Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 25/07/2017

25 de Julho de 2017

Descida de Jesus da Cruz

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25 de Julho de 2017

Descida de Jesus da Cruz

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14/04/2017 00:00 - Atualizado em 17/04/2017 14:38

Descida de Jesus da Cruz 0

14/04/2017 00:00 - Atualizado em 17/04/2017 14:38

A crucifixão era a execução mais cruel e afrontosa que a Antiguidade conhecia. Um cidadão romano não podia ser crucificado. A morte sobrevinha depois de uma longa agonia. Às vezes, os verdugos aceleravam o fim do crucificado quebrando-lhe as pernas. Desde os tempos apostólicos até os nossos dias, são muitos os que se negam a aceitar um Deus feito homem que morre num madeiro para nos salvar: o drama da cruz continua a ser escândalo para os judeus e loucura para os gentios. Desde sempre existiu a tentação de desvirtuar o sentido da cruz.

“Apagam-se as luminárias do céu, e a terra fica sumida em trevas”. São perto das três, quando Jesus exclama: Eli, Eli, lamma sabachatani? Isto é: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? (Mt 27, 46). Depois de ter sede, depois de ter falado: “tudo está consumado” (Jo 19, 30), Jesus clama em voz forte: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. (Lc 23, 46)

Depois de três horas de agonia, Jesus morreu. Os evangelistas narram que enquanto o Senhor esteve pregado na cruz, o céu escureceu e ocorreram coisas extraordinárias, pois era o Filho de Deus que morria. O véu do templo rasgou de cima a baixo, dando a entender que, com a morte de Cristo, ficava abolido o culto da Antiga Aliança, agora, o culto agradável a Deus passava a ser tributado através de Cristo, que é Sacerdote e Vítima.

A tarde da sexta-feira avançava e era necessário retirar os corpos. Não podiam ficar ali no sábado; deviam estar enterrados antes que brilhasse a primeira estrela no firmamento. Como era o dia de preparação da Páscoa, para que os corpos não ficassem na cruz, porque esse sábado[1] era particularmente solene, os judeus rogaram a Pilatos para que desse a licença para que lhes quebrassem as pernas e os retirassem. Pilatos autorizou os soldados de assim o fazerem, a fim de que morressem mais rapidamente. Quebraram as pernas dos ladrões, mas quando chegaram a Jesus e viram que ele já estava morto, um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água.

A Igreja “cresce visivelmente pelo poder de Deus. O seu começo e crescimento estão simbolizados no sangue e na água que brotaram do lado aberto de Cristo crucificado” (Jo 19,33). A morte de Cristo significou a vida de Cristo, significou a vida sobrenatural que recebíamos através da Igreja.

José de Arimatéia, discípulo de Jesus, homem rico, influente no Sinédrio, que permanecera no anonimato quando o Senhor era aclamado por toda a Palestina, apresentou-se a Pilatos e fez-lhe “o maior pedido que jamais se fez: o Corpo de Jesus, o Filho de Deus, o tesouro da Igreja, sua riqueza, seu ensinamento e exemplo, seu consolo, o Pão com que havia de alimentar-se até à vida eterna”.

Desceram Cristo da cruz com carinho e veneração, e depositaram-no com todo o cuidado nos braços de sua Mãe. Ainda que seu corpo seja uma pura chaga, o seu rosto está sereno e cheio de majestade. Olhemos devagar e com piedade para Jesus, como a Virgem Santíssima O deve ter contemplado. O Senhor não só nos resgatou do pecado e da morte, mas nos ensinou a cumprir a vontade de Deus por cima de todos os planos próprios, a viver desprendidos de tudo, a saber perdoar quando aqueles que nos ofendem nem sequer se arrependem, a ser apóstolos até o momento da morte, a sofrer sem queixas estéreis.

O pequeno grupo, que junto com a Virgem Maria e as mulheres que o Evangelho menciona expressamente se encarregou de sepultar o corpo de Jesus, dispõe de pouco tempo para fazê-lo, pois a festa do dia seguinte começava já ao entardecer desse dia. Prepararam o corpo do Senhor com extrema piedade, deixando para perfumar assim que passasse o sábado; envolveram-no em lençóis e o puseram num sepulcro escavado na rocha, que era do próprio José e que não tinha sido utilizado por ninguém. Cobriram a sua cabeça com um sudário.

O Corpo de Jesus jaz no sepulcro! O mundo foi envolvido pelas trevas! A Mãe do Senhor, minha mãe, e as mulheres que tinham seguido o Mestre desde a Galiléia, depois de observarem tudo atentamente, vão-se embora também. Cai a noite. Agora tudo passou. Conclui-se a obra da nossa Redenção. Somos filhos de Deus, porque Jesus morreu por nós e a sua morte nos resgatou. Toda a segurança: a pedra rolada na boca do sepulcro e os guardas vigiando-O não serão obstáculos para a Ressurreição vencer as trevas da morte e da noite na madrugada do primeiro dia da semana.



[1] Conforme a tradição judaica, ao escurecer já é um outro dia. Assim, sexta-feira ocorrido o momento de escuridão que fora a partir das 15h com a morte de Jesus, já era início do sábado.

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Descida de Jesus da Cruz

14/04/2017 00:00 - Atualizado em 17/04/2017 14:38

A crucifixão era a execução mais cruel e afrontosa que a Antiguidade conhecia. Um cidadão romano não podia ser crucificado. A morte sobrevinha depois de uma longa agonia. Às vezes, os verdugos aceleravam o fim do crucificado quebrando-lhe as pernas. Desde os tempos apostólicos até os nossos dias, são muitos os que se negam a aceitar um Deus feito homem que morre num madeiro para nos salvar: o drama da cruz continua a ser escândalo para os judeus e loucura para os gentios. Desde sempre existiu a tentação de desvirtuar o sentido da cruz.

“Apagam-se as luminárias do céu, e a terra fica sumida em trevas”. São perto das três, quando Jesus exclama: Eli, Eli, lamma sabachatani? Isto é: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? (Mt 27, 46). Depois de ter sede, depois de ter falado: “tudo está consumado” (Jo 19, 30), Jesus clama em voz forte: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. (Lc 23, 46)

Depois de três horas de agonia, Jesus morreu. Os evangelistas narram que enquanto o Senhor esteve pregado na cruz, o céu escureceu e ocorreram coisas extraordinárias, pois era o Filho de Deus que morria. O véu do templo rasgou de cima a baixo, dando a entender que, com a morte de Cristo, ficava abolido o culto da Antiga Aliança, agora, o culto agradável a Deus passava a ser tributado através de Cristo, que é Sacerdote e Vítima.

A tarde da sexta-feira avançava e era necessário retirar os corpos. Não podiam ficar ali no sábado; deviam estar enterrados antes que brilhasse a primeira estrela no firmamento. Como era o dia de preparação da Páscoa, para que os corpos não ficassem na cruz, porque esse sábado[1] era particularmente solene, os judeus rogaram a Pilatos para que desse a licença para que lhes quebrassem as pernas e os retirassem. Pilatos autorizou os soldados de assim o fazerem, a fim de que morressem mais rapidamente. Quebraram as pernas dos ladrões, mas quando chegaram a Jesus e viram que ele já estava morto, um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água.

A Igreja “cresce visivelmente pelo poder de Deus. O seu começo e crescimento estão simbolizados no sangue e na água que brotaram do lado aberto de Cristo crucificado” (Jo 19,33). A morte de Cristo significou a vida de Cristo, significou a vida sobrenatural que recebíamos através da Igreja.

José de Arimatéia, discípulo de Jesus, homem rico, influente no Sinédrio, que permanecera no anonimato quando o Senhor era aclamado por toda a Palestina, apresentou-se a Pilatos e fez-lhe “o maior pedido que jamais se fez: o Corpo de Jesus, o Filho de Deus, o tesouro da Igreja, sua riqueza, seu ensinamento e exemplo, seu consolo, o Pão com que havia de alimentar-se até à vida eterna”.

Desceram Cristo da cruz com carinho e veneração, e depositaram-no com todo o cuidado nos braços de sua Mãe. Ainda que seu corpo seja uma pura chaga, o seu rosto está sereno e cheio de majestade. Olhemos devagar e com piedade para Jesus, como a Virgem Santíssima O deve ter contemplado. O Senhor não só nos resgatou do pecado e da morte, mas nos ensinou a cumprir a vontade de Deus por cima de todos os planos próprios, a viver desprendidos de tudo, a saber perdoar quando aqueles que nos ofendem nem sequer se arrependem, a ser apóstolos até o momento da morte, a sofrer sem queixas estéreis.

O pequeno grupo, que junto com a Virgem Maria e as mulheres que o Evangelho menciona expressamente se encarregou de sepultar o corpo de Jesus, dispõe de pouco tempo para fazê-lo, pois a festa do dia seguinte começava já ao entardecer desse dia. Prepararam o corpo do Senhor com extrema piedade, deixando para perfumar assim que passasse o sábado; envolveram-no em lençóis e o puseram num sepulcro escavado na rocha, que era do próprio José e que não tinha sido utilizado por ninguém. Cobriram a sua cabeça com um sudário.

O Corpo de Jesus jaz no sepulcro! O mundo foi envolvido pelas trevas! A Mãe do Senhor, minha mãe, e as mulheres que tinham seguido o Mestre desde a Galiléia, depois de observarem tudo atentamente, vão-se embora também. Cai a noite. Agora tudo passou. Conclui-se a obra da nossa Redenção. Somos filhos de Deus, porque Jesus morreu por nós e a sua morte nos resgatou. Toda a segurança: a pedra rolada na boca do sepulcro e os guardas vigiando-O não serão obstáculos para a Ressurreição vencer as trevas da morte e da noite na madrugada do primeiro dia da semana.



[1] Conforme a tradição judaica, ao escurecer já é um outro dia. Assim, sexta-feira ocorrido o momento de escuridão que fora a partir das 15h com a morte de Jesus, já era início do sábado.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro