Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 15/12/2018

15 de Dezembro de 2018

Confiança em Deus

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25/02/2017 00:00

Confiança em Deus 0

25/02/2017 00:00

Estamos concluindo esta etapa do Tempo Comum, celebrando o VIII Domingo deste tempo, que só retornará após a Solenidade de Pentecostes. A Palavra de Deus em Is. 49, 14-15 tem a expressão mais profunda e eloquente da ternura maternal de Deus e de Seu amor ao povo eleito e ao homem. A mãe não ama seu filho porque ele é bom, mas porque é seu filho. Deus é comparado a uma mãe carinhosa, que não esquece de seu filhinho: “Poderá uma mãe esquecer de seu filhinho, e não amar o fruto do seu ventre? Mesmo se houvesse alguma mulher capaz de esquecê-lo, Eu não te esqueceria jamais” (Is 49, 14-15).

Vemos São Paulo nos falar na Segunda Leitura desse domingo (1Cor 4,1-5): ele não quer ser outra coisa que um simples servidor de Cristo. Ora, porque ama o seu Senhor, porque deseja somente servi-Lo, é livre em relação a si próprio e em relação aos outros: “Quem me julga é o Senhor”! Quanta liberdade, quanta serenidade, quanta felicidade para quem vive assim!

Hoje, o Senhor Jesus nos dirige no Evangelho (cf. Mt 6,24-34), palavras, sem dúvida, belíssimas; palavras tantas vezes ouvidas e repetidas. São palavras reais, dignas de serem levadas a sério no concreto do mundo, na crueza da dura e inclemente realidade? A questão é importantíssima, porque se as palavras do nosso Divino Mestre forem belas, mas irreais, poéticas, mas inúteis, então, o Evangelho não nos serve de luz, e caminho, de critério para a vida! Palavras belas que não tenham consistência real seriam palavras inúteis e mentirosas, como tantas que escutamos nos dias atuais, tão fartos de comunicação! Ora, longe do Senhor Nosso a mentira, longe do nosso Salvador a inutilidade do dizer! Pelo contrário, Ele mesmo avisa: “Sereis julgados por cada palavra inútil que disserdes!” (Mt 12,36).

O Senhor nos quer exortar, caríssimos, fazendo-nos compreender que o discípulo Seu, o cristão, deve ter como opção fundamental da vida, como eixo da existência unicamente o Reinado de Deus: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo”! Procurai que o Pai do céu seja o vosso tudo, deixai que o Senhor Deus seja o alicerce, o eixo, o indicador do vosso caminho na vida! E aí, tudo o mais vai se tornando relativo, tudo o mais vai sendo encarado e vivenciado com liberdade, com serenidade, com sabedoria! O Senhor nos pede que deixemos Deus ser Deus na nossa vida e na vida do mundo; todo o resto deve ser avaliado e vivenciado a partir daí. É a partir desta realidade, deste modo de viver, que nossa vida se arruma, nosso coração se aquieta e tudo quanto nos acontece toma um novo sentido! Somente poderemos compreender a nossa realidade e as realidades do mundo se estivermos firmes na verdadeira Realidade, que é Deus!

O Senhor dá-nos este conselho: “Não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações! Para cada dia bastam seus próprios problemas” (Mt 6, 34). “E porque ficais preocupados com a roupa?” (Mt 6, 28). Jesus não diz que não nos ocupemos das coisas que se referem ao alimento e ao vestuário, mas que não nos preocupemos com desassossego e perturbação dessas coisas. É como se dissesse: “Não vos preocupeis excessivamente com os bens materiais, ainda que necessários à vida; não estais sobre a terra para aqui viverdes imersos em pensamentos de coisas materiais, sois filhos de Deus, bem superiores às flores do campo e às aves do céu. Deus pensará em vós, mais do que pensa nas outras criaturas e vos dará o necessário”.

“Para cada dia bastam seus próprios problemas”. O ontem já passou; o amanhã não sabemos se chegará para cada um de nós, pois a ninguém foi entregue o seu porvir. Do dia de ontem, só ficaram muitos motivos de ação de graças pelos inúmeros benefícios e ajudas de Deus, bem como daqueles que convivem conosco. Com certeza pudemos aumentar, nem que fosse um pouco, o nosso tesouro no Céu. Podemos dizer do dia de ontem, com palavras do salmista: “O Senhor tornou-se o meu apoio, libertou-me da angústia e salvou-me porque me ama”. (Sl 17, 19-20)

Portanto, acolhamos de coração aberto e bem o dia que estamos vivendo! Todos os dias da nossa vida estão presididos por Deus, que tanto nos quer. E só temos capacidade para viver o presente! Agora que estamos às portas do novo tempo, a Quaresma, que seja a oportunidade de uma grande renovação de nossa vida cristã.

 

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25/02/2017 00:00

Estamos concluindo esta etapa do Tempo Comum, celebrando o VIII Domingo deste tempo, que só retornará após a Solenidade de Pentecostes. A Palavra de Deus em Is. 49, 14-15 tem a expressão mais profunda e eloquente da ternura maternal de Deus e de Seu amor ao povo eleito e ao homem. A mãe não ama seu filho porque ele é bom, mas porque é seu filho. Deus é comparado a uma mãe carinhosa, que não esquece de seu filhinho: “Poderá uma mãe esquecer de seu filhinho, e não amar o fruto do seu ventre? Mesmo se houvesse alguma mulher capaz de esquecê-lo, Eu não te esqueceria jamais” (Is 49, 14-15).

Vemos São Paulo nos falar na Segunda Leitura desse domingo (1Cor 4,1-5): ele não quer ser outra coisa que um simples servidor de Cristo. Ora, porque ama o seu Senhor, porque deseja somente servi-Lo, é livre em relação a si próprio e em relação aos outros: “Quem me julga é o Senhor”! Quanta liberdade, quanta serenidade, quanta felicidade para quem vive assim!

Hoje, o Senhor Jesus nos dirige no Evangelho (cf. Mt 6,24-34), palavras, sem dúvida, belíssimas; palavras tantas vezes ouvidas e repetidas. São palavras reais, dignas de serem levadas a sério no concreto do mundo, na crueza da dura e inclemente realidade? A questão é importantíssima, porque se as palavras do nosso Divino Mestre forem belas, mas irreais, poéticas, mas inúteis, então, o Evangelho não nos serve de luz, e caminho, de critério para a vida! Palavras belas que não tenham consistência real seriam palavras inúteis e mentirosas, como tantas que escutamos nos dias atuais, tão fartos de comunicação! Ora, longe do Senhor Nosso a mentira, longe do nosso Salvador a inutilidade do dizer! Pelo contrário, Ele mesmo avisa: “Sereis julgados por cada palavra inútil que disserdes!” (Mt 12,36).

O Senhor nos quer exortar, caríssimos, fazendo-nos compreender que o discípulo Seu, o cristão, deve ter como opção fundamental da vida, como eixo da existência unicamente o Reinado de Deus: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo”! Procurai que o Pai do céu seja o vosso tudo, deixai que o Senhor Deus seja o alicerce, o eixo, o indicador do vosso caminho na vida! E aí, tudo o mais vai se tornando relativo, tudo o mais vai sendo encarado e vivenciado com liberdade, com serenidade, com sabedoria! O Senhor nos pede que deixemos Deus ser Deus na nossa vida e na vida do mundo; todo o resto deve ser avaliado e vivenciado a partir daí. É a partir desta realidade, deste modo de viver, que nossa vida se arruma, nosso coração se aquieta e tudo quanto nos acontece toma um novo sentido! Somente poderemos compreender a nossa realidade e as realidades do mundo se estivermos firmes na verdadeira Realidade, que é Deus!

O Senhor dá-nos este conselho: “Não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações! Para cada dia bastam seus próprios problemas” (Mt 6, 34). “E porque ficais preocupados com a roupa?” (Mt 6, 28). Jesus não diz que não nos ocupemos das coisas que se referem ao alimento e ao vestuário, mas que não nos preocupemos com desassossego e perturbação dessas coisas. É como se dissesse: “Não vos preocupeis excessivamente com os bens materiais, ainda que necessários à vida; não estais sobre a terra para aqui viverdes imersos em pensamentos de coisas materiais, sois filhos de Deus, bem superiores às flores do campo e às aves do céu. Deus pensará em vós, mais do que pensa nas outras criaturas e vos dará o necessário”.

“Para cada dia bastam seus próprios problemas”. O ontem já passou; o amanhã não sabemos se chegará para cada um de nós, pois a ninguém foi entregue o seu porvir. Do dia de ontem, só ficaram muitos motivos de ação de graças pelos inúmeros benefícios e ajudas de Deus, bem como daqueles que convivem conosco. Com certeza pudemos aumentar, nem que fosse um pouco, o nosso tesouro no Céu. Podemos dizer do dia de ontem, com palavras do salmista: “O Senhor tornou-se o meu apoio, libertou-me da angústia e salvou-me porque me ama”. (Sl 17, 19-20)

Portanto, acolhamos de coração aberto e bem o dia que estamos vivendo! Todos os dias da nossa vida estão presididos por Deus, que tanto nos quer. E só temos capacidade para viver o presente! Agora que estamos às portas do novo tempo, a Quaresma, que seja a oportunidade de uma grande renovação de nossa vida cristã.

 

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro