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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 24/11/2017

24 de Novembro de 2017

Noventa anos de sabedoria

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Noventa anos de sabedoria 0

20/02/2017 15:49 - Atualizado em 20/02/2017 15:49

É assim que gostaria de definir o nosso nonagenário padre Jesus Hortal Sànchez, SJ. Descendente de reitores da Universidade de Salamanca, parece ter incorporado na alma a ilustração dessa instituição centenária. Mas, a consolidação de todos os saberes se deu na vivência jesuítica. Padre Hortal é um jesuíta de vocação inabalável que viveu e vive intensamente as regras da Ordem e tem, nos exercícios espirituais de Santo Inácio, o seu guia cotidiano. Ali, razão e afetos, se unem para a maior glória de Deus. É nessa potência de energia que padre Hortal chega, com sua impressionante vitalidade, aos 90 anos. 

Companheiro afetuoso, trata a todos igualmente, com algumas preferências é claro. Afinal é humano como todos nós. Pelos menos na PUC-Rio não conheço nenhum subordinado seu que lhe faça qualquer restrição. Ao contrário, só elogios. Ainda me recordo bem quando deixou a direção de Departamento de Teologia para assumir a Vice-Reitoria Acadêmica, da choradeira sincera que causou entre as funcionárias. Como ele tem um semblante um tanto sisudo, não imaginava que corresse tanto afeto naquele pequeno mundo, coisa rara na vida acadêmica, lugar de vaidades e golpes traiçoeiros. Quem conhece alguma pensa que conhece tudo. Pura presunção. Jacques Rancière escreveu um livrinho muito elucidativo chamado “O mestre ignorante”, no qual defende a ideia de que a emancipação intelectual se fundamenta na ignorância. Hortal é um pesquisador sofisticado. Olha a vida com naturalidade e fez do intercâmbio a ação do seu dia-a-dia. Basta olhar o seu Facebook. Diálogo é a palavra exata para definir a sua atitude. Mesmo que não tenha como alicerce consciente de seu comportamento a máxima de Rancière, é isso que ele faz. 

Em todos os cargos que ocupou se distinguiu pelo equilíbrio e o bom senso. Do centro do Brasil, em Goiás, onde lecionou na Universidade Católica, passando por diferentes instituições do Rio Grande do Sul, até chegar à PUC-Rio, não se tem notícia de nada que possa desabonar a sua conduta. Na nossa universidade, como professor de Direito Canônico e outras disciplinas ligadas ao campo da teologia, deixava nos alunos o sentimento de estarem diante de um sábio. As funções acadêmico-administrativas que conduziu na PUC-Rio foram exercidas com um equilibrado senso de justiça e compreensão. Foi um vice-reitor acadêmico inovador e um reitor que projetou a universidade para o mundo. 

Este meu depoimento é também emotivo, é claro. Eu gosto muito do padre Hortal. Tudo que disse acima é pura verdade. E o título que encabeça esta pequena homenagem é uma expressão inteiramente de acordo com a pessoa. Padre Hortal, que Deus o conserve entre nós por muito anos. 

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20/02/2017 15:49 - Atualizado em 20/02/2017 15:49

É assim que gostaria de definir o nosso nonagenário padre Jesus Hortal Sànchez, SJ. Descendente de reitores da Universidade de Salamanca, parece ter incorporado na alma a ilustração dessa instituição centenária. Mas, a consolidação de todos os saberes se deu na vivência jesuítica. Padre Hortal é um jesuíta de vocação inabalável que viveu e vive intensamente as regras da Ordem e tem, nos exercícios espirituais de Santo Inácio, o seu guia cotidiano. Ali, razão e afetos, se unem para a maior glória de Deus. É nessa potência de energia que padre Hortal chega, com sua impressionante vitalidade, aos 90 anos. 

Companheiro afetuoso, trata a todos igualmente, com algumas preferências é claro. Afinal é humano como todos nós. Pelos menos na PUC-Rio não conheço nenhum subordinado seu que lhe faça qualquer restrição. Ao contrário, só elogios. Ainda me recordo bem quando deixou a direção de Departamento de Teologia para assumir a Vice-Reitoria Acadêmica, da choradeira sincera que causou entre as funcionárias. Como ele tem um semblante um tanto sisudo, não imaginava que corresse tanto afeto naquele pequeno mundo, coisa rara na vida acadêmica, lugar de vaidades e golpes traiçoeiros. Quem conhece alguma pensa que conhece tudo. Pura presunção. Jacques Rancière escreveu um livrinho muito elucidativo chamado “O mestre ignorante”, no qual defende a ideia de que a emancipação intelectual se fundamenta na ignorância. Hortal é um pesquisador sofisticado. Olha a vida com naturalidade e fez do intercâmbio a ação do seu dia-a-dia. Basta olhar o seu Facebook. Diálogo é a palavra exata para definir a sua atitude. Mesmo que não tenha como alicerce consciente de seu comportamento a máxima de Rancière, é isso que ele faz. 

Em todos os cargos que ocupou se distinguiu pelo equilíbrio e o bom senso. Do centro do Brasil, em Goiás, onde lecionou na Universidade Católica, passando por diferentes instituições do Rio Grande do Sul, até chegar à PUC-Rio, não se tem notícia de nada que possa desabonar a sua conduta. Na nossa universidade, como professor de Direito Canônico e outras disciplinas ligadas ao campo da teologia, deixava nos alunos o sentimento de estarem diante de um sábio. As funções acadêmico-administrativas que conduziu na PUC-Rio foram exercidas com um equilibrado senso de justiça e compreensão. Foi um vice-reitor acadêmico inovador e um reitor que projetou a universidade para o mundo. 

Este meu depoimento é também emotivo, é claro. Eu gosto muito do padre Hortal. Tudo que disse acima é pura verdade. E o título que encabeça esta pequena homenagem é uma expressão inteiramente de acordo com a pessoa. Padre Hortal, que Deus o conserve entre nós por muito anos. 

Miguel Serpa Pereira
Autor

Miguel Serpa Pereira

Professor