Arquidiocese do Rio de Janeiro

28º 19º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 25/09/2017

25 de Setembro de 2017

Lançai a semente

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

25 de Setembro de 2017

Lançai a semente

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

15/07/2017 18:53 - Atualizado em 15/07/2017 18:54

Lançai a semente 0

15/07/2017 18:53 - Atualizado em 15/07/2017 18:54

Queridos irmãos e irmãs, temos a graça de celebrar o XV Domingo do Tempo Comum. Nele, o Senhor nos apresenta a parábola do semeador, que centraliza nossa reflexão dominical.

A Primeira Leitura (Is 55,10-11) – a palavra que sai da boca, ou seja, a Palavra de Deus é comparada à chuva e à neve que descem do céu. Assim como esta chuva faz germinar a semente e dar frutos, assim também é a Palavra de Deus.

A Segunda Leitura (Rm 8,18-23): “Eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós”. Aqui pensamos nas dificuldades que passamos em nossa vida. Estas dificuldades se tornam pequenas diante da tamanha graça que o Senhor nos propiciou, que é a Salvação. A criação geme em dores de parto. Aqui podemos caracterizar todos os problemas que a humanidade enfrenta e, parafraseando São Francisco de Assis, o que a mãe terra sofre. Vemos este sofrimento em vários âmbitos: violência, degradação do meio ambiente e a ganância do ser humano.

O centro do Evangelho de Mt 13, 1-23 nos recorda que o Reino dos Céus é o núcleo, o tema, o objetivo da pregação de Jesus: Ele veio para instaurar o Reino entre nós e nos fazer participar dele em plenitude após nosso caminho neste mundo. Quando Mateus diz “Reino dos Céus” é o mesmo que dizer “Reino de Deus”, pois o céu é Deus e fora de Deus não pode haver céu! O anúncio do Reino dos Céus é, portanto, o anúncio do reinado do Deus de Jesus, aquele mesmo Deus a quem Ele chamava de Pai, Pai que é todo amor, todo ternura, todo compaixão e misericórdia! Por isso, o reinado de Deus é nossa vida e nossa felicidade.

Na Parábola do Semeador, a semente é a Palavra de Deus, que é sempre fecunda como a chuva e a neve que descem do céu e para lá não voltam, mas vêm irrigar e fecundar a terra”. A Palavra que Jesus, o Semeador, joga no terreno do nosso coração, nunca ficará sem efeito; é uma Palavra eficaz! O Padre Antônio Vieira, comentando esse Evangelho, afirmava que a Palavra pode não dar fruto, mas dará sempre efeito: efeito de salvação ou efeito de condenação! É verdade: ninguém ficará neutro diante da Palavra do Senhor que escutou: ou a acolhe, dá fruto nela e acolhe a salvação, ou a rejeita, para ela se fecha e por causa dela se perde.

Jesus semeia por todas as partes, em todos os campos, porque a salvação é para todos. Todos devem ter acesso à felicidade eterna. No entanto, os terrenos são diversos. Alguns estão muito expostos, estão à beira do caminho; outros não têm profundidade. Trata-se duma terra pedregosa na qual as raízes não podem estender-se; outros ainda como se fossem no meio dos espinhos. Mas nem tudo está perdido, também há terra boa. Isso não significa que as sementes que caíram à beira do caminho, nos espinhos ou em solo pedregoso não possam produzir frutos. O terreno seria relativamente indiferente quando preparado para a plantação. O importante é trabalhar bem o terreno, mais ainda quando hoje em dia há técnicas agrônomas eficazmente comprovadas. Aí está a missão do cristão: preparar o terreno, ser terra boa e fazer de tudo para que os outros terrenos recebam a Palavra de Deus com generosidade.

A comunidade evangelizadora mantém-se atenta aos frutos porque o Senhor a quer fecunda. Cuida do trigo e não perde a paz por causa do joio. O semeador, quando vê surgir o joio no meio do trigo, não tem reações lastimosas ou alarmistas. Encontra o modo para fazer com que a Palavra se encarne numa situação concreta e dê frutos de vida nova, apesar de serem aparentemente imperfeitos ou defeituosos. O discípulo sabe oferecer a vida inteira e jogá-la até ao martírio como testemunho de Jesus Cristo, mas o seu sonho não é estar cheio de inimigos, mas antes que a Palavra seja acolhida e manifeste a sua força libertadora e renovadora. Por fim, a comunidade evangelizadora jubilosa sabe sempre “festejar”: celebra e festeja cada pequena vitória, cada passo em frente na evangelização. No meio desta exigência diária de fazer avançar o bem, a evangelização jubilosa torna-se beleza na liturgia. A Igreja evangeliza e se evangeliza com a beleza da liturgia, que é também celebração da atividade evangelizadora e fonte dum renovado impulso para se dar.

Queremos que a semente caia em nosso coração e ali, encontrando a boa terra, possa dar frutos. Somos sempre semeadores e missionários de Cristo e de sua Igreja. Constantemente sua Palavra tem que ser lançada. Lançada para assim germinar e dar frutos.

Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.

Lançai a semente

15/07/2017 18:53 - Atualizado em 15/07/2017 18:54

Queridos irmãos e irmãs, temos a graça de celebrar o XV Domingo do Tempo Comum. Nele, o Senhor nos apresenta a parábola do semeador, que centraliza nossa reflexão dominical.

A Primeira Leitura (Is 55,10-11) – a palavra que sai da boca, ou seja, a Palavra de Deus é comparada à chuva e à neve que descem do céu. Assim como esta chuva faz germinar a semente e dar frutos, assim também é a Palavra de Deus.

A Segunda Leitura (Rm 8,18-23): “Eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós”. Aqui pensamos nas dificuldades que passamos em nossa vida. Estas dificuldades se tornam pequenas diante da tamanha graça que o Senhor nos propiciou, que é a Salvação. A criação geme em dores de parto. Aqui podemos caracterizar todos os problemas que a humanidade enfrenta e, parafraseando São Francisco de Assis, o que a mãe terra sofre. Vemos este sofrimento em vários âmbitos: violência, degradação do meio ambiente e a ganância do ser humano.

O centro do Evangelho de Mt 13, 1-23 nos recorda que o Reino dos Céus é o núcleo, o tema, o objetivo da pregação de Jesus: Ele veio para instaurar o Reino entre nós e nos fazer participar dele em plenitude após nosso caminho neste mundo. Quando Mateus diz “Reino dos Céus” é o mesmo que dizer “Reino de Deus”, pois o céu é Deus e fora de Deus não pode haver céu! O anúncio do Reino dos Céus é, portanto, o anúncio do reinado do Deus de Jesus, aquele mesmo Deus a quem Ele chamava de Pai, Pai que é todo amor, todo ternura, todo compaixão e misericórdia! Por isso, o reinado de Deus é nossa vida e nossa felicidade.

Na Parábola do Semeador, a semente é a Palavra de Deus, que é sempre fecunda como a chuva e a neve que descem do céu e para lá não voltam, mas vêm irrigar e fecundar a terra”. A Palavra que Jesus, o Semeador, joga no terreno do nosso coração, nunca ficará sem efeito; é uma Palavra eficaz! O Padre Antônio Vieira, comentando esse Evangelho, afirmava que a Palavra pode não dar fruto, mas dará sempre efeito: efeito de salvação ou efeito de condenação! É verdade: ninguém ficará neutro diante da Palavra do Senhor que escutou: ou a acolhe, dá fruto nela e acolhe a salvação, ou a rejeita, para ela se fecha e por causa dela se perde.

Jesus semeia por todas as partes, em todos os campos, porque a salvação é para todos. Todos devem ter acesso à felicidade eterna. No entanto, os terrenos são diversos. Alguns estão muito expostos, estão à beira do caminho; outros não têm profundidade. Trata-se duma terra pedregosa na qual as raízes não podem estender-se; outros ainda como se fossem no meio dos espinhos. Mas nem tudo está perdido, também há terra boa. Isso não significa que as sementes que caíram à beira do caminho, nos espinhos ou em solo pedregoso não possam produzir frutos. O terreno seria relativamente indiferente quando preparado para a plantação. O importante é trabalhar bem o terreno, mais ainda quando hoje em dia há técnicas agrônomas eficazmente comprovadas. Aí está a missão do cristão: preparar o terreno, ser terra boa e fazer de tudo para que os outros terrenos recebam a Palavra de Deus com generosidade.

A comunidade evangelizadora mantém-se atenta aos frutos porque o Senhor a quer fecunda. Cuida do trigo e não perde a paz por causa do joio. O semeador, quando vê surgir o joio no meio do trigo, não tem reações lastimosas ou alarmistas. Encontra o modo para fazer com que a Palavra se encarne numa situação concreta e dê frutos de vida nova, apesar de serem aparentemente imperfeitos ou defeituosos. O discípulo sabe oferecer a vida inteira e jogá-la até ao martírio como testemunho de Jesus Cristo, mas o seu sonho não é estar cheio de inimigos, mas antes que a Palavra seja acolhida e manifeste a sua força libertadora e renovadora. Por fim, a comunidade evangelizadora jubilosa sabe sempre “festejar”: celebra e festeja cada pequena vitória, cada passo em frente na evangelização. No meio desta exigência diária de fazer avançar o bem, a evangelização jubilosa torna-se beleza na liturgia. A Igreja evangeliza e se evangeliza com a beleza da liturgia, que é também celebração da atividade evangelizadora e fonte dum renovado impulso para se dar.

Queremos que a semente caia em nosso coração e ali, encontrando a boa terra, possa dar frutos. Somos sempre semeadores e missionários de Cristo e de sua Igreja. Constantemente sua Palavra tem que ser lançada. Lançada para assim germinar e dar frutos.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro