Arquidiocese do Rio de Janeiro

24º 18º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/08/2017

17 de Agosto de 2017

“Tu és o Filho de Deus”

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17 de Agosto de 2017

“Tu és o Filho de Deus”

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12/08/2017 17:02 - Atualizado em 12/08/2017 17:02

“Tu és o Filho de Deus” 0

12/08/2017 17:02 - Atualizado em 12/08/2017 17:02

O segundo domingo do mês vocacional (“a exemplo de Maria, discípulos missionários”), dedicado ao Dia dos Pais, início da Semana Nacional da Família (“Família, uma luz para vida em sociedade”) é o 19º domingo do tempo comum. A liturgia já quase na metade de Agosto nos fala da importância da nossa fé e também de um Deus que é grande, inesperado e surpreendente para que possamos enquadrá-lo em nossa lógica e no nosso modo de pensar.

Na primeira leitura (1Rs19,9a.11-13a) o profeta Elias, perseguido e votado à morte, foge, desanimado, pelo deserto de Judá e deseja morrer, mas Deus ordena-lhe subir o Monte Horeb para estar a sós com Ele e receber uma nova missão. Elias, em crise, fugindo de Jezabel, caminha para o Horeb; ele quer encontrar suas origens, as fontes da fé de Israel. Recordem que o Horeb é o mesmo monte Sinai, a Montanha de Deus. Nos momentos de dúvida, de crise, de escuridão, é indispensável voltar às origens, às raízes de nossa fé; é indispensável recordar o momento e a ocasião do nosso primeiro encontro com o Senhor e n’Ele reencontrar as forças, a inspiração e a coragem para continuar. Elias volta ao Horeb procurando Deus e o encontra na paz de um murmúrio de uma leve brisa.

Na segunda leitura (Rm 9,1-5) o Apóstolo Paulo membro do Povo de Israel e tem uma enorme tristeza por ver seu povo rejeitar a Salvação em Cristo. Ele tem um amor heroico, comprometido e solidário com o Povo de Israel. São Paulo está consciente do grande valor de Israel: as alianças, as leis, o culto, as promessas, os patriarcas e também o Messias: nós os herdamos dos hebreus. Paulo diz que está disposto a tudo para que Israel aceite Jesus como enviado de Deus. A recusa de Israel a Jesus ocupa as preocupações do Apóstolo. Mas Paulo consola-se porque o convite de Jesus a Israel continua aberto. O Deus bondoso, eternamente fiel a Israel quando, ao longo da história, este se mostrou infiel à aliança, agirá com misericórdia para com seu povo.

O Evangelho deste domingo (Mt 14,22-33) nos mostra Jesus enviando os discípulos em missão na outra margem do lago e, depois de despedir o povo retira-se para o monte, para orar a sós. Enquanto isso os apóstolos navegam, de noite, preocupados, na barca agitada pelos ventos contrários. Jesus, de madrugada, vai ao encontro deles, caminhando sobre o mar. Quando apavorados O confundem, Jesus se identifica: “Coragem! Sou Eu, não tenham medo”. É o constante apelo de Jesus diante das dificuldades do barco da vida: coragem, não tenham medo!

Pedro pede a Jesus: “Se és Tu, manda-me caminhar sobre as águas”. Pedro nos representa, porque também nós duvidamos da presença do Cristo ressuscitado, e propõe: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água” (por sobre os problemas, dificuldades, tentações significado pelo mar identificado com a realidade caótica dos poderes infernais). E Jesus diz: “Vem!”. Pedro necessita de uma prova que lhe dê segurança, por isso se arrisca. Mas, como era de esperar, ele tem medo, pois a travessia da vida é difícil, ameaçada pelas ondas imensas. E o discípulo grita. Mas Jesus segura a mão dele e o leva de novo para o barco, para que ali se sinta seguro, com os demais companheiros. Jesus disse a Pedro: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?”. Todos nós somos Pedro, caminhando sobre as águas com medo de afundar. Mas sabemos que, embora pensemos que o barco, da humanidade e da Igreja, está abandonado e perdido no mar hostil de nossa época, Jesus tem estado conosco de um modo misterioso, e podemos percebê-lo dominando a noite e a tempestade (“o vento se acalmou”).

Isso nos faz refletir que a pouca fé do cristão torna-o medroso nos perigos, abatido nas dificuldades e, por isso, corre o risco de naufragar.Mas, ali onde a fé é viva, onde não se duvida do poder de Jesus e da sua presença contínua na Igreja, não há perigo de naufrágio, porque a mão do Senhor estende-se invisivelmente para salvar a barca da Igreja e cada cristão em particular. Somos chamados a reconhecer com alegria que conosco está aquele que é “verdadeiramente, o Filho de Deus”, o Salvador do Mundo, Jesus Cristo, nosso Senhor.

Com a presença de Jesus a tempestade acalma e o barco chega feliz à outra margem do mar! O Reino de Deus não se realiza sem sua presença, seja na Pastoral, ou seja, na vida pessoal! Somente Jesus é o dono do mar e pode acalmar toda e qualquer tempestade! Senhor do Reino é Jesus; nós somos apenas pobres servos enviados para atravessar o mar! Não podemos ser fracos na fé! Devemos colocar nossa confiança no “senhor do mar” e embarcar na barca de Pedro!

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“Tu és o Filho de Deus”

12/08/2017 17:02 - Atualizado em 12/08/2017 17:02

O segundo domingo do mês vocacional (“a exemplo de Maria, discípulos missionários”), dedicado ao Dia dos Pais, início da Semana Nacional da Família (“Família, uma luz para vida em sociedade”) é o 19º domingo do tempo comum. A liturgia já quase na metade de Agosto nos fala da importância da nossa fé e também de um Deus que é grande, inesperado e surpreendente para que possamos enquadrá-lo em nossa lógica e no nosso modo de pensar.

Na primeira leitura (1Rs19,9a.11-13a) o profeta Elias, perseguido e votado à morte, foge, desanimado, pelo deserto de Judá e deseja morrer, mas Deus ordena-lhe subir o Monte Horeb para estar a sós com Ele e receber uma nova missão. Elias, em crise, fugindo de Jezabel, caminha para o Horeb; ele quer encontrar suas origens, as fontes da fé de Israel. Recordem que o Horeb é o mesmo monte Sinai, a Montanha de Deus. Nos momentos de dúvida, de crise, de escuridão, é indispensável voltar às origens, às raízes de nossa fé; é indispensável recordar o momento e a ocasião do nosso primeiro encontro com o Senhor e n’Ele reencontrar as forças, a inspiração e a coragem para continuar. Elias volta ao Horeb procurando Deus e o encontra na paz de um murmúrio de uma leve brisa.

Na segunda leitura (Rm 9,1-5) o Apóstolo Paulo membro do Povo de Israel e tem uma enorme tristeza por ver seu povo rejeitar a Salvação em Cristo. Ele tem um amor heroico, comprometido e solidário com o Povo de Israel. São Paulo está consciente do grande valor de Israel: as alianças, as leis, o culto, as promessas, os patriarcas e também o Messias: nós os herdamos dos hebreus. Paulo diz que está disposto a tudo para que Israel aceite Jesus como enviado de Deus. A recusa de Israel a Jesus ocupa as preocupações do Apóstolo. Mas Paulo consola-se porque o convite de Jesus a Israel continua aberto. O Deus bondoso, eternamente fiel a Israel quando, ao longo da história, este se mostrou infiel à aliança, agirá com misericórdia para com seu povo.

O Evangelho deste domingo (Mt 14,22-33) nos mostra Jesus enviando os discípulos em missão na outra margem do lago e, depois de despedir o povo retira-se para o monte, para orar a sós. Enquanto isso os apóstolos navegam, de noite, preocupados, na barca agitada pelos ventos contrários. Jesus, de madrugada, vai ao encontro deles, caminhando sobre o mar. Quando apavorados O confundem, Jesus se identifica: “Coragem! Sou Eu, não tenham medo”. É o constante apelo de Jesus diante das dificuldades do barco da vida: coragem, não tenham medo!

Pedro pede a Jesus: “Se és Tu, manda-me caminhar sobre as águas”. Pedro nos representa, porque também nós duvidamos da presença do Cristo ressuscitado, e propõe: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água” (por sobre os problemas, dificuldades, tentações significado pelo mar identificado com a realidade caótica dos poderes infernais). E Jesus diz: “Vem!”. Pedro necessita de uma prova que lhe dê segurança, por isso se arrisca. Mas, como era de esperar, ele tem medo, pois a travessia da vida é difícil, ameaçada pelas ondas imensas. E o discípulo grita. Mas Jesus segura a mão dele e o leva de novo para o barco, para que ali se sinta seguro, com os demais companheiros. Jesus disse a Pedro: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?”. Todos nós somos Pedro, caminhando sobre as águas com medo de afundar. Mas sabemos que, embora pensemos que o barco, da humanidade e da Igreja, está abandonado e perdido no mar hostil de nossa época, Jesus tem estado conosco de um modo misterioso, e podemos percebê-lo dominando a noite e a tempestade (“o vento se acalmou”).

Isso nos faz refletir que a pouca fé do cristão torna-o medroso nos perigos, abatido nas dificuldades e, por isso, corre o risco de naufragar.Mas, ali onde a fé é viva, onde não se duvida do poder de Jesus e da sua presença contínua na Igreja, não há perigo de naufrágio, porque a mão do Senhor estende-se invisivelmente para salvar a barca da Igreja e cada cristão em particular. Somos chamados a reconhecer com alegria que conosco está aquele que é “verdadeiramente, o Filho de Deus”, o Salvador do Mundo, Jesus Cristo, nosso Senhor.

Com a presença de Jesus a tempestade acalma e o barco chega feliz à outra margem do mar! O Reino de Deus não se realiza sem sua presença, seja na Pastoral, ou seja, na vida pessoal! Somente Jesus é o dono do mar e pode acalmar toda e qualquer tempestade! Senhor do Reino é Jesus; nós somos apenas pobres servos enviados para atravessar o mar! Não podemos ser fracos na fé! Devemos colocar nossa confiança no “senhor do mar” e embarcar na barca de Pedro!

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro