Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/10/2017

23 de Outubro de 2017

Não vos preocupeis

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24/02/2017 00:00

Não vos preocupeis 0

24/02/2017 00:00

Celebrando o oitavo domingo do Tempo Comum, a Igreja continua sua escuta do Sermão da Montanha (cf. Mt 5–7). Desta vez, o discurso de Jesus versa sobre o cuidado providente do Pai do Céu para com os seus filhos e a necessidade de reorientar toda a vida para o cumprimento da vontade de Deus. De índole poético-contemplativa, a comparação da vida com a condição de um escravo, dos pássaros e dos lírios revela a bondade divina e a decisão de colocar a Lei de Deus à frente das preocupações e ansiedades da existência humana.

O evangelho de hoje pode ser enquadrado dentro do contexto das palavras de Jesus sobre a relação dos discípulos com os bens materiais. Tais palavras podem ser divididas em quatro partes: “Ajuntai vosso tesouro no céu” (Mt 6,19-21); “O olho é lâmpada do corpo” (Mt 6,22-23); “Não podeis servir a dois senhores” (Mt 6,24) e “Buscai primeiro o Reino de Deus e tudo mais vos será acrescentado” (Mt 6,26-34). Desta forma, a terceira e a quarta parte formam o texto escutado na liturgia da palavra dominical.

Dentro de uma perspectiva sapiencial, Jesus faz uma analogia entre a impossibilidade de um escravo prestar obediência a dois patrões e o discípulo, a Deus e ao dinheiro: “ou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro” (Mt 6,24). Assim, se impõe uma necessidade de decisão: ou se abrir para o serviço a Deus, no cumprimento do seu mandamento de amar o próximo, ou se fechar no próprio egoísmo na vontade de acumular para si. Mais ainda, pois, da maneira como está escrito o texto evangélico, a ganância do homem aparece como idolatria. De fato, a busca pela riqueza acaba por se tornar o sentido global da vida, reconfigurando todos os relacionamentos e encaixando-os nas categorias pragmáticas de “descartáveis” e “úteis”. Neste sentido, até mesmo “Deus” só é “necessário” se me der alguma coisa e se me ajudar a conquistar algum bem.

Depois, Jesus começa a falar sobre a preocupação com o futuro – uma das inquietações mais fortes para justificar o acúmulo de bens: “não vos preocupeis com a vossa vida, com o que havereis de comer ou beber; nem com o vosso corpo, com o que havereis de vestir” (Mt 6,25). Mais uma vez, fazendo recurso do gênero sapiencial, Ele desenvolve duas comparações para responder a aflição pelo alimento e pela vestimenta: “Olhai os pássaros dos céus: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em armazéns. No entanto, vosso Pai que está nos céus os alimenta. Olhai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. Porém, eu vos digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles” (Mt 6,26.28-29). A conclusão de tudo isso é que a providência divina cuidará do discípulo: “Portanto, não vos preocupeis dizendo: O que vamos comer? O que vamos beber? Como vamos nos vestir? Os pagãos é que procuram essas coisas. Vosso Pai, que está nos céus, sabe que precisais de tudo isso (Mt 6,31-32). Ao homem cabe se preocupar em cumprir a justiça do Reino dos Céus.

Realmente, assim como na relação entre Deus e o dinheiro, nas preocupações com o futuro, o mais importante é a obediência ao mandamento divino: “Pelo contrário, buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo” (Mt 6,33). O texto deste domingo aponta para a escolha do discípulo de colocar a sua relação com Deus em primeiro plano. Neste sentido, comentando o texto do Evangelho de Mateus, Charles de Foucauld nos deixava este testemunho: “Não nos preocupemos pelo futuro, mas em cada instante da nossa vida, façamos o que é a vontade de Deus nos pede no momento presente. Assim, não vivamos mais em nossa função, todavia, em função de Deus, não colocando nossa segurança em nós ou em outra pessoa, mas nos abandonando inteiramente em Deus, esperando tudo d’Ele”.


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24/02/2017 00:00

Celebrando o oitavo domingo do Tempo Comum, a Igreja continua sua escuta do Sermão da Montanha (cf. Mt 5–7). Desta vez, o discurso de Jesus versa sobre o cuidado providente do Pai do Céu para com os seus filhos e a necessidade de reorientar toda a vida para o cumprimento da vontade de Deus. De índole poético-contemplativa, a comparação da vida com a condição de um escravo, dos pássaros e dos lírios revela a bondade divina e a decisão de colocar a Lei de Deus à frente das preocupações e ansiedades da existência humana.

O evangelho de hoje pode ser enquadrado dentro do contexto das palavras de Jesus sobre a relação dos discípulos com os bens materiais. Tais palavras podem ser divididas em quatro partes: “Ajuntai vosso tesouro no céu” (Mt 6,19-21); “O olho é lâmpada do corpo” (Mt 6,22-23); “Não podeis servir a dois senhores” (Mt 6,24) e “Buscai primeiro o Reino de Deus e tudo mais vos será acrescentado” (Mt 6,26-34). Desta forma, a terceira e a quarta parte formam o texto escutado na liturgia da palavra dominical.

Dentro de uma perspectiva sapiencial, Jesus faz uma analogia entre a impossibilidade de um escravo prestar obediência a dois patrões e o discípulo, a Deus e ao dinheiro: “ou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro” (Mt 6,24). Assim, se impõe uma necessidade de decisão: ou se abrir para o serviço a Deus, no cumprimento do seu mandamento de amar o próximo, ou se fechar no próprio egoísmo na vontade de acumular para si. Mais ainda, pois, da maneira como está escrito o texto evangélico, a ganância do homem aparece como idolatria. De fato, a busca pela riqueza acaba por se tornar o sentido global da vida, reconfigurando todos os relacionamentos e encaixando-os nas categorias pragmáticas de “descartáveis” e “úteis”. Neste sentido, até mesmo “Deus” só é “necessário” se me der alguma coisa e se me ajudar a conquistar algum bem.

Depois, Jesus começa a falar sobre a preocupação com o futuro – uma das inquietações mais fortes para justificar o acúmulo de bens: “não vos preocupeis com a vossa vida, com o que havereis de comer ou beber; nem com o vosso corpo, com o que havereis de vestir” (Mt 6,25). Mais uma vez, fazendo recurso do gênero sapiencial, Ele desenvolve duas comparações para responder a aflição pelo alimento e pela vestimenta: “Olhai os pássaros dos céus: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em armazéns. No entanto, vosso Pai que está nos céus os alimenta. Olhai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. Porém, eu vos digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles” (Mt 6,26.28-29). A conclusão de tudo isso é que a providência divina cuidará do discípulo: “Portanto, não vos preocupeis dizendo: O que vamos comer? O que vamos beber? Como vamos nos vestir? Os pagãos é que procuram essas coisas. Vosso Pai, que está nos céus, sabe que precisais de tudo isso (Mt 6,31-32). Ao homem cabe se preocupar em cumprir a justiça do Reino dos Céus.

Realmente, assim como na relação entre Deus e o dinheiro, nas preocupações com o futuro, o mais importante é a obediência ao mandamento divino: “Pelo contrário, buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo” (Mt 6,33). O texto deste domingo aponta para a escolha do discípulo de colocar a sua relação com Deus em primeiro plano. Neste sentido, comentando o texto do Evangelho de Mateus, Charles de Foucauld nos deixava este testemunho: “Não nos preocupemos pelo futuro, mas em cada instante da nossa vida, façamos o que é a vontade de Deus nos pede no momento presente. Assim, não vivamos mais em nossa função, todavia, em função de Deus, não colocando nossa segurança em nós ou em outra pessoa, mas nos abandonando inteiramente em Deus, esperando tudo d’Ele”.


Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida