Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 25/05/2017

25 de Maio de 2017

Livros do Antigo Testamento (1)

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25 de Maio de 2017

Livros do Antigo Testamento (1)

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05/05/2017 11:25 - Atualizado em 05/05/2017 11:26

Livros do Antigo Testamento (1) 0

05/05/2017 11:25 - Atualizado em 05/05/2017 11:26

Com este artigo iniciamos a proposta de percorrermos, juntos, o longo caminho da formação, da aceitação e da mensagem dos 45 ou 46 livros que compõem a Bíblia, em busca de estabelecermos uma compreensão mais exata destes livros.

Nosso objetivo é comentar cada livro. Estes comentários serão abrangentes, mas suficientes para oferecer um seguro ‘roteiro’ de leitura da Bíblia católica. Trata-se de uma abordagem literária e crítica, espiritual e pastoral desta Biblioteca do Antigo Testamento.

Ao seguirmos a ordem estabelecida pela Igreja, ou seja, a lista destes livros, o Cânon bíblico, deparamo-nos com a primeira coleção bíblica que iremos tratar: o Pentateuco.

O Pentateuco

A palavra Pentateuco origina-se da língua grega e significa os cinco (penta) livros da Lei (Torah). Esta coleção é composta pelos livros do Gênesis, Êxodo, Levítico, Número e Deuteronômio.

Eles narram as histórias fundadoras da experiência de Deus em Israel. O primeiro livro em particular, o Gênesis, relata a história da fundação de Israel, com vocação ou ciclo dos patriarcas: Abraão e Sara (Gn 12-25); Isaac e Rebeca (Gn 21. 22. 25,19-26; Jacó Lia e Raquel (Gn 26-36) José (37-50). É bem verdade que os ciclos se entrecruzam por se tratar essencialmente de um relato familiar.

Mas talvez os textos mais marcantes do Gênesis sejam aqueles onze capítulos iniciais. Os relatos da Criação, do Pecado Original, do fratricídio de Caim, do Dilúvio e da Arca de Noé, e por fim, da Torre de Babel. Uma densa mistura entre teologia e histórias da memória, não só de Israel, mas de todo Oriente Médio antigo.

Então os seguintes quatro livros irão ocupar-se da narrativa da Páscoa, tendo como personagem central, Moisés.

O livro do Êxodo, assim denominado por narrar a saída de Israel do Egito, conta-nos sobre os longos 40 anos de caminho pelo deserto à terra prometida. O principal propósito do Êxodo é manter vivo na memória do povo hebreu o feito da fundação de si mesmo como nação: a saída do Egito e a consequente libertação da escravidão. Este livro possui 40 capítulos.

Através de sua fuga e a busca da Terra Prometida, o judeu adquire consciência de sua unidade étnica, filosófica, cultural e religiosa pela primeira vez. O Êxodo estabelece também as bases da liturgia e do culto, e está dominado em toda sua extensão pela figura do legislador e condutor, o patriarca Moisés.

A aliança entre os israelitas e Javeh é um ponto central da cultura judaica, tendo influenciado fortemente sua teologia e espiritualidade. Esse acontecimento recebeu diversas releituras dentro da própria Bíblia. Tanto o segundo Isaías como o terceiro relacionam o retorno do povo de Judá do Exílio Babilônico como um novo Êxodo.

O Livro do Êxodo

No Livro do Êxodo encontramos os eventos mais importantes da história de Israel:

1) A Vocação de Moisés – Ex 2-3 – destaca-se aqui, a iniciativa de Deus, as resistências e incongruências de Moisés, a experiência do Diálogo com Deus (Sarça ardente – 3, 4-22)

2) A Páscoa do Egito – Ex 12 – O Rito do cordeiro, do sangue sobre os umbrais, da saída apressada para o deserto.

3) A Aliança do Horeb – Ex 19-32 – A subida ao monte Horeb, as tábuas da Lei, as determinações sobre a religião de Israel. A unidade se conclui com a narrativa interessante sobre o ‘bezerro de ouro’.

O Livro do Levítico

Segue-se então o Segundo Livro do Pentateuco, o Levítico.

“São esses os mandamentos que o Senhor ordenou a Moisés no monte Sinai para os israelitas” (Lv 27, 34).

Este versículo que conclui o terceiro livro do Pentateuco bem o resume. Trata-se do livro que narra como ele mesmo se autodenomina, as leis, regras e diretivas sobre o culto a Deus na religião de Israel. Aqui, Culto e Liturgia são agregados pelas regras e determinações do verdadeiro culto.

O livro do Genesis 29,34 fala de Levi, como sendo o terceiro filho de Jacó e Lia, e a tribo foi eleita para exercer o culto em Israel. Tornou-se, assim, uma tribo, com tarefas especiais, separada das outras tribos, e mantinha em funcionamento os sacrifícios no templo de Jerusalém.

Durante a peregrinação no deserto tinham a incumbência de zelar pelo tabernáculo, isto é, desmanchar e montá-lo em outro lugar (Nm 1,47-54). Os levitas não são os sacerdotes, mas eram seus auxiliares diretos.

Livro de Números

O quarto Livro do Pentateuco é o Livro de Números.

“Façam um recenseamento de toda a comunidade de Israel, pelos seus clãs e famílias, alistando todos os homens, um a um, pelo nome” (Nm 1,2).

Com esta ordem, Deus autoriza a qualificação ou identificação do Povo de Israel. O quarto livro do Pentateuco deriva seu nome dos dois censos de Israel mencionados no livro. Narra eventos que ocorreram na região do Monte Sinai durante as peregrinações dos israelitas no ermo e Moab.

Este nome “Números” foi usado pela primeira vez na tradução grega da versão LXX, sendo bastante adequado, pois todo o livro esta repleto de números. Mais de uma vez explica que Moisés se dedicou a registrar cada lugar onde os hebreus acampavam, todos os oásis e cada acampamento.

Assim, podem-se dividir “Números” em três partes principais:

1) No Sinai: 1,1-10,10.

2) No deserto de Cades-Barneia: 10,11-22,1.

3) Nas planícies de Moab: 22,2-36,13.

Livro do Deuteronômio

Por fim, o quinto e último livro, denominado Livro do Deuteronômio.

“Estas são as palavras que Moisés falou a todo o Israel além do Jordão, no deserto, na planície defronte do Mar Vermelho, entre Parã e Tôfel, e Labã, e Hazerote, e Di-Zaabe” (Dt 1,1)

O último livro do Pentateuco funciona como um livro de memória de todo o conjunto da obra de Moisés. Seu nome significa “A Segunda Lei”, bem que, o livro não contém uma nova lei, mas as leis dadas em Sinai 39 anos antes aqui são revistas e comentadas. Impunha-se, com urgência, tal repetição. A exceção de Calebe e Josué, todos quantos saíram do Egito e receberam as leis em Sinai não mais existiam, daí a necessidade de dar à nova geração, com toda a ênfase, essa repetição.

Dessa tarefa se desincumbiu Moisés, numa séria de discursos nas planícies de Moab, ao fim de 40 anos errantes e exatamente um mês antes da travessia do Jordão pelos israelitas para se apossarem da terra prometida. Esses discursos dirigidos, oralmente, ao povo (Capítulo 1:3) foram posteriormente escritos e reunidos em forma de livro. (Capítulo 31, 24-26)

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Livros do Antigo Testamento (1)

05/05/2017 11:25 - Atualizado em 05/05/2017 11:26

Com este artigo iniciamos a proposta de percorrermos, juntos, o longo caminho da formação, da aceitação e da mensagem dos 45 ou 46 livros que compõem a Bíblia, em busca de estabelecermos uma compreensão mais exata destes livros.

Nosso objetivo é comentar cada livro. Estes comentários serão abrangentes, mas suficientes para oferecer um seguro ‘roteiro’ de leitura da Bíblia católica. Trata-se de uma abordagem literária e crítica, espiritual e pastoral desta Biblioteca do Antigo Testamento.

Ao seguirmos a ordem estabelecida pela Igreja, ou seja, a lista destes livros, o Cânon bíblico, deparamo-nos com a primeira coleção bíblica que iremos tratar: o Pentateuco.

O Pentateuco

A palavra Pentateuco origina-se da língua grega e significa os cinco (penta) livros da Lei (Torah). Esta coleção é composta pelos livros do Gênesis, Êxodo, Levítico, Número e Deuteronômio.

Eles narram as histórias fundadoras da experiência de Deus em Israel. O primeiro livro em particular, o Gênesis, relata a história da fundação de Israel, com vocação ou ciclo dos patriarcas: Abraão e Sara (Gn 12-25); Isaac e Rebeca (Gn 21. 22. 25,19-26; Jacó Lia e Raquel (Gn 26-36) José (37-50). É bem verdade que os ciclos se entrecruzam por se tratar essencialmente de um relato familiar.

Mas talvez os textos mais marcantes do Gênesis sejam aqueles onze capítulos iniciais. Os relatos da Criação, do Pecado Original, do fratricídio de Caim, do Dilúvio e da Arca de Noé, e por fim, da Torre de Babel. Uma densa mistura entre teologia e histórias da memória, não só de Israel, mas de todo Oriente Médio antigo.

Então os seguintes quatro livros irão ocupar-se da narrativa da Páscoa, tendo como personagem central, Moisés.

O livro do Êxodo, assim denominado por narrar a saída de Israel do Egito, conta-nos sobre os longos 40 anos de caminho pelo deserto à terra prometida. O principal propósito do Êxodo é manter vivo na memória do povo hebreu o feito da fundação de si mesmo como nação: a saída do Egito e a consequente libertação da escravidão. Este livro possui 40 capítulos.

Através de sua fuga e a busca da Terra Prometida, o judeu adquire consciência de sua unidade étnica, filosófica, cultural e religiosa pela primeira vez. O Êxodo estabelece também as bases da liturgia e do culto, e está dominado em toda sua extensão pela figura do legislador e condutor, o patriarca Moisés.

A aliança entre os israelitas e Javeh é um ponto central da cultura judaica, tendo influenciado fortemente sua teologia e espiritualidade. Esse acontecimento recebeu diversas releituras dentro da própria Bíblia. Tanto o segundo Isaías como o terceiro relacionam o retorno do povo de Judá do Exílio Babilônico como um novo Êxodo.

O Livro do Êxodo

No Livro do Êxodo encontramos os eventos mais importantes da história de Israel:

1) A Vocação de Moisés – Ex 2-3 – destaca-se aqui, a iniciativa de Deus, as resistências e incongruências de Moisés, a experiência do Diálogo com Deus (Sarça ardente – 3, 4-22)

2) A Páscoa do Egito – Ex 12 – O Rito do cordeiro, do sangue sobre os umbrais, da saída apressada para o deserto.

3) A Aliança do Horeb – Ex 19-32 – A subida ao monte Horeb, as tábuas da Lei, as determinações sobre a religião de Israel. A unidade se conclui com a narrativa interessante sobre o ‘bezerro de ouro’.

O Livro do Levítico

Segue-se então o Segundo Livro do Pentateuco, o Levítico.

“São esses os mandamentos que o Senhor ordenou a Moisés no monte Sinai para os israelitas” (Lv 27, 34).

Este versículo que conclui o terceiro livro do Pentateuco bem o resume. Trata-se do livro que narra como ele mesmo se autodenomina, as leis, regras e diretivas sobre o culto a Deus na religião de Israel. Aqui, Culto e Liturgia são agregados pelas regras e determinações do verdadeiro culto.

O livro do Genesis 29,34 fala de Levi, como sendo o terceiro filho de Jacó e Lia, e a tribo foi eleita para exercer o culto em Israel. Tornou-se, assim, uma tribo, com tarefas especiais, separada das outras tribos, e mantinha em funcionamento os sacrifícios no templo de Jerusalém.

Durante a peregrinação no deserto tinham a incumbência de zelar pelo tabernáculo, isto é, desmanchar e montá-lo em outro lugar (Nm 1,47-54). Os levitas não são os sacerdotes, mas eram seus auxiliares diretos.

Livro de Números

O quarto Livro do Pentateuco é o Livro de Números.

“Façam um recenseamento de toda a comunidade de Israel, pelos seus clãs e famílias, alistando todos os homens, um a um, pelo nome” (Nm 1,2).

Com esta ordem, Deus autoriza a qualificação ou identificação do Povo de Israel. O quarto livro do Pentateuco deriva seu nome dos dois censos de Israel mencionados no livro. Narra eventos que ocorreram na região do Monte Sinai durante as peregrinações dos israelitas no ermo e Moab.

Este nome “Números” foi usado pela primeira vez na tradução grega da versão LXX, sendo bastante adequado, pois todo o livro esta repleto de números. Mais de uma vez explica que Moisés se dedicou a registrar cada lugar onde os hebreus acampavam, todos os oásis e cada acampamento.

Assim, podem-se dividir “Números” em três partes principais:

1) No Sinai: 1,1-10,10.

2) No deserto de Cades-Barneia: 10,11-22,1.

3) Nas planícies de Moab: 22,2-36,13.

Livro do Deuteronômio

Por fim, o quinto e último livro, denominado Livro do Deuteronômio.

“Estas são as palavras que Moisés falou a todo o Israel além do Jordão, no deserto, na planície defronte do Mar Vermelho, entre Parã e Tôfel, e Labã, e Hazerote, e Di-Zaabe” (Dt 1,1)

O último livro do Pentateuco funciona como um livro de memória de todo o conjunto da obra de Moisés. Seu nome significa “A Segunda Lei”, bem que, o livro não contém uma nova lei, mas as leis dadas em Sinai 39 anos antes aqui são revistas e comentadas. Impunha-se, com urgência, tal repetição. A exceção de Calebe e Josué, todos quantos saíram do Egito e receberam as leis em Sinai não mais existiam, daí a necessidade de dar à nova geração, com toda a ênfase, essa repetição.

Dessa tarefa se desincumbiu Moisés, numa séria de discursos nas planícies de Moab, ao fim de 40 anos errantes e exatamente um mês antes da travessia do Jordão pelos israelitas para se apossarem da terra prometida. Esses discursos dirigidos, oralmente, ao povo (Capítulo 1:3) foram posteriormente escritos e reunidos em forma de livro. (Capítulo 31, 24-26)

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica