Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 24/08/2017

24 de Agosto de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (90): Interpretação e tradução da Bíblia

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24 de Agosto de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (90): Interpretação e tradução da Bíblia

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07/04/2017 17:54 - Atualizado em 07/04/2017 17:54

A Palavra de Deus na Bíblia (90): Interpretação e tradução da Bíblia 0

07/04/2017 17:54 - Atualizado em 07/04/2017 17:54

Estamos percorrendo os quatro itens previstos pela análise da Comissão Bíblica do Vaticano (1993) acerca dos USOS das Sagradas Escritura na Igreja. Já tivemos ocasião de analisar os dois primeiros: A Liturgia e a “Lectio Divina”. Passemos agora ao terceiro uso, o Ministério Pastoral.

3. No Ministério Pastoral

Recomendado pela “Dei Verbum” (n. 24), o frequente recurso à Bíblia no Ministério Pastoral toma diversas formas dependendo do gênero de hermenêutica da qual se servem os pastores e que os fiéis podem compreender. Podem-se distinguir três situações principais: a catequese, a pregação e o apostolado bíblico. Numerosos fatores intervêm no que se refere ao nível geral de vida cristã1.

Diversos são os campos de ação de clérigos e leigos que implicam à utilização frequente das Sagradas Escrituras. O documento pontifício identifica ao menos três: a catequese, a pregação e o apostolado bíblico.

A catequese sempre foi, enquanto ‘eco’ do kérygma, uma tarefa prioritária no desenvolvimento da Igreja, reservada inicialmente aos bispos; logo se estendeu aos leigos na diversidade das comunidades. Para todas as faixas de idade, em particular na iniciação cristã de adultos, a catequese é um instrumento privilegiado na ação evangelizadora da Igreja.

As relações entre a catequese e as Escrituras se estabelecem pelo fato que Cristo é o anúncio fundamental a ser ‘ecoado’ até os limites do mundo, pelos tempos afora. Por isso há de haver uma excelente formação biblico-teológica para os catequistas no seio das comunidades eclesiais. Neste sentido, a “Catequese Tradendae” (João Paulo II – 1979), no n. 27, assim se exprime a este respeito:

A catequese sempre há de haurir o seu conteúdo na fonte viva da Palavra de Deus, transmitida na Tradição e na Escritura. “A Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só depósito inviolável da Palavra de Deus, confiado à Igreja”, como recordou o Concílio Vaticano II. Segundo o mesmo Concílio, “o ministério da Palavra, que abarca a pregação pastoral, a catequese e toda a espécie de instrução cristã, com proveito se alimenta e santa mente se revigora com a Palavra da Escritura”. Falar da Tradição e da Escritura como fonte da catequese é já acentuar que esta tem de ser impregnada e embebida de pensamento, espírito e atitudes bíblicas e evangélicas, mediante um contato assíduo com os próprios textos sagrados; é já recordar também que a catequese será tanto mais rica e eficaz, quanto mais ler os textos com a inteligência e o coração da Igreja; quanto mais se inspirar na reflexão e na vida duas vezes milenária da mesma Igreja2.

O segundo campo é a homilia proferida pelos clérigos no contexto da celebração dos sacramentos. O Sínodo sobre a Palavra de Deus, convocado e apresentado ao mundo por Bento XVI, em 2010, intitulado “Verbum Domini”, no número 59 aponta todos os aspectos mais relevantes da homilia:

“As tarefas e funções que competem a cada um relativamente à Palavra de Deus são diversas: aos fiéis compete ouvi-la e meditá-la, enquanto a sua exposição cabe somente àqueles que, em virtude da ordem sacra, receberam a tarefa do magistério, ou àqueles a quem é confiado o exercício deste ministério”, ou seja, bispos, presbíteros e diáconos. Daqui se compreende a atenção particular que, no Sínodo, foi dispensada ao tema da homilia. Já na exortação apostólica pós-sinodal “Sacramentum caritatis”, recordei como, “pensando na importância da Palavra de Deus, surge a necessidade de melhorar a qualidade da homilia; de fato, esta constitui parte integrante da ação litúrgica, cuja função é favorecer uma compreensão e eficácia mais ampla da Palavra de Deus na vida dos fiéis”. A homilia constitui uma atualização da mensagem da Sagrada Escritura, de tal modo que os fiéis sejam levados a descobrir a presença e a eficácia da Palavra de Deus no momento atual da sua vida. Aquela deve levar à compreensão do mistério que se celebra; convidar para a missão, preparando a assembleia para a profissão de fé, a oração universal e a liturgia eucarística. Consequentemente aqueles que, por ministério específico, estão incumbidos da pregação tenham verdadeiramente a peito esta tarefa. Devem-se evitar tanto homilias genéricas e abstratas que ocultam a simplicidade da Palavra de Deus, como inúteis divagações que ameaçam atrair a atenção mais para o pregador do que para o coração da mensagem evangélica. Deve resultar claramente aos fiéis que aquilo que o pregador tem a peito é mostrar Cristo, que deve estar no centro de cada homilia. Por isso, é preciso que os pregadores tenham familiaridade e contato assíduo com o texto sagrado; preparem-se para a homilia na meditação e na oração, a fim de pregarem com convicção e paixão. A assembleia sinodal exortou a ter presente as seguintes perguntas: “O que dizem as leituras proclamadas? O que dizem a mim pessoalmente? O que devo dizer à comunidade, tendo em conta a sua situação concreta?”. O pregador deve deixar-se “interpelar primeiro pela Palavra de Deus que anuncia”,[212] porque – como diz Santo Agostinho – “seguramente fica sem fruto aquele que prega exteriormente a Palavra de Deus sem a escutar no seu íntimo”. Cuide-se, com atenção particular, a homilia dos domingos e solenidades; e mesmo durante a semana nas missas cum populo, quando possível, não deixe de oferecer breves reflexões, apropriadas à situação, para ajudar os fiéis a acolherem e tornarem fecunda a Palavra escutada3.

Uma palavra que torna atual e pregnante os significados da Palavra de Deus na vida dos que a escutam e seguem, pautando seu proceder nas orientações divinas da Revelação: ‘A homilia constitui uma atualização da mensagem da Sagrada Escritura, de tal modo que os fiéis sejam levados a descobrir a presença e a eficácia da Palavra de Deus no momento atual da sua vida.’

Referências:

1http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione

2http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/apost_exhortations/documents/hf_jp-ii_exh_16101979_catechesi-tradendae.html

3http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/apost_exhortations/documents/hf_ben-xvi_exh_20100930_verbum-domini.html#Liturgia,_lugar_privilegiado_da_Palavra_de_Deus

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A Palavra de Deus na Bíblia (90): Interpretação e tradução da Bíblia

07/04/2017 17:54 - Atualizado em 07/04/2017 17:54

Estamos percorrendo os quatro itens previstos pela análise da Comissão Bíblica do Vaticano (1993) acerca dos USOS das Sagradas Escritura na Igreja. Já tivemos ocasião de analisar os dois primeiros: A Liturgia e a “Lectio Divina”. Passemos agora ao terceiro uso, o Ministério Pastoral.

3. No Ministério Pastoral

Recomendado pela “Dei Verbum” (n. 24), o frequente recurso à Bíblia no Ministério Pastoral toma diversas formas dependendo do gênero de hermenêutica da qual se servem os pastores e que os fiéis podem compreender. Podem-se distinguir três situações principais: a catequese, a pregação e o apostolado bíblico. Numerosos fatores intervêm no que se refere ao nível geral de vida cristã1.

Diversos são os campos de ação de clérigos e leigos que implicam à utilização frequente das Sagradas Escrituras. O documento pontifício identifica ao menos três: a catequese, a pregação e o apostolado bíblico.

A catequese sempre foi, enquanto ‘eco’ do kérygma, uma tarefa prioritária no desenvolvimento da Igreja, reservada inicialmente aos bispos; logo se estendeu aos leigos na diversidade das comunidades. Para todas as faixas de idade, em particular na iniciação cristã de adultos, a catequese é um instrumento privilegiado na ação evangelizadora da Igreja.

As relações entre a catequese e as Escrituras se estabelecem pelo fato que Cristo é o anúncio fundamental a ser ‘ecoado’ até os limites do mundo, pelos tempos afora. Por isso há de haver uma excelente formação biblico-teológica para os catequistas no seio das comunidades eclesiais. Neste sentido, a “Catequese Tradendae” (João Paulo II – 1979), no n. 27, assim se exprime a este respeito:

A catequese sempre há de haurir o seu conteúdo na fonte viva da Palavra de Deus, transmitida na Tradição e na Escritura. “A Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só depósito inviolável da Palavra de Deus, confiado à Igreja”, como recordou o Concílio Vaticano II. Segundo o mesmo Concílio, “o ministério da Palavra, que abarca a pregação pastoral, a catequese e toda a espécie de instrução cristã, com proveito se alimenta e santa mente se revigora com a Palavra da Escritura”. Falar da Tradição e da Escritura como fonte da catequese é já acentuar que esta tem de ser impregnada e embebida de pensamento, espírito e atitudes bíblicas e evangélicas, mediante um contato assíduo com os próprios textos sagrados; é já recordar também que a catequese será tanto mais rica e eficaz, quanto mais ler os textos com a inteligência e o coração da Igreja; quanto mais se inspirar na reflexão e na vida duas vezes milenária da mesma Igreja2.

O segundo campo é a homilia proferida pelos clérigos no contexto da celebração dos sacramentos. O Sínodo sobre a Palavra de Deus, convocado e apresentado ao mundo por Bento XVI, em 2010, intitulado “Verbum Domini”, no número 59 aponta todos os aspectos mais relevantes da homilia:

“As tarefas e funções que competem a cada um relativamente à Palavra de Deus são diversas: aos fiéis compete ouvi-la e meditá-la, enquanto a sua exposição cabe somente àqueles que, em virtude da ordem sacra, receberam a tarefa do magistério, ou àqueles a quem é confiado o exercício deste ministério”, ou seja, bispos, presbíteros e diáconos. Daqui se compreende a atenção particular que, no Sínodo, foi dispensada ao tema da homilia. Já na exortação apostólica pós-sinodal “Sacramentum caritatis”, recordei como, “pensando na importância da Palavra de Deus, surge a necessidade de melhorar a qualidade da homilia; de fato, esta constitui parte integrante da ação litúrgica, cuja função é favorecer uma compreensão e eficácia mais ampla da Palavra de Deus na vida dos fiéis”. A homilia constitui uma atualização da mensagem da Sagrada Escritura, de tal modo que os fiéis sejam levados a descobrir a presença e a eficácia da Palavra de Deus no momento atual da sua vida. Aquela deve levar à compreensão do mistério que se celebra; convidar para a missão, preparando a assembleia para a profissão de fé, a oração universal e a liturgia eucarística. Consequentemente aqueles que, por ministério específico, estão incumbidos da pregação tenham verdadeiramente a peito esta tarefa. Devem-se evitar tanto homilias genéricas e abstratas que ocultam a simplicidade da Palavra de Deus, como inúteis divagações que ameaçam atrair a atenção mais para o pregador do que para o coração da mensagem evangélica. Deve resultar claramente aos fiéis que aquilo que o pregador tem a peito é mostrar Cristo, que deve estar no centro de cada homilia. Por isso, é preciso que os pregadores tenham familiaridade e contato assíduo com o texto sagrado; preparem-se para a homilia na meditação e na oração, a fim de pregarem com convicção e paixão. A assembleia sinodal exortou a ter presente as seguintes perguntas: “O que dizem as leituras proclamadas? O que dizem a mim pessoalmente? O que devo dizer à comunidade, tendo em conta a sua situação concreta?”. O pregador deve deixar-se “interpelar primeiro pela Palavra de Deus que anuncia”,[212] porque – como diz Santo Agostinho – “seguramente fica sem fruto aquele que prega exteriormente a Palavra de Deus sem a escutar no seu íntimo”. Cuide-se, com atenção particular, a homilia dos domingos e solenidades; e mesmo durante a semana nas missas cum populo, quando possível, não deixe de oferecer breves reflexões, apropriadas à situação, para ajudar os fiéis a acolherem e tornarem fecunda a Palavra escutada3.

Uma palavra que torna atual e pregnante os significados da Palavra de Deus na vida dos que a escutam e seguem, pautando seu proceder nas orientações divinas da Revelação: ‘A homilia constitui uma atualização da mensagem da Sagrada Escritura, de tal modo que os fiéis sejam levados a descobrir a presença e a eficácia da Palavra de Deus no momento atual da sua vida.’

Referências:

1http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione

2http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/apost_exhortations/documents/hf_jp-ii_exh_16101979_catechesi-tradendae.html

3http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/apost_exhortations/documents/hf_ben-xvi_exh_20100930_verbum-domini.html#Liturgia,_lugar_privilegiado_da_Palavra_de_Deus

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica