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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 13/12/2019

13 de Dezembro de 2019

“O Tempo da Quaresma”

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“O Tempo da Quaresma”

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20/09/2013 15:37 - Atualizado em 23/09/2013 15:57

“O Tempo da Quaresma” 0

20/09/2013 15:37 - Atualizado em 23/09/2013 15:57

A Igreja se une todos os anos, durante os quarenta dias da quaresma, ao mistério de Jesus no deserto, com o objetivo de se preparar para a sua maior festa: a Páscoa. Assim, precisamos conhecer melhor o que é o Tempo quaresmal, como ele se estrutura, quais são as suas motivações e a sua espiritualidade própria.

 

A Quaresma

A Páscoa é a maior festa cristã, a “solenidade das solenidades”. Por isso, desde o início, os cristãos se reuniam para celebrar anualmente a Ressurreição de Cristo. Além disto, a cada domingo, dia do Senhor, a assembleia cristã também se reunia para celebrar o Mistério Pascal. Com o desenrolar do tempo, mas já desde a metade do século II d.C., os cristãos começaram a se preparar para celebrarem a Páscoa anual. Esta preparação consistia na prática do jejum. No século IV, já temos o tempo dos quarenta dias de preparação definidos. Ele estava ligado tanto a orientação dos cristãos para a Páscoa, quanto com a antiga prática de reconciliação dos penitentes e, ainda, com a preparação daqueles que receberiam o Batismo.

O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática SacrosanctumConcilium, retoma o mesmo espírito antigo da Quaresma para nós hoje, dizendo assim no nº 109: “coloque-se em maior realce os dois aspectos característicos do tempo quaresmal, que pretende, sobretudo através da recordação do Batismo ou da sua preparação e por meio da penitência, preparar os fiéis para celebrar o Mistério Pascal”. Assim, para nós, como para os cristãos da Igreja Antiga, este tempo quer nos preparar para celebramos o Tempo Pascal. Esta preparação esta assentada na recordação ou preparação para o Batismo e na penitencia.

 

A Recordação ou Preparação para o Batismo

O Batismo nos incorpora a Cristo e nos torna templos do Espírito Santo. Recordar ou preparar-se para o Batismo é procurar viver de acordo com a graça que este sacramento infunde na pessoa. A conversão e a busca de santidade são as marcas desta correspondência com a graça da Vida Nova recebida. A solidariedade entre os discípulos de Jesus deve ser manifestada através das orações de intercessão pela santidade dos batizados e dos catecúmenos. Para os iniciados, este tempo é marcado também pela celebração do sacramento da Reconciliação, no qual se recupera a graça da comunhão com Cristo.

Além disto, o cristão deve neste período meditar sobre as Sagrada Escrituras e conhecer mais a sua fé. Quando batizado, ele recebe o símbolo (profissão de fé). Este contêm as afirmações essenciais de nossa maneira de crer, de viver e de celebrar. Faz parte deste momento do Ano Litúrgico um aprofundamento no conhecimento dos artigos do Credo para melhor corresponder a ele com a vida.

 

A penitência

O tempo quaresmal está marcado pelas práticas penitenciais. Elas são um testemunho da fraqueza do homem diante do tamanho da vocação a qual ele é chamado. Por meio das penitências certas, os cristãos feridos pelo pecado podem se curar e superar suas dificuldades na prática da caridade. Três tipos de penitencias se tornaram características deste tempo: o jejum, a esmola e a oração. Estas práticas, além de serem individuas, são também comunitárias. O jejum e a abstinência da quarta-feira de cinzas e da sexta-feira santa são jejuns eclesiais. As celebrações eucarísticas e dos demais sacramentos, bem como os exercícios de piedade (as via-sacras e os terços) são também momentos comunitários de oração. As práticas de caridade em conjunto com outros cristãos podem beneficiar muito mais pessoas do que práticas isoladas. A espiritualidade penitencial da Quaresma toma conta de nossas expressões pessoais e comunitárias de fé.

 

Como se estrutura o Tempo da Quaresma

Dentro da elaboração teológica deste período do Ano Litúrgico, a Igreja o entendeu como um sacramento. O tempo visível se torna capaz de comunicar as realidades invisíveis. Nele participamos do sofrimento de Cristo para participarmos também de sua glória (cf. Rm 8,17). Inspirados nos 40 dias em que Jesus esteve no deserto sendo tentado pelo demônio, se estruturou o tempo de preparação para a Páscoa. O primeiro dia da Quaresma é a quarta-feira de cinzas. Este tempo possui seis domingos celebrativos, sendo que o sexto se chama Domingo de Ramos ou da Paixão do Senhor e com ele se inicia a Semana Santa. As leituras das celebrações deste período estão marcadas pela recordação do batismo ou preparação dos catecúmenos (no Ano A); pela glorificação de Cristo e dos cristãos pela cruz (no Ano B); e pelo espírito de conversão (no Ano C). Todavia, nos três anos são lidos os relatos de Jesus no deserto e da Transfiguração do Senhor, pois apresentam o caminho de mortificação necessário para os homens se transfigurarem.

 

Para aprofundar...

Para saber mais sobre o assunto, indicamos CIC, nos 1168 até 1171; no Compêndio do Catecismo, perguntas de 241 e 242; no Youcat, perguntas de 184 até 186; e, SacrosanctumConcilium, parágrafos 109 e 110.

 

 

Pe. Vitor Gino Finelon

Vice-Diretor das Escolas de Fé e Catequese

MaterEcclesiae e Luz e Vida

 

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“O Tempo da Quaresma”

20/09/2013 15:37 - Atualizado em 23/09/2013 15:57

A Igreja se une todos os anos, durante os quarenta dias da quaresma, ao mistério de Jesus no deserto, com o objetivo de se preparar para a sua maior festa: a Páscoa. Assim, precisamos conhecer melhor o que é o Tempo quaresmal, como ele se estrutura, quais são as suas motivações e a sua espiritualidade própria.

 

A Quaresma

A Páscoa é a maior festa cristã, a “solenidade das solenidades”. Por isso, desde o início, os cristãos se reuniam para celebrar anualmente a Ressurreição de Cristo. Além disto, a cada domingo, dia do Senhor, a assembleia cristã também se reunia para celebrar o Mistério Pascal. Com o desenrolar do tempo, mas já desde a metade do século II d.C., os cristãos começaram a se preparar para celebrarem a Páscoa anual. Esta preparação consistia na prática do jejum. No século IV, já temos o tempo dos quarenta dias de preparação definidos. Ele estava ligado tanto a orientação dos cristãos para a Páscoa, quanto com a antiga prática de reconciliação dos penitentes e, ainda, com a preparação daqueles que receberiam o Batismo.

O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática SacrosanctumConcilium, retoma o mesmo espírito antigo da Quaresma para nós hoje, dizendo assim no nº 109: “coloque-se em maior realce os dois aspectos característicos do tempo quaresmal, que pretende, sobretudo através da recordação do Batismo ou da sua preparação e por meio da penitência, preparar os fiéis para celebrar o Mistério Pascal”. Assim, para nós, como para os cristãos da Igreja Antiga, este tempo quer nos preparar para celebramos o Tempo Pascal. Esta preparação esta assentada na recordação ou preparação para o Batismo e na penitencia.

 

A Recordação ou Preparação para o Batismo

O Batismo nos incorpora a Cristo e nos torna templos do Espírito Santo. Recordar ou preparar-se para o Batismo é procurar viver de acordo com a graça que este sacramento infunde na pessoa. A conversão e a busca de santidade são as marcas desta correspondência com a graça da Vida Nova recebida. A solidariedade entre os discípulos de Jesus deve ser manifestada através das orações de intercessão pela santidade dos batizados e dos catecúmenos. Para os iniciados, este tempo é marcado também pela celebração do sacramento da Reconciliação, no qual se recupera a graça da comunhão com Cristo.

Além disto, o cristão deve neste período meditar sobre as Sagrada Escrituras e conhecer mais a sua fé. Quando batizado, ele recebe o símbolo (profissão de fé). Este contêm as afirmações essenciais de nossa maneira de crer, de viver e de celebrar. Faz parte deste momento do Ano Litúrgico um aprofundamento no conhecimento dos artigos do Credo para melhor corresponder a ele com a vida.

 

A penitência

O tempo quaresmal está marcado pelas práticas penitenciais. Elas são um testemunho da fraqueza do homem diante do tamanho da vocação a qual ele é chamado. Por meio das penitências certas, os cristãos feridos pelo pecado podem se curar e superar suas dificuldades na prática da caridade. Três tipos de penitencias se tornaram características deste tempo: o jejum, a esmola e a oração. Estas práticas, além de serem individuas, são também comunitárias. O jejum e a abstinência da quarta-feira de cinzas e da sexta-feira santa são jejuns eclesiais. As celebrações eucarísticas e dos demais sacramentos, bem como os exercícios de piedade (as via-sacras e os terços) são também momentos comunitários de oração. As práticas de caridade em conjunto com outros cristãos podem beneficiar muito mais pessoas do que práticas isoladas. A espiritualidade penitencial da Quaresma toma conta de nossas expressões pessoais e comunitárias de fé.

 

Como se estrutura o Tempo da Quaresma

Dentro da elaboração teológica deste período do Ano Litúrgico, a Igreja o entendeu como um sacramento. O tempo visível se torna capaz de comunicar as realidades invisíveis. Nele participamos do sofrimento de Cristo para participarmos também de sua glória (cf. Rm 8,17). Inspirados nos 40 dias em que Jesus esteve no deserto sendo tentado pelo demônio, se estruturou o tempo de preparação para a Páscoa. O primeiro dia da Quaresma é a quarta-feira de cinzas. Este tempo possui seis domingos celebrativos, sendo que o sexto se chama Domingo de Ramos ou da Paixão do Senhor e com ele se inicia a Semana Santa. As leituras das celebrações deste período estão marcadas pela recordação do batismo ou preparação dos catecúmenos (no Ano A); pela glorificação de Cristo e dos cristãos pela cruz (no Ano B); e pelo espírito de conversão (no Ano C). Todavia, nos três anos são lidos os relatos de Jesus no deserto e da Transfiguração do Senhor, pois apresentam o caminho de mortificação necessário para os homens se transfigurarem.

 

Para aprofundar...

Para saber mais sobre o assunto, indicamos CIC, nos 1168 até 1171; no Compêndio do Catecismo, perguntas de 241 e 242; no Youcat, perguntas de 184 até 186; e, SacrosanctumConcilium, parágrafos 109 e 110.

 

 

Pe. Vitor Gino Finelon

Vice-Diretor das Escolas de Fé e Catequese

MaterEcclesiae e Luz e Vida

 

Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida