Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 25/07/2017

25 de Julho de 2017

Uma semente, muitos terrenos

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Uma semente, muitos terrenos

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14/07/2017 16:49 - Atualizado em 14/07/2017 16:49

Uma semente, muitos terrenos 0

14/07/2017 16:49 - Atualizado em 14/07/2017 16:49

No trecho do Evangelho proclamado na liturgia neste domingo (Mt 13,1-23), ouvimos Jesus ensinar à multidão sobre o Reino de Deus, comparando-o com a semeadura. A imagem, muito simples e clara por um lado, torna-se bastante séria e exigente por outro.

No Tempo Comum, a palavra-chave da vida cristã, celebrada na liturgia, é “seguimento”. Ora, seguir Jesus não é acompanhá-lo. Significa empenhar a vida a partir de tudo que Ele fez e ensinou. Lemos no Evangelho que muitos acompanhavam Jesus, mas poucos o seguiam verdadeiramente, porque segui-lo implica repetir seus gestos, assumir suas opções, acolher e transmitir seus pensamentos, associando-se a eles, e acolher e abraçar a Cruz como consequência redentora de uma vida feita doação. Não houve quem, com a graça de Deus, se encantasse tanto pelo Senhor que transformou sua vida seguindo Jesus. Outros, no entanto, embora aprendam a admirá-lo e até o amem, não têm força suficiente para segui-lo. Por quê?

Para começar, porque cada pessoa é diferente, tem diferentes dons e carismas (cf. 1Cor 12,4-6), pensam diferente. Como comparar um a outro? Logo, embora podemos dizer que a Igreja é o grande campo onde o nosso Semeador Divino espalha a semente da Palavra, cada um é especificamente um tipo de terreno, ao qual não é possível conceituar de forma simplista. Quem de nós, ao ouvir este trecho do Evangelho, nunca sentiu a tentação de avaliar-se? No entanto, reconhecemos que não precisamos ser apenas “um tipo de terreno”, ou que, na verdade somos “um misto dos tipos de terreno” existentes?

Depois, porque, assim como a terra não é algo estático, podendo ser trabalhada para que se enriqueça de mais nutrientes e seja mais produtiva, ou revolvida para se renovar, ou precisa de descanso para que se recupere, da mesma forma nós somos dinâmicos e complexos. Nosso “sim” de hoje não é garantia de que o será amanhã. Por isso, Jesus adverte: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação. Porque o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26,41). Para ser “terra boa”, nossa decisão de estar com Cristo deve ser renovada cada dia!

Por isso é tão importante escutar com fidelidade a Palavra de Deus. Esta é uma das poucas passagens que temos a honra de ouvir a homilia do próprio Senhor. É ele mesmo quem explica o sentido da sua parábola, portanto não pode haver explicação melhor. A partir do que ele diz, podemos nos confrontar conosco: ao invés de nos perguntarmos que terreno somos, podemos nos perguntar: como está nosso terreno hoje? E, se não estamos sendo capazes de produzir fruto, o que tem faltado para que nosso terreno se recupere? Quais são os obstáculos que têm dificultado nosso caminho com o Senhor?

O próprio Senhor ainda que cada um frutifica segundo suas próprias características. Por isso, há quantidade diferente de frutos. Mais não significa melhor ou mais profundo. Apenas indica características diferentes. Lembremos que “o homem vê a aparência, mas o Senhor olha o coração” (1Rs 16,7). Cada um produz segundo suas capacidades e potencialidades. Quem produziu mais? Lembremos do que Jesus afirma em face da oferta da viúva: “Em verdade vos digo: esta pobre viúva pôs mais do que os outros. Pois todos aqueles lançaram nas ofertas de Deus o que lhes sobra; esta, porém, deu, da sua indigência, tudo o que lhe restava para o sustento” (Lc 21,3-4). Pode ser que trinta frutos rendam mais que cem…

Deixemos que a Palavra de Deus nos guie na direção dos pensamentos e caminhos do Senhor! (cf. Is 55,8-9).

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14/07/2017 16:49 - Atualizado em 14/07/2017 16:49

No trecho do Evangelho proclamado na liturgia neste domingo (Mt 13,1-23), ouvimos Jesus ensinar à multidão sobre o Reino de Deus, comparando-o com a semeadura. A imagem, muito simples e clara por um lado, torna-se bastante séria e exigente por outro.

No Tempo Comum, a palavra-chave da vida cristã, celebrada na liturgia, é “seguimento”. Ora, seguir Jesus não é acompanhá-lo. Significa empenhar a vida a partir de tudo que Ele fez e ensinou. Lemos no Evangelho que muitos acompanhavam Jesus, mas poucos o seguiam verdadeiramente, porque segui-lo implica repetir seus gestos, assumir suas opções, acolher e transmitir seus pensamentos, associando-se a eles, e acolher e abraçar a Cruz como consequência redentora de uma vida feita doação. Não houve quem, com a graça de Deus, se encantasse tanto pelo Senhor que transformou sua vida seguindo Jesus. Outros, no entanto, embora aprendam a admirá-lo e até o amem, não têm força suficiente para segui-lo. Por quê?

Para começar, porque cada pessoa é diferente, tem diferentes dons e carismas (cf. 1Cor 12,4-6), pensam diferente. Como comparar um a outro? Logo, embora podemos dizer que a Igreja é o grande campo onde o nosso Semeador Divino espalha a semente da Palavra, cada um é especificamente um tipo de terreno, ao qual não é possível conceituar de forma simplista. Quem de nós, ao ouvir este trecho do Evangelho, nunca sentiu a tentação de avaliar-se? No entanto, reconhecemos que não precisamos ser apenas “um tipo de terreno”, ou que, na verdade somos “um misto dos tipos de terreno” existentes?

Depois, porque, assim como a terra não é algo estático, podendo ser trabalhada para que se enriqueça de mais nutrientes e seja mais produtiva, ou revolvida para se renovar, ou precisa de descanso para que se recupere, da mesma forma nós somos dinâmicos e complexos. Nosso “sim” de hoje não é garantia de que o será amanhã. Por isso, Jesus adverte: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação. Porque o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26,41). Para ser “terra boa”, nossa decisão de estar com Cristo deve ser renovada cada dia!

Por isso é tão importante escutar com fidelidade a Palavra de Deus. Esta é uma das poucas passagens que temos a honra de ouvir a homilia do próprio Senhor. É ele mesmo quem explica o sentido da sua parábola, portanto não pode haver explicação melhor. A partir do que ele diz, podemos nos confrontar conosco: ao invés de nos perguntarmos que terreno somos, podemos nos perguntar: como está nosso terreno hoje? E, se não estamos sendo capazes de produzir fruto, o que tem faltado para que nosso terreno se recupere? Quais são os obstáculos que têm dificultado nosso caminho com o Senhor?

O próprio Senhor ainda que cada um frutifica segundo suas próprias características. Por isso, há quantidade diferente de frutos. Mais não significa melhor ou mais profundo. Apenas indica características diferentes. Lembremos que “o homem vê a aparência, mas o Senhor olha o coração” (1Rs 16,7). Cada um produz segundo suas capacidades e potencialidades. Quem produziu mais? Lembremos do que Jesus afirma em face da oferta da viúva: “Em verdade vos digo: esta pobre viúva pôs mais do que os outros. Pois todos aqueles lançaram nas ofertas de Deus o que lhes sobra; esta, porém, deu, da sua indigência, tudo o que lhe restava para o sustento” (Lc 21,3-4). Pode ser que trinta frutos rendam mais que cem…

Deixemos que a Palavra de Deus nos guie na direção dos pensamentos e caminhos do Senhor! (cf. Is 55,8-9).

Padre Cristiano Holtz Peixoto
Autor

Padre Cristiano Holtz Peixoto

Vigário paroquial da Catedral Metropolitana