Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 25/07/2017

25 de Julho de 2017

Caridade e coleta na Sexta-feira Santa

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Caridade e coleta na Sexta-feira Santa

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14/04/2017 00:00 - Atualizado em 17/04/2017 14:44

Caridade e coleta na Sexta-feira Santa 0

14/04/2017 00:00 - Atualizado em 17/04/2017 14:44

Todos os anos, na Sexta-feira Santa, em especial no momento da celebração da Adoração da Cruz, se faz a coleta pelos lugares santos. “Os lugares Santos da nossa fé são o testemunho tangível deste extraordinário acontecimento que mudou a história da humanidade e abriu-a a uma nova esperança”, diz o Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais em sua carta de 1º de março passado. Ele lembra que “daqueles lugares, o anúncio da Páscoa espalhou-se por todo o mundo e continua a ser difundido. Naquela região, de um modo ininterrupto através dos séculos, mesmo a custo de grandes sacrifícios, continua a estar presente uma comunidade cristã com rosto universal de Pentecostes.” Por isso mesmo, ele anuncia: “O sentido de comunhão em Cristo morto e ressuscitado por nós, leva-nos a promover, também este ano, a importante iniciativa de uma Coleta para a Terra Santa, manifestando a união fraterna que ume a Igreja Universal com aquela Igreja Mãe”. Por isso o nosso convite para dentro deste momento central de nossa vida de Igreja sermos generosos com essa coleta. Ela é destinada para os locais Sagrados.  Continua o Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais: “Cada dia os cristãos em várias regiões do Oriente Médio se questionam se devem ficar ou emigrar: vivem na insegurança ou sofrem violência, às vezes, simplesmente pelo fato de professarem a deles e nossa fé. Assim ele escreveu: “Não tenham medo”. Eis porque a Igreja Universal não deixa de fazer chegar todos os anos a habitual ajuda através da coleta de fundos, realizada pelas dioceses de todo o mundo, a ser enviada à Igreja Mãe de Jerusalém”. (Retirado do site: http://www.comissariadoterrasanta.com.br/a-coleta-da-sexta-feira-santa-para-ajudar-os-lugares-de-jesus.html. Último acesso: 12/04/2017).

“Na Sexta-feira Santa, queremos elevar ao Crucificado o grito da paz para Jerusalém e para que o mundo, começando pela Terra de Jesus, se torne a Cidade da paz”. Os cristãos da Terra Santa confiam muito na ajuda que chega até eles neste momento especial do ano. A Coleta é, portanto, regulada por específicas disposições pontifícias que estabelecem a atribuição in primis à Custódia Franciscana, responsável pela manutenção dos Santuários que surgiram nos Lugares Santos. “E no cuidado das estruturas pastorais, educacionais, assistenciais, saúde e social que permitem a vida das paróquias e dos vários organismos eclesiais, para que comunidades vivas e ativas sejam a mais evangélica salvaguarda” (Retirado do site: http://www.comissariadoterrasanta.com.br/a-coleta-da-sexta-feira-santa-para-ajudar-os-lugares-de-jesus.html. Último acesso: 12/04/2017).

“O dinheiro arrecadado irá para a conclusão de urgentes restaurações, como a reforma em andamento do telhado da Basílica da Natividade em Belém, e ao longo de vários anos o apoio a projetos habitacionais que oferecem a jovens núcleos familiares a oportunidade de permanecer na Terra Santa. Mas não é só isso: a coleta irá implementar uma rede escolar abrangente, especialmente através das paróquias, favorecendo um nível generalizado e qualificado da educação, já apreciado em nível ecumênico e inter-religioso”. (Retirado do site: http://www.comissariadoterrasanta.com.br/a-coleta-da-sexta-feira-santa-para-ajudar-os-lugares-de-jesus.html. Último acesso: 12/04/2017).

Dessa maneira, não é a quantia que importa, mas o que o gesto ou o rito da esmola significa. Exercitando a atitude da esmola durante a Quaresma, a Igreja quer levar os cristãos a viverem a atitude da esmola durante todo o ano, durante toda a vida. Aliás, essa foi uma das práticas quaresmais, junto com o jejum e a penitência.

Quando ouvimos a palavra esmola, logo vem em nossas cabeças a imagem de algumas moedas ou um trocadinho que tiramos do bolso para dar a algum pedinte, na porta de casa, no farol, nas calçadas das nossas cidades ou na porta de nossas igrejas. Geralmente essa doação que fazemos é algo que nos sobra ou um troco que temos. Porém, esmola (caridade) é muito mais do que tudo isso. É dar mais de si do que aquilo que se tem. A esmola é importante para nós que partilhamos do que temos e somos com os irmãos. Porém, precisamos, sim, ajudar aos nossos irmãos nas suas necessidades, a fome não espera, mas esmola é muito mais que assistencialismo. É dar vida, dignidade, tirar o irmão da situação que ele se encontra.

Mas podemos nos perguntar: o que significa a esmola (caridade)? Dar esmola significa dar de graça, dar sem interesse de receber de volta, dar sem egoísmo, sem pedir recompensa, em atitude de compaixão. Nisto ele imita o próprio Deus no mistério da criação, e a Jesus Cristo no mistério da Redenção. O homem recebeu tudo do seu Criador. Tudo quanto tem, possui-o por que recebeu. Ora, se Deus dá de graça e se o homem é criado à imagem e semelhança de Deus; se Cristo se doou totalmente, dando sua vida, também ele será capaz de dar de graça. Ao descobrir que dentro de si existe a sublime capacidade de dar de graça, a exemplo de Deus e de Cristo, brota nele o desejo de celebrá-la.

Quando, pois, na Quaresma a Igreja convoca todos os fiéis a darem esmola, ela comemora aquele que por excelência exerceu a esmola: Jesus Cristo. Convida o homem à atitude de abertura ao próximo, convida-o a servir ao próximo com generosidade e desprendimento. Ora, neste momento a esmola começa a significar toda esta atitude de doação gratuita. Não só de bens materiais, mas o tempo, o interesse, as qualidades, o serviço, o acolhimento, a aceitação. E todo este mistério de abertura e gratuidade em favor do próximo na imitação de Deus e de Cristo possui então uma linguagem ritual. Tem valor de símbolo. Pela celebração da esmola, a Igreja comemora a generosidade de Cristo, que deu sua vida pelos seus e torna presente Cristo, dando-se a seus irmãos em cada irmão, formando o seu corpo. A esmola é importante mesmo que não consigamos resolver todos os problemas sociais, porém uma coleta especial, como no caso para os lugares santos, é importante, pois com essa quantia é que se conservam os lugares santos, empreende-se trabalhos missionários e catequéticos, implementa-se trabalhos sociais e educacionais católicos na Terra Santa. É a presença católica que continua apoiada pelos irmãos e irmãs do mundo todo. Eis o belo momento de assim vivermos e fazermos, nesta Sexta-feira Santa, com todo o carinho e partilha.

No que diz respeito da virtude teologal da caridade, ou seja, do amor, deve-se ter em conta que o amor a Deus e o amor ao próximo são uma mesma e única coisa, de modo que um depende do outro; por isto, tanto mais poderemos amar ao próximo quanto mais amemos a Deus; e, por sua vez, tanto mais amaremos a Deus quanto mais de verdade amemos ao próximo.

O Papa Francisco, em 16 de junho de 2016, referindo-se aos trabalhos de restauração na Terra Santa, recordou o valor não só da presença da Igreja na Terra Santa, como também a importância da “manutenção dos Lugares Santos e dos Santuários, graças à Coleta de Sexta-feira Santa, que em cada ano se renova a partir da feliz intuição do Beato Paulo VI”.

A carta do Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais assim conclui: àqueles “que se empenham no bom sucesso da realização desta Coleta, alegro-me ao transmitir a todos o vivo reconhecimento do Santo Padre Francisco, ao qual se une a gratidão da Congregação para as Igrejas Orientais”.

Descobrimos, então, que no exercício da esmola está contida a atitude de conversão em relação ao próximo e um grande dom para muitas pessoas, e, neste caso, para uma contínua presença católica nos lugares santos. Por isso, convido todos a fazerem sua generosa doação nesta Sexta-feira Santa.

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14/04/2017 00:00 - Atualizado em 17/04/2017 14:44

Todos os anos, na Sexta-feira Santa, em especial no momento da celebração da Adoração da Cruz, se faz a coleta pelos lugares santos. “Os lugares Santos da nossa fé são o testemunho tangível deste extraordinário acontecimento que mudou a história da humanidade e abriu-a a uma nova esperança”, diz o Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais em sua carta de 1º de março passado. Ele lembra que “daqueles lugares, o anúncio da Páscoa espalhou-se por todo o mundo e continua a ser difundido. Naquela região, de um modo ininterrupto através dos séculos, mesmo a custo de grandes sacrifícios, continua a estar presente uma comunidade cristã com rosto universal de Pentecostes.” Por isso mesmo, ele anuncia: “O sentido de comunhão em Cristo morto e ressuscitado por nós, leva-nos a promover, também este ano, a importante iniciativa de uma Coleta para a Terra Santa, manifestando a união fraterna que ume a Igreja Universal com aquela Igreja Mãe”. Por isso o nosso convite para dentro deste momento central de nossa vida de Igreja sermos generosos com essa coleta. Ela é destinada para os locais Sagrados.  Continua o Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais: “Cada dia os cristãos em várias regiões do Oriente Médio se questionam se devem ficar ou emigrar: vivem na insegurança ou sofrem violência, às vezes, simplesmente pelo fato de professarem a deles e nossa fé. Assim ele escreveu: “Não tenham medo”. Eis porque a Igreja Universal não deixa de fazer chegar todos os anos a habitual ajuda através da coleta de fundos, realizada pelas dioceses de todo o mundo, a ser enviada à Igreja Mãe de Jerusalém”. (Retirado do site: http://www.comissariadoterrasanta.com.br/a-coleta-da-sexta-feira-santa-para-ajudar-os-lugares-de-jesus.html. Último acesso: 12/04/2017).

“Na Sexta-feira Santa, queremos elevar ao Crucificado o grito da paz para Jerusalém e para que o mundo, começando pela Terra de Jesus, se torne a Cidade da paz”. Os cristãos da Terra Santa confiam muito na ajuda que chega até eles neste momento especial do ano. A Coleta é, portanto, regulada por específicas disposições pontifícias que estabelecem a atribuição in primis à Custódia Franciscana, responsável pela manutenção dos Santuários que surgiram nos Lugares Santos. “E no cuidado das estruturas pastorais, educacionais, assistenciais, saúde e social que permitem a vida das paróquias e dos vários organismos eclesiais, para que comunidades vivas e ativas sejam a mais evangélica salvaguarda” (Retirado do site: http://www.comissariadoterrasanta.com.br/a-coleta-da-sexta-feira-santa-para-ajudar-os-lugares-de-jesus.html. Último acesso: 12/04/2017).

“O dinheiro arrecadado irá para a conclusão de urgentes restaurações, como a reforma em andamento do telhado da Basílica da Natividade em Belém, e ao longo de vários anos o apoio a projetos habitacionais que oferecem a jovens núcleos familiares a oportunidade de permanecer na Terra Santa. Mas não é só isso: a coleta irá implementar uma rede escolar abrangente, especialmente através das paróquias, favorecendo um nível generalizado e qualificado da educação, já apreciado em nível ecumênico e inter-religioso”. (Retirado do site: http://www.comissariadoterrasanta.com.br/a-coleta-da-sexta-feira-santa-para-ajudar-os-lugares-de-jesus.html. Último acesso: 12/04/2017).

Dessa maneira, não é a quantia que importa, mas o que o gesto ou o rito da esmola significa. Exercitando a atitude da esmola durante a Quaresma, a Igreja quer levar os cristãos a viverem a atitude da esmola durante todo o ano, durante toda a vida. Aliás, essa foi uma das práticas quaresmais, junto com o jejum e a penitência.

Quando ouvimos a palavra esmola, logo vem em nossas cabeças a imagem de algumas moedas ou um trocadinho que tiramos do bolso para dar a algum pedinte, na porta de casa, no farol, nas calçadas das nossas cidades ou na porta de nossas igrejas. Geralmente essa doação que fazemos é algo que nos sobra ou um troco que temos. Porém, esmola (caridade) é muito mais do que tudo isso. É dar mais de si do que aquilo que se tem. A esmola é importante para nós que partilhamos do que temos e somos com os irmãos. Porém, precisamos, sim, ajudar aos nossos irmãos nas suas necessidades, a fome não espera, mas esmola é muito mais que assistencialismo. É dar vida, dignidade, tirar o irmão da situação que ele se encontra.

Mas podemos nos perguntar: o que significa a esmola (caridade)? Dar esmola significa dar de graça, dar sem interesse de receber de volta, dar sem egoísmo, sem pedir recompensa, em atitude de compaixão. Nisto ele imita o próprio Deus no mistério da criação, e a Jesus Cristo no mistério da Redenção. O homem recebeu tudo do seu Criador. Tudo quanto tem, possui-o por que recebeu. Ora, se Deus dá de graça e se o homem é criado à imagem e semelhança de Deus; se Cristo se doou totalmente, dando sua vida, também ele será capaz de dar de graça. Ao descobrir que dentro de si existe a sublime capacidade de dar de graça, a exemplo de Deus e de Cristo, brota nele o desejo de celebrá-la.

Quando, pois, na Quaresma a Igreja convoca todos os fiéis a darem esmola, ela comemora aquele que por excelência exerceu a esmola: Jesus Cristo. Convida o homem à atitude de abertura ao próximo, convida-o a servir ao próximo com generosidade e desprendimento. Ora, neste momento a esmola começa a significar toda esta atitude de doação gratuita. Não só de bens materiais, mas o tempo, o interesse, as qualidades, o serviço, o acolhimento, a aceitação. E todo este mistério de abertura e gratuidade em favor do próximo na imitação de Deus e de Cristo possui então uma linguagem ritual. Tem valor de símbolo. Pela celebração da esmola, a Igreja comemora a generosidade de Cristo, que deu sua vida pelos seus e torna presente Cristo, dando-se a seus irmãos em cada irmão, formando o seu corpo. A esmola é importante mesmo que não consigamos resolver todos os problemas sociais, porém uma coleta especial, como no caso para os lugares santos, é importante, pois com essa quantia é que se conservam os lugares santos, empreende-se trabalhos missionários e catequéticos, implementa-se trabalhos sociais e educacionais católicos na Terra Santa. É a presença católica que continua apoiada pelos irmãos e irmãs do mundo todo. Eis o belo momento de assim vivermos e fazermos, nesta Sexta-feira Santa, com todo o carinho e partilha.

No que diz respeito da virtude teologal da caridade, ou seja, do amor, deve-se ter em conta que o amor a Deus e o amor ao próximo são uma mesma e única coisa, de modo que um depende do outro; por isto, tanto mais poderemos amar ao próximo quanto mais amemos a Deus; e, por sua vez, tanto mais amaremos a Deus quanto mais de verdade amemos ao próximo.

O Papa Francisco, em 16 de junho de 2016, referindo-se aos trabalhos de restauração na Terra Santa, recordou o valor não só da presença da Igreja na Terra Santa, como também a importância da “manutenção dos Lugares Santos e dos Santuários, graças à Coleta de Sexta-feira Santa, que em cada ano se renova a partir da feliz intuição do Beato Paulo VI”.

A carta do Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais assim conclui: àqueles “que se empenham no bom sucesso da realização desta Coleta, alegro-me ao transmitir a todos o vivo reconhecimento do Santo Padre Francisco, ao qual se une a gratidão da Congregação para as Igrejas Orientais”.

Descobrimos, então, que no exercício da esmola está contida a atitude de conversão em relação ao próximo e um grande dom para muitas pessoas, e, neste caso, para uma contínua presença católica nos lugares santos. Por isso, convido todos a fazerem sua generosa doação nesta Sexta-feira Santa.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro