Arquidiocese do Rio de Janeiro

31º 17º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 28/05/2017

28 de Maio de 2017

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10/03/2017 10:30 - Atualizado em 17/03/2017 15:05

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10/03/2017 10:30 - Atualizado em 17/03/2017 15:05

Celebrando o segundo domingo da Quaresma, a Igreja proclama e escuta o Evangelho da Transfiguração. Na verdade, o lecionário está disposto de tal forma que, nos três ciclos anuais, podemos entrar em contato com uma narrativa sinótica deste evento – ano A, Mt 17,1-9; ano B, Mc 9,2-8; e, no ano C, Lc 9,28-36. A razão da escolha deste texto pretende ressaltar a analogia existente entre Jesus, que se transfigura no seu caminho para a paixão, morte e ressurreição, e a comunidade dos fiéis, chamada também a ser transfigurada na sua via em direção à Semana Santa e ao Tempo Pascal. No seguimento de Cristo, no cansaço cotidiano da busca pelo amor, se faz necessário contemplar a contínua ação santificante de Deus sobre nós.

No domingo passado, o primeiro da Quaresma, escutávamos o diabo tentando Jesus sobre sua identidade e condição de Filho de Deus: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães! Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo!” (Mt 4,3.6). Agora, junto com os três discípulos íntimos do Senhor – Pedro, Tiago e João –, somos conduzidos ao alto do monte Tabor para que, solenemente, o Pai apresente Jesus: “E da nuvem uma voz dizia: ‘Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado’ ” (Mt 9,5).

A sua filiação divina não estava apegada ao poder, à glória deste mundo, mas ela estava ligada à entrega da vida pela salvação do mundo: “Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens” (Fl 2,6-7). A entrega total e obediente de Jesus O leva mesmo até a desfiguração na cruz: “Assim como muitos ficaram pasmados ao vê-Lo – tão desfigurado Ele estava, que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano” (Is 54,14), e culmina com sua glorificação: “Seu rosto era como sol, e as suas pernas como colunas de fogo” (Ap 10,1).

Esta transfiguração de Jesus está diretamente relacionada com a experiência de Moisés e de Elias. O “amigo de Deus”, também, tinha sido iluminado por Deus sobre o monte, descendo com o rosto refletindo a glória divina: “Moisés desceu do monte Sinai, tendo nas mãos as duas tábuas da lei. Descendo do monte, Moisés não sabia que a pele de seu rosto se tornara brilhante, durante a sua conversa com o Senhor. E, tendo-O visto Aarão e todos os israelitas, notaram que a pele de seu rosto se tornara brilhante, e não ousaram aproximar-se d’Ele” (Ex 34,29-30). O “homem de Deus”, protótipo do profeta, foi visto por Malaquias nos tempos do Messias: “Vou mandar-vos o profeta Elias, antes que venha o grande e temível Dia do Senhor” (Ml 3,23). Jesus transfigurado é a palavra definitiva de Deus aos homens: “Escutai-O!” (Mt 9,5).

Em direção às alegrias pascais, a Igreja faz memória, na força do Espírito Santo, do evento da transfiguração de Jesus. Na realidade, ele é a manifestação do Senhor como filho amado de Deus, palavra definitiva aos homens – seu caminho de filho obediente O conduzirá a desfiguração da cruz e a glorificação total da ressurreição. Ora, nesse sentido, os fiéis são chamados a se descobrirem “filhos no Filho” e encarnarem em sua vida, através da obediência da fé, a Palavra de Cristo. De fato, o tempo da Quaresma contribui para que a experiência filial se torne mais forte: “Vós concedeis aos cristãos esperar com alegria, cada ano, a festa da Páscoa. De coração purificado, entregues à oração e à prática do amor fraterno; preparamo-nos para celebrar os mistérios pascais, que nos deram vida nova e nos tornaram filhas e filhos vossos” (prefácio da Quaresma I).

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Filhos vossos!

10/03/2017 10:30 - Atualizado em 17/03/2017 15:05

Celebrando o segundo domingo da Quaresma, a Igreja proclama e escuta o Evangelho da Transfiguração. Na verdade, o lecionário está disposto de tal forma que, nos três ciclos anuais, podemos entrar em contato com uma narrativa sinótica deste evento – ano A, Mt 17,1-9; ano B, Mc 9,2-8; e, no ano C, Lc 9,28-36. A razão da escolha deste texto pretende ressaltar a analogia existente entre Jesus, que se transfigura no seu caminho para a paixão, morte e ressurreição, e a comunidade dos fiéis, chamada também a ser transfigurada na sua via em direção à Semana Santa e ao Tempo Pascal. No seguimento de Cristo, no cansaço cotidiano da busca pelo amor, se faz necessário contemplar a contínua ação santificante de Deus sobre nós.

No domingo passado, o primeiro da Quaresma, escutávamos o diabo tentando Jesus sobre sua identidade e condição de Filho de Deus: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães! Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo!” (Mt 4,3.6). Agora, junto com os três discípulos íntimos do Senhor – Pedro, Tiago e João –, somos conduzidos ao alto do monte Tabor para que, solenemente, o Pai apresente Jesus: “E da nuvem uma voz dizia: ‘Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado’ ” (Mt 9,5).

A sua filiação divina não estava apegada ao poder, à glória deste mundo, mas ela estava ligada à entrega da vida pela salvação do mundo: “Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens” (Fl 2,6-7). A entrega total e obediente de Jesus O leva mesmo até a desfiguração na cruz: “Assim como muitos ficaram pasmados ao vê-Lo – tão desfigurado Ele estava, que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano” (Is 54,14), e culmina com sua glorificação: “Seu rosto era como sol, e as suas pernas como colunas de fogo” (Ap 10,1).

Esta transfiguração de Jesus está diretamente relacionada com a experiência de Moisés e de Elias. O “amigo de Deus”, também, tinha sido iluminado por Deus sobre o monte, descendo com o rosto refletindo a glória divina: “Moisés desceu do monte Sinai, tendo nas mãos as duas tábuas da lei. Descendo do monte, Moisés não sabia que a pele de seu rosto se tornara brilhante, durante a sua conversa com o Senhor. E, tendo-O visto Aarão e todos os israelitas, notaram que a pele de seu rosto se tornara brilhante, e não ousaram aproximar-se d’Ele” (Ex 34,29-30). O “homem de Deus”, protótipo do profeta, foi visto por Malaquias nos tempos do Messias: “Vou mandar-vos o profeta Elias, antes que venha o grande e temível Dia do Senhor” (Ml 3,23). Jesus transfigurado é a palavra definitiva de Deus aos homens: “Escutai-O!” (Mt 9,5).

Em direção às alegrias pascais, a Igreja faz memória, na força do Espírito Santo, do evento da transfiguração de Jesus. Na realidade, ele é a manifestação do Senhor como filho amado de Deus, palavra definitiva aos homens – seu caminho de filho obediente O conduzirá a desfiguração da cruz e a glorificação total da ressurreição. Ora, nesse sentido, os fiéis são chamados a se descobrirem “filhos no Filho” e encarnarem em sua vida, através da obediência da fé, a Palavra de Cristo. De fato, o tempo da Quaresma contribui para que a experiência filial se torne mais forte: “Vós concedeis aos cristãos esperar com alegria, cada ano, a festa da Páscoa. De coração purificado, entregues à oração e à prática do amor fraterno; preparamo-nos para celebrar os mistérios pascais, que nos deram vida nova e nos tornaram filhas e filhos vossos” (prefácio da Quaresma I).

Padre Cristiano Holtz Peixoto
Autor

Padre Cristiano Holtz Peixoto

Vigário paroquial da Catedral Metropolitana