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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/10/2018

21 de Outubro de 2018

Amar ao inimigo

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19/02/2017 00:00 - Atualizado em 22/02/2017 10:58

Amar ao inimigo 0

19/02/2017 00:00 - Atualizado em 22/02/2017 10:58

Estamos chegando aos últimos domingos dessa época do Tempo Comum, pois a Quaresma já está às portas. Neste VII Domingo do Tempo Comum continuamos a ouvir o Sermão da Montanha, que nos convida a viver como novas criaturas com a graça de Deus. Ser Santo é a nossa vocação universal. São passos importantes em nossa vida cristã para sermos sinais da presença de Cristo no mundo, seja pela nossa vida, seja pela vida da comunidade católica. Cada domingo somos chamados a nos reunir para a santa Eucaristia dominical, na qual encontramos o Ressuscitado, alimentamo-nos da sua Palavra e nutrimo-nos do seu Corpo Sagrado. Com efeito, ele está conosco, ele nos fala, ele se dá a nós, totalmente! Ouvir o Senhor, alimentar-se dele, significa abrir-se para ele porque n’Ele cremos.

Um belo anúncio aparece na Segunda Leitura deste domingo (cf. 1Cor 3,16-23): São Paulo nos convida a ter plena consciência de que não nos pertencemos: “Irmãos, acaso não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus mora em vós?” Somos santuário de Deus, isto é, somos templo, morada do seu Santo Espírito, aquele Espírito que Jesus morto e ressuscitado derramou em nossos corações desde o nosso batismo. Então, como poderíamos viver do nosso jeito? Como poderíamos seguir a lógica da moda, da maioria, do mundo atual? Como poderíamos abraçar a louca e tola sabedoria do mundo de hoje? Que palavras claras e escandalosas as do Apóstolo: Ninguém se iluda: se algum de vós pensa que é sábio nas coisas deste mundo, reconheça sua insensatez para se tornar sábio de verdade; pois a sabedoria deste mundo é insensatez diante de Deus”! (cf. 1Cor 18-19a)

No Evangelho (Mt 5, 38-48) Jesus nos convida a amar a todos, sem nenhuma discriminação, pois assim seremos perfeitos como o Pai Celeste é perfeito. O Senhor nos convida a sermos santos como Ele é santo! A santidade a que somos chamados consiste em fazer a vontade de Deus nosso Pai, que ama a todos, sem distinção. Diz-nos São Paulo: “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (1Ts 4, 3). Jesus nos convida a viver a caridade para além dos critérios humanos.

“Àquele que te fere na face direita, oferece-lhe também a esquerda” (Mt 5, 39). Diante da lei do talião, Jesus Cristo estabelece novas bases – o amor, o perdão das ofensas, a superação do orgulho – sobre as quais os homens hão de atender a uma defesa razoável dos seus direitos.  Ensina Jesus: “Amai os vossos inimigos, rezai por aqueles que vos perseguem e caluniam” (Mt 5, 44). Devemos também viver a caridade com aqueles que nos tratam mal, que nos difamam e roubam a honra, que procuram positivamente prejudicar-nos. O Senhor deu-nos exemplo disso na Cruz, e os discípulos seguiram o mesmo caminho do Mestre. Ele nos ensinou a não ter inimigos pessoais – como o testemunharam heroicamente os santos de todas as épocas – e a considerar o pecado como o único mal verdadeiro.

Se pensarmos bem, é a uma atitude assim que a Palavra de Deus hoje nos convida. O Senhor Deus nos diz: Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo”; depois, no Evangelho, insiste: Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”! Em outras palavras: Sede como o vosso Deus, deixai-vos invadir por Ele, transformar por Ele! Deixai que Ele seja o lastro, o alicerce, o fundamento, o rumo da vossa vida! Crer n’Ele e deixar-se invadir por Ele, e ir assumindo seus sentimentos, seus pensamentos, seus desígnios.

Observai como na Primeira Leitura (cf. Lv 19,1-2.17-18) o Senhor Deus afirma: “Eu sou o Senhor”! Se eu sou o Senhor para vós, sede santos como eu, tende um coração como o meu: não guardes ódio no coração, não te vingues, repreende o teu próximo com bom coração, ama de verdade o próximo como a ti mesmo!

Amor aos inimigos, aos que nos odeiam, aos que nos maltratam, aos que nos perseguem e aos que falam mal de nós. Não excluímos os que difamam a Igreja e os que injuriam os ministros de Deus, nem os insensatos que afirmam disparates contra a fé e os bons costumes, tentando corromper a família, a juventude e as crianças. Também estes devem ser objetos do nosso amor que perdoa. Enfim, todos os que nos consideram inimigos – nós, ao contrário, não somos inimigos de ninguém – se sintam amados por nós. O amor de Cristo não conhece fronteiras e nós, seus discípulos, também devemos desconhecê-las.

Portanto, graças sejam dadas ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo que quis difundir o amor que há entre Eles às suas criaturas inteligentes. É verdade, Deus foi crucificado por amar. É verdade, talvez sejamos crucificados por amar. 

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19/02/2017 00:00 - Atualizado em 22/02/2017 10:58

Estamos chegando aos últimos domingos dessa época do Tempo Comum, pois a Quaresma já está às portas. Neste VII Domingo do Tempo Comum continuamos a ouvir o Sermão da Montanha, que nos convida a viver como novas criaturas com a graça de Deus. Ser Santo é a nossa vocação universal. São passos importantes em nossa vida cristã para sermos sinais da presença de Cristo no mundo, seja pela nossa vida, seja pela vida da comunidade católica. Cada domingo somos chamados a nos reunir para a santa Eucaristia dominical, na qual encontramos o Ressuscitado, alimentamo-nos da sua Palavra e nutrimo-nos do seu Corpo Sagrado. Com efeito, ele está conosco, ele nos fala, ele se dá a nós, totalmente! Ouvir o Senhor, alimentar-se dele, significa abrir-se para ele porque n’Ele cremos.

Um belo anúncio aparece na Segunda Leitura deste domingo (cf. 1Cor 3,16-23): São Paulo nos convida a ter plena consciência de que não nos pertencemos: “Irmãos, acaso não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus mora em vós?” Somos santuário de Deus, isto é, somos templo, morada do seu Santo Espírito, aquele Espírito que Jesus morto e ressuscitado derramou em nossos corações desde o nosso batismo. Então, como poderíamos viver do nosso jeito? Como poderíamos seguir a lógica da moda, da maioria, do mundo atual? Como poderíamos abraçar a louca e tola sabedoria do mundo de hoje? Que palavras claras e escandalosas as do Apóstolo: Ninguém se iluda: se algum de vós pensa que é sábio nas coisas deste mundo, reconheça sua insensatez para se tornar sábio de verdade; pois a sabedoria deste mundo é insensatez diante de Deus”! (cf. 1Cor 18-19a)

No Evangelho (Mt 5, 38-48) Jesus nos convida a amar a todos, sem nenhuma discriminação, pois assim seremos perfeitos como o Pai Celeste é perfeito. O Senhor nos convida a sermos santos como Ele é santo! A santidade a que somos chamados consiste em fazer a vontade de Deus nosso Pai, que ama a todos, sem distinção. Diz-nos São Paulo: “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (1Ts 4, 3). Jesus nos convida a viver a caridade para além dos critérios humanos.

“Àquele que te fere na face direita, oferece-lhe também a esquerda” (Mt 5, 39). Diante da lei do talião, Jesus Cristo estabelece novas bases – o amor, o perdão das ofensas, a superação do orgulho – sobre as quais os homens hão de atender a uma defesa razoável dos seus direitos.  Ensina Jesus: “Amai os vossos inimigos, rezai por aqueles que vos perseguem e caluniam” (Mt 5, 44). Devemos também viver a caridade com aqueles que nos tratam mal, que nos difamam e roubam a honra, que procuram positivamente prejudicar-nos. O Senhor deu-nos exemplo disso na Cruz, e os discípulos seguiram o mesmo caminho do Mestre. Ele nos ensinou a não ter inimigos pessoais – como o testemunharam heroicamente os santos de todas as épocas – e a considerar o pecado como o único mal verdadeiro.

Se pensarmos bem, é a uma atitude assim que a Palavra de Deus hoje nos convida. O Senhor Deus nos diz: Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo”; depois, no Evangelho, insiste: Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”! Em outras palavras: Sede como o vosso Deus, deixai-vos invadir por Ele, transformar por Ele! Deixai que Ele seja o lastro, o alicerce, o fundamento, o rumo da vossa vida! Crer n’Ele e deixar-se invadir por Ele, e ir assumindo seus sentimentos, seus pensamentos, seus desígnios.

Observai como na Primeira Leitura (cf. Lv 19,1-2.17-18) o Senhor Deus afirma: “Eu sou o Senhor”! Se eu sou o Senhor para vós, sede santos como eu, tende um coração como o meu: não guardes ódio no coração, não te vingues, repreende o teu próximo com bom coração, ama de verdade o próximo como a ti mesmo!

Amor aos inimigos, aos que nos odeiam, aos que nos maltratam, aos que nos perseguem e aos que falam mal de nós. Não excluímos os que difamam a Igreja e os que injuriam os ministros de Deus, nem os insensatos que afirmam disparates contra a fé e os bons costumes, tentando corromper a família, a juventude e as crianças. Também estes devem ser objetos do nosso amor que perdoa. Enfim, todos os que nos consideram inimigos – nós, ao contrário, não somos inimigos de ninguém – se sintam amados por nós. O amor de Cristo não conhece fronteiras e nós, seus discípulos, também devemos desconhecê-las.

Portanto, graças sejam dadas ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo que quis difundir o amor que há entre Eles às suas criaturas inteligentes. É verdade, Deus foi crucificado por amar. É verdade, talvez sejamos crucificados por amar. 

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro