Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/08/2018

19 de Agosto de 2018

Permaneça conosco, Senhor!

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29/04/2017 00:00 - Atualizado em 01/05/2017 15:57

Permaneça conosco, Senhor! 0

29/04/2017 00:00 - Atualizado em 01/05/2017 15:57

Com a Ressurreição de Jesus, os Apóstolos começaram a celebrar o primeiro dia da semana como o Dia do Senhor, porquanto foi nesse dia que Ele nos alcançou, com a Ressurreição, a vitória sobre o pecado e a morte. E esta tem sido a tradição constante e universal da Igreja, desde o tempo dos primeiros cristãos até os nossos dias. Por uma tradição apostólica, que tem sua origem no próprio dia da Ressurreição de Cristo, a Igreja celebra solenemente, a cada oito dias, o mistério pascal, no dia que é muito justamente chamado o Dia do Senhor, ou domingo.

Na Liturgia da Palavra do III Domingo, o encontro de Emaús sintetiza muito bem a experiência cristã (cf. Lc 24,13-35). Temos no início deste texto o caminho – aquele da vida: aí, os discípulos conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido com Jesus. Nesse texto Lucas nos apresenta o processo de transformação que sucede nos discípulos, que estavam tristes e desolados, desistindo da caminhada, e os leva à análise do que havia acontecido à luz da Palavra de Jesus, de Moisés e dos profetas, que aquece o coração e faz retornar ao caminho do seguimento.

Desolados, dois dentre eles se dirigiam para uma aldeia chamada Emaús. Haviam desistido da caminhada, tomando o caminho de volta para casa. Mas o Senhor não desiste deles e vai ao seu encontro. Enquanto falavam e discutiam um com o outro, o próprio Jesus caminhava com eles. Tendo o primeiro passo de aproximar-Se e tornar-Se companheiro de viagem, dá um segundo passo, começando um diálogo com eles, através de perguntas que faziam com que explicitassem o que estava se passando com eles. Cléofas faz uma análise de Jesus como um profeta malsucedido, porque, segundo ele, não houve uma intervenção de Deus a favor do profeta. Esperavam um triunfo terreno que iria libertar Israel. Havia sinais de esperança, o testemunho das mulheres de que Ele estava vivo, mas como nenhum deles O tivesse visto, não acreditaram.

Cléofas chama Jesus de estrangeiro residente, termo clássico para designar os não-cidadãos que viviam na periferia das cidades greco-romanas. Um convite sutil que Lucas dirige aos membros de sua comunidade para que reconheçam nos peregrinos, migrantes vindos de longe para os centros urbanos, companheiros de caminhada e, desse modo, o Cristo ressuscitado.

Somente então, num terceiro passo, Jesus os questiona, atingindo em cheio os seus corações tardos para crer em tudo o que os profetas declararam! Não era preciso que o Cristo sofresse isso para entrar na sua glória? A temática de Jesus para abrir-lhes o horizonte do coração é a mesma que os anjos haviam anunciado às mulheres no túmulo. E começando por Moisés e todos os profetas, Ele lhes explicou em todas as Escrituras o que lhe concernia.

O quarto passo de Jesus é fingir que ia prosseguir, deixando que eles tomem a iniciativa de convidá-lo. Jesus respeita a liberdade de seus interlocutores. É necessário um quinto passo, a experiência prática. Ora, quando se pôs à mesa com eles, tomou o pão, pronunciou a bênção, partiu-o e lhes deu. Quando O reconhecem, Jesus dá mais um passo decisivo: Ele se lhes tornou invisível. Já não precisam vê-Lo. Agora podem reconhecê-Lo no ardor do coração, quando leem as Escrituras e ao partir o pão.

Tocados em seu coração, podem dar o próximo passo sozinhos. No mesmo instante, eles partiram e voltaram para Jerusalém. A experiência de que Ele está vivo despertou a fé e fez com que colocassem o pé na estrada para encontrar-se com os companheiros e companheiras e contar-lhes a experiência vivida. O mesmo fizera Maria, depois da Anunciação, para encontrar-se com Isabel (1,39); o paralítico curado (5,25), e Levi, chamado da coletoria de impostos (5,28).

Em Jerusalém recebem o testemunho dos Onze e seus companheiros, e eles dão testemunhos de sua experiência. Nós também poderemos reconhecê-Lo na comunidade, na contemplação da Palavra e na Celebração da Eucaristia. A iniciativa, sem dúvida, foi de Jesus, que soube preparar o terreno do coração dos dois. Mas os dois estavam abertos para acolher o diferente. Aceitaram o forasteiro na caminhada. Aceitaram entrar em diálogo com ele. Fizeram silêncio para escutar e deixar-se questionar pela palavra dele sobre as Escrituras. Souberam escutar o apelo do coração e convidá-lo a ficar com eles. Reconheceram-no na partilha. Aquecidos em seu coração, tomaram a decisão de voltar e partilhar em comunidade o que haviam vivido.

Assim sendo, convido a todos para manifestarem a grande graça de ter encontrado o Senhor ressuscitado. Cristo vive, está em nosso meio, e todas as vezes que reunimos a comunidade para ouvir a Palavra e celebrar a Eucaristia, o Senhor está presente e se faz presente. Assim, sejamos grandes mensageiros desta tamanha graça.

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29/04/2017 00:00 - Atualizado em 01/05/2017 15:57

Com a Ressurreição de Jesus, os Apóstolos começaram a celebrar o primeiro dia da semana como o Dia do Senhor, porquanto foi nesse dia que Ele nos alcançou, com a Ressurreição, a vitória sobre o pecado e a morte. E esta tem sido a tradição constante e universal da Igreja, desde o tempo dos primeiros cristãos até os nossos dias. Por uma tradição apostólica, que tem sua origem no próprio dia da Ressurreição de Cristo, a Igreja celebra solenemente, a cada oito dias, o mistério pascal, no dia que é muito justamente chamado o Dia do Senhor, ou domingo.

Na Liturgia da Palavra do III Domingo, o encontro de Emaús sintetiza muito bem a experiência cristã (cf. Lc 24,13-35). Temos no início deste texto o caminho – aquele da vida: aí, os discípulos conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido com Jesus. Nesse texto Lucas nos apresenta o processo de transformação que sucede nos discípulos, que estavam tristes e desolados, desistindo da caminhada, e os leva à análise do que havia acontecido à luz da Palavra de Jesus, de Moisés e dos profetas, que aquece o coração e faz retornar ao caminho do seguimento.

Desolados, dois dentre eles se dirigiam para uma aldeia chamada Emaús. Haviam desistido da caminhada, tomando o caminho de volta para casa. Mas o Senhor não desiste deles e vai ao seu encontro. Enquanto falavam e discutiam um com o outro, o próprio Jesus caminhava com eles. Tendo o primeiro passo de aproximar-Se e tornar-Se companheiro de viagem, dá um segundo passo, começando um diálogo com eles, através de perguntas que faziam com que explicitassem o que estava se passando com eles. Cléofas faz uma análise de Jesus como um profeta malsucedido, porque, segundo ele, não houve uma intervenção de Deus a favor do profeta. Esperavam um triunfo terreno que iria libertar Israel. Havia sinais de esperança, o testemunho das mulheres de que Ele estava vivo, mas como nenhum deles O tivesse visto, não acreditaram.

Cléofas chama Jesus de estrangeiro residente, termo clássico para designar os não-cidadãos que viviam na periferia das cidades greco-romanas. Um convite sutil que Lucas dirige aos membros de sua comunidade para que reconheçam nos peregrinos, migrantes vindos de longe para os centros urbanos, companheiros de caminhada e, desse modo, o Cristo ressuscitado.

Somente então, num terceiro passo, Jesus os questiona, atingindo em cheio os seus corações tardos para crer em tudo o que os profetas declararam! Não era preciso que o Cristo sofresse isso para entrar na sua glória? A temática de Jesus para abrir-lhes o horizonte do coração é a mesma que os anjos haviam anunciado às mulheres no túmulo. E começando por Moisés e todos os profetas, Ele lhes explicou em todas as Escrituras o que lhe concernia.

O quarto passo de Jesus é fingir que ia prosseguir, deixando que eles tomem a iniciativa de convidá-lo. Jesus respeita a liberdade de seus interlocutores. É necessário um quinto passo, a experiência prática. Ora, quando se pôs à mesa com eles, tomou o pão, pronunciou a bênção, partiu-o e lhes deu. Quando O reconhecem, Jesus dá mais um passo decisivo: Ele se lhes tornou invisível. Já não precisam vê-Lo. Agora podem reconhecê-Lo no ardor do coração, quando leem as Escrituras e ao partir o pão.

Tocados em seu coração, podem dar o próximo passo sozinhos. No mesmo instante, eles partiram e voltaram para Jerusalém. A experiência de que Ele está vivo despertou a fé e fez com que colocassem o pé na estrada para encontrar-se com os companheiros e companheiras e contar-lhes a experiência vivida. O mesmo fizera Maria, depois da Anunciação, para encontrar-se com Isabel (1,39); o paralítico curado (5,25), e Levi, chamado da coletoria de impostos (5,28).

Em Jerusalém recebem o testemunho dos Onze e seus companheiros, e eles dão testemunhos de sua experiência. Nós também poderemos reconhecê-Lo na comunidade, na contemplação da Palavra e na Celebração da Eucaristia. A iniciativa, sem dúvida, foi de Jesus, que soube preparar o terreno do coração dos dois. Mas os dois estavam abertos para acolher o diferente. Aceitaram o forasteiro na caminhada. Aceitaram entrar em diálogo com ele. Fizeram silêncio para escutar e deixar-se questionar pela palavra dele sobre as Escrituras. Souberam escutar o apelo do coração e convidá-lo a ficar com eles. Reconheceram-no na partilha. Aquecidos em seu coração, tomaram a decisão de voltar e partilhar em comunidade o que haviam vivido.

Assim sendo, convido a todos para manifestarem a grande graça de ter encontrado o Senhor ressuscitado. Cristo vive, está em nosso meio, e todas as vezes que reunimos a comunidade para ouvir a Palavra e celebrar a Eucaristia, o Senhor está presente e se faz presente. Assim, sejamos grandes mensageiros desta tamanha graça.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro