Arquidiocese do Rio de Janeiro

33º 22º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/10/2017

20 de Outubro de 2017

Vida em plenitude

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20 de Outubro de 2017

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31/03/2017 13:32 - Atualizado em 31/03/2017 13:33

Vida em plenitude 0

31/03/2017 13:32 - Atualizado em 31/03/2017 13:33

O Evangelho proclamado na liturgia deste domingo narra a ressurreição de Lázaro (Jo 11,1-45). Mais uma vez lidamos com uma aparente contradição que revela que a “loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria dos homens” (1Cor 1,25).

A Palavra de Deus pronunciada pelos profetas utiliza a ressurreição como imagem da restauração que será realizada por Deus. Assim, como promessa que se realiza pela força de Cristo, lemos na primeira leitura: “Ó meu povo, vou abrir as vossas sepulturas e conduzir-vos para a terra de Israel; e quando eu abrir as vossas sepulturas e vos fizer sair delas, sabereis que eu sou o Senhor” (Ez 37,12s). Para Israel, sair da sepultura era sair do exílio, ser libertado pelo Senhor. Era receber de volta a vida, a dignidade e a liberdade perdidas.

Os desígnios de Deus, no entanto, não chegam ao homem da forma que ele imagina e espera, mas como aprouve a Deus em sua bondade. Por isso, conforme já tivemos oportunidade de refletir, Deus permite que o mal aconteça na vida dos seus filhos, “porque é na fraqueza do homem que se manifesta a sua força” (cf. 2Cor 12,9).

Tendo recebido a notícia da doença de seu amigo Lázaro, Jesus não corre para junto dele, não se adianta a curá-lo, mas parece ignorar tal chamado. Jesus sabia o que haveria de fazer, e, portanto, sabia que era mais proveitosa a morte de Lázaro do que seu restabelecimento. Além disso, o próprio Jesus havia ensinado: “Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?” (Mt 6,27). O único que pode restituir a vida é Deus. Não acolhendo o chamado dos amigos de Betânia, Jesus dá também a eles a possibilidade de experimentar o poder de Deus, retirando toda e qualquer dúvida sobre a intervenção sobre o próprio destino.

Lázaro morre. Suas irmãs choram. Os amigos mais próximos, que conheciam as ações de Jesus, criticam-no pela negligência. É nesse contexto triste e confuso que Jesus age, porque Deus disse: “Das trevas brilhe a luz”; “é também aquele que fez brilhar a sua luz em nossos corações, para que irradiássemos o conhecimento do esplendor de Deus, que se reflete na face de Cristo” (2Cor 4,6).

A oração de Jesus revela bem o plano do Pai que se concretiza nele: “Pai, rendo-te graças, porque me ouviste. Eu bem sei que sempre me ouves, mas falo assim por causa do povo que está em roda, para que creiam que tu me enviaste (Jo 11,41s). Já no capítulo 6º do Evangelho de São João, Jesus havia dito: “Esta é a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê, tenha a vida eterna” (Jo 6,40). E no capítulo 10º do mesmo Evangelho: “Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância” (Jo 10,10).

A morte de Lázaro é mais proveitosa para os que presenciam sua ressurreição do que seria sua recuperação, pois, tendo eles mesmo testemunhado o poder de Deus, podem agora crer n’Ele e reconhecer em Jesus o enviado do Pai, e assim podem também receber a vida eterna. Lázaro é, nesse sentido, figura de Cristo, cuja morte e ressurreição abriu-nos a possibilidade de, pela fé e pelos sacramentos, entrarmos também na vida em plenitude. Assim como convinha que Lázaro morresse para que o povo cresse em Jesus, da mesma forma Deus não poupou seu Filho do sofrimento e da morte, para que, “na consumação de sua vida, se tornasse causa de salvação eterna para quantos lhe obedecem” (Hb 5,9).

Reconheçamos os sinais do amor de Deus e busquemos compreender seus desígnios, “para que a vida de Jesus apareça em nossa carne mortal” (2Cor 4,11).

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31/03/2017 13:32 - Atualizado em 31/03/2017 13:33

O Evangelho proclamado na liturgia deste domingo narra a ressurreição de Lázaro (Jo 11,1-45). Mais uma vez lidamos com uma aparente contradição que revela que a “loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria dos homens” (1Cor 1,25).

A Palavra de Deus pronunciada pelos profetas utiliza a ressurreição como imagem da restauração que será realizada por Deus. Assim, como promessa que se realiza pela força de Cristo, lemos na primeira leitura: “Ó meu povo, vou abrir as vossas sepulturas e conduzir-vos para a terra de Israel; e quando eu abrir as vossas sepulturas e vos fizer sair delas, sabereis que eu sou o Senhor” (Ez 37,12s). Para Israel, sair da sepultura era sair do exílio, ser libertado pelo Senhor. Era receber de volta a vida, a dignidade e a liberdade perdidas.

Os desígnios de Deus, no entanto, não chegam ao homem da forma que ele imagina e espera, mas como aprouve a Deus em sua bondade. Por isso, conforme já tivemos oportunidade de refletir, Deus permite que o mal aconteça na vida dos seus filhos, “porque é na fraqueza do homem que se manifesta a sua força” (cf. 2Cor 12,9).

Tendo recebido a notícia da doença de seu amigo Lázaro, Jesus não corre para junto dele, não se adianta a curá-lo, mas parece ignorar tal chamado. Jesus sabia o que haveria de fazer, e, portanto, sabia que era mais proveitosa a morte de Lázaro do que seu restabelecimento. Além disso, o próprio Jesus havia ensinado: “Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?” (Mt 6,27). O único que pode restituir a vida é Deus. Não acolhendo o chamado dos amigos de Betânia, Jesus dá também a eles a possibilidade de experimentar o poder de Deus, retirando toda e qualquer dúvida sobre a intervenção sobre o próprio destino.

Lázaro morre. Suas irmãs choram. Os amigos mais próximos, que conheciam as ações de Jesus, criticam-no pela negligência. É nesse contexto triste e confuso que Jesus age, porque Deus disse: “Das trevas brilhe a luz”; “é também aquele que fez brilhar a sua luz em nossos corações, para que irradiássemos o conhecimento do esplendor de Deus, que se reflete na face de Cristo” (2Cor 4,6).

A oração de Jesus revela bem o plano do Pai que se concretiza nele: “Pai, rendo-te graças, porque me ouviste. Eu bem sei que sempre me ouves, mas falo assim por causa do povo que está em roda, para que creiam que tu me enviaste (Jo 11,41s). Já no capítulo 6º do Evangelho de São João, Jesus havia dito: “Esta é a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê, tenha a vida eterna” (Jo 6,40). E no capítulo 10º do mesmo Evangelho: “Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância” (Jo 10,10).

A morte de Lázaro é mais proveitosa para os que presenciam sua ressurreição do que seria sua recuperação, pois, tendo eles mesmo testemunhado o poder de Deus, podem agora crer n’Ele e reconhecer em Jesus o enviado do Pai, e assim podem também receber a vida eterna. Lázaro é, nesse sentido, figura de Cristo, cuja morte e ressurreição abriu-nos a possibilidade de, pela fé e pelos sacramentos, entrarmos também na vida em plenitude. Assim como convinha que Lázaro morresse para que o povo cresse em Jesus, da mesma forma Deus não poupou seu Filho do sofrimento e da morte, para que, “na consumação de sua vida, se tornasse causa de salvação eterna para quantos lhe obedecem” (Hb 5,9).

Reconheçamos os sinais do amor de Deus e busquemos compreender seus desígnios, “para que a vida de Jesus apareça em nossa carne mortal” (2Cor 4,11).

Padre Cristiano Holtz Peixoto
Autor

Padre Cristiano Holtz Peixoto

Vigário paroquial da Catedral Metropolitana