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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 08/12/2019

08 de Dezembro de 2019

“A Ascensão do Senhor”

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“A Ascensão do Senhor”

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20/09/2013 15:51 - Atualizado em 23/09/2013 16:10

“A Ascensão do Senhor” 0

20/09/2013 15:51 - Atualizado em 23/09/2013 16:10

Um dos Mistérios da Vida de Cristo que nós proclamamos em nossa Profissão de Fé é a sua Ascensão. Cremos que Ele, após sua Ressurreição e suas Aparições, subiu aos céus e sentou-se a direta de Deus Pai Todo-Poderoso. Vejamos o que significa esta nossa afirmação de fé.
 

A Ascensão na Sagrada Escritura

A Ascensão de Jesus é apresentada por São Lucas tanto no seu Evangelho (Lc 24,50-53), quanto nos Atos dos Apóstolos (At 1,6-14). Outros textos nos falam suscintamente ou indiretamente dela (Mc 16,19; Jo 3,13; 6,62; Ef 4,10; IPd 3,22). Em outras passagens, ela não é mencionada, mas é suposta (Rm 8,34; Col 3,1-3; Hb 1,3-4.13; Ap 3,21). De uma forma geral, podemos dizer que dos relatos bíblicos sobre a Ascensão duas verdades se destacam para nossa fé: Jesus se manifestou subindo aos Céus diante de seus discípulos e Ele foi exaltado e glorificado junto de seu Pai.

                Segundo a narrativa lucana, na última aparição aos seus discípulos, Ele sobe, entrando de vez, na glória do Pai. Esta glória é simbolizada pela nuvem e pelo céu neste relato bíblico. Unido a subida de Jesus aos Céus, aparece a missão da Igreja de viver neste mundo transfigurando-o a partir do Cristo Senhor e à promessa do seu retorno no fim (a Parusia) para levá-la a consumação.

 

A Ascensão na Tradição

Já por volta do ano 388 podemos ver o testemunho de São Gregório de Nissa sobre a celebração da Solenidade da Ascensão do Senhor no Oriente. Ela era a festa da “volta do Cristo ao Pai”, fixada quarenta dias após a Festa da Páscoa em consonância com o relato bíblico lucano. Este é o testemunho mais antigo que temos desta celebração. Santo Agostinho, também, testemunha a festa da Ascensão com seus sermões na Igreja Ocidental, no século V.

 

Encarnação, Ascensão e Parusia

                O Mistério da Ascensão está intimamente ligado ao da Encarnação e ao da Parusia. No Mistério da Encarnação, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade assume a natureza humana para redimí-la e fazê-la participante da glória divina. Para isso ela “desce”, esvazia-se de sua glória, toma a condição de homem-servo e vai até o extremo da morte. O Mistério da Ascensão é a concretização daquilo que se iniciou na Encarnação. Cristo “sobe”, é exaltado e glorificado. Todavia, leva junto a nossa natureza e a faz participar plenamente de sua condição. Assim, Encarnação e Ascensão são início e fim de um mesmo movimento de levar o homem a participar da Vida de Deus.

A Ascensão, por sua vez, só alcança inteiramente sua eficácia na Parusia. É no fim que todos os homens serão apresentados por Cristo ao Pai para tomarem posse da vida bem aventurada. O que vemos hoje na Ascensão do Senhor é nossa esperança de, também, com Ele, participarmos da glória divina.

 

Ascensão e Sacerdócio de Cristo

A Igreja acredita que Cristo, entrando nos Céus, se torna o único mediador entre o Pai e os homens. Assim, apresentando-se ao Pai como vítima de expiação de nossos pecados, pelo seu sacrifício na cruz, Ele se torna o Sumo e Eterno Sacerdote de um culto permanente e eterno. Cristo é o sacerdote da liturgia celeste na qual o Pai é glorificado e os homens recebem continuamente a Efusão do Espírito Santo.

De fato, o nosso culto, a nossa Liturgia é participação, no Espírito Santo, neste culto prestado por Cristo ao Pai. Através dos sinais sacramentais entramos no culto de louvor e adoração do Filho e recebemos as forças que saem do seu próprio Corpo. Em nossas celebrações litúrgicas, o sacerdote é um sinal-sacramental do Cristo-Sacerdote e a assembleia litúrgica um sinal-sacramental de toda Igreja. Desta forma, Cristo-cabeça e a Igreja-Corpo de Cristo prestam um único culto de louvor e de santificação esperando o dia feliz da Parusia.

 

Ele está à direita do Pai

                Com esta afirmação, a Igreja acredita que o Reino messiânico de Cristo, prometido no AT já começou. A Ascensão é o Mistério da exaltação de Jesus, de sua glorificação como Rei. O Pai está submetendo todas as coisas ao Cristo pelo poder do seu Espírito Santo. Neste nosso tempo, podemos vivenciar já o Reino de Deus através da antecipação das realidades futuras que transfiguram as realidades deste mundo. No fim, o Senhor voltará com poder e glória para levar os homens a participarem plenamente de seu reinado. Além disto, o fato de Jesus ter entrado nos Céus é o sinal definitivo de que sua oferta na cruz foi aceita pelo Pai, se tornando o único sacrifício de salvação para os homens.

 

Para aprofundar...

 

Para saber mais sobre o assunto, indicamos CIC, nos 659–667; no Compêndio do Catecismo, pergunta 132; no Youcat, perguntas 109 e 110; Sacrosanctum Concilium, parágrafo 8; e Lumen Gentium, parágrafos 5, 7 e 8.

Pe. Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese

 Mater Ecclesiae e Luz e Vida

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“A Ascensão do Senhor”

20/09/2013 15:51 - Atualizado em 23/09/2013 16:10

Um dos Mistérios da Vida de Cristo que nós proclamamos em nossa Profissão de Fé é a sua Ascensão. Cremos que Ele, após sua Ressurreição e suas Aparições, subiu aos céus e sentou-se a direta de Deus Pai Todo-Poderoso. Vejamos o que significa esta nossa afirmação de fé.
 

A Ascensão na Sagrada Escritura

A Ascensão de Jesus é apresentada por São Lucas tanto no seu Evangelho (Lc 24,50-53), quanto nos Atos dos Apóstolos (At 1,6-14). Outros textos nos falam suscintamente ou indiretamente dela (Mc 16,19; Jo 3,13; 6,62; Ef 4,10; IPd 3,22). Em outras passagens, ela não é mencionada, mas é suposta (Rm 8,34; Col 3,1-3; Hb 1,3-4.13; Ap 3,21). De uma forma geral, podemos dizer que dos relatos bíblicos sobre a Ascensão duas verdades se destacam para nossa fé: Jesus se manifestou subindo aos Céus diante de seus discípulos e Ele foi exaltado e glorificado junto de seu Pai.

                Segundo a narrativa lucana, na última aparição aos seus discípulos, Ele sobe, entrando de vez, na glória do Pai. Esta glória é simbolizada pela nuvem e pelo céu neste relato bíblico. Unido a subida de Jesus aos Céus, aparece a missão da Igreja de viver neste mundo transfigurando-o a partir do Cristo Senhor e à promessa do seu retorno no fim (a Parusia) para levá-la a consumação.

 

A Ascensão na Tradição

Já por volta do ano 388 podemos ver o testemunho de São Gregório de Nissa sobre a celebração da Solenidade da Ascensão do Senhor no Oriente. Ela era a festa da “volta do Cristo ao Pai”, fixada quarenta dias após a Festa da Páscoa em consonância com o relato bíblico lucano. Este é o testemunho mais antigo que temos desta celebração. Santo Agostinho, também, testemunha a festa da Ascensão com seus sermões na Igreja Ocidental, no século V.

 

Encarnação, Ascensão e Parusia

                O Mistério da Ascensão está intimamente ligado ao da Encarnação e ao da Parusia. No Mistério da Encarnação, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade assume a natureza humana para redimí-la e fazê-la participante da glória divina. Para isso ela “desce”, esvazia-se de sua glória, toma a condição de homem-servo e vai até o extremo da morte. O Mistério da Ascensão é a concretização daquilo que se iniciou na Encarnação. Cristo “sobe”, é exaltado e glorificado. Todavia, leva junto a nossa natureza e a faz participar plenamente de sua condição. Assim, Encarnação e Ascensão são início e fim de um mesmo movimento de levar o homem a participar da Vida de Deus.

A Ascensão, por sua vez, só alcança inteiramente sua eficácia na Parusia. É no fim que todos os homens serão apresentados por Cristo ao Pai para tomarem posse da vida bem aventurada. O que vemos hoje na Ascensão do Senhor é nossa esperança de, também, com Ele, participarmos da glória divina.

 

Ascensão e Sacerdócio de Cristo

A Igreja acredita que Cristo, entrando nos Céus, se torna o único mediador entre o Pai e os homens. Assim, apresentando-se ao Pai como vítima de expiação de nossos pecados, pelo seu sacrifício na cruz, Ele se torna o Sumo e Eterno Sacerdote de um culto permanente e eterno. Cristo é o sacerdote da liturgia celeste na qual o Pai é glorificado e os homens recebem continuamente a Efusão do Espírito Santo.

De fato, o nosso culto, a nossa Liturgia é participação, no Espírito Santo, neste culto prestado por Cristo ao Pai. Através dos sinais sacramentais entramos no culto de louvor e adoração do Filho e recebemos as forças que saem do seu próprio Corpo. Em nossas celebrações litúrgicas, o sacerdote é um sinal-sacramental do Cristo-Sacerdote e a assembleia litúrgica um sinal-sacramental de toda Igreja. Desta forma, Cristo-cabeça e a Igreja-Corpo de Cristo prestam um único culto de louvor e de santificação esperando o dia feliz da Parusia.

 

Ele está à direita do Pai

                Com esta afirmação, a Igreja acredita que o Reino messiânico de Cristo, prometido no AT já começou. A Ascensão é o Mistério da exaltação de Jesus, de sua glorificação como Rei. O Pai está submetendo todas as coisas ao Cristo pelo poder do seu Espírito Santo. Neste nosso tempo, podemos vivenciar já o Reino de Deus através da antecipação das realidades futuras que transfiguram as realidades deste mundo. No fim, o Senhor voltará com poder e glória para levar os homens a participarem plenamente de seu reinado. Além disto, o fato de Jesus ter entrado nos Céus é o sinal definitivo de que sua oferta na cruz foi aceita pelo Pai, se tornando o único sacrifício de salvação para os homens.

 

Para aprofundar...

 

Para saber mais sobre o assunto, indicamos CIC, nos 659–667; no Compêndio do Catecismo, pergunta 132; no Youcat, perguntas 109 e 110; Sacrosanctum Concilium, parágrafo 8; e Lumen Gentium, parágrafos 5, 7 e 8.

Pe. Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese

 Mater Ecclesiae e Luz e Vida

Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida