) e pelos gregos e romanos como o dia do sol (dies solis). O nome “domingo” vem da expressão latina Dies Domini (Dia do Senhor). De fato, é a comunidade cristã que vai compreender o primeiro dia ou o dia do sol como o dia de fazer memória da Ressurreição de Jesus. As Sagradas Escrituras apontam isto quando nos relatam os fatos da vida do Senhor ocorridos neste dia (a Ressurreição – Mc 16,2.9; Lc 24,1; Jo 20,1; a manifestação aos discípulos de Emaús – Lc 24,13-35; a aparição aos Onze Apóstolos temerosos no cenáculo – Lc 24,36; Jo 20,19; a outra aparição na presença de Tomé – Jo 20,26; o dia de Pentecostes, no qual se manifestou a Igreja com a primeira pregação apostólica e os primeiros batismos – At 2,1.14.41). Além disto, ainda aparecem os primeiros testemunhos da celebração deste dia: At 20,7; ICor 16,2; Ap 1,10.

 

Dia do Cristo - Dies Christi

O domingo foi se tornando, então, desde as primeiras comunidades, o dia da celebração do Mistério Pascal. No fim do século I, a Didaqué prescreve aos cristãos: “Reuni-vos no dia do Senhor para a fração do pão, e celebrai a Eucaristia após haver confessado os vossos pecados”. Ao longo do tempo, ele foi sendo entendido de duas maneiras: o dia da nova criação e o oitavo dia. Assim como, no primeiro dia da antiga criação, Deus fez a luz (Gn 1,3-5); agora, na nova criação, Cristo ressuscitado se tornou a luz para os homens (Jo 1,9; 8,12). A primeira luz era imagem da Luz definitiva: o Senhor. Assim, o domingo é o dia da nova criação realizada por Deus na Ressurreição de Cristo. Ademais, o domingo é o oitavo dia, pois Cristo repousa no sétimo com sua morte e Ressuscita num dia novo – dia de plenitude no qual o pecado e a morte não têm mais poder sobre o homem. Desta forma, o dia do Senhor é, ao mesmo tempo, o primeiro (onde tudo foi recriado na luz de Cristo) e o oitavo dia (o dia sem ocaso e eterno). A vida do cristão é um grande domingo, pois foi recriado pelo Batismo na luz do ressuscitado para entrar na comunhão eterna com Ele no fim dos tempos.

 

Dia da Igreja - Dies Ecclesiae

A Igreja santifica este dia celebrando nele a Eucaristia – memorial da Páscoa de Jesus. Com esta celebração, os cristãos entram em contato com a Palavra de Deus, participam do Banquete Eucarístico e são enviados em missão. O CIC coloca, no nº 1166, que “A Ceia do Senhor é o centro do domingo, pois é aqui que toda a comunidade dos fiéis se encontra com o Senhor ressuscitado, que os convida ao seu banquete”. O domingo se torna o dia da comunhão com o Corpo Eucarístico de Jesus que edifica a Igreja, seu corpo místico. Por isso, a celebração do sacramento é marcada por uma índole comunitária, dando a paróquia uma identidade eucarística.

 

Preceito Dominical

Nas primeiras comunidades não se tinha a preocupação de legislar sobre o imperativo de celebrar o dia do Senhor. É extenso os testemunhos dos mártires sobre a importância da santificação deste dia. Todavia, mais tarde, por conta da tibieza e da negligência, a Igreja confirmou a necessidade da santificação dominical. Esta confirmação se baseava na razão óbvia do cristão celebrar os Mistérios da Salvação. Assim, permaneceu o costume de guardar o domingo com a celebração da Ceia Eucarística. O Código de Direito Canônico de 1917 copila e transforma em lei universal tal costume. No Código atual, de 1983, preceitua, no cânon 1246, assim: “O domingo, dia em que por tradição apostólica se celebra o mistério pascal, deve ser guardado em toda a Igreja como o dia de festa por excelência”. No cânon 1247, afirma: “os fieis têm obrigação de participar da missa, além disto, devem abster-se das atividades e negócios que impeçam o culto a ser prestado a Deus, a alegria própria do dia do Senhor e o devido descanso da mente e do corpo”.

 

Dia do homem – Dies homini

O domingo não pode ser reduzido apenas ao período da celebração eucarística. Todo o dia deve ser vivido dentro de um contexto de lembrança, de reconhecimento e de admiração pelas maravilhas do Senhor. Dessa forma, os momentos vividos com a família, na relação com as pessoas e no lazer devem refletir a paz e a alegria da Ressurreição de Cristo. O dia da memória da Ressurreição deve ser compreendido como um dom dado aos homens para que eles possam se alegrar, descansar e se dedicar a solidariedade nos serviços da misericórdia, da caridade e da evangelização.

 

Para aprofundar...

Para saber mais sobre o assunto, indicamos o CIC, nos 1166 até 1167; o Compêndio do Catecismo, pergunta 241; o Youcat, pergunta 187; e a Constituição Dogmática Sacrosanctum Concilium, parágrafo 106.


Pe. Vitor Gino Finelon

Vice diretor das Escolas Mater Ecclesiae e Luz evida

 

 

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“O Dia do Senhor”

20/09/2013 16:09 - Atualizado em 23/09/2013 16:15

O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática Sacrosanctum Concilium, no nº 106, afirma que “o domingo é o fundamento e o centro de todo o ano litúrgico”. A Igreja confere toda esta importância a este dia porque é nele que se celebra o Mistério Pascal de Cristo. Vejamos abaixo qual é o significado do dia do Senhor.

 

Dia do Senhor - Dies Domini

No século I era concebido pelos judeus como o primeiro dia da semana (Yom Rishom) e pelos gregos e romanos como o dia do sol (dies solis). O nome “domingo” vem da expressão latina Dies Domini (Dia do Senhor). De fato, é a comunidade cristã que vai compreender o primeiro dia ou o dia do sol como o dia de fazer memória da Ressurreição de Jesus. As Sagradas Escrituras apontam isto quando nos relatam os fatos da vida do Senhor ocorridos neste dia (a Ressurreição – Mc 16,2.9; Lc 24,1; Jo 20,1; a manifestação aos discípulos de Emaús – Lc 24,13-35; a aparição aos Onze Apóstolos temerosos no cenáculo – Lc 24,36; Jo 20,19; a outra aparição na presença de Tomé – Jo 20,26; o dia de Pentecostes, no qual se manifestou a Igreja com a primeira pregação apostólica e os primeiros batismos – At 2,1.14.41). Além disto, ainda aparecem os primeiros testemunhos da celebração deste dia: At 20,7; ICor 16,2; Ap 1,10.

 

Dia do Cristo - Dies Christi

O domingo foi se tornando, então, desde as primeiras comunidades, o dia da celebração do Mistério Pascal. No fim do século I, a Didaqué prescreve aos cristãos: “Reuni-vos no dia do Senhor para a fração do pão, e celebrai a Eucaristia após haver confessado os vossos pecados”. Ao longo do tempo, ele foi sendo entendido de duas maneiras: o dia da nova criação e o oitavo dia. Assim como, no primeiro dia da antiga criação, Deus fez a luz (Gn 1,3-5); agora, na nova criação, Cristo ressuscitado se tornou a luz para os homens (Jo 1,9; 8,12). A primeira luz era imagem da Luz definitiva: o Senhor. Assim, o domingo é o dia da nova criação realizada por Deus na Ressurreição de Cristo. Ademais, o domingo é o oitavo dia, pois Cristo repousa no sétimo com sua morte e Ressuscita num dia novo – dia de plenitude no qual o pecado e a morte não têm mais poder sobre o homem. Desta forma, o dia do Senhor é, ao mesmo tempo, o primeiro (onde tudo foi recriado na luz de Cristo) e o oitavo dia (o dia sem ocaso e eterno). A vida do cristão é um grande domingo, pois foi recriado pelo Batismo na luz do ressuscitado para entrar na comunhão eterna com Ele no fim dos tempos.

 

Dia da Igreja - Dies Ecclesiae

A Igreja santifica este dia celebrando nele a Eucaristia – memorial da Páscoa de Jesus. Com esta celebração, os cristãos entram em contato com a Palavra de Deus, participam do Banquete Eucarístico e são enviados em missão. O CIC coloca, no nº 1166, que “A Ceia do Senhor é o centro do domingo, pois é aqui que toda a comunidade dos fiéis se encontra com o Senhor ressuscitado, que os convida ao seu banquete”. O domingo se torna o dia da comunhão com o Corpo Eucarístico de Jesus que edifica a Igreja, seu corpo místico. Por isso, a celebração do sacramento é marcada por uma índole comunitária, dando a paróquia uma identidade eucarística.

 

Preceito Dominical

Nas primeiras comunidades não se tinha a preocupação de legislar sobre o imperativo de celebrar o dia do Senhor. É extenso os testemunhos dos mártires sobre a importância da santificação deste dia. Todavia, mais tarde, por conta da tibieza e da negligência, a Igreja confirmou a necessidade da santificação dominical. Esta confirmação se baseava na razão óbvia do cristão celebrar os Mistérios da Salvação. Assim, permaneceu o costume de guardar o domingo com a celebração da Ceia Eucarística. O Código de Direito Canônico de 1917 copila e transforma em lei universal tal costume. No Código atual, de 1983, preceitua, no cânon 1246, assim: “O domingo, dia em que por tradição apostólica se celebra o mistério pascal, deve ser guardado em toda a Igreja como o dia de festa por excelência”. No cânon 1247, afirma: “os fieis têm obrigação de participar da missa, além disto, devem abster-se das atividades e negócios que impeçam o culto a ser prestado a Deus, a alegria própria do dia do Senhor e o devido descanso da mente e do corpo”.

 

Dia do homem – Dies homini

O domingo não pode ser reduzido apenas ao período da celebração eucarística. Todo o dia deve ser vivido dentro de um contexto de lembrança, de reconhecimento e de admiração pelas maravilhas do Senhor. Dessa forma, os momentos vividos com a família, na relação com as pessoas e no lazer devem refletir a paz e a alegria da Ressurreição de Cristo. O dia da memória da Ressurreição deve ser compreendido como um dom dado aos homens para que eles possam se alegrar, descansar e se dedicar a solidariedade nos serviços da misericórdia, da caridade e da evangelização.

 

Para aprofundar...

Para saber mais sobre o assunto, indicamos o CIC, nos 1166 até 1167; o Compêndio do Catecismo, pergunta 241; o Youcat, pergunta 187; e a Constituição Dogmática Sacrosanctum Concilium, parágrafo 106.


Pe. Vitor Gino Finelon

Vice diretor das Escolas Mater Ecclesiae e Luz evida

 

 

Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida