Arquidiocese do Rio de Janeiro

25º 17º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 30/04/2017

30 de Abril de 2017

‘Deus escreve certo por linhas tortas’

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30 de Abril de 2017

‘Deus escreve certo por linhas tortas’

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24/03/2017 15:36 - Atualizado em 24/03/2017 15:36

‘Deus escreve certo por linhas tortas’ 0

24/03/2017 15:36 - Atualizado em 24/03/2017 15:36

Entre os dias 24 e 25, sexta e sábado passados, vivenciamos as “24 horas para o Senhor”, celebradas antes do 4º Domingo da Quaresma, o domingo da alegria. Elas foram instituídas pelo Papa Francisco a fim de que, ininterruptamente nestas 24 horas, todos os que procuram o Senhor de coração sincero possam experimentar sua misericórdia.

Uma das experiências que mais nos une a todos os homens é o pecado. Nenhum de nós, por melhor que seja, merece a graça de Deus. No entanto, essa mesma condição em que caímos com Adão, tornou-se, pelo mistério pascal, a oportunidade de experimentarmos o invencível amor de Deus por nós. Paradoxalmente, é por meio do pecado que compreendemos como “Deus escreve certo por linhas tortas”. O pecado, portanto, nos permite experimentar a alegria do perdão, prova de que Deus nos ama.

O Evangelho deste domingo se inicia com uma cena que pode nos ajudar a refletir: Ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. Os discípulos perguntaram a Jesus: ‘Mestre, quem pecou para que nascesse cego: ele ou os seus pais?’ Jesus respondeu: ‘Nem ele nem seus pais pecaram, mas isso serve para que as obras de Deus se manifestem nele.’ (Jo 9,1-3).

Quem de nós nunca se questionou por que Deus permitiu que uma situação ruim acontecesse em nossa vida? Contudo, da mesma forma como já nos sentimos “abandonados” por Deus, já vivenciamos ao menos uma situação em que percebemos que “há males que vêm para o bem”. Quantas vezes um atraso nos livra de um grande mal, uma enfermidade nos ajuda a refletir melhor sobre a qualidade da nossa vida, um impedimento nos faz perceber que, por vezes, corremos o risco de querermos ser insubstituíveis.

Se lermos com atenção o livro de Jó, perceberemos que ele mesmo reconhece que todo sofrimento por que passou valeu a pena: Conhecia o Senhor apenas por ouvir falar, mas agora eu o vejo com meus olhos (Jó 42,5). E ainda recebemos de São Paulo três lições: Tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8,28); Eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós (Rm 8,18); e ainda: Considero tudo como perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor (Fl 3,8).

Portanto, não há situação que possa nos afastar da graça de Deus (cf. Rm 8,35ss). Ele nos ama e sempre quer o nosso bem. E, mesmo em meio ao mal e ao pecado, pode tirar deles um bem maior. Isso não significa que devamos pecar! Pelo contrário, quanto mais nos aproximamos de Deus, mais devemos evitar o pecado: “Meus filhinhos, escrevo isto para que não pequeis” (1Jo 2,1). Mas, como somos pecadores e não podemos evitar de todo o pecado, como é bom sabermos que podemos contar com a misericórdia do Senhor! “No entanto, se alguém pecar, temos junto do Pai um Defensor: Jesus Cristo, o Justo. Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados, e não só pelos nossos, mas também pelos pecados do mundo inteiro” (1Jo 2,2).

Celebremos, portanto, a alegria da misericórdia do Senhor apesar de nossos pecados, e, caso ainda não tenhamos nos confessado, aproveitemos os mutirões de confissões para transformar nossas fraquezas em grandes oportunidades para nos tornamos melhores cristãos, amando mais a Deus e ao nosso próximo. E, caso a consciência de nossas faltas ainda nos aflija, deixemos ecoar em nossos corações a mensagem que ouviremos na Noite Santa da Ressurreição: “Ó pecado de Adão, indispensável, pois o Cristo o dissolve em seu amor. Ó culpa tão feliz que há merecido a graça de um tão grande Redentor!” (Precônio Pascal).

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‘Deus escreve certo por linhas tortas’

24/03/2017 15:36 - Atualizado em 24/03/2017 15:36

Entre os dias 24 e 25, sexta e sábado passados, vivenciamos as “24 horas para o Senhor”, celebradas antes do 4º Domingo da Quaresma, o domingo da alegria. Elas foram instituídas pelo Papa Francisco a fim de que, ininterruptamente nestas 24 horas, todos os que procuram o Senhor de coração sincero possam experimentar sua misericórdia.

Uma das experiências que mais nos une a todos os homens é o pecado. Nenhum de nós, por melhor que seja, merece a graça de Deus. No entanto, essa mesma condição em que caímos com Adão, tornou-se, pelo mistério pascal, a oportunidade de experimentarmos o invencível amor de Deus por nós. Paradoxalmente, é por meio do pecado que compreendemos como “Deus escreve certo por linhas tortas”. O pecado, portanto, nos permite experimentar a alegria do perdão, prova de que Deus nos ama.

O Evangelho deste domingo se inicia com uma cena que pode nos ajudar a refletir: Ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. Os discípulos perguntaram a Jesus: ‘Mestre, quem pecou para que nascesse cego: ele ou os seus pais?’ Jesus respondeu: ‘Nem ele nem seus pais pecaram, mas isso serve para que as obras de Deus se manifestem nele.’ (Jo 9,1-3).

Quem de nós nunca se questionou por que Deus permitiu que uma situação ruim acontecesse em nossa vida? Contudo, da mesma forma como já nos sentimos “abandonados” por Deus, já vivenciamos ao menos uma situação em que percebemos que “há males que vêm para o bem”. Quantas vezes um atraso nos livra de um grande mal, uma enfermidade nos ajuda a refletir melhor sobre a qualidade da nossa vida, um impedimento nos faz perceber que, por vezes, corremos o risco de querermos ser insubstituíveis.

Se lermos com atenção o livro de Jó, perceberemos que ele mesmo reconhece que todo sofrimento por que passou valeu a pena: Conhecia o Senhor apenas por ouvir falar, mas agora eu o vejo com meus olhos (Jó 42,5). E ainda recebemos de São Paulo três lições: Tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8,28); Eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós (Rm 8,18); e ainda: Considero tudo como perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor (Fl 3,8).

Portanto, não há situação que possa nos afastar da graça de Deus (cf. Rm 8,35ss). Ele nos ama e sempre quer o nosso bem. E, mesmo em meio ao mal e ao pecado, pode tirar deles um bem maior. Isso não significa que devamos pecar! Pelo contrário, quanto mais nos aproximamos de Deus, mais devemos evitar o pecado: “Meus filhinhos, escrevo isto para que não pequeis” (1Jo 2,1). Mas, como somos pecadores e não podemos evitar de todo o pecado, como é bom sabermos que podemos contar com a misericórdia do Senhor! “No entanto, se alguém pecar, temos junto do Pai um Defensor: Jesus Cristo, o Justo. Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados, e não só pelos nossos, mas também pelos pecados do mundo inteiro” (1Jo 2,2).

Celebremos, portanto, a alegria da misericórdia do Senhor apesar de nossos pecados, e, caso ainda não tenhamos nos confessado, aproveitemos os mutirões de confissões para transformar nossas fraquezas em grandes oportunidades para nos tornamos melhores cristãos, amando mais a Deus e ao nosso próximo. E, caso a consciência de nossas faltas ainda nos aflija, deixemos ecoar em nossos corações a mensagem que ouviremos na Noite Santa da Ressurreição: “Ó pecado de Adão, indispensável, pois o Cristo o dissolve em seu amor. Ó culpa tão feliz que há merecido a graça de um tão grande Redentor!” (Precônio Pascal).

Padre Cristiano Holtz Peixoto
Autor

Padre Cristiano Holtz Peixoto

Vigário paroquial da Catedral Metropolitana