Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/10/2017

20 de Outubro de 2017

“Meu Senhor e meu Deus”

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20 de Outubro de 2017

“Meu Senhor e meu Deus”

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21/04/2017 10:54 - Atualizado em 21/04/2017 10:54

“Meu Senhor e meu Deus” 0

21/04/2017 10:54 - Atualizado em 21/04/2017 10:54

A coleta da celebração eucarística deste domingo nos ilumina neste tempo feliz da Páscoa do Senhor. O Senhor nosso Deus, que nos reúne a todos em assembleia neste domingo festivo, é Aquele que “reacende” a nossa fé cada ano na festa pascal. Assim como o círio pascal foi aceso no fogo novo abençoado na noite santa da Mãe de todas as Vigílias, nós também somos acesos novamente na luz de Cristo. Aquela vela que trazíamos em nossas mãos e que acendemos no círio que adentrava pela igreja escura nos simboliza. Como aquela vela nós fomos acesos na luz de Cristo. A nossa fé foi acesa novamente no mistério da páscoa do Senhor.

Foi por causa dessa fé que brotou do mistério da Páscoa do Senhor que as primeiras comunidades davam testemunho de Cristo. Nesta liturgia da Palavra nós ouvimos o livro dos Atos dos Apóstolos e vamos ouvi-lo durante todo o tempo pascal. Lucas sintetiza para nós, neste livro, o que era a vida das primeiras comunidades cristãs, como elas viviam o mistério da páscoa do Senhor. Nós ouvimos hoje que as primeiras comunidades viviam unidas em torno de um núcleo litúrgico que dava sentido à toda vida: “eram perseverantes em ouvir os ensinamentos dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações”. Esse era o núcleo da vida das primeiras comunidades. Estavam unidos em torno da doutrina, da comunhão, das orações tendo como ápice a Eucaristia (fração do pão). Desse núcleo litúrgico fundamental brotavam as demais ações da comunidade: a caridade fraterna “viviam unidos e colocavam tudo em comum”; uma vida de ação de graças perene a Deus: “louvavam a Deus”; um testemunho contagiante: “eram estimados por todo o povo”; uma missão que brotava do poder de atração que a vida nova da fé lhes fazia exercer sobre aqueles que os viam: “e, cada dia, o Senhor acrescentava ao seu número mais pessoas que seriam salvas”.

Que a fé brota do mistério da Páscoa do Senhor é o que nos ensina hoje o Evangelho, coração dessa liturgia da Palavra. Trata-se do capítulo 20 de São João. Aqui o apóstolo nos relata duas aparições do Ressuscitado, sempre no domingo. Os apóstolos estão a portas fechadas, encerrados no seu medo e de repente o Ressuscitado se coloca no meio deles, oferecendo o dom que brotou da sua Páscoa: a paz. Diz o Senhor aos seus discípulos: “A paz esteja convosco”. O Cristo comunica a paz que brotou das suas chagas, do seu sacrifício, por isso Ele imediatamente expõe aos discípulos as mãos e o lado aberto.

A paz do Cristo enche de alegria o coração dos discípulos, que são enviados em missão, para comunicar a outros a paz de Cristo e a alegria da ressurreição. Cristo os envia como o próprio Pai o havia enviado antes. Os discípulos são enviados na força do Espírito Santo. Cristo lhes dá seu Espírito em vista de uma missão de reconciliação: “A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”. É a missão dos apóstolos em perfeita continuidade com a missão do próprio Cristo. Aquele que veio para fazer do que era dividido uma unidade, Aquele que orou pedindo ao Pai que os homens fossem um, como Ele era um com seu pai, agora envia os apóstolos, seus embaixadores, a fim de que continuem seu ministério de reconciliação, para que não se perca nenhum daqueles que o Pai confiou ao Filho Unigênito.

Tomé não está com seus irmãos quando Cristo lhes aparece. Por isso, diante do testemunho dos outros discípulos ele exige uma experiência pessoal: “Se eu não vir as marcas dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”. O Senhor não lhe nega a exigência. Oito dias depois, reunidos de novo os discípulos em casa, agora juntamente com Tomé, o Senhor torna a se colocar no meio deles. Cristo comunica de novo a sua paz e convida Tomé a colocar o dedo nas suas chagas: “Põe o teu dedo aqui e olha minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. Tomé prontamente reconhece o Senhor: “Meu Senhor e meu Deus.”

Muitos de nós criticamos a atitude de Tomé. Mas, poderíamos chamar a incredulidade de Tomé de bendita incredulidade. Bendita incredulidade que nos valeu o título, dado pelo próprio Cristo, de bem-aventurados. Por causa da incredulidade de Tomé que só acreditou quanto tocou com suas mãos as chagas gloriosas do Senhor, nós nos tornamos bem-aventurados, bem-aventurados por que cremos sem ter visto. Sem ver o Senhor nós cremos n’Ele. E a fé no Ressuscitado nos conduz à vida.

Devemos lançar um olhar ainda para a segunda leitura. A primeira carta de Pedro que ouvimos é, segundo alguns exegetas, uma homilia batismal. Pedro escreve aos “estrangeiros da dispersão”. Nós somos estes “estrangeiros” no mundo. Pedro nos fala do batismo, “novo nascimento”, como um dom da “grande misericórdia” do Pai pela “ressurreição de Jesus Cristo.” O dom do batismo, que recebemos professando a fé, nos fez nascer de novo, nascer de novo para uma “esperança viva”, para uma “herança incorruptível” que está “reservada para nós nos céus”. Graças a fé, nós fomos guardados para a salvação que há de se manifestar nos últimos dias, diz o apóstolo.

Cristo está em nosso meio. Nós somos como aquela assembleia seleta do oitavo dia. Cristo está presente em nosso meio de forma sacramental e nos anuncia a sua paz. Mas, qual é a paz que Cristo nos dá? Com certeza não é a paz que nós imaginamos. Cristo já havia anunciado aos seus discípulos: “Minha paz vos dou, mas não vo-la dou como o mundo a dá”. A paz de Cristo não é a paz do mundo. A paz de Cristo não é a utópica ausência de tribulações.

O pecado está aí para nos mostrar que tudo ainda está um tanto quanto nebuloso, por isso essa paz utópica que os homens imaginam não é possível. A paz de Cristo é a paz no meio das aflições, como já havia anunciado Pedro na segunda leitura. A paz de Cristo é a certeza da sua presença no meio de nós, soprando sobre nós o seu Espírito de paz, mesmo quando nos encontramos no meio da guerra, da guerra exterior ou da guerra interior, não importa. Essa é a nossa alegria. A nossa alegria consiste no fato novo e inaudito da ressurreição que nos traz paz, nos traz paz porque sabemos que Ele está conosco “todos os dias até o fim do mundo”, nos traz paz porque sabemos que existe uma esperança viva, que não murcha, que existe uma herança incorruptível reservada para nós no céu. Existe para nós algo que não podemos ainda compreender plenamente, mas que à luz da fé podemos entrever e crer e, crendo ter vida, uma vida que nasce da esperança viva e nova que Cristo nos trouxe com a sua ressurreição.

Ofereçamos hoje ao Senhor o nosso louvor Pascal. Ofereçamos ao Pai e ao seu Cristo, na força do Divino Paráclito que nos foi dado pelo Ressuscitado o nosso Aleluia Pascal, porque eterna é a sua misericórdia!

1 Coleta do Segundo Domingo da Páscoa Ano A

 

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“Meu Senhor e meu Deus”

21/04/2017 10:54 - Atualizado em 21/04/2017 10:54

A coleta da celebração eucarística deste domingo nos ilumina neste tempo feliz da Páscoa do Senhor. O Senhor nosso Deus, que nos reúne a todos em assembleia neste domingo festivo, é Aquele que “reacende” a nossa fé cada ano na festa pascal. Assim como o círio pascal foi aceso no fogo novo abençoado na noite santa da Mãe de todas as Vigílias, nós também somos acesos novamente na luz de Cristo. Aquela vela que trazíamos em nossas mãos e que acendemos no círio que adentrava pela igreja escura nos simboliza. Como aquela vela nós fomos acesos na luz de Cristo. A nossa fé foi acesa novamente no mistério da páscoa do Senhor.

Foi por causa dessa fé que brotou do mistério da Páscoa do Senhor que as primeiras comunidades davam testemunho de Cristo. Nesta liturgia da Palavra nós ouvimos o livro dos Atos dos Apóstolos e vamos ouvi-lo durante todo o tempo pascal. Lucas sintetiza para nós, neste livro, o que era a vida das primeiras comunidades cristãs, como elas viviam o mistério da páscoa do Senhor. Nós ouvimos hoje que as primeiras comunidades viviam unidas em torno de um núcleo litúrgico que dava sentido à toda vida: “eram perseverantes em ouvir os ensinamentos dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações”. Esse era o núcleo da vida das primeiras comunidades. Estavam unidos em torno da doutrina, da comunhão, das orações tendo como ápice a Eucaristia (fração do pão). Desse núcleo litúrgico fundamental brotavam as demais ações da comunidade: a caridade fraterna “viviam unidos e colocavam tudo em comum”; uma vida de ação de graças perene a Deus: “louvavam a Deus”; um testemunho contagiante: “eram estimados por todo o povo”; uma missão que brotava do poder de atração que a vida nova da fé lhes fazia exercer sobre aqueles que os viam: “e, cada dia, o Senhor acrescentava ao seu número mais pessoas que seriam salvas”.

Que a fé brota do mistério da Páscoa do Senhor é o que nos ensina hoje o Evangelho, coração dessa liturgia da Palavra. Trata-se do capítulo 20 de São João. Aqui o apóstolo nos relata duas aparições do Ressuscitado, sempre no domingo. Os apóstolos estão a portas fechadas, encerrados no seu medo e de repente o Ressuscitado se coloca no meio deles, oferecendo o dom que brotou da sua Páscoa: a paz. Diz o Senhor aos seus discípulos: “A paz esteja convosco”. O Cristo comunica a paz que brotou das suas chagas, do seu sacrifício, por isso Ele imediatamente expõe aos discípulos as mãos e o lado aberto.

A paz do Cristo enche de alegria o coração dos discípulos, que são enviados em missão, para comunicar a outros a paz de Cristo e a alegria da ressurreição. Cristo os envia como o próprio Pai o havia enviado antes. Os discípulos são enviados na força do Espírito Santo. Cristo lhes dá seu Espírito em vista de uma missão de reconciliação: “A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”. É a missão dos apóstolos em perfeita continuidade com a missão do próprio Cristo. Aquele que veio para fazer do que era dividido uma unidade, Aquele que orou pedindo ao Pai que os homens fossem um, como Ele era um com seu pai, agora envia os apóstolos, seus embaixadores, a fim de que continuem seu ministério de reconciliação, para que não se perca nenhum daqueles que o Pai confiou ao Filho Unigênito.

Tomé não está com seus irmãos quando Cristo lhes aparece. Por isso, diante do testemunho dos outros discípulos ele exige uma experiência pessoal: “Se eu não vir as marcas dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”. O Senhor não lhe nega a exigência. Oito dias depois, reunidos de novo os discípulos em casa, agora juntamente com Tomé, o Senhor torna a se colocar no meio deles. Cristo comunica de novo a sua paz e convida Tomé a colocar o dedo nas suas chagas: “Põe o teu dedo aqui e olha minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. Tomé prontamente reconhece o Senhor: “Meu Senhor e meu Deus.”

Muitos de nós criticamos a atitude de Tomé. Mas, poderíamos chamar a incredulidade de Tomé de bendita incredulidade. Bendita incredulidade que nos valeu o título, dado pelo próprio Cristo, de bem-aventurados. Por causa da incredulidade de Tomé que só acreditou quanto tocou com suas mãos as chagas gloriosas do Senhor, nós nos tornamos bem-aventurados, bem-aventurados por que cremos sem ter visto. Sem ver o Senhor nós cremos n’Ele. E a fé no Ressuscitado nos conduz à vida.

Devemos lançar um olhar ainda para a segunda leitura. A primeira carta de Pedro que ouvimos é, segundo alguns exegetas, uma homilia batismal. Pedro escreve aos “estrangeiros da dispersão”. Nós somos estes “estrangeiros” no mundo. Pedro nos fala do batismo, “novo nascimento”, como um dom da “grande misericórdia” do Pai pela “ressurreição de Jesus Cristo.” O dom do batismo, que recebemos professando a fé, nos fez nascer de novo, nascer de novo para uma “esperança viva”, para uma “herança incorruptível” que está “reservada para nós nos céus”. Graças a fé, nós fomos guardados para a salvação que há de se manifestar nos últimos dias, diz o apóstolo.

Cristo está em nosso meio. Nós somos como aquela assembleia seleta do oitavo dia. Cristo está presente em nosso meio de forma sacramental e nos anuncia a sua paz. Mas, qual é a paz que Cristo nos dá? Com certeza não é a paz que nós imaginamos. Cristo já havia anunciado aos seus discípulos: “Minha paz vos dou, mas não vo-la dou como o mundo a dá”. A paz de Cristo não é a paz do mundo. A paz de Cristo não é a utópica ausência de tribulações.

O pecado está aí para nos mostrar que tudo ainda está um tanto quanto nebuloso, por isso essa paz utópica que os homens imaginam não é possível. A paz de Cristo é a paz no meio das aflições, como já havia anunciado Pedro na segunda leitura. A paz de Cristo é a certeza da sua presença no meio de nós, soprando sobre nós o seu Espírito de paz, mesmo quando nos encontramos no meio da guerra, da guerra exterior ou da guerra interior, não importa. Essa é a nossa alegria. A nossa alegria consiste no fato novo e inaudito da ressurreição que nos traz paz, nos traz paz porque sabemos que Ele está conosco “todos os dias até o fim do mundo”, nos traz paz porque sabemos que existe uma esperança viva, que não murcha, que existe uma herança incorruptível reservada para nós no céu. Existe para nós algo que não podemos ainda compreender plenamente, mas que à luz da fé podemos entrever e crer e, crendo ter vida, uma vida que nasce da esperança viva e nova que Cristo nos trouxe com a sua ressurreição.

Ofereçamos hoje ao Senhor o nosso louvor Pascal. Ofereçamos ao Pai e ao seu Cristo, na força do Divino Paráclito que nos foi dado pelo Ressuscitado o nosso Aleluia Pascal, porque eterna é a sua misericórdia!

1 Coleta do Segundo Domingo da Páscoa Ano A

 

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida