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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/10/2018

21 de Outubro de 2018

A Igreja Catedral

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A Igreja Catedral

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21/02/2017 00:00 - Atualizado em 22/02/2017 10:34

A Igreja Catedral 0

21/02/2017 00:00 - Atualizado em 22/02/2017 10:34

Etimologicamente, a palavra Igreja (do grego ekklesia) significa assembleia; mais especificamente, no uso cristão, assembleia do Povo de Deus. Só num sentido derivado, tomando o recinto pelas pessoas nele reunidas, é que passou a significar um lugar de culto, com as características que veremos.

Originalmente, a primitiva comunidade cristã não tinha lugares especiais de culto. Este, conforme atestamos claramente nos Atos dos Apóstolos, celebrava-se em casas particulares (ecclesia domi). Nos tempos apostólicos, porém, parece ter havido a reserva de certos lugares, em casas de famílias mais situadas economicamente, como salas de reunião, principalmente para a celebração dos sagrados mistérios (domus ecclesiae). Inclusive, parece que os “títulos” das igrejas se referiam inicialmente ao nome da família que acolhia em sua casa a assembleia litúrgica cristã. Como o cristianismo não era uma religião legal, não podia possuir oficialmente templos ou outros lugares próprios. Contudo, os colegia funerária, tão típicos do direito romano, serviram, nos três primeiros séculos, para encobrir as propriedades eclesiásticas, incluindo as catacumbas, onde também eram celebradas as funções sagradas nos tempos de perseguição. É provável ainda que a tolerância, que com frequência existia nas províncias romanas, em face da nova religião, tenha facilitado, sob uma ou outra ficção jurídica, a construção dos templos cristãos. Pelo menos, isso dá a entender o fato, citado pelo historiador Eusébio, de o imperador Diocleciano ter confiscado ou derrubado, durante sua perseguição, numerosas igrejas.

Com a grande graça que a Divina Providência nos concedeu de elevar ao Episcopado o Cura da Catedral, Dom Joel Portella Amado, nós tivemos que prover a Sé de um novo Cura e Pároco. Ouvido o Conselho Episcopal e o Cabido Metropolitano, houvemos por bem nomear o Padre Claudio do Santos como novo Cura da Catedral Metropolitana de São Sebastião e Pároco da Paróquia de São Sebastião. A sua posse canônica foi no dia 18 de fevereiro, em cerimônia por nós presidida na Sé Catedral. Ao mesmo tempo, conforme acolhimento do nosso Colendo Cabido Metropolitano, o novo Cura e Pároco foi associado ao Cabido dos Cônegos como Cônego efetivo.

A Igreja Catedral é a Igreja Mãe de toda a Igreja Particular. Nela está a Cátedra do Bispo Diocesano e nela se celebram as principais comemorações da vida diocesana, como a Missa de Consagração dos Santos Óleos e da Instituição da Eucaristia. Nela se celebram as principais solenidades da Diocese, como o início do ministério do Bispo Diocesano, como pastor próprio da porção do povo de Deus que lhe confiou o Bispo de Roma. Nela se celebram as sagrações episcopais dos bispos auxiliares, as ordenações dos sacerdotes e dos diáconos. As missas da Unidade Diocesana e do padroeiro São Sebastião também são celebradas na Sé Catedral, assim como todas as demais concentrações diocesanas.

O termo catedral deriva do latim “ecclesia cathedralis”, e é utilizado para designar a igreja que contém a cátedra oficial do bispo. O adjetivo cathedra foi ao longo dos tempos assumindo o caráter de substantivo, e é hoje o termo mais comumente utilizado para designar estas igrejas. O termo “ecclesia cathedralis” foi aparentemente utilizado pela primeira vez nos atos do Concílio de Tarragona, em 516. Outra designação que era utilizada para ecclesia cathedralis era “ecclesia mater”, ou Igreja-Mãe, indicando-se assim que esta seria a Igreja "Mãe" da Diocese. Outro nome ainda era “ecclesia major, ou Igreja-Mor. Também por ser considerada a casa principal de Deus na região, a ecclesia cathedralis era designada como “Domus Dei", de onde deriva a palavra italiana Duomo e o prefixo germânico dom- para designar "igreja". Em português, utiliza-se o termo sé catedral — ou apenas "sé" — para designar uma Catedral, sendo esta designação derivada da palavra "Sede", como em Santa Sé (Santa Sede).

Quanto às celebrações na catedral, a Sacrosanctum Concilium nos fala no número 41: “todos devem dar a maior importância à vida litúrgica da diocese que gravita em torno do bispo, sobretudo na igreja catedral: convencidos de que a principal manifestação da Igreja se faz numa participação perfeita e ativa de todo o povo santo de Deus na mesma celebração litúrgica, especialmente na mesma Eucaristia, numa única oração, num só altar a que preside o bispo rodeado pelo seu presbitério e pelos seus ministros”.

Na Sé Catedral encontra-se a Cátedra do Bispo, ou seja, a cadeira de onde o Bispo Diocesano exercita uma das suas três missões fundamentais, que é o “munus docendi”, ou seja, o múnus do Bispo Diocesano de ensinar as verdades da fé para os seus Diocesanos.

Na Sé Catedral encontra-se a Cripta dos Bispos, aonde são inumados os corpos dos bispos falecidos. Por uma disposição especial de Dom Jaime de Barros Câmara, nesta mesma Cripta dos Bispos tem espaços para os fiéis que queiram depositar os ossos ou as cinzas dos seus entes queridos.

Nas grandes cidades, as Catedrais, devido ao local geográfico onde se encontram, sofrem da ausência de fiéis residentes em seus territórios. Via de regra, estas regiões, outrora muito povoadas, hoje são apenas providas de comércios, escritórios e salas comerciais, que são utilizados mais durante os dias de semana, o que torna a sua ação pastoral desafiadora. Em muitos lugares são oferecidas celebrações, ao meio dia, no horário do almoço, para que os fiéis que trabalham na região do centro da cidade possam acorrer na Catedral para participar da Santa Missa, para se confessar ou mesmo para um aconselhamento com o pároco ou o seu vigário.

Muitas vezes, a proximidade do metrô ou dos ônibus faz com que as pessoas que moram nos bairros das cidades possam participar da vida pastoral da Catedral.

O Bispo Diocesano, ao prover o ofício de Cura da Catedral de um pároco, quer lembrar a todos que a obrigação pastoral, primeira da Catedral, é do Bispo Diocesano, que nomeia um Cura para fazer as suas vezes. E, como em todas as paróquias, o Pároco da Paróquia de São Sebastião é aquele que vai dinamizar a vida pastoral da sua circunscrição paroquial. Desejo, pois, de coração, ao Reverendo Cônego Cláudio dos Santos que no seu ofício de Cura e de Pároco da Catedral e da Paróquia acolha a todos os fiéis, particularmente os peregrinos que acorrem à Igreja Mãe para manifestar o rosto misericordioso do Pai. Que nunca lhe falte a graça de Deus e a proteção de São Sebastião.

 

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A Igreja Catedral

21/02/2017 00:00 - Atualizado em 22/02/2017 10:34

Etimologicamente, a palavra Igreja (do grego ekklesia) significa assembleia; mais especificamente, no uso cristão, assembleia do Povo de Deus. Só num sentido derivado, tomando o recinto pelas pessoas nele reunidas, é que passou a significar um lugar de culto, com as características que veremos.

Originalmente, a primitiva comunidade cristã não tinha lugares especiais de culto. Este, conforme atestamos claramente nos Atos dos Apóstolos, celebrava-se em casas particulares (ecclesia domi). Nos tempos apostólicos, porém, parece ter havido a reserva de certos lugares, em casas de famílias mais situadas economicamente, como salas de reunião, principalmente para a celebração dos sagrados mistérios (domus ecclesiae). Inclusive, parece que os “títulos” das igrejas se referiam inicialmente ao nome da família que acolhia em sua casa a assembleia litúrgica cristã. Como o cristianismo não era uma religião legal, não podia possuir oficialmente templos ou outros lugares próprios. Contudo, os colegia funerária, tão típicos do direito romano, serviram, nos três primeiros séculos, para encobrir as propriedades eclesiásticas, incluindo as catacumbas, onde também eram celebradas as funções sagradas nos tempos de perseguição. É provável ainda que a tolerância, que com frequência existia nas províncias romanas, em face da nova religião, tenha facilitado, sob uma ou outra ficção jurídica, a construção dos templos cristãos. Pelo menos, isso dá a entender o fato, citado pelo historiador Eusébio, de o imperador Diocleciano ter confiscado ou derrubado, durante sua perseguição, numerosas igrejas.

Com a grande graça que a Divina Providência nos concedeu de elevar ao Episcopado o Cura da Catedral, Dom Joel Portella Amado, nós tivemos que prover a Sé de um novo Cura e Pároco. Ouvido o Conselho Episcopal e o Cabido Metropolitano, houvemos por bem nomear o Padre Claudio do Santos como novo Cura da Catedral Metropolitana de São Sebastião e Pároco da Paróquia de São Sebastião. A sua posse canônica foi no dia 18 de fevereiro, em cerimônia por nós presidida na Sé Catedral. Ao mesmo tempo, conforme acolhimento do nosso Colendo Cabido Metropolitano, o novo Cura e Pároco foi associado ao Cabido dos Cônegos como Cônego efetivo.

A Igreja Catedral é a Igreja Mãe de toda a Igreja Particular. Nela está a Cátedra do Bispo Diocesano e nela se celebram as principais comemorações da vida diocesana, como a Missa de Consagração dos Santos Óleos e da Instituição da Eucaristia. Nela se celebram as principais solenidades da Diocese, como o início do ministério do Bispo Diocesano, como pastor próprio da porção do povo de Deus que lhe confiou o Bispo de Roma. Nela se celebram as sagrações episcopais dos bispos auxiliares, as ordenações dos sacerdotes e dos diáconos. As missas da Unidade Diocesana e do padroeiro São Sebastião também são celebradas na Sé Catedral, assim como todas as demais concentrações diocesanas.

O termo catedral deriva do latim “ecclesia cathedralis”, e é utilizado para designar a igreja que contém a cátedra oficial do bispo. O adjetivo cathedra foi ao longo dos tempos assumindo o caráter de substantivo, e é hoje o termo mais comumente utilizado para designar estas igrejas. O termo “ecclesia cathedralis” foi aparentemente utilizado pela primeira vez nos atos do Concílio de Tarragona, em 516. Outra designação que era utilizada para ecclesia cathedralis era “ecclesia mater”, ou Igreja-Mãe, indicando-se assim que esta seria a Igreja "Mãe" da Diocese. Outro nome ainda era “ecclesia major, ou Igreja-Mor. Também por ser considerada a casa principal de Deus na região, a ecclesia cathedralis era designada como “Domus Dei", de onde deriva a palavra italiana Duomo e o prefixo germânico dom- para designar "igreja". Em português, utiliza-se o termo sé catedral — ou apenas "sé" — para designar uma Catedral, sendo esta designação derivada da palavra "Sede", como em Santa Sé (Santa Sede).

Quanto às celebrações na catedral, a Sacrosanctum Concilium nos fala no número 41: “todos devem dar a maior importância à vida litúrgica da diocese que gravita em torno do bispo, sobretudo na igreja catedral: convencidos de que a principal manifestação da Igreja se faz numa participação perfeita e ativa de todo o povo santo de Deus na mesma celebração litúrgica, especialmente na mesma Eucaristia, numa única oração, num só altar a que preside o bispo rodeado pelo seu presbitério e pelos seus ministros”.

Na Sé Catedral encontra-se a Cátedra do Bispo, ou seja, a cadeira de onde o Bispo Diocesano exercita uma das suas três missões fundamentais, que é o “munus docendi”, ou seja, o múnus do Bispo Diocesano de ensinar as verdades da fé para os seus Diocesanos.

Na Sé Catedral encontra-se a Cripta dos Bispos, aonde são inumados os corpos dos bispos falecidos. Por uma disposição especial de Dom Jaime de Barros Câmara, nesta mesma Cripta dos Bispos tem espaços para os fiéis que queiram depositar os ossos ou as cinzas dos seus entes queridos.

Nas grandes cidades, as Catedrais, devido ao local geográfico onde se encontram, sofrem da ausência de fiéis residentes em seus territórios. Via de regra, estas regiões, outrora muito povoadas, hoje são apenas providas de comércios, escritórios e salas comerciais, que são utilizados mais durante os dias de semana, o que torna a sua ação pastoral desafiadora. Em muitos lugares são oferecidas celebrações, ao meio dia, no horário do almoço, para que os fiéis que trabalham na região do centro da cidade possam acorrer na Catedral para participar da Santa Missa, para se confessar ou mesmo para um aconselhamento com o pároco ou o seu vigário.

Muitas vezes, a proximidade do metrô ou dos ônibus faz com que as pessoas que moram nos bairros das cidades possam participar da vida pastoral da Catedral.

O Bispo Diocesano, ao prover o ofício de Cura da Catedral de um pároco, quer lembrar a todos que a obrigação pastoral, primeira da Catedral, é do Bispo Diocesano, que nomeia um Cura para fazer as suas vezes. E, como em todas as paróquias, o Pároco da Paróquia de São Sebastião é aquele que vai dinamizar a vida pastoral da sua circunscrição paroquial. Desejo, pois, de coração, ao Reverendo Cônego Cláudio dos Santos que no seu ofício de Cura e de Pároco da Catedral e da Paróquia acolha a todos os fiéis, particularmente os peregrinos que acorrem à Igreja Mãe para manifestar o rosto misericordioso do Pai. Que nunca lhe falte a graça de Deus e a proteção de São Sebastião.

 

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro