Arquidiocese do Rio de Janeiro

33º 22º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/10/2017

20 de Outubro de 2017

Sermão do Encontro

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12/04/2017 00:00 - Atualizado em 17/04/2017 12:26

Sermão do Encontro 0

12/04/2017 00:00 - Atualizado em 17/04/2017 12:26

Largo da Glória, Rio de Janeiro, RJ, 12 de abril de 2017 

Hoje estamos celebrando a Procissão do Encontro! A Procissão do Encontro nos prepara para começarmos, amanhã, Quinta-feira Santa, o santo Tríduo Pascal, que nos faz solenizar, na graça de Deus, o mistério da paixão, morte e ressurreição do Senhor. Pela Procissão do Encontro, o povo deseja reviver a paixão de Cristo, seguir os Seus passos. Pelo sofrimento, realiza-se o grande reencontro da humanidade entre si e com Deus, representado em Cristo e Maria. Somente através do sofrimento é que o homem poderá encontrar-se com Deus e com o próximo.

Jesus meu, por que carregas esta pesada cruz? Por que agora tua Mãe adolorada vê-te carregando tão pesado lenho? Eis a resposta que Ele nos dá: “Levo esta cruz por amor ao Pai! Levo-a porque ninguém pode tirar-me a vida: eu a dou livremente! Este é o preceito que recebi do meu Pai querido! Levo-a para que o mundo saiba que eu amo o Pai! Olhai para mim, olhai! Eu amo o Pai e faço como o Pai me ordenou! Eu me entrego ao Pai, eu me confio ao Pai, eu coloco nas mãos do meu querido Pai a minha vida! Mas, levo-a também por vós; porque o Pai amou tanto o mundo, amou tanto a todos vós, pecadores, que Me entregou à morte, a Mim, seu único Filho, para que Eu dê a todos a salvação e a vida! Vede minha cruz, vede minha dor, vede minhas chagas, contemplai minha queda! Eu vos amei!

Não há maior prova de amor que dar a vida por quem se ama... Não vos amei só com palavras, não vos amei só com sentimentos. Não! Amei-vos no peso desse madeiro, amei-vos nas quedas dolorosas que tanto me feriram, amei-vos nas gotas rubras de sangue por mim vertidas, amei-vos nos cravos pontiagudos... Amei-vos de verdade, de modo concreto! Amei-vos até o fim, até a morte!

A lição que o Senhor Jesus nos dá hoje: amor total e confiante ao Pai, amor generoso e concreto, real, por nós todos! Pela cruz de Jesus, amemos assim; pelas Suas santas chagas, sigamos Seu exemplo; pela Sua dolorosíssima Paixão, paguemos-lhe amor com amor, doação por doação, compromisso por compromisso!

Perdão, Senhor, por nosso amor tão frio! Perdão por nosso amor só de palavras! Perdão pelas infidelidades de nosso coração velhaco! Perdão por nossa preguiça espiritual, pela nossa lentidão para com o que é teu e nossa prontidão para com o que é do mundo e do pecado! Perdão, Senhor! Pecamos, Senhor! Misericórdia!

Aprendamos também com a imagem da Bem-Aventurada Virgem Maria. A quem te comparar? Quem se assemelha a ti, Filha de Jerusalém? Quem poderá consolar-te, Virgem, Filha de Sião? Grande como o mar é o teu desastre! Quem te curará? (Lm 2,13). A Mãe do Senhor é toda dor, toda tristeza! Mas, pensai, irmãos, pensai! Quanta força, nessa doce mulher, quanta dignidade, quanta fidelidade ao Senhor Deus!

Ó Maria Virgem, o Anjo te havia prometido: “Ele será grande! O Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu Pai... O Seu reino não terá fim”! E agora, o que vês? O teu Filho feito trapo humano, feito farrapo de gente, abandonado, ultrajado, injustiçado, machucado de corpo e de coração! Onde está o teu Deus, Virgem Maria? Onde, as suas promessas?

Virgem Santíssima, ensina-nos a esperar no Senhor, mesmo na dor! Ensina-nos a sofrer com a tua dignidade, com a tua esperança! Ó mulher tão elegante, mais elegante que todas! Quanta elegância, quanta altivez, quanta força, quanta dignidade, quanta beleza em ti, aos pés da cruz! Senhora nossa, és Senhora de ti mesma, antes de seres Nossa Senhora! No Altar da agonia, foste consolo para quem padecia, foste ternura naquele entardecer, foste esperança do amanhecer! Pela espada tão dolorosa que traspassa agora tua alma, roga por nós, Virgem Maria! Roga pelas mães que sofrem por seus filhos, roga pelos lares destroçados, roga pelos filhos que caem na droga e na imoralidade, roga pelos filhos sem lar, roga por todos nós, pecadores, agora e na hora da morte de cada um de nós!

A ti, uma espada terrível traspassa a alma! Tu também, Mãe mais bendita que todas, tens de pagar tua parte na salvação do mundo! Suporta, pois, Virgem! Suporta com Ele, por nós! Completa em tua carne bendita, completa na carne da tua alma ferida, o que falta à paixão do teu Filho! Dá-nos à luz na dor, tu, que, sem dor O deste à luz! Por amor do teu Filho, roga por nós, filhos teus, agora e na hora de nossa morte!

Ó Senhor Jesus, Homem de dores, desfigurado pelos nossos pecados! Ó Lenho verde, cheio de vida! Piedade das mães e dos pais do mundo inteiro. Piedade desses lenhos secos! Piedade dos que choram por seus filhos, filhos de um mundo sem Deus! Piedade, porque seus filhos estragam a vida, ressecam o coração na falta de Deus, na falta de esperança, na droga que mata, na violência que dilacera, no sexo sem amor nem consequência, que esvazia o sentido do amor e tira a alegria de viver! Piedade desses pais, piedade desses filhos nossos, lenhos num mundo sem Deus!

Portanto, somos convidados nesta procissão a olhar para as imagens de Jesus e de sua Mãe, Maria, a Virgem. Duas imagens, duas lições, duas emoções! Primeiro a imagem de Cristo, daquele que por nós Se fez obediente ao Pai até a morte e morte de cruz. Vede: fez-Se obediente ao Pai... por nós! Olhai a cruz: aí aparece o amor de Jesus ao Pai, aí aparece o amor de Jesus por nós! Olhemos, agora, a imagem de Nossa Senhora das Dores: Contemplando esta imagem da Virgem, nos perguntamos: “A quem te comparar? Quem se assemelha a ti, Filha de Jerusalém? Quem poderá consolar-te, Virgem, Filha de Sião? Grande como o mar é o teu desastre! Quem te curará”? (Lm 2,13). Maria Santíssima, a Mãe do Senhor, nossa amada Mãe, sente dor, está triste, contemplando seu Filho com a Cruz a caminho do Calvário. Mais uma dor forte, digna, de fidelidade à vontade do Pai!

Num mundo, infelizmente, marcado pela intolerância, pelo pecado, pela morte, pela violência e pela dor, nós choramos por nós e por nossos pecados! Nós choramos por esta cidade que se afasta de Jesus e vive caminhos tortuosos! Choramos pelo mundo distante da graça Divina, que muitos estão construindo longe de ti e contra ti! Também não choramos por tua Mãe: Tu a consolarás! Mas, quem nos consolará, neste mundo sem Deus? Quem nos consolará neste mundo que não respeita a vida humana? Quem nos consolará neste mundo que não respeita o matrimônio sacramento entre o homem e a mulher? Quem nos consolará neste Brasil que quer implementar a ideologia de gênero numa maligna e terrorista política partidária contra a vida humana? Quem nos consolará neste Brasil que quer descriminar o aborto, passando por cima do Poder Legislativo? Quem nos consolará quando há usurpação de poderes constitucionais? Pode haver consolo verdadeiro sem Deus? Pode haver consolo verdadeiro se aborto quer ser legalizado por aqueles que não são os representantes do povo?

Pelas tuas dores, piedade de nós! Pelos teus passos dolorosos, piedade de nós! Pelas dores de tua Mãe Santíssima, piedade de nós! Amém.

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Largo da Glória, Rio de Janeiro, RJ, 12 de abril de 2017 

Hoje estamos celebrando a Procissão do Encontro! A Procissão do Encontro nos prepara para começarmos, amanhã, Quinta-feira Santa, o santo Tríduo Pascal, que nos faz solenizar, na graça de Deus, o mistério da paixão, morte e ressurreição do Senhor. Pela Procissão do Encontro, o povo deseja reviver a paixão de Cristo, seguir os Seus passos. Pelo sofrimento, realiza-se o grande reencontro da humanidade entre si e com Deus, representado em Cristo e Maria. Somente através do sofrimento é que o homem poderá encontrar-se com Deus e com o próximo.

Jesus meu, por que carregas esta pesada cruz? Por que agora tua Mãe adolorada vê-te carregando tão pesado lenho? Eis a resposta que Ele nos dá: “Levo esta cruz por amor ao Pai! Levo-a porque ninguém pode tirar-me a vida: eu a dou livremente! Este é o preceito que recebi do meu Pai querido! Levo-a para que o mundo saiba que eu amo o Pai! Olhai para mim, olhai! Eu amo o Pai e faço como o Pai me ordenou! Eu me entrego ao Pai, eu me confio ao Pai, eu coloco nas mãos do meu querido Pai a minha vida! Mas, levo-a também por vós; porque o Pai amou tanto o mundo, amou tanto a todos vós, pecadores, que Me entregou à morte, a Mim, seu único Filho, para que Eu dê a todos a salvação e a vida! Vede minha cruz, vede minha dor, vede minhas chagas, contemplai minha queda! Eu vos amei!

Não há maior prova de amor que dar a vida por quem se ama... Não vos amei só com palavras, não vos amei só com sentimentos. Não! Amei-vos no peso desse madeiro, amei-vos nas quedas dolorosas que tanto me feriram, amei-vos nas gotas rubras de sangue por mim vertidas, amei-vos nos cravos pontiagudos... Amei-vos de verdade, de modo concreto! Amei-vos até o fim, até a morte!

A lição que o Senhor Jesus nos dá hoje: amor total e confiante ao Pai, amor generoso e concreto, real, por nós todos! Pela cruz de Jesus, amemos assim; pelas Suas santas chagas, sigamos Seu exemplo; pela Sua dolorosíssima Paixão, paguemos-lhe amor com amor, doação por doação, compromisso por compromisso!

Perdão, Senhor, por nosso amor tão frio! Perdão por nosso amor só de palavras! Perdão pelas infidelidades de nosso coração velhaco! Perdão por nossa preguiça espiritual, pela nossa lentidão para com o que é teu e nossa prontidão para com o que é do mundo e do pecado! Perdão, Senhor! Pecamos, Senhor! Misericórdia!

Aprendamos também com a imagem da Bem-Aventurada Virgem Maria. A quem te comparar? Quem se assemelha a ti, Filha de Jerusalém? Quem poderá consolar-te, Virgem, Filha de Sião? Grande como o mar é o teu desastre! Quem te curará? (Lm 2,13). A Mãe do Senhor é toda dor, toda tristeza! Mas, pensai, irmãos, pensai! Quanta força, nessa doce mulher, quanta dignidade, quanta fidelidade ao Senhor Deus!

Ó Maria Virgem, o Anjo te havia prometido: “Ele será grande! O Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu Pai... O Seu reino não terá fim”! E agora, o que vês? O teu Filho feito trapo humano, feito farrapo de gente, abandonado, ultrajado, injustiçado, machucado de corpo e de coração! Onde está o teu Deus, Virgem Maria? Onde, as suas promessas?

Virgem Santíssima, ensina-nos a esperar no Senhor, mesmo na dor! Ensina-nos a sofrer com a tua dignidade, com a tua esperança! Ó mulher tão elegante, mais elegante que todas! Quanta elegância, quanta altivez, quanta força, quanta dignidade, quanta beleza em ti, aos pés da cruz! Senhora nossa, és Senhora de ti mesma, antes de seres Nossa Senhora! No Altar da agonia, foste consolo para quem padecia, foste ternura naquele entardecer, foste esperança do amanhecer! Pela espada tão dolorosa que traspassa agora tua alma, roga por nós, Virgem Maria! Roga pelas mães que sofrem por seus filhos, roga pelos lares destroçados, roga pelos filhos que caem na droga e na imoralidade, roga pelos filhos sem lar, roga por todos nós, pecadores, agora e na hora da morte de cada um de nós!

A ti, uma espada terrível traspassa a alma! Tu também, Mãe mais bendita que todas, tens de pagar tua parte na salvação do mundo! Suporta, pois, Virgem! Suporta com Ele, por nós! Completa em tua carne bendita, completa na carne da tua alma ferida, o que falta à paixão do teu Filho! Dá-nos à luz na dor, tu, que, sem dor O deste à luz! Por amor do teu Filho, roga por nós, filhos teus, agora e na hora de nossa morte!

Ó Senhor Jesus, Homem de dores, desfigurado pelos nossos pecados! Ó Lenho verde, cheio de vida! Piedade das mães e dos pais do mundo inteiro. Piedade desses lenhos secos! Piedade dos que choram por seus filhos, filhos de um mundo sem Deus! Piedade, porque seus filhos estragam a vida, ressecam o coração na falta de Deus, na falta de esperança, na droga que mata, na violência que dilacera, no sexo sem amor nem consequência, que esvazia o sentido do amor e tira a alegria de viver! Piedade desses pais, piedade desses filhos nossos, lenhos num mundo sem Deus!

Portanto, somos convidados nesta procissão a olhar para as imagens de Jesus e de sua Mãe, Maria, a Virgem. Duas imagens, duas lições, duas emoções! Primeiro a imagem de Cristo, daquele que por nós Se fez obediente ao Pai até a morte e morte de cruz. Vede: fez-Se obediente ao Pai... por nós! Olhai a cruz: aí aparece o amor de Jesus ao Pai, aí aparece o amor de Jesus por nós! Olhemos, agora, a imagem de Nossa Senhora das Dores: Contemplando esta imagem da Virgem, nos perguntamos: “A quem te comparar? Quem se assemelha a ti, Filha de Jerusalém? Quem poderá consolar-te, Virgem, Filha de Sião? Grande como o mar é o teu desastre! Quem te curará”? (Lm 2,13). Maria Santíssima, a Mãe do Senhor, nossa amada Mãe, sente dor, está triste, contemplando seu Filho com a Cruz a caminho do Calvário. Mais uma dor forte, digna, de fidelidade à vontade do Pai!

Num mundo, infelizmente, marcado pela intolerância, pelo pecado, pela morte, pela violência e pela dor, nós choramos por nós e por nossos pecados! Nós choramos por esta cidade que se afasta de Jesus e vive caminhos tortuosos! Choramos pelo mundo distante da graça Divina, que muitos estão construindo longe de ti e contra ti! Também não choramos por tua Mãe: Tu a consolarás! Mas, quem nos consolará, neste mundo sem Deus? Quem nos consolará neste mundo que não respeita a vida humana? Quem nos consolará neste mundo que não respeita o matrimônio sacramento entre o homem e a mulher? Quem nos consolará neste Brasil que quer implementar a ideologia de gênero numa maligna e terrorista política partidária contra a vida humana? Quem nos consolará neste Brasil que quer descriminar o aborto, passando por cima do Poder Legislativo? Quem nos consolará quando há usurpação de poderes constitucionais? Pode haver consolo verdadeiro sem Deus? Pode haver consolo verdadeiro se aborto quer ser legalizado por aqueles que não são os representantes do povo?

Pelas tuas dores, piedade de nós! Pelos teus passos dolorosos, piedade de nós! Pelas dores de tua Mãe Santíssima, piedade de nós! Amém.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro