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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/08/2017

17 de Agosto de 2017

Livros do Antigo Testamento (2)

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Livros do Antigo Testamento (2)

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12/05/2017 18:50 - Atualizado em 12/05/2017 18:50

Livros do Antigo Testamento (2) 0

12/05/2017 18:50 - Atualizado em 12/05/2017 18:50

Neste artigo enfrentamos ainda os aspectos introdutórios da primeira coleção bíblica do Antigo Testamento: o Pentateuco1, isto é, os cinco primeiros livros da Bíblia hebraica e cristã. Trata-se dos livros do Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.

Ora, a tradição judaica sempre viu em Moisés o autor do Pentateuco. Esta tradição levou naturalmente à designação do Pentateuco como “os cinco livros de Moisés”. Consequentemente, os rabinos fizeram de Moisés, o autor não só da Torá escrita (Lei), mas também da “Torá oral”2.

O Antigo Testamento só atribui a Moisés o “código da aliança” (Ex 24,4), o “decálogo cultual” (Ex 34,27), o grande discurso histórico e legislativo do Deuteronômio (Dt 1,1.5; 4,45; 31,9.24; etc.), assim como algumas perícopes menores (Ex 17,14; Nm 33,2; Dt 31,30; etc.).

Portanto, antes de tudo, a Lei estava associada à pessoa de Moisés (também Ml 3,22; Esd 3,2; 7,6; 2Cr 25,4; 35,12; etc.), mas só a partir do período pós-bíblico o Pentateuco como um todo lhe foi atribuído, concepção que predominou até o século XVIII.

Contudo, muitas contradições podem ser observadas no texto, que revela sua complexa origem, proveniente de fontes diversas: quantos pares de animais de cada espécie Noé levou em sua arca?

Um (Gn 7,15) ou sete (7,2)? Quantos dias durou o dilúvio? Quarenta (Gn 8,6) ou 150 (8,3)?

Por que Jacó foi para a Mesopotâmia? Para escapar da vingança de Esaú (Gn 27,41-45) ou para encontrar uma mulher de sua própria raça (27,46-28,5)?

José foi levado ao Egito por uma caravana de ismaelitas (Gn 37,27) ou de madianitas (37,28)?

O Pentateuco compreende também dois relatos da criação (Gn 1,1-2,4a e 2,4b-25), dois relatos da aliança com Abraão (Gn 15 e 17), dois relatos da expulsão de Agar (Gn 16 e 21,9-21), dois relatos da vocação de Moisés (Ex 3,1-4,17 e 6,2-7,7), duas menções do Decálogo (Ex 20,2-17 e Dt 5,6-21), três relatos de Sara entregue ao harém de um rei estrangeiro (Gn 12, 10-20 e 20 e 26,6-14), etc.

Entretanto, não foram somente esses anacronismos que despertaram a desconfiança a respeito da atribuição tradicional do Pentateuco a Moisés. Foram, sem dúvida, as observações que dependem da lógica literária que levaram os exegetas a levantar a questão das “fontes”.

Uma maneira bastante óbvia de tentar resolver o problema das “contradições, das replicações” (mais de uma versão para o mesmo fato) e das diferenças de estilo foi atribuir as passagens em conflito a fontes, documentos ou camadas redacionais diferentes.

Apesar de o termo Torá abranger todos os fundamentos, leis e ensinamentos do judaísmo, literalmente refere-se aos cinco livros que nos foram transmitidos por D’us – letra por letra – a Moisés no Monte Sinai. Os cinco livros de Moisés – Bereshit (Gênese), Shemot (Êxodo), Vayikra (Levítico), Bamidbar (Números), Devarim (Deuteronômio) – compõem o que conhecemos como a Torá Escrita, ou Torah she-Bichtav3.

A transmissão da Torá Oral é claramente revelada na Torá Escrita. Pois está escrito: “São estes os estatutos, juízos e leis (Torá) que deu o Senhor entre si e os filhos de Israel no Monte Sinai, pela mão de Moisés” (Levítico 26, 46).

É importante notar que a palavra Torá está no plural, pois se refere tanto à Torá Escrita quanto à Oral (Rashi; Sifra). Em outra parte da Torá Escrita, D’us diz a Moisés: «Dar-te-ei tábuas de pedra, e a lei e os mandamentos que escrevi» (Êxodo 24, 12).

As tábuas de pedra são os Dez Mandamentos; a lei (Torá) significa a Torá Escrita e os mandamentos referem-se à Torá Oral. De fato, a Torá Escrita faz inúmeras alusões à Torá Oral. Por exemplo, está escrito: “Então matarás as tuas vacas e tuas ovelhas... como te ordenei” (Deuteronômio 12, 21).

Isto implica na transmissão das instruções sobre o abate casher4 de animais, apesar de que não são dadas explicações. De fato, a maioria de nossos mandamentos nunca é explicada na Torá Escrita.

A mitzvá (mandamento) da guarda do Shabat (sábado) é um dos Dez Mandamentos, mas não há nenhuma instrução sobre o significado de guardar o Shabat. São mencionados, também, outros mandamentos, tais como a colocação de mezuzot5, de tefilin (orações), o cumprimento das festas judaicas, mas não são discutidos, de fato, na Torá Escrita. Está bem claro que todas as instruções são encontradas na Torá Oral6.

Referências:

1 https://teologiabiblica.wordpress.com/2008/04/23/o-pentateuco/

2 ‘D’us também transmitiu a Moisés a Torá Oral, Torah she-Be’alpeh, que consiste das interpretações e explicações dos mandamentos da Torá Escrita. Moisés possuía o mais alto grau de profecia e, por isso, D’us pode ensinar-lhe a Torá Oral de forma abrangente e detalhada. Pois está escrito: “Falava D’us a Moisés face a face, como um homem qualquer fala a seu amigo” (Êxodos 33:11). Ao mencionar especificamente a transmissão da Torá Oral, D’us disse: “Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas” (Números 12:8)’: Disponível em: http://www.morasha.com.br/leis-costumes-e-tradicoes/a-tora-oral.html

3 http://www.morasha.com.br/leis-costumes-e-tradicoes/a-tora-oral.html

4 A comida, de acordo com a halachá (lei judaica), é chamada de kasher (kosher em Yidishe), do termo hebraico כשר (kashér), que significa “próprio” (neste caso, próprio para consumo pelos judeus, de acordo com a lei judaica). Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Cashrut

5 Mezuzá (do hebraico מזוזה “umbral”) é o nome de um mandamento da Torá que ordena que seja afixado no umbral das portas um pequeno rolo de pergaminho (klaf) que contém as duas passagens da Torá que ordenam este mandamento, “Shemá” e “Vehaiá” (Deuteronômio 6:4-9 e 11:13-21). A mezuzá deve ser afixado no umbral direito de cada dependência do lar, sinagoga ou estabelecimento judaico como lembrança do criador. Deve ser posto a sete palmos de altura do chão, apontando para dentro do estabelecimento com a extremidade de cima. Os judeus costumam beijar a mezuzá toda a vez que se passa pela porta, para lembrar das orações que estão contidas ali dentro e os princípios do judaísmo que elas carregam. Na tradição, as mezuzot (plural de mezuzá) dos judeus asquenzitas são posicionadas a um ângulo, enquanto os judeus sefarditas posicionam as suas mezuzot verticalmente. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Mezuz%C3%A1

6 http://www.morasha.com.br/leis-costumes-e-tradicoes/a-tora-oral.html

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12/05/2017 18:50 - Atualizado em 12/05/2017 18:50

Neste artigo enfrentamos ainda os aspectos introdutórios da primeira coleção bíblica do Antigo Testamento: o Pentateuco1, isto é, os cinco primeiros livros da Bíblia hebraica e cristã. Trata-se dos livros do Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.

Ora, a tradição judaica sempre viu em Moisés o autor do Pentateuco. Esta tradição levou naturalmente à designação do Pentateuco como “os cinco livros de Moisés”. Consequentemente, os rabinos fizeram de Moisés, o autor não só da Torá escrita (Lei), mas também da “Torá oral”2.

O Antigo Testamento só atribui a Moisés o “código da aliança” (Ex 24,4), o “decálogo cultual” (Ex 34,27), o grande discurso histórico e legislativo do Deuteronômio (Dt 1,1.5; 4,45; 31,9.24; etc.), assim como algumas perícopes menores (Ex 17,14; Nm 33,2; Dt 31,30; etc.).

Portanto, antes de tudo, a Lei estava associada à pessoa de Moisés (também Ml 3,22; Esd 3,2; 7,6; 2Cr 25,4; 35,12; etc.), mas só a partir do período pós-bíblico o Pentateuco como um todo lhe foi atribuído, concepção que predominou até o século XVIII.

Contudo, muitas contradições podem ser observadas no texto, que revela sua complexa origem, proveniente de fontes diversas: quantos pares de animais de cada espécie Noé levou em sua arca?

Um (Gn 7,15) ou sete (7,2)? Quantos dias durou o dilúvio? Quarenta (Gn 8,6) ou 150 (8,3)?

Por que Jacó foi para a Mesopotâmia? Para escapar da vingança de Esaú (Gn 27,41-45) ou para encontrar uma mulher de sua própria raça (27,46-28,5)?

José foi levado ao Egito por uma caravana de ismaelitas (Gn 37,27) ou de madianitas (37,28)?

O Pentateuco compreende também dois relatos da criação (Gn 1,1-2,4a e 2,4b-25), dois relatos da aliança com Abraão (Gn 15 e 17), dois relatos da expulsão de Agar (Gn 16 e 21,9-21), dois relatos da vocação de Moisés (Ex 3,1-4,17 e 6,2-7,7), duas menções do Decálogo (Ex 20,2-17 e Dt 5,6-21), três relatos de Sara entregue ao harém de um rei estrangeiro (Gn 12, 10-20 e 20 e 26,6-14), etc.

Entretanto, não foram somente esses anacronismos que despertaram a desconfiança a respeito da atribuição tradicional do Pentateuco a Moisés. Foram, sem dúvida, as observações que dependem da lógica literária que levaram os exegetas a levantar a questão das “fontes”.

Uma maneira bastante óbvia de tentar resolver o problema das “contradições, das replicações” (mais de uma versão para o mesmo fato) e das diferenças de estilo foi atribuir as passagens em conflito a fontes, documentos ou camadas redacionais diferentes.

Apesar de o termo Torá abranger todos os fundamentos, leis e ensinamentos do judaísmo, literalmente refere-se aos cinco livros que nos foram transmitidos por D’us – letra por letra – a Moisés no Monte Sinai. Os cinco livros de Moisés – Bereshit (Gênese), Shemot (Êxodo), Vayikra (Levítico), Bamidbar (Números), Devarim (Deuteronômio) – compõem o que conhecemos como a Torá Escrita, ou Torah she-Bichtav3.

A transmissão da Torá Oral é claramente revelada na Torá Escrita. Pois está escrito: “São estes os estatutos, juízos e leis (Torá) que deu o Senhor entre si e os filhos de Israel no Monte Sinai, pela mão de Moisés” (Levítico 26, 46).

É importante notar que a palavra Torá está no plural, pois se refere tanto à Torá Escrita quanto à Oral (Rashi; Sifra). Em outra parte da Torá Escrita, D’us diz a Moisés: «Dar-te-ei tábuas de pedra, e a lei e os mandamentos que escrevi» (Êxodo 24, 12).

As tábuas de pedra são os Dez Mandamentos; a lei (Torá) significa a Torá Escrita e os mandamentos referem-se à Torá Oral. De fato, a Torá Escrita faz inúmeras alusões à Torá Oral. Por exemplo, está escrito: “Então matarás as tuas vacas e tuas ovelhas... como te ordenei” (Deuteronômio 12, 21).

Isto implica na transmissão das instruções sobre o abate casher4 de animais, apesar de que não são dadas explicações. De fato, a maioria de nossos mandamentos nunca é explicada na Torá Escrita.

A mitzvá (mandamento) da guarda do Shabat (sábado) é um dos Dez Mandamentos, mas não há nenhuma instrução sobre o significado de guardar o Shabat. São mencionados, também, outros mandamentos, tais como a colocação de mezuzot5, de tefilin (orações), o cumprimento das festas judaicas, mas não são discutidos, de fato, na Torá Escrita. Está bem claro que todas as instruções são encontradas na Torá Oral6.

Referências:

1 https://teologiabiblica.wordpress.com/2008/04/23/o-pentateuco/

2 ‘D’us também transmitiu a Moisés a Torá Oral, Torah she-Be’alpeh, que consiste das interpretações e explicações dos mandamentos da Torá Escrita. Moisés possuía o mais alto grau de profecia e, por isso, D’us pode ensinar-lhe a Torá Oral de forma abrangente e detalhada. Pois está escrito: “Falava D’us a Moisés face a face, como um homem qualquer fala a seu amigo” (Êxodos 33:11). Ao mencionar especificamente a transmissão da Torá Oral, D’us disse: “Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas” (Números 12:8)’: Disponível em: http://www.morasha.com.br/leis-costumes-e-tradicoes/a-tora-oral.html

3 http://www.morasha.com.br/leis-costumes-e-tradicoes/a-tora-oral.html

4 A comida, de acordo com a halachá (lei judaica), é chamada de kasher (kosher em Yidishe), do termo hebraico כשר (kashér), que significa “próprio” (neste caso, próprio para consumo pelos judeus, de acordo com a lei judaica). Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Cashrut

5 Mezuzá (do hebraico מזוזה “umbral”) é o nome de um mandamento da Torá que ordena que seja afixado no umbral das portas um pequeno rolo de pergaminho (klaf) que contém as duas passagens da Torá que ordenam este mandamento, “Shemá” e “Vehaiá” (Deuteronômio 6:4-9 e 11:13-21). A mezuzá deve ser afixado no umbral direito de cada dependência do lar, sinagoga ou estabelecimento judaico como lembrança do criador. Deve ser posto a sete palmos de altura do chão, apontando para dentro do estabelecimento com a extremidade de cima. Os judeus costumam beijar a mezuzá toda a vez que se passa pela porta, para lembrar das orações que estão contidas ali dentro e os princípios do judaísmo que elas carregam. Na tradição, as mezuzot (plural de mezuzá) dos judeus asquenzitas são posicionadas a um ângulo, enquanto os judeus sefarditas posicionam as suas mezuzot verticalmente. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Mezuz%C3%A1

6 http://www.morasha.com.br/leis-costumes-e-tradicoes/a-tora-oral.html

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica