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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/09/2017

23 de Setembro de 2017

São José

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17/03/2017 00:00

São José 0

17/03/2017 00:00

Na história de Jesus Nosso Senhor narrada nos evangelhos, podemos encontrar alguns personagens significativos que viveram muito próximos ao Mestre e que, de algum modo, influenciaram na sua vida e no seu ministério. Nesse contexto, podemos lembrar, certamente, dos apóstolos que foram chamados diretamente pelo próprio Cristo para serem as suas testemunhas diante dos homens e para levar adiante a sua obra de redenção depois da sua ascenção aos céus. Dentre todas essas pessoas das quais os evangelhos nos dão informações, a Santíssima Virgem Maria ocupa um lugar privilegiado já que foi ela, a bem-aventurada e a cheia de graça, a escolhida dentre todas as mulheres para ser a mãe do Salvador.

Todavia, um outro personagem descrito nos evangelhos adquiriu, durante a história da Igreja, uma sempre maior importância na espiritualidade e na identidade dos cristãos. Com efeito, os católicos incessantemente reconheceram em São José, pai de Jesus Cristo e esposo da Virgem Maria, um modelo de virtudes, das quais a obediência e a submissão à vontade de Deus assumem importância ímpar.

O Evangelho de São Mateus, ao falar do nascimento de Jesus Cristo, diz que “Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo” (Mt 1,18). Desse modo, vemos que José foi associado ao mistério da Encarnação, fazendo parte, junto com Maria, da família na qual o Verbo Encarnado viveu. A partir daqui, são possíveis muitas analogias entre a missão de Maria Santíssima e aquela de São José, já que os dois aceitaram pôr as suas vidas a serviço do mistério salvífico de Cristo. O ‘sim’ de Maria na verdade é como que completado com o ‘sim’ de José, no sentido de que a proteção da família de Nazaré dependeu estreitamente da sua paternidade.

Os evangelhos não dizem muita coisa sobre a vida de São José, mas nos relatam alguns casos onde é possível ver a sua fundamental presença paterna junto a Jesus e a Maria. Assim foi, por exemplo, no nascimento do Menino Jesus (Lc 2, 1-7), na fuga para o Egito (Mt 2,13) ou quando Cristo estava no Templo ensinado os doutores da lei (Lc 2, 40-50).  Em todas essas circunstâncias podemos notar que os escritores sagrados, mesmo sabendo que Cristo é o Filho de Deus, fazem referência seja ao fato de que José é o esposo de Maria ou, de outro modo, que ela é sua esposa, seja à paternidade de José em relação a Jesus. Este modo de exprimir-se não pode ser, de forma alguma, desconsiderado porque é uma indicação inquestionável de que o chamado de José a ser o chefe da família de Nazaré foi real e não somente um jogo de aparências.

Por este motivo, a Igreja encontrou na figura paterna e protetora de São José um modelo de intercessão e cuidado para todos os fiéis. Ele tornou-se, assim, o guardião de toda a Igreja, exatamente por ter sido o defensor da Sagrada Família, ou seja, da mesma maneira que ele cuidou da Santíssima Virgem e de Nosso Senhor, ensinando-Lhe não só um ofício, mas também contribuindo diretamente para que Jesus crescesse em sabedoria, em estatura e em graça (Lc 2, 52). A Igreja sabe que pode contar com o pai putativo de Jesus em todas as suas necessidades, principalmente aquelas mais urgentes. Com efeito, São José vem proclamado oficialmente, no dia 8 de dezembro de 1870, através do decreto “Quemadmodum Deus”, do Papa Pio IX, patrono da Igreja Católica.

Para além da sua proteção espiritual a toda a Igreja, um tema o qual os teólogos e os grandes pensadores se ocuparam foi refletir sobre a grandeza da fé de José e da sua submissão a Deus, dos quais, como já dissemos, o mistério da Encarnação, por obra do Espírito Santo, ocupa um lugar central. O Papa João Paulo II, comentando o fato de que Maria e José foram realmente esposos, apesar de castos, é uma realidade fundamental para compreender também que José foi verdadeiramente o pai de Cristo (“Redemptoris Custos”, 7).

O modo como São José viveu a aceitação do Mistério nos faz pensar na nossa sociedade hodierna, na qual parece crescer cada vez mais uma cultura hipersexualizada e hedonista de busca pelo prazer como fim último, e pela realização material a qualquer custo, que se constituem como o objetivo ou a meta final da vida humana. O ‘sim’ de José ao projeto de Deus adquire, nesse contexto, um notável sentido de fé, de esperança e de amor. A docilidade com a qual ele aceitou os mistérios de Deus convida a todos nós, também, em todos os momentos de nossa existência, a sermos fiéis ao projeto original de Deus para as nossas vidas e a pôr no Senhor e não nos bens materiais a nossa esperança. Por esta razão, São José, homem casto e justo, é modelo para todos os vocacionados ao matrimônio – já que foi pai de família exemplar –, mas também aos chamados ao celibato, a fim de que estes possam encontrar no seu testemunho de pureza um modelo de vida santa.

Outro âmbito no qual José é modelo para toda a Igreja é aquele do trabalho. Os evangelhos descrevem José como “o carpinteiro”, isto é, ele tinha um ofício que cumpria com diligência e correção. Aprendendo esse mesmo ofício de seu pai, Cristo insere a realidade do trabalho naquela dimensão original de santidade, pensada por Deus desde o início, e com o qual o homem dignifica as suas ocupações e contribui com Deus na obra da criação. Fazendo com que esta dimensão inexorável da vida humana reassumisse a alta dignidade que havia sido pensada desde a origem, a santificação do trabalho encontra, assim, um modelo e uma inspiração em São José. À virtude da laboriosidade podemos unir o valor do silêncio. De fato, os evangelhos não dão voz a José, e este fato nos mostra que ele assumiu como meta principal de sua existência uma profundidade de vida interior, na qual se deixou guiar unicamente pela voz de Deus e permitiu que o Senhor o modelasse negando a sua própria liberdade e a possibilidade de um amor conjugal e um sucesso puramente humano.

Por fim, a vocação do Bem-aventurado José nos ensina como devemos estar disponíveis para o chamado do Senhor e como dar uma resposta positiva à vontade e ao designo de Deus. É dessa maneira que a nossa vida poderá ser associada àquela de Cristo sob a proteção e vigilância de José. É muito bonito o modo com o qual alguns santos tratavam o pai de Jesus. Santa Teresa d’Ávila, por exemplo, dizia que “começo em nome do Senhor, tomando por ajuda a sua gloriosa Mãe, cujo hábito trago, embora indigna dele, e o meu glorioso pai e senhor São José, em cuja casa estou”. Que o exemplo de obediência, de pureza e de silêncio que marcaram a vida de São José, nosso Pai e Senhor, possa inspirar a todos nós a crescermos na intimidade com o nosso Salvador e que, especialmente neste tempo de Quaresma que estamos vivendo, a sua especial proteção e intercessão nos ajude a viver uma santa e frutuosa Páscoa.

São José, rogai por nós!

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São José

17/03/2017 00:00

Na história de Jesus Nosso Senhor narrada nos evangelhos, podemos encontrar alguns personagens significativos que viveram muito próximos ao Mestre e que, de algum modo, influenciaram na sua vida e no seu ministério. Nesse contexto, podemos lembrar, certamente, dos apóstolos que foram chamados diretamente pelo próprio Cristo para serem as suas testemunhas diante dos homens e para levar adiante a sua obra de redenção depois da sua ascenção aos céus. Dentre todas essas pessoas das quais os evangelhos nos dão informações, a Santíssima Virgem Maria ocupa um lugar privilegiado já que foi ela, a bem-aventurada e a cheia de graça, a escolhida dentre todas as mulheres para ser a mãe do Salvador.

Todavia, um outro personagem descrito nos evangelhos adquiriu, durante a história da Igreja, uma sempre maior importância na espiritualidade e na identidade dos cristãos. Com efeito, os católicos incessantemente reconheceram em São José, pai de Jesus Cristo e esposo da Virgem Maria, um modelo de virtudes, das quais a obediência e a submissão à vontade de Deus assumem importância ímpar.

O Evangelho de São Mateus, ao falar do nascimento de Jesus Cristo, diz que “Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo” (Mt 1,18). Desse modo, vemos que José foi associado ao mistério da Encarnação, fazendo parte, junto com Maria, da família na qual o Verbo Encarnado viveu. A partir daqui, são possíveis muitas analogias entre a missão de Maria Santíssima e aquela de São José, já que os dois aceitaram pôr as suas vidas a serviço do mistério salvífico de Cristo. O ‘sim’ de Maria na verdade é como que completado com o ‘sim’ de José, no sentido de que a proteção da família de Nazaré dependeu estreitamente da sua paternidade.

Os evangelhos não dizem muita coisa sobre a vida de São José, mas nos relatam alguns casos onde é possível ver a sua fundamental presença paterna junto a Jesus e a Maria. Assim foi, por exemplo, no nascimento do Menino Jesus (Lc 2, 1-7), na fuga para o Egito (Mt 2,13) ou quando Cristo estava no Templo ensinado os doutores da lei (Lc 2, 40-50).  Em todas essas circunstâncias podemos notar que os escritores sagrados, mesmo sabendo que Cristo é o Filho de Deus, fazem referência seja ao fato de que José é o esposo de Maria ou, de outro modo, que ela é sua esposa, seja à paternidade de José em relação a Jesus. Este modo de exprimir-se não pode ser, de forma alguma, desconsiderado porque é uma indicação inquestionável de que o chamado de José a ser o chefe da família de Nazaré foi real e não somente um jogo de aparências.

Por este motivo, a Igreja encontrou na figura paterna e protetora de São José um modelo de intercessão e cuidado para todos os fiéis. Ele tornou-se, assim, o guardião de toda a Igreja, exatamente por ter sido o defensor da Sagrada Família, ou seja, da mesma maneira que ele cuidou da Santíssima Virgem e de Nosso Senhor, ensinando-Lhe não só um ofício, mas também contribuindo diretamente para que Jesus crescesse em sabedoria, em estatura e em graça (Lc 2, 52). A Igreja sabe que pode contar com o pai putativo de Jesus em todas as suas necessidades, principalmente aquelas mais urgentes. Com efeito, São José vem proclamado oficialmente, no dia 8 de dezembro de 1870, através do decreto “Quemadmodum Deus”, do Papa Pio IX, patrono da Igreja Católica.

Para além da sua proteção espiritual a toda a Igreja, um tema o qual os teólogos e os grandes pensadores se ocuparam foi refletir sobre a grandeza da fé de José e da sua submissão a Deus, dos quais, como já dissemos, o mistério da Encarnação, por obra do Espírito Santo, ocupa um lugar central. O Papa João Paulo II, comentando o fato de que Maria e José foram realmente esposos, apesar de castos, é uma realidade fundamental para compreender também que José foi verdadeiramente o pai de Cristo (“Redemptoris Custos”, 7).

O modo como São José viveu a aceitação do Mistério nos faz pensar na nossa sociedade hodierna, na qual parece crescer cada vez mais uma cultura hipersexualizada e hedonista de busca pelo prazer como fim último, e pela realização material a qualquer custo, que se constituem como o objetivo ou a meta final da vida humana. O ‘sim’ de José ao projeto de Deus adquire, nesse contexto, um notável sentido de fé, de esperança e de amor. A docilidade com a qual ele aceitou os mistérios de Deus convida a todos nós, também, em todos os momentos de nossa existência, a sermos fiéis ao projeto original de Deus para as nossas vidas e a pôr no Senhor e não nos bens materiais a nossa esperança. Por esta razão, São José, homem casto e justo, é modelo para todos os vocacionados ao matrimônio – já que foi pai de família exemplar –, mas também aos chamados ao celibato, a fim de que estes possam encontrar no seu testemunho de pureza um modelo de vida santa.

Outro âmbito no qual José é modelo para toda a Igreja é aquele do trabalho. Os evangelhos descrevem José como “o carpinteiro”, isto é, ele tinha um ofício que cumpria com diligência e correção. Aprendendo esse mesmo ofício de seu pai, Cristo insere a realidade do trabalho naquela dimensão original de santidade, pensada por Deus desde o início, e com o qual o homem dignifica as suas ocupações e contribui com Deus na obra da criação. Fazendo com que esta dimensão inexorável da vida humana reassumisse a alta dignidade que havia sido pensada desde a origem, a santificação do trabalho encontra, assim, um modelo e uma inspiração em São José. À virtude da laboriosidade podemos unir o valor do silêncio. De fato, os evangelhos não dão voz a José, e este fato nos mostra que ele assumiu como meta principal de sua existência uma profundidade de vida interior, na qual se deixou guiar unicamente pela voz de Deus e permitiu que o Senhor o modelasse negando a sua própria liberdade e a possibilidade de um amor conjugal e um sucesso puramente humano.

Por fim, a vocação do Bem-aventurado José nos ensina como devemos estar disponíveis para o chamado do Senhor e como dar uma resposta positiva à vontade e ao designo de Deus. É dessa maneira que a nossa vida poderá ser associada àquela de Cristo sob a proteção e vigilância de José. É muito bonito o modo com o qual alguns santos tratavam o pai de Jesus. Santa Teresa d’Ávila, por exemplo, dizia que “começo em nome do Senhor, tomando por ajuda a sua gloriosa Mãe, cujo hábito trago, embora indigna dele, e o meu glorioso pai e senhor São José, em cuja casa estou”. Que o exemplo de obediência, de pureza e de silêncio que marcaram a vida de São José, nosso Pai e Senhor, possa inspirar a todos nós a crescermos na intimidade com o nosso Salvador e que, especialmente neste tempo de Quaresma que estamos vivendo, a sua especial proteção e intercessão nos ajude a viver uma santa e frutuosa Páscoa.

São José, rogai por nós!

Crisônio Vieira de Souza
Autor

Crisônio Vieira de Souza

Seminarista