Arquidiocese do Rio de Janeiro

25º 19º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/08/2018

17 de Agosto de 2018

“Eu sou a ressurreição e a vida” (cf. Jo 11,25)

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17 de Agosto de 2018

“Eu sou a ressurreição e a vida” (cf. Jo 11,25)

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31/03/2017 18:07 - Atualizado em 31/03/2017 18:07

“Eu sou a ressurreição e a vida” (cf. Jo 11,25) 0

31/03/2017 18:07 - Atualizado em 31/03/2017 18:07

Nesse quinto domingo da Quaresma do Ano A, um ciclo de leituras marcadamente batismal, contemplamos esta belíssima cena do Evangelho de São João. Estamos diante do capítulo 11 do Evangelho. Jesus recebe um aviso: “Senhor, aquele que amas está doente.” O amigo de Cristo está doente. Sim, os amigos de Cristo também adoecem. Aqueles a quem Jesus ama também adoecem e, até mesmo, morrem. Jesus afirma que a doença de Lázaro não é mortal, mas que ela tem como finalidade que “seja glorificado o Filho de Deus”. Aqui encontramos uma estreita semelhança com o evangelho do cego de nascença que ouvimos no domingo passado. Os apóstolos queriam saber quem havia pecado para que aquele homem nascesse cego. Jesus afirma que nem o homem nem seus pais haviam pecado, mas que ele havia nascido cego “para que nele” fossem “manifestadas as obras de Deus”. As obras de Deus se manifestam quando Jesus cura o cego de nascença. A glória de Deus se faz diante da doença e da morte de Lázaro.

Jesus ainda permanece dois dias no local onde está antes de se dirigir à casa de Lázaro. Só depois resolve voltar à Judeia para despertar Lázaro do “seu sono”. Os apóstolos ainda não entendem a forma de falar de Cristo e afirmam: “Senhor, se ele está dormindo, vai se salvar!” Cristo faz questão de mostrar que Lázaro está, de fato, morto. Cristo “se alegra” pelo fato de não ter podido evitar a morte de Lázaro. Cristo não se alegra com a morte de Lázaro, mas por causa dos discípulos Cristo se alegra de não ter evitado tal situação. A morte de Lázaro e sua consequente ressurreição serão, para os discípulos e, para todos aqueles que haveriam de crer, mais valiosa do que a sua cura. De fato, Cristo sabe que a ressurreição de Lázaro será um sinal eminente.

É a última ida de Cristo à região da Judeia. Cristo vai à Judeia ressuscitar aquele que Ele ama. Seu primeiro encontro é com Marta. Marta acredita firmemente que se Cristo estivesse lá Lázaro não teria morrido. De alguma forma essa mulher intui que Cristo possui a capacidade de dar a vida. Todavia, no encontro com Cristo Marta dará um passo definitivo na sua fé, uma espécie de ressurreição: “Disse ela: ‘Sim Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus que vem ao mundo”’. Depois de professar a sua fé, ela vai chamar Maria. O Senhor chama Maria. Esta, sabendo que o Senhor estava presente, “ergueu-se logo” e “foi ao seu encontro”. É interessante notar que aqui João utiliza um verbo que também aparece para indicar a ressurreição, o verbo grego egheiro. Maria, à semelhança de Marta, experimenta uma espécie de ressurreição. Quando chamada pelo Senhor, ela como que ressuscita e vai ao encontro daqu’Ele que é a fonte da vida.

A reação de Jesus diante das lágrimas de Maria e dos demais judeus nos revela a sua humanidade. De fato, como nos afirma o prefácio da missa de hoje: “Verdadeiro homem, Jesus chorou o amigo Lázaro. Deus vivo e eterno, ele o ressuscitou, tirando-o do túmulo.” O versículo 35 deste evangelho nos diz que “Jesus chorou”. As lágrimas de Cristo foram reveladoras. Diante delas, os outros que estavam presentes puderam expressar: “Vede como ele o amava!” É o amor que move o coração de Cristo a mandar que se retire a pedra. Cristo não pode permitir que a morte prenda seus amados. Ele é a vida dos mortos! Mesmo diante da resistência dos presentes, Cristo ordena que a pedra seja removida e, olhando para o alto pronuncia uma berakah, uma oração tipicamente judaica, uma oração de ação de graças. Jesus expressa aqui toda a sua confiança de Filho ao dizer: “Pai, dou-te graças porque me ouviste. Eu sabia que sempre me ouves, mas digo isso por causa da multidão que me rodeia, para que creiam que me enviaste.” Cristo dá graças ao Pai e grita em alta voz: “Lázaro, vem para fora!” É uma ordem de Cristo àquele que jazia na região dos mortos: “Lázaro, vem para fora!” É um chamado de amor para aquele que se achava deitado e sem vida: “Lázaro, vem para fora!” Cristo manda que as mãos e os pés de Lázaro, agora ressuscitado, sejam desatados, para que ele possa ir livremente onde quiser. Diante desse gesto, muitos creram em Jesus.

O que aconteceu com Lázaro, acontece conosco. Nós também somos os “amados de Cristo”. Foi o seu amor por nós que o moveu a assumir a nossa humanidade. Cristo é a expressão máxima do amor do Pai por nós. Cristo é o amor que assumiu a nossa vida e a nossa morte. Assumiu a nossa vida para nos fazer participar da sua vida. Assumiu a nossa morte para destruí-la e nos dar a vida verdadeira e eterna que está escondida com Ele nos céus.

Cristo também chora a morte do homem caído no pecado. Sair dos nossos pecados é fazer uma experiência da ressurreição no tempo. É como sair do nosso “túmulo”. O prefácio da missa de hoje nos diz: “Compadecendo-se da humanidade, que jaz na morte do pecado, por seus sagrados mistérios ele nos eleva ao Reino da vida nova”. O Batismo é esse sair do túmulo. Nós, já batizados, cada vez que nos reconciliamos com o Senhor e participamos do seu banquete, somos também espiritualmente ressuscitados. Ao nos levantarmos dos nossos bancos para ouvir o Evangelho é como se estivéssemos de dentro dos nossos túmulos ouvindo a voz de Cristo que docemente nos convida à vida. Ao sairmos de nossos lugares para tomarmos o Sagrado Alimento, é a vida de Cristo que nos refaz.

Todavia, Cristo nos ressuscitará definitivamente para uma vida melhor. Nós tememos a morte. O nosso temor da morte consiste no fato de que nós não fomos feitos para a morte e, sim, para a vida. Temos medo de permanecer na morte. Às vezes quando perdemos alguém dizemos como Marta: “Senhor, se tivésseis estado aqui, meu irmão não teria morrido”. Gostaríamos de ter uma ressurreição como a de Lázaro. Mas, Cristo prepara para nós uma ressurreição melhor. Lázaro ressuscitou para esta vida. Cristo nos ressuscitará para a vida eterna. Nós não teremos uma ressurreição como a de Lázaro, mas teremos uma ressurreição como a de Cristo. Nós entraremos no sono da morte, como Cristo e como Lázaro. Mas, de dentro dos nossos túmulos, quando na solidão a vida tiver saído de nossos corpos, Cristo, aqu’Ele que é a vida, nos enviará um chamado, uma Palavra de vida que nos fará levantar do sono da morte. Ele dirá uma vez por todas, com voz forte: “Vem para fora!” E nós sairemos, e caminharemos em direção àqu’Ele que nos ama, ao nosso amigo. Caminharemos em direção àqu’Ele que chorou por nós e que não suportou nos ver no sono da morte. Caminharemos em direção Àquele que, para nos tirar do túmulo e da morte, entrou Ele mesmo na solidão do túmulo e na escuridão da morte.

O Pai, aquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos, dará vida a nossos corpos mortais por meio do seu Espírito que habita em nós (segunda leitura). O Espírito habita em nós, e essa é a certeza que nos move. O Espírito de Cristo mora em nós, por isso cremos que não permaneceremos no sono da morte, mas levantaremos, chamados pela voz amorosa de Cristo. O Pai, no Espírito por meio da voz amorosa de seu Filho, nos ressuscitará, e estaremos unidos a Ele para sempre. Com o coração jubiloso por esta doce esperança, vivamos já hoje segundo o Espírito. Abramos o nosso coração neste tempo favorável e neste lugar propício, para que a força do Senhor nos preencha a fim de que nós, templos vivos do Espírito, possamos viver segundo o Espírito, por meio do qual seremos vivificados em nossos corpos mortais quando chegar o definitivo Dia de Cristo.


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“Eu sou a ressurreição e a vida” (cf. Jo 11,25)

31/03/2017 18:07 - Atualizado em 31/03/2017 18:07

Nesse quinto domingo da Quaresma do Ano A, um ciclo de leituras marcadamente batismal, contemplamos esta belíssima cena do Evangelho de São João. Estamos diante do capítulo 11 do Evangelho. Jesus recebe um aviso: “Senhor, aquele que amas está doente.” O amigo de Cristo está doente. Sim, os amigos de Cristo também adoecem. Aqueles a quem Jesus ama também adoecem e, até mesmo, morrem. Jesus afirma que a doença de Lázaro não é mortal, mas que ela tem como finalidade que “seja glorificado o Filho de Deus”. Aqui encontramos uma estreita semelhança com o evangelho do cego de nascença que ouvimos no domingo passado. Os apóstolos queriam saber quem havia pecado para que aquele homem nascesse cego. Jesus afirma que nem o homem nem seus pais haviam pecado, mas que ele havia nascido cego “para que nele” fossem “manifestadas as obras de Deus”. As obras de Deus se manifestam quando Jesus cura o cego de nascença. A glória de Deus se faz diante da doença e da morte de Lázaro.

Jesus ainda permanece dois dias no local onde está antes de se dirigir à casa de Lázaro. Só depois resolve voltar à Judeia para despertar Lázaro do “seu sono”. Os apóstolos ainda não entendem a forma de falar de Cristo e afirmam: “Senhor, se ele está dormindo, vai se salvar!” Cristo faz questão de mostrar que Lázaro está, de fato, morto. Cristo “se alegra” pelo fato de não ter podido evitar a morte de Lázaro. Cristo não se alegra com a morte de Lázaro, mas por causa dos discípulos Cristo se alegra de não ter evitado tal situação. A morte de Lázaro e sua consequente ressurreição serão, para os discípulos e, para todos aqueles que haveriam de crer, mais valiosa do que a sua cura. De fato, Cristo sabe que a ressurreição de Lázaro será um sinal eminente.

É a última ida de Cristo à região da Judeia. Cristo vai à Judeia ressuscitar aquele que Ele ama. Seu primeiro encontro é com Marta. Marta acredita firmemente que se Cristo estivesse lá Lázaro não teria morrido. De alguma forma essa mulher intui que Cristo possui a capacidade de dar a vida. Todavia, no encontro com Cristo Marta dará um passo definitivo na sua fé, uma espécie de ressurreição: “Disse ela: ‘Sim Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus que vem ao mundo”’. Depois de professar a sua fé, ela vai chamar Maria. O Senhor chama Maria. Esta, sabendo que o Senhor estava presente, “ergueu-se logo” e “foi ao seu encontro”. É interessante notar que aqui João utiliza um verbo que também aparece para indicar a ressurreição, o verbo grego egheiro. Maria, à semelhança de Marta, experimenta uma espécie de ressurreição. Quando chamada pelo Senhor, ela como que ressuscita e vai ao encontro daqu’Ele que é a fonte da vida.

A reação de Jesus diante das lágrimas de Maria e dos demais judeus nos revela a sua humanidade. De fato, como nos afirma o prefácio da missa de hoje: “Verdadeiro homem, Jesus chorou o amigo Lázaro. Deus vivo e eterno, ele o ressuscitou, tirando-o do túmulo.” O versículo 35 deste evangelho nos diz que “Jesus chorou”. As lágrimas de Cristo foram reveladoras. Diante delas, os outros que estavam presentes puderam expressar: “Vede como ele o amava!” É o amor que move o coração de Cristo a mandar que se retire a pedra. Cristo não pode permitir que a morte prenda seus amados. Ele é a vida dos mortos! Mesmo diante da resistência dos presentes, Cristo ordena que a pedra seja removida e, olhando para o alto pronuncia uma berakah, uma oração tipicamente judaica, uma oração de ação de graças. Jesus expressa aqui toda a sua confiança de Filho ao dizer: “Pai, dou-te graças porque me ouviste. Eu sabia que sempre me ouves, mas digo isso por causa da multidão que me rodeia, para que creiam que me enviaste.” Cristo dá graças ao Pai e grita em alta voz: “Lázaro, vem para fora!” É uma ordem de Cristo àquele que jazia na região dos mortos: “Lázaro, vem para fora!” É um chamado de amor para aquele que se achava deitado e sem vida: “Lázaro, vem para fora!” Cristo manda que as mãos e os pés de Lázaro, agora ressuscitado, sejam desatados, para que ele possa ir livremente onde quiser. Diante desse gesto, muitos creram em Jesus.

O que aconteceu com Lázaro, acontece conosco. Nós também somos os “amados de Cristo”. Foi o seu amor por nós que o moveu a assumir a nossa humanidade. Cristo é a expressão máxima do amor do Pai por nós. Cristo é o amor que assumiu a nossa vida e a nossa morte. Assumiu a nossa vida para nos fazer participar da sua vida. Assumiu a nossa morte para destruí-la e nos dar a vida verdadeira e eterna que está escondida com Ele nos céus.

Cristo também chora a morte do homem caído no pecado. Sair dos nossos pecados é fazer uma experiência da ressurreição no tempo. É como sair do nosso “túmulo”. O prefácio da missa de hoje nos diz: “Compadecendo-se da humanidade, que jaz na morte do pecado, por seus sagrados mistérios ele nos eleva ao Reino da vida nova”. O Batismo é esse sair do túmulo. Nós, já batizados, cada vez que nos reconciliamos com o Senhor e participamos do seu banquete, somos também espiritualmente ressuscitados. Ao nos levantarmos dos nossos bancos para ouvir o Evangelho é como se estivéssemos de dentro dos nossos túmulos ouvindo a voz de Cristo que docemente nos convida à vida. Ao sairmos de nossos lugares para tomarmos o Sagrado Alimento, é a vida de Cristo que nos refaz.

Todavia, Cristo nos ressuscitará definitivamente para uma vida melhor. Nós tememos a morte. O nosso temor da morte consiste no fato de que nós não fomos feitos para a morte e, sim, para a vida. Temos medo de permanecer na morte. Às vezes quando perdemos alguém dizemos como Marta: “Senhor, se tivésseis estado aqui, meu irmão não teria morrido”. Gostaríamos de ter uma ressurreição como a de Lázaro. Mas, Cristo prepara para nós uma ressurreição melhor. Lázaro ressuscitou para esta vida. Cristo nos ressuscitará para a vida eterna. Nós não teremos uma ressurreição como a de Lázaro, mas teremos uma ressurreição como a de Cristo. Nós entraremos no sono da morte, como Cristo e como Lázaro. Mas, de dentro dos nossos túmulos, quando na solidão a vida tiver saído de nossos corpos, Cristo, aqu’Ele que é a vida, nos enviará um chamado, uma Palavra de vida que nos fará levantar do sono da morte. Ele dirá uma vez por todas, com voz forte: “Vem para fora!” E nós sairemos, e caminharemos em direção àqu’Ele que nos ama, ao nosso amigo. Caminharemos em direção àqu’Ele que chorou por nós e que não suportou nos ver no sono da morte. Caminharemos em direção Àquele que, para nos tirar do túmulo e da morte, entrou Ele mesmo na solidão do túmulo e na escuridão da morte.

O Pai, aquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos, dará vida a nossos corpos mortais por meio do seu Espírito que habita em nós (segunda leitura). O Espírito habita em nós, e essa é a certeza que nos move. O Espírito de Cristo mora em nós, por isso cremos que não permaneceremos no sono da morte, mas levantaremos, chamados pela voz amorosa de Cristo. O Pai, no Espírito por meio da voz amorosa de seu Filho, nos ressuscitará, e estaremos unidos a Ele para sempre. Com o coração jubiloso por esta doce esperança, vivamos já hoje segundo o Espírito. Abramos o nosso coração neste tempo favorável e neste lugar propício, para que a força do Senhor nos preencha a fim de que nós, templos vivos do Espírito, possamos viver segundo o Espírito, por meio do qual seremos vivificados em nossos corpos mortais quando chegar o definitivo Dia de Cristo.


Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida