Arquidiocese do Rio de Janeiro

32º 16º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/09/2017

20 de Setembro de 2017

Sexta-Feira Santa

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Sexta-Feira Santa

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14/04/2017 00:00 - Atualizado em 17/04/2017 14:25

Sexta-Feira Santa 0

14/04/2017 00:00 - Atualizado em 17/04/2017 14:25

A Sexta-feira Santa é um dia de amorosa contemplação do sacrifício cruento de Jesus, fonte da nossa salvação. Hoje, a Igreja celebra a morte vitoriosa do Senhor. Por isso, fala de “bem-aventurada” e “gloriosa” paixão.

Neste dia não temos a Santa Missa e sim uma ação litúrgica, por volta das 15 horas. Essa liturgia divide-se em três partes: 1- Liturgia da Palavra com a Oração Universal, 2- Adoração da cruz e 3- A comunhão Eucarística com as espécies consagradas na noite anterior. Como a Eucaristia não é celebrada, o altar estará inteiramente desnudado: sem cruz, sem velas e sem toalhas. A Igreja mergulha nesse silêncio contemplativo.

A Primeira Leitura é retirada de Is 52,13-15; 53,1-12: o singular personagem tem uma origem humilde e ignorada pelo mundo, mas trata-se de um broto previsto e pré-ordenado por Deus, que cresce diante de seus olhos. As características do servo do Senhor são humilhação e feiúra. O servo do Senhor não está nessa condição por causa de pecados pessoais, mas por uma pena ou sofrimento. Ele é inocente e sofre por causa das iniquidades dos outros: “Eram as nossas doenças que ele carregava, era por nossas dores que ele era castigado, um homem ferido por Deus e humilhado. Mas ele estava sendo transpassado por causa de nossas revoltas, esmagado por nossos crimes. Caiu sobre ele o castigo que nos deixaria quites; e por suas feridas é que veio a cura para nós”. (vv.4-5)

Na Segunda Leitura, lemos Hb 4,14-16;5,7-9: o texto dessa carta determina que a figura do “Servo do Senhor” não somente cumpre-se em Cristo, mas é também o “sumo sacerdote”, a quem devemos toda a nossa fidelidade e confiança. O autor da carta aos Hebreus acentua a obediência de Cristo que, “embora sendo Filho de Deus, aprendeu a ser obediente através de seus sofrimentos” (5,8), e a sua “oração” ao Pai para obter a plena atuação da sua vontade salvífica: “Durante a sua vida na terra, Cristo fez orações e súplicas a Deus, em voz alta e com lágrimas, ao Deus que O podia salvar da morte. E Deus O escutou, porque Ele foi submisso”. (v.7)

O Evangelho (Jo 18,1-19,42) demonstra que na contemplação joanina da paixão e da cruz, diferentes temas se fundem em uma nova síntese de grande riqueza teológica: a hora de Jesus, a sua nova síntese de grande riqueza teológica: a hora de Jesus, a sua exaltação régia, a reunião na unidade dos dispersos filhos de Deus.

Podemos destacar dois traços significativos de Jesus durante a paixão: a sua completa liberdade e a sua perfeita consciência. Jesus realiza a obra da Salvação não como vítima imponente e resignada, mas na atitude soberana de quem conhece o sentido dos acontecimentos e os aceita livremente. Com esta visão joanina do sacrifício pascal, a liturgia da Sexta-feira Santa quer nos ajudar a compreender os sinais da divindade e da glória de Cristo, atendo-se mais a esse aspecto do que à descrição do seu sofrimento humano.

Devemos também notar que João dá um influxo da morte de Cristo sobre a vida da Igreja: o caráter sacerdotal desta morte (estamos assim ligados ao texto da segunda leitura); o seu prolongamento sacramental na água e no sangue; a sua íntima ligação com o dom do Espírito e com o nascimento, representada por João e Maria. Por isso, deve-se sublinhar a particular transmissão do evangelista sobre a presença de Maria ao pé da cruz.

Neste dia, temos as preces dirigidas nas seguintes ordens: 1) pela Santa Igreja; 2) pelo Papa; 3) por todas as ordens e categorias de fiéis; 4) pelos catecúmenos; 5) pela unidade dos cristãos; 6) pelos judeus; 7) pelos não-cristãos; 8) por aqueles que não creem em Deus; 9) pelos poderes públicos, e 10) pelos que sofrem provações.

O rito da Apresentação e da Adoração da Cruz nasce como ato consequente à proclamação da paixão de Cristo. A Igreja ergue o sinal da vitória do Senhor como que para concretizar nesse gesto a realização da sua palavra: “Quando vocês levantarem o Filho do Homem, saberão que Eu sou” (Jo 8,28); “Quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12,32). O rito quer, portanto, significar esse aspecto vitorioso e triunfal do escândalo da cruz; “Eis o madeiro da cruz, no qual foi suspenso Cristo, Salvador do mundo”. A assembleia prostrada canta: “Vinde, adoremos”.   A comunhão é dada ao povo. Esta Eucaristia foi consagrada, como já dito acima, na Quinta-feira Santa (na Missa da Instituição da Eucaristia). Na Sexta-feira Santa não se celebra a Missa e sim a celebração da adoração da Cruz. A celebração encerra-se com a oração do presidente sobre o povo: “Deus onipotente e eterno, que renovastes o mundo com a gloriosa morte e ressurreição do vosso Cristo, conservai em nós a obra da vossa misericórdia, a fim de que a participação neste grande mistério nos consagre para sempre ao vosso serviço”. Assim, ainda prossegue o presidente: “Ó Pai, desça a vossa bênção sobre este povo que comemorou a morte do vosso Filho na esperança de ressuscitar com Ele; venha o perdão e a consolação, aumente a fé, cresça a certeza na redenção eterna”.

Portanto, a eficácia da Paixão não tem fim. Vem inundado constantemente o mundo de paz, de graça, de perdão, de felicidade nas almas, de salvação. A redenção realizada uma vez por Cristo aplica-se a cada homem, com a cooperação da sua liberdade. Cada um de nós pode dizer de verdade: O Filho de Deus amou-me e entregou-se por mim.

            
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Sexta-Feira Santa

14/04/2017 00:00 - Atualizado em 17/04/2017 14:25

A Sexta-feira Santa é um dia de amorosa contemplação do sacrifício cruento de Jesus, fonte da nossa salvação. Hoje, a Igreja celebra a morte vitoriosa do Senhor. Por isso, fala de “bem-aventurada” e “gloriosa” paixão.

Neste dia não temos a Santa Missa e sim uma ação litúrgica, por volta das 15 horas. Essa liturgia divide-se em três partes: 1- Liturgia da Palavra com a Oração Universal, 2- Adoração da cruz e 3- A comunhão Eucarística com as espécies consagradas na noite anterior. Como a Eucaristia não é celebrada, o altar estará inteiramente desnudado: sem cruz, sem velas e sem toalhas. A Igreja mergulha nesse silêncio contemplativo.

A Primeira Leitura é retirada de Is 52,13-15; 53,1-12: o singular personagem tem uma origem humilde e ignorada pelo mundo, mas trata-se de um broto previsto e pré-ordenado por Deus, que cresce diante de seus olhos. As características do servo do Senhor são humilhação e feiúra. O servo do Senhor não está nessa condição por causa de pecados pessoais, mas por uma pena ou sofrimento. Ele é inocente e sofre por causa das iniquidades dos outros: “Eram as nossas doenças que ele carregava, era por nossas dores que ele era castigado, um homem ferido por Deus e humilhado. Mas ele estava sendo transpassado por causa de nossas revoltas, esmagado por nossos crimes. Caiu sobre ele o castigo que nos deixaria quites; e por suas feridas é que veio a cura para nós”. (vv.4-5)

Na Segunda Leitura, lemos Hb 4,14-16;5,7-9: o texto dessa carta determina que a figura do “Servo do Senhor” não somente cumpre-se em Cristo, mas é também o “sumo sacerdote”, a quem devemos toda a nossa fidelidade e confiança. O autor da carta aos Hebreus acentua a obediência de Cristo que, “embora sendo Filho de Deus, aprendeu a ser obediente através de seus sofrimentos” (5,8), e a sua “oração” ao Pai para obter a plena atuação da sua vontade salvífica: “Durante a sua vida na terra, Cristo fez orações e súplicas a Deus, em voz alta e com lágrimas, ao Deus que O podia salvar da morte. E Deus O escutou, porque Ele foi submisso”. (v.7)

O Evangelho (Jo 18,1-19,42) demonstra que na contemplação joanina da paixão e da cruz, diferentes temas se fundem em uma nova síntese de grande riqueza teológica: a hora de Jesus, a sua nova síntese de grande riqueza teológica: a hora de Jesus, a sua exaltação régia, a reunião na unidade dos dispersos filhos de Deus.

Podemos destacar dois traços significativos de Jesus durante a paixão: a sua completa liberdade e a sua perfeita consciência. Jesus realiza a obra da Salvação não como vítima imponente e resignada, mas na atitude soberana de quem conhece o sentido dos acontecimentos e os aceita livremente. Com esta visão joanina do sacrifício pascal, a liturgia da Sexta-feira Santa quer nos ajudar a compreender os sinais da divindade e da glória de Cristo, atendo-se mais a esse aspecto do que à descrição do seu sofrimento humano.

Devemos também notar que João dá um influxo da morte de Cristo sobre a vida da Igreja: o caráter sacerdotal desta morte (estamos assim ligados ao texto da segunda leitura); o seu prolongamento sacramental na água e no sangue; a sua íntima ligação com o dom do Espírito e com o nascimento, representada por João e Maria. Por isso, deve-se sublinhar a particular transmissão do evangelista sobre a presença de Maria ao pé da cruz.

Neste dia, temos as preces dirigidas nas seguintes ordens: 1) pela Santa Igreja; 2) pelo Papa; 3) por todas as ordens e categorias de fiéis; 4) pelos catecúmenos; 5) pela unidade dos cristãos; 6) pelos judeus; 7) pelos não-cristãos; 8) por aqueles que não creem em Deus; 9) pelos poderes públicos, e 10) pelos que sofrem provações.

O rito da Apresentação e da Adoração da Cruz nasce como ato consequente à proclamação da paixão de Cristo. A Igreja ergue o sinal da vitória do Senhor como que para concretizar nesse gesto a realização da sua palavra: “Quando vocês levantarem o Filho do Homem, saberão que Eu sou” (Jo 8,28); “Quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12,32). O rito quer, portanto, significar esse aspecto vitorioso e triunfal do escândalo da cruz; “Eis o madeiro da cruz, no qual foi suspenso Cristo, Salvador do mundo”. A assembleia prostrada canta: “Vinde, adoremos”.   A comunhão é dada ao povo. Esta Eucaristia foi consagrada, como já dito acima, na Quinta-feira Santa (na Missa da Instituição da Eucaristia). Na Sexta-feira Santa não se celebra a Missa e sim a celebração da adoração da Cruz. A celebração encerra-se com a oração do presidente sobre o povo: “Deus onipotente e eterno, que renovastes o mundo com a gloriosa morte e ressurreição do vosso Cristo, conservai em nós a obra da vossa misericórdia, a fim de que a participação neste grande mistério nos consagre para sempre ao vosso serviço”. Assim, ainda prossegue o presidente: “Ó Pai, desça a vossa bênção sobre este povo que comemorou a morte do vosso Filho na esperança de ressuscitar com Ele; venha o perdão e a consolação, aumente a fé, cresça a certeza na redenção eterna”.

Portanto, a eficácia da Paixão não tem fim. Vem inundado constantemente o mundo de paz, de graça, de perdão, de felicidade nas almas, de salvação. A redenção realizada uma vez por Cristo aplica-se a cada homem, com a cooperação da sua liberdade. Cada um de nós pode dizer de verdade: O Filho de Deus amou-me e entregou-se por mim.

            
Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro