Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/10/2017

21 de Outubro de 2017

Propósito pascal

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28/04/2017 12:09 - Atualizado em 28/04/2017 12:10

Propósito pascal 0

28/04/2017 12:09 - Atualizado em 28/04/2017 12:10

Celebramos a Páscoa, o tempo sagrado da Ressurreição do Senhor, o tempo da Igreja. Vale a pena fazer uma reflexão: entendemos a Quaresma como o tempo que nos prepara para a Páscoa, por ser o mistério central da vida cristã. Mas, se fosse apenas para celebrar o mistério da Ressurreição, por que um tempo tão longo chamado “Pascal”? Qual é sua finalidade? Santo Atanásio, em suas cartas pascais, nos diz: “É muito belo, meus irmãos, passar de uma para outra festa, de uma oração para outra, de uma solenidade para outra solenidade”. (Ep. 5,1). Portanto, assim como a Solenidade Pascal celebra a passagem da morte para a vida, o Tempo Pascal nos conduz pela passagem da Ressurreição da Cabeça (Cristo) para a Solenidade de Pentecostes, a Ressurreição do Corpo Místico, a Igreja (sua vivificação pelo Espírito Santo).

Então, considerando que “o tempo não para”, podemos dizer que o Tempo Pascal não é o ponto final das celebrações, mas abre um novo ciclo. Também ele é tempo de preparação. Imediatamente, podemos dizer que prepara a Solenidade de Pentecostes, e a pedagogia da Igreja assim nos mostra: durante 40 dias, somos instruídos na Escola do Ressuscitado e, depois de Ele subir aos céus, aguardamos, em unidade, o Espírito Santo ser derramado sobre nós.

Naturalmente, se trata da atualização dos mistérios que aconteceram na história, mas celebrá-los nos faz participantes da mesma graça: hoje, somos nós que, como os discípulos desanimados que se dirigiam para Emaús (Lc 24,13-35), escutamos o próprio Senhor nos falar por meio de sua Palavra proclamada em assembleia, e que O reconhecemos ao partir o pão. É nosso coração que arde, e são nossos olhos que se abrem diante do mistério que O esconde, mediante a fé: “Felizes os que creram sem terem visto” (Jo 20,29).

Diante do que refletimos até aqui, cabe uma pergunta: se o Tempo Pascal supõe uma preparação para a continuidade da vida da Igreja até que o Senhor volte, qual deve ser a atitude do cristão durante seu desenrolar? Ora, parece que, da mesma forma como, na Quaresma, fomos convidados a fazer propósitos de penitência e mudança da vida, seja igualmente importante pensarmos num propósito pascal, que nos ajude a viver como ressuscitados, ainda que estejamos “neste vale de lágrimas”.

Muitas são as formas de fazermos um bom propósito pascal, mas fundamentalmente basta saber que basta renovarmos nosso modo de ser e de agir mediante a fé: lançar fora o fermento velho da malícia e da corrupção, para sermos pães ázimos da retidão e da verdade (1Cor 5,7-8), buscar as coisas do alto, deixando para trás ira, animosidade, maledicência, maldade, palavras torpes (Cl 3,1.5), viver como filhos da luz (Ef 5,8), anunciar aos irmãos onde podem encontrar o Senhor (Mt 28,10), fazendo discípulos todos os povos (Mt 28,19).

Outro propósito pascal que podemos e devemos assumir é o de fazer a mesma opção que Jesus fez: não à toa, somos chamados cristãos (At 11,26). Quem nos vê, espera encontrar em nós as mesmas atitudes de Cristo, apesar de nossas fraquezas. No dia 1º celebraremos o Dia do Trabalhador. Reflitamos sobre que realidades em nossos dias clamam por um testemunho de fé mais coerente, que faça com que nossa celebração na Igreja saia de seus muros e alcance o mundo, pois é o Senhor que nos prepara para ser a Sua presença, forte e comprometedora, no hoje da história. Ao celebrar a Ressurreição, sejamos nós a manter Cristo vivo na vida de muitos pela nossa postura comprometida com Deus e com o próximo!


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28/04/2017 12:09 - Atualizado em 28/04/2017 12:10

Celebramos a Páscoa, o tempo sagrado da Ressurreição do Senhor, o tempo da Igreja. Vale a pena fazer uma reflexão: entendemos a Quaresma como o tempo que nos prepara para a Páscoa, por ser o mistério central da vida cristã. Mas, se fosse apenas para celebrar o mistério da Ressurreição, por que um tempo tão longo chamado “Pascal”? Qual é sua finalidade? Santo Atanásio, em suas cartas pascais, nos diz: “É muito belo, meus irmãos, passar de uma para outra festa, de uma oração para outra, de uma solenidade para outra solenidade”. (Ep. 5,1). Portanto, assim como a Solenidade Pascal celebra a passagem da morte para a vida, o Tempo Pascal nos conduz pela passagem da Ressurreição da Cabeça (Cristo) para a Solenidade de Pentecostes, a Ressurreição do Corpo Místico, a Igreja (sua vivificação pelo Espírito Santo).

Então, considerando que “o tempo não para”, podemos dizer que o Tempo Pascal não é o ponto final das celebrações, mas abre um novo ciclo. Também ele é tempo de preparação. Imediatamente, podemos dizer que prepara a Solenidade de Pentecostes, e a pedagogia da Igreja assim nos mostra: durante 40 dias, somos instruídos na Escola do Ressuscitado e, depois de Ele subir aos céus, aguardamos, em unidade, o Espírito Santo ser derramado sobre nós.

Naturalmente, se trata da atualização dos mistérios que aconteceram na história, mas celebrá-los nos faz participantes da mesma graça: hoje, somos nós que, como os discípulos desanimados que se dirigiam para Emaús (Lc 24,13-35), escutamos o próprio Senhor nos falar por meio de sua Palavra proclamada em assembleia, e que O reconhecemos ao partir o pão. É nosso coração que arde, e são nossos olhos que se abrem diante do mistério que O esconde, mediante a fé: “Felizes os que creram sem terem visto” (Jo 20,29).

Diante do que refletimos até aqui, cabe uma pergunta: se o Tempo Pascal supõe uma preparação para a continuidade da vida da Igreja até que o Senhor volte, qual deve ser a atitude do cristão durante seu desenrolar? Ora, parece que, da mesma forma como, na Quaresma, fomos convidados a fazer propósitos de penitência e mudança da vida, seja igualmente importante pensarmos num propósito pascal, que nos ajude a viver como ressuscitados, ainda que estejamos “neste vale de lágrimas”.

Muitas são as formas de fazermos um bom propósito pascal, mas fundamentalmente basta saber que basta renovarmos nosso modo de ser e de agir mediante a fé: lançar fora o fermento velho da malícia e da corrupção, para sermos pães ázimos da retidão e da verdade (1Cor 5,7-8), buscar as coisas do alto, deixando para trás ira, animosidade, maledicência, maldade, palavras torpes (Cl 3,1.5), viver como filhos da luz (Ef 5,8), anunciar aos irmãos onde podem encontrar o Senhor (Mt 28,10), fazendo discípulos todos os povos (Mt 28,19).

Outro propósito pascal que podemos e devemos assumir é o de fazer a mesma opção que Jesus fez: não à toa, somos chamados cristãos (At 11,26). Quem nos vê, espera encontrar em nós as mesmas atitudes de Cristo, apesar de nossas fraquezas. No dia 1º celebraremos o Dia do Trabalhador. Reflitamos sobre que realidades em nossos dias clamam por um testemunho de fé mais coerente, que faça com que nossa celebração na Igreja saia de seus muros e alcance o mundo, pois é o Senhor que nos prepara para ser a Sua presença, forte e comprometedora, no hoje da história. Ao celebrar a Ressurreição, sejamos nós a manter Cristo vivo na vida de muitos pela nossa postura comprometida com Deus e com o próximo!


Padre Cristiano Holtz Peixoto
Autor

Padre Cristiano Holtz Peixoto

Vigário paroquial da Catedral Metropolitana