Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/09/2017

20 de Setembro de 2017

Dos raros textos do Novo Testamento até a ampla mariologia

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20 de Setembro de 2017

Dos raros textos do Novo Testamento até a ampla mariologia

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21/04/2017 10:36 - Atualizado em 21/04/2017 10:46

Dos raros textos do Novo Testamento até a ampla mariologia 0

21/04/2017 10:36 - Atualizado em 21/04/2017 10:46

Causa justa admiração que os poucos textos do NT façam surgir uma volumosa mariologia. Marcus, por exemplo, cita só uma única vez o nome de Maria (6,3). Só uma única carta de São Paulo (Gl 4,4) menciona, sem dizer o nome, “a mulher da qual nasceu o Verbo de Deus. No entanto, os raros textos marianos são de singular densidade e ligados ao mistério da Encarnação. Sabemos que já antes da compilação completa do NT surgiam necessidades de se defender aspectos essenciais da cristologia. A explicitação da mariologia está diretamente ligada ao dever de se defender Jesus.

Duas heresias de perigosa penetração em significativas partes da Igreja nascente exigem todo rigor dos pastores e dos padres. Eis o problema: o acelerado processo de conversões de judeus e de pagãos. Embora convertidos, judeu-cristãos tentavam interpretar o Cristo dentro de suas antigas categorias. Admitiram a sublime dignidade do homem Jesus. Mas para não aceitar sua divindade, postularam uma adoção por parte de Deus. Jesus, filho de José e de Maria, é agora filho adotivo de Deus. Negando sua divindade, não há necessidade de se falar em virgindade de sua mãe.

De outro lado, pagãos de cultura grega tentavam reduzir a mensagem cristã às especulativas, mas deletérias categorias da filosofia da Gnose: o dualismo. O espírito é bom; a matéria e má, feita por um demiurgo diabólico. Jesus, filho de Deus jamais pode ter um corpo. Seu corpo é somente aparente (docetismo). Maria não tem ligação corporal material com Jesus. A luz celeste passou por ela como água passa por um tubo, por um canal, sem receber nada da matéria do canal. Maria, portanto, não é mãe de Jesus. Por Jesus ser filho de Deus, ela pode ser virgem. Márquion, filho do bispo de Slínope, excluído da Igreja pelo pai, é talvez o gnóstico mais ilustre e mais perigoso. Ele aceita só o Evangelho de Lucas, mas purificando-o com a eliminação dos capítulos sobre a infância e a maternidade.

Contra tais desvios doutrinários levantam-se os eminentes mártires e padres da primeira Igreja: (Inácio de Antioquia (+ 112), Policarpo de Esmirna (+ 156), Irineu (+ 202). Para eles é claro que o mistério divino e humano de Jesus dá a verdadeira relevância a Maria; Em Cristo ela tem sua verdadeira identidade; e sua real identidade, afirmada pela Bíblia, ilustra e exalta a identidade de Jesus. Maria é mãe: isto afirma que o Filho de Deus tornou-se realmente homem. A virgindade, tão solenemente afirmada em Lucas e Mateus, ilustra que Jesus tem Deus como único Pai, e que Maria não concebeu de nenhum homem. Sua maternidade acentua que Deus se fez homem. E sua virgindade torna-se evidente sinal da eterna preexistência divina de Jesus com Verbo de Deus. Maria não é uma santa a mais; mas nela está intimamente inscrita a história salvífica realizada em Jesus.

Por mais que Francisco tenha enriquecido o povo de Deus, a Igreja poderia ser Igreja sem Francisco. Mas sem Maria ela não é. O grande Santo Boaventura diz as duas coisas:

“Maria está infinitamente abaixo de Jesus”. E ele completa: “Se tu tiras do mundo a mãe de Deus, tiras igualmente o Verbo feito homem”.

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Dos raros textos do Novo Testamento até a ampla mariologia

21/04/2017 10:36 - Atualizado em 21/04/2017 10:46

Causa justa admiração que os poucos textos do NT façam surgir uma volumosa mariologia. Marcus, por exemplo, cita só uma única vez o nome de Maria (6,3). Só uma única carta de São Paulo (Gl 4,4) menciona, sem dizer o nome, “a mulher da qual nasceu o Verbo de Deus. No entanto, os raros textos marianos são de singular densidade e ligados ao mistério da Encarnação. Sabemos que já antes da compilação completa do NT surgiam necessidades de se defender aspectos essenciais da cristologia. A explicitação da mariologia está diretamente ligada ao dever de se defender Jesus.

Duas heresias de perigosa penetração em significativas partes da Igreja nascente exigem todo rigor dos pastores e dos padres. Eis o problema: o acelerado processo de conversões de judeus e de pagãos. Embora convertidos, judeu-cristãos tentavam interpretar o Cristo dentro de suas antigas categorias. Admitiram a sublime dignidade do homem Jesus. Mas para não aceitar sua divindade, postularam uma adoção por parte de Deus. Jesus, filho de José e de Maria, é agora filho adotivo de Deus. Negando sua divindade, não há necessidade de se falar em virgindade de sua mãe.

De outro lado, pagãos de cultura grega tentavam reduzir a mensagem cristã às especulativas, mas deletérias categorias da filosofia da Gnose: o dualismo. O espírito é bom; a matéria e má, feita por um demiurgo diabólico. Jesus, filho de Deus jamais pode ter um corpo. Seu corpo é somente aparente (docetismo). Maria não tem ligação corporal material com Jesus. A luz celeste passou por ela como água passa por um tubo, por um canal, sem receber nada da matéria do canal. Maria, portanto, não é mãe de Jesus. Por Jesus ser filho de Deus, ela pode ser virgem. Márquion, filho do bispo de Slínope, excluído da Igreja pelo pai, é talvez o gnóstico mais ilustre e mais perigoso. Ele aceita só o Evangelho de Lucas, mas purificando-o com a eliminação dos capítulos sobre a infância e a maternidade.

Contra tais desvios doutrinários levantam-se os eminentes mártires e padres da primeira Igreja: (Inácio de Antioquia (+ 112), Policarpo de Esmirna (+ 156), Irineu (+ 202). Para eles é claro que o mistério divino e humano de Jesus dá a verdadeira relevância a Maria; Em Cristo ela tem sua verdadeira identidade; e sua real identidade, afirmada pela Bíblia, ilustra e exalta a identidade de Jesus. Maria é mãe: isto afirma que o Filho de Deus tornou-se realmente homem. A virgindade, tão solenemente afirmada em Lucas e Mateus, ilustra que Jesus tem Deus como único Pai, e que Maria não concebeu de nenhum homem. Sua maternidade acentua que Deus se fez homem. E sua virgindade torna-se evidente sinal da eterna preexistência divina de Jesus com Verbo de Deus. Maria não é uma santa a mais; mas nela está intimamente inscrita a história salvífica realizada em Jesus.

Por mais que Francisco tenha enriquecido o povo de Deus, a Igreja poderia ser Igreja sem Francisco. Mas sem Maria ela não é. O grande Santo Boaventura diz as duas coisas:

“Maria está infinitamente abaixo de Jesus”. E ele completa: “Se tu tiras do mundo a mãe de Deus, tiras igualmente o Verbo feito homem”.

Dom Karl Josef Romer
Autor

Dom Karl Josef Romer

Bispo emérito da Arquidiocese de são Sebastião do Rio de Janeiro