Arquidiocese do Rio de Janeiro

25º 14º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 26/06/2017

26 de Junho de 2017

A promessa do Espírito

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26 de Junho de 2017

A promessa do Espírito

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19/05/2017 17:15 - Atualizado em 19/05/2017 17:15

A promessa do Espírito 0

19/05/2017 17:15 - Atualizado em 19/05/2017 17:15

A segunda metade do Tempo Pascal começa a nos preparar para a Solenidade de Pentecostes, na qual recordamos o dia em que o Espírito Santo foi derramado sobre os apóstolos, dando início à atividade missionária da Igreja. Como se trata de um tempo didático, é durante os 50 dias da Páscoa que meditamos sobre a vida cristã e suas consequências.

No Evangelho deste 6º Domingo da Páscoa ouviremos o Senhor traçar uma linha sucessória de eventos: amá-Lo – guardar os mandamentos – receber o Espírito. Ora, estes acontecimentos se processam primeiro a partir do próprio Jesus e, a seguir, a partir dos apóstolos. Para amar o Senhor é preciso conhecê-Lo, fazer experiência d’Ele. E a experiência de Deus, no âmbito cristão, se chama fé. Ora, se “a fé vem pela pregação”, como nos recorda São Paulo (Rm 10,17), sigamos então o esquema pedagógico deixado para nós: primeiro, é preciso que sejam enviados os que pregarão; depois, vem a pregação; a escuta da pregação suscita a fé; e a fé leva à invocação do nome do Senhor, que conduz à salvação (Rm 10,13-15). O envio que desencadeia este processo é o derramamento do Espírito Santo.

Portanto, é em virtude do cumprimento da vontade de Deus (Hb 10,7; 1Tm 2,4) que o Senhor assume nossa natureza humana, a redime com sua morte e ressurge dos mortos, derramando o Espírito sobre aqueles que nele creem, para que estes não pereçam, mas tenham a vida eterna (cf. Jo 3,16). Assim, a Igreja perpetua o anúncio pascal em sua pregação e em seu agir no mundo.

Uma condição, porém, é necessária para que o Espírito seja derramado em nossos corações: que guardemos a Palavra de Deus. A palavra “observar os mandamentos”, por vezes, pode ser mal compreendida, pois sugere um cumprimento estrito e calculista de preceitos. Não é isso que o Senhor deseja: Ele não quer nos manipular; antes, deseja que sejamos livres, no amor. Por isso, soa mais forte – e mais exigente também – “guardar a Palavra”. Porque os mandamentos podem chegar ao ouvido, mas nem sempre ao coração. Mas a Palavra, por ser carregada de amor, certamente atinge o âmago da pessoa. Pode ser que a pessoa não a queira guardar, mas jamais esquecerá a força de sua comunicação.

É o Espírito Santo que nos dá a conhecer a verdade sobre Jesus. Esclarece-nos quem Ele é verdadeiramente e qual a missão que recebemos d’Ele. Por isso, sua tarefa é nos recordar a Palavra, para que a possamos guardar e praticar, demonstrando, assim, nosso amor a Deus e ao nosso próximo. Anunciando Jesus, realizamos os sinais que concretizam a Palavra viva e eficaz que arde em nosso coração (cf. Hb 4,12; Lc 24,32) e nos impele a pregar, mas também a traduzir em gestos o amor que pregamos. Ele precisa ser o amor de Cristo que chega aos irmãos pelas nossas mãos, mas também precisa ser o nosso amor pelos irmãos, por causa de Cristo.

Que o Senhor Ressuscitado nos acompanhe no cotidiano de nossas vidas, para que, sentindo a sua presença, sejamos os verdadeiros adoradores que o Pai procura (Jo 4,23), vivendo a dupla dimensão do amor, guardando, especialmente, o maior dos mandamentos: amor a Deus que se concretiza no amor ao irmão.

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19/05/2017 17:15 - Atualizado em 19/05/2017 17:15

A segunda metade do Tempo Pascal começa a nos preparar para a Solenidade de Pentecostes, na qual recordamos o dia em que o Espírito Santo foi derramado sobre os apóstolos, dando início à atividade missionária da Igreja. Como se trata de um tempo didático, é durante os 50 dias da Páscoa que meditamos sobre a vida cristã e suas consequências.

No Evangelho deste 6º Domingo da Páscoa ouviremos o Senhor traçar uma linha sucessória de eventos: amá-Lo – guardar os mandamentos – receber o Espírito. Ora, estes acontecimentos se processam primeiro a partir do próprio Jesus e, a seguir, a partir dos apóstolos. Para amar o Senhor é preciso conhecê-Lo, fazer experiência d’Ele. E a experiência de Deus, no âmbito cristão, se chama fé. Ora, se “a fé vem pela pregação”, como nos recorda São Paulo (Rm 10,17), sigamos então o esquema pedagógico deixado para nós: primeiro, é preciso que sejam enviados os que pregarão; depois, vem a pregação; a escuta da pregação suscita a fé; e a fé leva à invocação do nome do Senhor, que conduz à salvação (Rm 10,13-15). O envio que desencadeia este processo é o derramamento do Espírito Santo.

Portanto, é em virtude do cumprimento da vontade de Deus (Hb 10,7; 1Tm 2,4) que o Senhor assume nossa natureza humana, a redime com sua morte e ressurge dos mortos, derramando o Espírito sobre aqueles que nele creem, para que estes não pereçam, mas tenham a vida eterna (cf. Jo 3,16). Assim, a Igreja perpetua o anúncio pascal em sua pregação e em seu agir no mundo.

Uma condição, porém, é necessária para que o Espírito seja derramado em nossos corações: que guardemos a Palavra de Deus. A palavra “observar os mandamentos”, por vezes, pode ser mal compreendida, pois sugere um cumprimento estrito e calculista de preceitos. Não é isso que o Senhor deseja: Ele não quer nos manipular; antes, deseja que sejamos livres, no amor. Por isso, soa mais forte – e mais exigente também – “guardar a Palavra”. Porque os mandamentos podem chegar ao ouvido, mas nem sempre ao coração. Mas a Palavra, por ser carregada de amor, certamente atinge o âmago da pessoa. Pode ser que a pessoa não a queira guardar, mas jamais esquecerá a força de sua comunicação.

É o Espírito Santo que nos dá a conhecer a verdade sobre Jesus. Esclarece-nos quem Ele é verdadeiramente e qual a missão que recebemos d’Ele. Por isso, sua tarefa é nos recordar a Palavra, para que a possamos guardar e praticar, demonstrando, assim, nosso amor a Deus e ao nosso próximo. Anunciando Jesus, realizamos os sinais que concretizam a Palavra viva e eficaz que arde em nosso coração (cf. Hb 4,12; Lc 24,32) e nos impele a pregar, mas também a traduzir em gestos o amor que pregamos. Ele precisa ser o amor de Cristo que chega aos irmãos pelas nossas mãos, mas também precisa ser o nosso amor pelos irmãos, por causa de Cristo.

Que o Senhor Ressuscitado nos acompanhe no cotidiano de nossas vidas, para que, sentindo a sua presença, sejamos os verdadeiros adoradores que o Pai procura (Jo 4,23), vivendo a dupla dimensão do amor, guardando, especialmente, o maior dos mandamentos: amor a Deus que se concretiza no amor ao irmão.

Padre Cristiano Holtz Peixoto
Autor

Padre Cristiano Holtz Peixoto

Vigário paroquial da Catedral Metropolitana