Arquidiocese do Rio de Janeiro

31º 18º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 26/05/2017

26 de Maio de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (87): Interpretação e tradução da Bíblia

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26 de Maio de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (87): Interpretação e tradução da Bíblia

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A Palavra de Deus na Bíblia (87): Interpretação e tradução da Bíblia 0

17/03/2017 00:00

O universo fascinante que envolve a ação de comunicação do Evangelho não passa somente por procedimentos ‘técnicos’ da tradução linguística, sendo esta etapa indispensável e rigorosa em sua execução. É preciso que os agentes desta transposição sejam testemunhas convincentes da verdade que se incultura nas raízes de uma ‘outra’ cultura. Mas, nada é simples assim, pois o processo de Inculturação da Mensagem Bíblica se desenvolve em um ‘diálogo’ intenso e exigente com seus destinatários.

Não se trata, pode-se ver, de um processo com sentido único, mas de uma “mútua fecundação”. De um lado, as riquezas contidas nas diversas culturas permitem à Palavra de Deus produzir novos frutos, e de outro lado a luz da Palavra de Deus permite fazer uma triagem naquilo que trazem as culturas, para rejeitar os elementos nocivos e favorecer o desenvolvimento dos elementos válidos. A total fidelidade à pessoa do Cristo, ao dinamismo de seu mistério pascal e a seu amor pela Igreja faz evitar duas soluções falsas: aquela da “adaptação” superficial da mensagem, e aquela da confusão sincretista (cf Ad Gentes, 22)1.

“Mútua fecundação”. Uma bela expressão para exprimir as exigências e cadências do processo de imigração do Evangelho para dentro de quaisquer culturas, com sucesso e autenticidade. A longa história da Igreja mostra-nos que se não queremos enfrentar com competência, paciência e, sobretudo, humildade esta tarefa inerente ao cristianismo – ‘Ide por todo mundo e anunciai a toda gente o Evangelho’ (Mc 16, 15-20)2 –, estaremos fadados a um retumbante fracasso evangelizador.

Uma certa mentalidade de ‘conservação’ apresenta falsa solução diante do fato que não se trata ‘de um processo com sentido único’, da verdade para a mentira, da luz para as trevas, de uma cultura superior para outra inferior.

Na discussão complexa sobre as relações estabelecidas entre a evangelização e a colonização pelo mundo a partir do século XVI, muitos equívocos irão explicar bem o porquê de tantos fracassos na empresa de ‘levar’ o Evangelho ao mundo pagão, seja na África, Ásia ou Américas.

Uma discussão polêmica, pois não se pode ignorar que em meio aos atropelos de uma ação militar colonialista (muitas vezes brutal) surgiram focos de profunda identidade cristã.

‘A total fidelidade à pessoa do Cristo, ao dinamismo de seu mistério pascal e a seu amor pela Igreja’.

O documento exibe critérios hermenêuticos para que a Inculturação, em todos os tempos e culturas se torne um elemento verdadeiramente enraizado na alma das culturas com as quais estabeleceu este diálogo de “Mútua fecundação”.

De um lado, não se tratará jamais de levar nossa opinião, nossa cultura ou desejos de dominação a outrem, mas é Ele, Cristo, o sujeito e o objeto, a pregação eclesial aos quatro cantos da Terra. Graças ao Espírito Santo, a Igreja é assistida suficientemente para garantir a presença do primeiro critério de autencidade da Inculturação: ‘A total fidelidade à Pessoa do Cristo’.

Este elemento é primordial na dinâmica da transmissão da fé aos outros. Somos ‘catequistas’, ecoamos Sua Pessoa, por isso, São Paulo afirmou com tanta veemência: ‘Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim’ (Gal 2,20).

O segundo, é a fidelidade ‘ao dinamismo de seu mistério pascal’. Cristo não é um personagem inserido exclusivamente na dinâmica histórica do nosso passado. E, não cremos que haja ainda lugar para duvidar de sua existência histórica (Jesus não é um mito grego!). Ele, como vemos na conclusão do primeiro Evangelho, está presente ativamente na vida da Igreja missionária: ‘E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a Palavra com os sinais que se seguiram’ (Mc 16.20). Sunergon (ação conjunta), uma expressão que indica sinergia entre Cristo e a Igreja, na ação de comunicar Cristo ao mundo; Ele, Vivo para sempre!

A Constituição Dogmática “Sacrosanctum Concilium” do Vaticano II, no famoso número 7, bem exprime toda a gama desta fidelidade ao Mistério Pascal de Cristo vivida na Igreja pela celebração da Eucaristia:

Para realizar tão grande obra, Cristo está sempre presente na sua igreja, especialmente nas ações litúrgicas. Está presente no sacrifício da missa, quer na pessoa do ministro – “O que se oferece agora pelo ministério sacerdotal é o mesmo que se ofereceu na Cruz” (20), – quer e, sobretudo, sob as espécies eucarísticas. Está presente com o seu dinamismo nos sacramentos, de modo que, quando alguém batiza, é o próprio Cristo que batiza (21). Está presente na sua Palavra, pois é Ele que fala ao ser lida na Igreja a Sagrada Escritura. Está presente, enfim, quando a Igreja reza e canta, Ele que prometeu: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles” (Mt. 18,20). Em tão grande obra, que permite que Deus seja perfeitamente glorificado e que os homens se santifiquem, Cristo associa sempre a si a Igreja, sua esposa muito amada, a qual invoca o seu Senhor e por meio d’Ele rende culto ao Eterno Pai. Com razão se considera a Liturgia como o exercício da função sacerdotal de Cristo. Nela, os sinais sensíveis significam e, cada um à sua maneira, realiza a santificação dos homens; nela, o Corpo Místico de Jesus Cristo – cabeça e membros – presta a Deus o culto público integral. Portanto, qualquer celebração litúrgica é, por ser obra de Cristo sacerdote e do seu Corpo que é a Igreja, ação sagrada par excelência, cuja eficácia, com o mesmo título e no mesmo grau, não é igualada por nenhuma outra ação da Igreja3.

Referências:

1 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_

2 ‘15 E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura; 16 Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. 17 E estes sinais seguirão os que crerem: Em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; 18 Pegarão em serpentes; e se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os sararão. 19 Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido acima no céu, e assentou-se à direita de Deus.  20 E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram’

3 http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19631204_sacrosanctum-concilium_po.html_

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A Palavra de Deus na Bíblia (87): Interpretação e tradução da Bíblia

17/03/2017 00:00

O universo fascinante que envolve a ação de comunicação do Evangelho não passa somente por procedimentos ‘técnicos’ da tradução linguística, sendo esta etapa indispensável e rigorosa em sua execução. É preciso que os agentes desta transposição sejam testemunhas convincentes da verdade que se incultura nas raízes de uma ‘outra’ cultura. Mas, nada é simples assim, pois o processo de Inculturação da Mensagem Bíblica se desenvolve em um ‘diálogo’ intenso e exigente com seus destinatários.

Não se trata, pode-se ver, de um processo com sentido único, mas de uma “mútua fecundação”. De um lado, as riquezas contidas nas diversas culturas permitem à Palavra de Deus produzir novos frutos, e de outro lado a luz da Palavra de Deus permite fazer uma triagem naquilo que trazem as culturas, para rejeitar os elementos nocivos e favorecer o desenvolvimento dos elementos válidos. A total fidelidade à pessoa do Cristo, ao dinamismo de seu mistério pascal e a seu amor pela Igreja faz evitar duas soluções falsas: aquela da “adaptação” superficial da mensagem, e aquela da confusão sincretista (cf Ad Gentes, 22)1.

“Mútua fecundação”. Uma bela expressão para exprimir as exigências e cadências do processo de imigração do Evangelho para dentro de quaisquer culturas, com sucesso e autenticidade. A longa história da Igreja mostra-nos que se não queremos enfrentar com competência, paciência e, sobretudo, humildade esta tarefa inerente ao cristianismo – ‘Ide por todo mundo e anunciai a toda gente o Evangelho’ (Mc 16, 15-20)2 –, estaremos fadados a um retumbante fracasso evangelizador.

Uma certa mentalidade de ‘conservação’ apresenta falsa solução diante do fato que não se trata ‘de um processo com sentido único’, da verdade para a mentira, da luz para as trevas, de uma cultura superior para outra inferior.

Na discussão complexa sobre as relações estabelecidas entre a evangelização e a colonização pelo mundo a partir do século XVI, muitos equívocos irão explicar bem o porquê de tantos fracassos na empresa de ‘levar’ o Evangelho ao mundo pagão, seja na África, Ásia ou Américas.

Uma discussão polêmica, pois não se pode ignorar que em meio aos atropelos de uma ação militar colonialista (muitas vezes brutal) surgiram focos de profunda identidade cristã.

‘A total fidelidade à pessoa do Cristo, ao dinamismo de seu mistério pascal e a seu amor pela Igreja’.

O documento exibe critérios hermenêuticos para que a Inculturação, em todos os tempos e culturas se torne um elemento verdadeiramente enraizado na alma das culturas com as quais estabeleceu este diálogo de “Mútua fecundação”.

De um lado, não se tratará jamais de levar nossa opinião, nossa cultura ou desejos de dominação a outrem, mas é Ele, Cristo, o sujeito e o objeto, a pregação eclesial aos quatro cantos da Terra. Graças ao Espírito Santo, a Igreja é assistida suficientemente para garantir a presença do primeiro critério de autencidade da Inculturação: ‘A total fidelidade à Pessoa do Cristo’.

Este elemento é primordial na dinâmica da transmissão da fé aos outros. Somos ‘catequistas’, ecoamos Sua Pessoa, por isso, São Paulo afirmou com tanta veemência: ‘Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim’ (Gal 2,20).

O segundo, é a fidelidade ‘ao dinamismo de seu mistério pascal’. Cristo não é um personagem inserido exclusivamente na dinâmica histórica do nosso passado. E, não cremos que haja ainda lugar para duvidar de sua existência histórica (Jesus não é um mito grego!). Ele, como vemos na conclusão do primeiro Evangelho, está presente ativamente na vida da Igreja missionária: ‘E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a Palavra com os sinais que se seguiram’ (Mc 16.20). Sunergon (ação conjunta), uma expressão que indica sinergia entre Cristo e a Igreja, na ação de comunicar Cristo ao mundo; Ele, Vivo para sempre!

A Constituição Dogmática “Sacrosanctum Concilium” do Vaticano II, no famoso número 7, bem exprime toda a gama desta fidelidade ao Mistério Pascal de Cristo vivida na Igreja pela celebração da Eucaristia:

Para realizar tão grande obra, Cristo está sempre presente na sua igreja, especialmente nas ações litúrgicas. Está presente no sacrifício da missa, quer na pessoa do ministro – “O que se oferece agora pelo ministério sacerdotal é o mesmo que se ofereceu na Cruz” (20), – quer e, sobretudo, sob as espécies eucarísticas. Está presente com o seu dinamismo nos sacramentos, de modo que, quando alguém batiza, é o próprio Cristo que batiza (21). Está presente na sua Palavra, pois é Ele que fala ao ser lida na Igreja a Sagrada Escritura. Está presente, enfim, quando a Igreja reza e canta, Ele que prometeu: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles” (Mt. 18,20). Em tão grande obra, que permite que Deus seja perfeitamente glorificado e que os homens se santifiquem, Cristo associa sempre a si a Igreja, sua esposa muito amada, a qual invoca o seu Senhor e por meio d’Ele rende culto ao Eterno Pai. Com razão se considera a Liturgia como o exercício da função sacerdotal de Cristo. Nela, os sinais sensíveis significam e, cada um à sua maneira, realiza a santificação dos homens; nela, o Corpo Místico de Jesus Cristo – cabeça e membros – presta a Deus o culto público integral. Portanto, qualquer celebração litúrgica é, por ser obra de Cristo sacerdote e do seu Corpo que é a Igreja, ação sagrada par excelência, cuja eficácia, com o mesmo título e no mesmo grau, não é igualada por nenhuma outra ação da Igreja3.

Referências:

1 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_

2 ‘15 E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura; 16 Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. 17 E estes sinais seguirão os que crerem: Em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; 18 Pegarão em serpentes; e se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os sararão. 19 Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido acima no céu, e assentou-se à direita de Deus.  20 E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram’

3 http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19631204_sacrosanctum-concilium_po.html_

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica