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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 25/07/2017

25 de Julho de 2017

A mulher e a Igreja

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25 de Julho de 2017

A mulher e a Igreja

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09/03/2017 00:00 - Atualizado em 10/03/2017 10:35

A mulher e a Igreja 0

09/03/2017 00:00 - Atualizado em 10/03/2017 10:35

Comemoramos no último dia 08 de março o Dia Internacional da Mulher. Este dia é marcado por muitas lembranças, cumprimentos e comemorações. É o dia de agradecer a Deus pela vida de todas as mulheres. É importante o grande papel que as mulheres desempenham na Igreja, iniciando pelo grande exemplo de Mulher: a Virgem Maria.

Jesus, por algumas vezes no Evangelho de João, chama a sua mãe de Mulher. Jesus não se dirige a Maria chamando-a de mãe, mas “mulher”. Não é o filho que se dirige à mãe, mas o “Messias à Mulher = Mãe da Nova Humanidade”, a “Nova Eva”. Em Gn 3,20, Eva é ao mesmo tempo mulher e mãe por excelência. Assim, chamando Maria de Mulher, Jesus está indicando que é a “primeira mulher” ou a “nova mulher” ou a “mulher protológica”. No Apocalipse 12, Maria é a “mulher escatológica”. Assim, em Maria, podemos ver a primeira e a última mulher da História. Ao chamá-la de “Mulher”, Jesus a reverencia, reconhecendo-lhe uma dignidade histórico-salvífica. Em João, o termo “mulher” também traduz a importância e o valor evangelizador das mulheres na comunidade do “Discípulo Amado” (cf. Jo2,4; 19,26; 4,21; 20,15), exemplo de perseverança no seguimento de Jesus e testemunha da ressurreição (cf. Jo20,17s).

São Lucas apresenta Maria como primeira discípula cristã, através do seu gesto de aceitação obediente e pronta, que a faz iniciar um longo caminho de peregrinação na fé. Maria também é conhecida nas palavras de São Lucas: a Bem-aventurada entre todas as mulheres. Bendita és tu entre as mulheres: Evoca Jz 5,24 e Jt 13,18, nos quais se louva a mulher destemida e ativa na participação nas lutas de resistência e vitórias do seu povo, do Povo de Deus. O adjetivo “bendita” implica louvor à pessoa e reconhecimento dos destinatários da bênção e do favor de Deus.

Os últimos Papas falaram e têm falado sobre este tema. São João Paulo II dedicou uma carta para falar às mulheres. Carta Apostólica Mulieris Dignitatem. O documento histórico, que completou 25 anos em 2013, é o primeiro do Magistério pontifício dedicado inteiramente à temática da mulher. “Neste amplo espaço de serviço, a História da Igreja nestes dois milénios, apesar de tantos condicionalismos, conheceu realmente o “génio da mulher”, tendo visto surgir no seu seio mulheres de primária grandeza, que deixaram amplos e benéficos vestígios de si no tempo.

Penso na longa série de mártires, de santas, de místicas insignes. Penso, de modo especial, em Santa Catarina de Sena e em Santa Teresa de Ávila, a quem o Papa Paulo VI, de venerável memória, conferiu o título de Doutoras da Igreja. E como não lembrar também tantas mulheres que, impelidas pela fé, deram vida a iniciativas de extraordinário relevo social, especialmente ao serviço dos mais pobres? O futuro da Igreja, no terceiro milénio, não deixará certamente de registar novas e esplêndidas manifestações do “génio feminino”. (Carta Apostólica de São João Paulo II. Mulieris Dignitatem, 29 de junho de 1995. Retirado do site: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/letters/1995/documents/hf_jp-ii_let_29061995_women.html . Último acesso: 08/03/2017).

O Papa emérito Bento XVI foi outro que destacou a importância da mulher na História. A palavra “mulher” pode ser encontrada em mais de 700 documentos dele, entre discursos, homilias, audiências, entre outros momentos como Bispo de Roma. Entre os anos de 2010 e 2011, ele até fez uma série de catequeses sobre a contribuição espiritual e social de santas e beatas da Igreja, entre elas Santa Teresa de Ávila, Santa Joana D’Arc, Santa Clara de Assis, Santa Teresinha do Menino Jesus e Santa Catarina de Sena. “Em todos os Evangelhos, as mulheres têm um grande espaço nas narrações das aparições de Jesus ressuscitado, assim como nas da paixão e da morte de Jesus. Naquela época, em Israel, o testemunho das mulheres não podia ter valor oficial, jurídico, mas as mulheres viveram uma experiência de relação especial com o Senhor, que é fundamental para a vida concreta da comunidade cristã, e assim foi sempre, em todas as épocas, não só no início do caminho da Igreja”. (Regina Coeli. Papa Bento XVI. 09/04/2012. Retirado do site: http://w2.vatican.va/content/benedict-vi/pt/angelus/2012/documents/hf_ben-xvi_reg_20120409_easter-monday.html . Último acesso: 08/03/2017).

Já o Papa Francisco, no dia 8 de março de 2015, dirigiu estas palavras às mulheres: “As primeiras testemunhas da Ressurreição são as mulheres. E isto é bonito. Esta é um pouco a missão das mulheres: mães e mulheres! Dar testemunho aos filhos e aos pequenos netos, de que Jesus está vivo, é o Vivente, ressuscitou. Mães e mulheres, ide em frente com este testemunho! Para Deus o que conta é o coração, quanto estamos abertos a Ele, se somos filhos que confiam. Isto leva-nos a meditar inclusive sobre o modo como as mulheres, na Igreja e no caminho de fé, tiveram e ainda hoje desempenham um papel especial na abertura das portas ao Senhor, no seu seguimento e na comunicação do seu Rosto, pois o olhar de fé tem sempre necessidade do olhar simples e profundo do amor”. (Retirado do site: http://www.a12.com/santo-padre/noticias/detalhes/papa-francisco-e-as-mulheres. Último acesso: 08/03/2017).

O Papa Francisco ainda diz sobre a mulher: “É desejável, portanto, uma presença feminina mais ramificada e incisiva nas comunidades, de modo que possamos ver muitas mulheres envolvidas nas responsabilidades pastorais, no acompanhamento de pessoas, famílias e grupos, assim como na reflexão teológica”. “Todas as instituições, inclusive a comunidade eclesial, são chamadas a garantir a liberdade de escolha para as mulheres, para que tenham a possibilidade de assumir responsabilidades sociais e eclesiais, num modo harmônico com a vida familiar”. (Retirado do Site: http://noticias.cancaonova.com/mundo/papa-destaca-papel-da-mulher-na-igreja-e-na-sociedade/ Último acesso: 08/03/2017).

Portanto, a figura da mulher para a Igreja é de suma importância, e isso nós vimos desde o início do Cristianismo. A Igreja acolhe as mulheres e conta com a ajuda destas grandes missionárias na fé. Assim, continuando esta semana a repercutir o Dia Internacional da Mulher, junto com todas as necessidades da presença da mulher em todos os âmbitos da sociedade, e constatando a sua presença na História da Igreja, desejo a todas as mulheres muita paz e força na caminhada. Que a Bem-Aventurada Virgem Maria ilumine a vocês!

            
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A mulher e a Igreja

09/03/2017 00:00 - Atualizado em 10/03/2017 10:35

Comemoramos no último dia 08 de março o Dia Internacional da Mulher. Este dia é marcado por muitas lembranças, cumprimentos e comemorações. É o dia de agradecer a Deus pela vida de todas as mulheres. É importante o grande papel que as mulheres desempenham na Igreja, iniciando pelo grande exemplo de Mulher: a Virgem Maria.

Jesus, por algumas vezes no Evangelho de João, chama a sua mãe de Mulher. Jesus não se dirige a Maria chamando-a de mãe, mas “mulher”. Não é o filho que se dirige à mãe, mas o “Messias à Mulher = Mãe da Nova Humanidade”, a “Nova Eva”. Em Gn 3,20, Eva é ao mesmo tempo mulher e mãe por excelência. Assim, chamando Maria de Mulher, Jesus está indicando que é a “primeira mulher” ou a “nova mulher” ou a “mulher protológica”. No Apocalipse 12, Maria é a “mulher escatológica”. Assim, em Maria, podemos ver a primeira e a última mulher da História. Ao chamá-la de “Mulher”, Jesus a reverencia, reconhecendo-lhe uma dignidade histórico-salvífica. Em João, o termo “mulher” também traduz a importância e o valor evangelizador das mulheres na comunidade do “Discípulo Amado” (cf. Jo2,4; 19,26; 4,21; 20,15), exemplo de perseverança no seguimento de Jesus e testemunha da ressurreição (cf. Jo20,17s).

São Lucas apresenta Maria como primeira discípula cristã, através do seu gesto de aceitação obediente e pronta, que a faz iniciar um longo caminho de peregrinação na fé. Maria também é conhecida nas palavras de São Lucas: a Bem-aventurada entre todas as mulheres. Bendita és tu entre as mulheres: Evoca Jz 5,24 e Jt 13,18, nos quais se louva a mulher destemida e ativa na participação nas lutas de resistência e vitórias do seu povo, do Povo de Deus. O adjetivo “bendita” implica louvor à pessoa e reconhecimento dos destinatários da bênção e do favor de Deus.

Os últimos Papas falaram e têm falado sobre este tema. São João Paulo II dedicou uma carta para falar às mulheres. Carta Apostólica Mulieris Dignitatem. O documento histórico, que completou 25 anos em 2013, é o primeiro do Magistério pontifício dedicado inteiramente à temática da mulher. “Neste amplo espaço de serviço, a História da Igreja nestes dois milénios, apesar de tantos condicionalismos, conheceu realmente o “génio da mulher”, tendo visto surgir no seu seio mulheres de primária grandeza, que deixaram amplos e benéficos vestígios de si no tempo.

Penso na longa série de mártires, de santas, de místicas insignes. Penso, de modo especial, em Santa Catarina de Sena e em Santa Teresa de Ávila, a quem o Papa Paulo VI, de venerável memória, conferiu o título de Doutoras da Igreja. E como não lembrar também tantas mulheres que, impelidas pela fé, deram vida a iniciativas de extraordinário relevo social, especialmente ao serviço dos mais pobres? O futuro da Igreja, no terceiro milénio, não deixará certamente de registar novas e esplêndidas manifestações do “génio feminino”. (Carta Apostólica de São João Paulo II. Mulieris Dignitatem, 29 de junho de 1995. Retirado do site: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/letters/1995/documents/hf_jp-ii_let_29061995_women.html . Último acesso: 08/03/2017).

O Papa emérito Bento XVI foi outro que destacou a importância da mulher na História. A palavra “mulher” pode ser encontrada em mais de 700 documentos dele, entre discursos, homilias, audiências, entre outros momentos como Bispo de Roma. Entre os anos de 2010 e 2011, ele até fez uma série de catequeses sobre a contribuição espiritual e social de santas e beatas da Igreja, entre elas Santa Teresa de Ávila, Santa Joana D’Arc, Santa Clara de Assis, Santa Teresinha do Menino Jesus e Santa Catarina de Sena. “Em todos os Evangelhos, as mulheres têm um grande espaço nas narrações das aparições de Jesus ressuscitado, assim como nas da paixão e da morte de Jesus. Naquela época, em Israel, o testemunho das mulheres não podia ter valor oficial, jurídico, mas as mulheres viveram uma experiência de relação especial com o Senhor, que é fundamental para a vida concreta da comunidade cristã, e assim foi sempre, em todas as épocas, não só no início do caminho da Igreja”. (Regina Coeli. Papa Bento XVI. 09/04/2012. Retirado do site: http://w2.vatican.va/content/benedict-vi/pt/angelus/2012/documents/hf_ben-xvi_reg_20120409_easter-monday.html . Último acesso: 08/03/2017).

Já o Papa Francisco, no dia 8 de março de 2015, dirigiu estas palavras às mulheres: “As primeiras testemunhas da Ressurreição são as mulheres. E isto é bonito. Esta é um pouco a missão das mulheres: mães e mulheres! Dar testemunho aos filhos e aos pequenos netos, de que Jesus está vivo, é o Vivente, ressuscitou. Mães e mulheres, ide em frente com este testemunho! Para Deus o que conta é o coração, quanto estamos abertos a Ele, se somos filhos que confiam. Isto leva-nos a meditar inclusive sobre o modo como as mulheres, na Igreja e no caminho de fé, tiveram e ainda hoje desempenham um papel especial na abertura das portas ao Senhor, no seu seguimento e na comunicação do seu Rosto, pois o olhar de fé tem sempre necessidade do olhar simples e profundo do amor”. (Retirado do site: http://www.a12.com/santo-padre/noticias/detalhes/papa-francisco-e-as-mulheres. Último acesso: 08/03/2017).

O Papa Francisco ainda diz sobre a mulher: “É desejável, portanto, uma presença feminina mais ramificada e incisiva nas comunidades, de modo que possamos ver muitas mulheres envolvidas nas responsabilidades pastorais, no acompanhamento de pessoas, famílias e grupos, assim como na reflexão teológica”. “Todas as instituições, inclusive a comunidade eclesial, são chamadas a garantir a liberdade de escolha para as mulheres, para que tenham a possibilidade de assumir responsabilidades sociais e eclesiais, num modo harmônico com a vida familiar”. (Retirado do Site: http://noticias.cancaonova.com/mundo/papa-destaca-papel-da-mulher-na-igreja-e-na-sociedade/ Último acesso: 08/03/2017).

Portanto, a figura da mulher para a Igreja é de suma importância, e isso nós vimos desde o início do Cristianismo. A Igreja acolhe as mulheres e conta com a ajuda destas grandes missionárias na fé. Assim, continuando esta semana a repercutir o Dia Internacional da Mulher, junto com todas as necessidades da presença da mulher em todos os âmbitos da sociedade, e constatando a sua presença na História da Igreja, desejo a todas as mulheres muita paz e força na caminhada. Que a Bem-Aventurada Virgem Maria ilumine a vocês!

            
Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro