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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 25/05/2017

25 de Maio de 2017

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28/04/2017 15:22 - Atualizado em 28/04/2017 15:22

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28/04/2017 15:22 - Atualizado em 28/04/2017 15:22

A coleta desta celebração eucarística nos ilumina neste tempo feliz da Páscoa do Senhor: “Ó Deus, que o vosso povo sempre exulte pela sua renovação espiritual, para que, tendo recuperado agora com alegria a condição de filhos de Deus, espere com plena confiança o dia da ressurreição.”1 A Páscoa nos traz essa certeza de que ressuscitaremos com Cristo. Essa certeza enche o nosso coração de esperança, pois, se Ele destruiu a morte e ela não tem mais poder de nos reter e dominar, o que mais poderíamos temer?

Hoje, na continuação dessa leitura do discurso de Pedro no Dia de Pentecostes, nós tomamos contato com essa certeza apostólica de que a Ressurreição de Cristo é o evento central que dá sentido à fé. Pedro, utilizando-se do Salmo 15, que cantamos como resposta a esta primeira leitura, afirma que o próprio Davi já havia profetizado a ressurreição de Cristo. É de Cristo, segundo Pedro, que Davi fala no salmo afirmando: “Eis porque meu coração está em festa, minha alma rejubila de alegria, e até meu corpo no repouso está tranquilo; pois não haveis de me deixar entregue à morte, nem vosso amigo conhecer a corrupção”. O que Davi havia profeticamente anunciado neste salmo, o Pai o realizou em Cristo, ressuscitando-o de entre os mortos, “porque não era possível que a morte o dominasse”, como afirma ainda o apóstolo durante o seu discurso. Ressuscitado e, exaltado pela direita de Deus, Jesus derrama o Espírito Santo prometido pelo Pai, que produz os efeitos maravilhosos que todos podiam testemunhar naquela manhã feliz do Dia de Pentecostes.

Devemos estar atentos, ainda, à advertência de Pedro na sua primeira carta: “Se invocais como Pai aquele que, sem discriminação, julga a cada um de acordo com as suas obras, vivei então respeitando a Deus durante o tempo de vosso migração nesse mundo. Sabeis que fostes resgatados da vida fútil herdada de vosso pais, não por meio de coisas perecíveis, como a prata ou o ouro, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha nem defeito”. Porque chamamos a Deus de Pai, devemos aprender a viver como filhos. O Filho fez a sua vida na terra, no meio dos homens, ser uma imagem do que é a sua vida intradivina, na intimidade trinitária: uma vida de harmonia, de obediência, de total entrega e respeito à vontade do Pai. Também nós, que portamos o nome de filhos de Deus, devemos imitar o único Filho, e viver uma vida de respeito e obediência ao Pai. Devemos ter diante de nós o que foi o preço do nosso resgate: o sangue de Cristo. Os nossos pais nos transmitiram uma “vida fútil”, uma vida que fenece, que caminha para o fim. Cristo nos transmitiu, com a sua entrega, a vida eterna. O seu Sangue é o preço do nosso resgate. Ele apareceu em nosso meio porque nos ama. Ele nos deu a fé no Pai que O ressuscitou e lhe deu a glória. A nossa fé e a nossa esperança estão em Deus, porque cremos que Ele ressuscitou o Cristo, e esperamos que Ele também nos ressuscite no último dia.

Cristo está no meio de nós cada vez que celebramos a Eucaristia, porque Ele nos ama e deseja estar no meio dos seus irmãos. Essa imagem do Cristo que se coloca no meio dos homens por amor, nós a vemos no evangelho que hoje ouvimos.

Era o primeiro dia da semana: o domingo. Dois discípulos iam de Jerusalém para Emaús. Aqueles que antes haviam seguido o Cristo até Jerusalém, agora, diante da sua morte, voltam com rosto sombrio, como relata o evangelista, para o seu povoado de origem. Enquanto conversam e falam, talvez dos seus projetos frustrados, das suas expectativas a respeito de Cristo que não foram correspondidas, o próprio Ressuscitado se coloca no meio deles: uma presença luminosa no meio das trevas daquela conversa.

Cristo está ali para abrir novamente os olhos dos cegos, mas agora trata-se de uma cegueira que está no espírito dos discípulos. Diante da pergunta de Cristo a respeito do tema da conversa dos dois, a resposta é uma estupefação, porque Jesus não sabia, na opinião dos dois, o que havia acontecido em Jerusalém nos últimos dias. “Nós esperávamos que Ele fosse libertar Israel...” Os discípulos são o retrato da desesperança. “Já faz três dias que todas essas coisas aconteceram”. Nem mesmo o testemunho das mulheres os anima: “A Ele, porém, ninguém O viu”.

Os discípulos são chamados pelo Cristo de pessoas “sem inteligência”, “lentas para crer” no que os profetas anunciaram. “Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?” E Cristo lhes “explicava (...) todas as passagens da Escritura que falavam a respeito d’Ele”, começando por Moisés e passando pelos profetas. Cristo se coloca no meio dos dois como o grande exegeta do AT, mostrando que tudo convergia para Ele. O Cristo é o centro da história dos homens.

Os olhos dos discípulos ainda não se abriram e, quando chegam ao povoado, Cristo faz como se fosse mais adiante. Eles, no entanto, O convidam para “permanecer com eles”. Jesus entra, senta-se à mesa, e como que repetindo o gesto da última ceia, toma o pão e dá graças. É neste momento que os olhos dos discípulos se abrem e Eles reconhecem o Cristo no partir do pão. Cristo fica invisível diante deles, e eles reconhecem que o coração deles ardia quando o Cristo, pelo caminho, lhes interpretava as Escrituras. “Anastantes”, diz o texto grego, “levantando-se” voltam para Jerusalém a fim de anunciar a seus irmãos “os acontecimentos do caminho”. Lá confirmam na comunidade reunida a autenticidade da sua experiência, porque o Cristo também havia aparecido a Simão.

O Cristo Ressuscitado, que encontramos na comunidade reunida, segundo ouvimos no evangelho do domingo passado, é hoje encontrado na comunidade reunida que parte o pão, ou seja, no banquete da Eucaristia, na nossa festa dominical.

Nós que O reconhecemos ao partir o pão, devemos, à maneira dos discípulos de Emaús, correr para levar a outros este alegre anúncio. ‘Anastantes’; esse verbo é fundamental. É o verbo anistemi, usado para indicar também a ressurreição, que é chamada anástasis. Ao ouvirmos a Palavra de Cristo e ao reconhecermos o Senhor no pão que Ele mesmo reparte para nós, o pão que é seu Corpo Glorioso, nós, como que ressuscitados, nos erguemos e saímos para anunciar aos nossos irmãos que Ele está vivo no meio de nós, que Ele nos apareceu e que estamos cheios de uma renovada esperança pascal que nos enche de alegria, alegria esta que brota da certeza de que Ele está no meio de nós e nos ressuscitará no último dia.

Abramo-nos à graça deste dia, para que a alegria da ressurreição renove a nossa esperança e faça nascer em nós uma alegria renovada que brota da certeza de que Cristo Ressuscitou e que, com Ele, seremos também nós ressuscitados pelo Pai. Aleluia!

1 Coleta do Terceiro Domingo da Páscoa Ano A

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28/04/2017 15:22 - Atualizado em 28/04/2017 15:22

A coleta desta celebração eucarística nos ilumina neste tempo feliz da Páscoa do Senhor: “Ó Deus, que o vosso povo sempre exulte pela sua renovação espiritual, para que, tendo recuperado agora com alegria a condição de filhos de Deus, espere com plena confiança o dia da ressurreição.”1 A Páscoa nos traz essa certeza de que ressuscitaremos com Cristo. Essa certeza enche o nosso coração de esperança, pois, se Ele destruiu a morte e ela não tem mais poder de nos reter e dominar, o que mais poderíamos temer?

Hoje, na continuação dessa leitura do discurso de Pedro no Dia de Pentecostes, nós tomamos contato com essa certeza apostólica de que a Ressurreição de Cristo é o evento central que dá sentido à fé. Pedro, utilizando-se do Salmo 15, que cantamos como resposta a esta primeira leitura, afirma que o próprio Davi já havia profetizado a ressurreição de Cristo. É de Cristo, segundo Pedro, que Davi fala no salmo afirmando: “Eis porque meu coração está em festa, minha alma rejubila de alegria, e até meu corpo no repouso está tranquilo; pois não haveis de me deixar entregue à morte, nem vosso amigo conhecer a corrupção”. O que Davi havia profeticamente anunciado neste salmo, o Pai o realizou em Cristo, ressuscitando-o de entre os mortos, “porque não era possível que a morte o dominasse”, como afirma ainda o apóstolo durante o seu discurso. Ressuscitado e, exaltado pela direita de Deus, Jesus derrama o Espírito Santo prometido pelo Pai, que produz os efeitos maravilhosos que todos podiam testemunhar naquela manhã feliz do Dia de Pentecostes.

Devemos estar atentos, ainda, à advertência de Pedro na sua primeira carta: “Se invocais como Pai aquele que, sem discriminação, julga a cada um de acordo com as suas obras, vivei então respeitando a Deus durante o tempo de vosso migração nesse mundo. Sabeis que fostes resgatados da vida fútil herdada de vosso pais, não por meio de coisas perecíveis, como a prata ou o ouro, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha nem defeito”. Porque chamamos a Deus de Pai, devemos aprender a viver como filhos. O Filho fez a sua vida na terra, no meio dos homens, ser uma imagem do que é a sua vida intradivina, na intimidade trinitária: uma vida de harmonia, de obediência, de total entrega e respeito à vontade do Pai. Também nós, que portamos o nome de filhos de Deus, devemos imitar o único Filho, e viver uma vida de respeito e obediência ao Pai. Devemos ter diante de nós o que foi o preço do nosso resgate: o sangue de Cristo. Os nossos pais nos transmitiram uma “vida fútil”, uma vida que fenece, que caminha para o fim. Cristo nos transmitiu, com a sua entrega, a vida eterna. O seu Sangue é o preço do nosso resgate. Ele apareceu em nosso meio porque nos ama. Ele nos deu a fé no Pai que O ressuscitou e lhe deu a glória. A nossa fé e a nossa esperança estão em Deus, porque cremos que Ele ressuscitou o Cristo, e esperamos que Ele também nos ressuscite no último dia.

Cristo está no meio de nós cada vez que celebramos a Eucaristia, porque Ele nos ama e deseja estar no meio dos seus irmãos. Essa imagem do Cristo que se coloca no meio dos homens por amor, nós a vemos no evangelho que hoje ouvimos.

Era o primeiro dia da semana: o domingo. Dois discípulos iam de Jerusalém para Emaús. Aqueles que antes haviam seguido o Cristo até Jerusalém, agora, diante da sua morte, voltam com rosto sombrio, como relata o evangelista, para o seu povoado de origem. Enquanto conversam e falam, talvez dos seus projetos frustrados, das suas expectativas a respeito de Cristo que não foram correspondidas, o próprio Ressuscitado se coloca no meio deles: uma presença luminosa no meio das trevas daquela conversa.

Cristo está ali para abrir novamente os olhos dos cegos, mas agora trata-se de uma cegueira que está no espírito dos discípulos. Diante da pergunta de Cristo a respeito do tema da conversa dos dois, a resposta é uma estupefação, porque Jesus não sabia, na opinião dos dois, o que havia acontecido em Jerusalém nos últimos dias. “Nós esperávamos que Ele fosse libertar Israel...” Os discípulos são o retrato da desesperança. “Já faz três dias que todas essas coisas aconteceram”. Nem mesmo o testemunho das mulheres os anima: “A Ele, porém, ninguém O viu”.

Os discípulos são chamados pelo Cristo de pessoas “sem inteligência”, “lentas para crer” no que os profetas anunciaram. “Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?” E Cristo lhes “explicava (...) todas as passagens da Escritura que falavam a respeito d’Ele”, começando por Moisés e passando pelos profetas. Cristo se coloca no meio dos dois como o grande exegeta do AT, mostrando que tudo convergia para Ele. O Cristo é o centro da história dos homens.

Os olhos dos discípulos ainda não se abriram e, quando chegam ao povoado, Cristo faz como se fosse mais adiante. Eles, no entanto, O convidam para “permanecer com eles”. Jesus entra, senta-se à mesa, e como que repetindo o gesto da última ceia, toma o pão e dá graças. É neste momento que os olhos dos discípulos se abrem e Eles reconhecem o Cristo no partir do pão. Cristo fica invisível diante deles, e eles reconhecem que o coração deles ardia quando o Cristo, pelo caminho, lhes interpretava as Escrituras. “Anastantes”, diz o texto grego, “levantando-se” voltam para Jerusalém a fim de anunciar a seus irmãos “os acontecimentos do caminho”. Lá confirmam na comunidade reunida a autenticidade da sua experiência, porque o Cristo também havia aparecido a Simão.

O Cristo Ressuscitado, que encontramos na comunidade reunida, segundo ouvimos no evangelho do domingo passado, é hoje encontrado na comunidade reunida que parte o pão, ou seja, no banquete da Eucaristia, na nossa festa dominical.

Nós que O reconhecemos ao partir o pão, devemos, à maneira dos discípulos de Emaús, correr para levar a outros este alegre anúncio. ‘Anastantes’; esse verbo é fundamental. É o verbo anistemi, usado para indicar também a ressurreição, que é chamada anástasis. Ao ouvirmos a Palavra de Cristo e ao reconhecermos o Senhor no pão que Ele mesmo reparte para nós, o pão que é seu Corpo Glorioso, nós, como que ressuscitados, nos erguemos e saímos para anunciar aos nossos irmãos que Ele está vivo no meio de nós, que Ele nos apareceu e que estamos cheios de uma renovada esperança pascal que nos enche de alegria, alegria esta que brota da certeza de que Ele está no meio de nós e nos ressuscitará no último dia.

Abramo-nos à graça deste dia, para que a alegria da ressurreição renove a nossa esperança e faça nascer em nós uma alegria renovada que brota da certeza de que Cristo Ressuscitou e que, com Ele, seremos também nós ressuscitados pelo Pai. Aleluia!

1 Coleta do Terceiro Domingo da Páscoa Ano A

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida