Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 28/06/2017

28 de Junho de 2017

A Lei do amor

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28 de Junho de 2017

A Lei do amor

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17/02/2017 00:00

A Lei do amor 0

17/02/2017 00:00

Celebrando o sexto domingo do Tempo Comum, a Igreja continua sua escuta orante do Sermão da Montanha (cf. Mt 5–7). Agora, Jesus chega ao clímax do seu discurso aos discípulos. Ele, depois de ter revelado o alcance dos mandamentos “não matarás”, “não cometerás adultério” e “não jurarás falso”, ensina o sentido dos relacionamentos humanos, desautorizando duas sentenças comuns no seu tempo (e, infelizmente, tão presentes ainda hoje): “olho por olho e dente por dente” e “amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo”. Com isso, o Mestre da Galileia pretende instaurar a justiça do Reino de Deus – manifestação do amor divino aos homens: “Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céu” (Mt 5, 20).

O texto evangélico de Mt 5,38-48 pode ser dividido em duas partes: a primeira versa sobre a lei de talião (Mt 5,38-41) e a segunda, sobre o amor aos inimigos. No final, existe ainda um imperativo conclusivo da releitura que Jesus fez dos cinco mandamentos: “Portanto, sede perfeitos como vosso Pai do Céu é perfeito” (Mt 5,42). Na realidade, temos uma moldura do discurso sobre a nova lei. Ela começa com uma exortação da superioridade da Justiça do Reino em relação a dos escribas e fariseus, e termina afirmando que tal justiça é a maneira como o próprio Deus age com os homens.

É muito interessante se pensarmos que antes de dar um código moral aos seus discípulos, Jesus estaria posicionando, em primeiro plano, a maneira como seu Pai se dirige aos homens: “Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos” (Mt 5,45). Se o Pai do Céu trata as pessoas dentro da lógica do amor, isso se visibiliza ainda mais plenamente na vida e no ministério de Jesus Cristo: “Não pensei que vim revogar a Lei ou os profetas. Não vim revogá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento” (Mt 5,17). É no testemunho do Filho de Deus que os discípulos experimentam a força da releitura dos mandamentos contida no Sermão da Montanha. Sem dúvida, a cruz é marca definitiva da vontade de Deus, identificada com o amor, o perdão e a misericórdia.

No tocante ao preceito da Lei de Talião “olho por olho, dente por dente”, apesar de na história do direito representar uma evolução em relação ao estado de livre vingança, Jesus o supera definitivamente, pois fala de um “amor” gratuito, bondoso e incondicional por aqueles que nos confrontam: “Eu, porém, vos digo: Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! Se alguém te forçar a andar um quilômetro, caminha dois com ele! Dá a quem te pedir e não vires as costas a quem te pede emprestado” (Mt 5,39-42). Os verbos “dar”, “oferecer”, caminhar” e as palavras “não virar as costas” marcam a postura substitutiva da justiça equiparativa da Lei de Talião pela prática do amor ao próximo. A questão se aprofunda ainda mais, chegando ao máximo da lei evangélica: “Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem” (Mt 5,44). Jesus rejeita a postura de fazer o bem e favorecer apenas aos familiares ou aqueles de quem se recebe um benefício. Mas, direciona seus discípulos a agirem com benevolência e a rezarem pelos inimigos e perseguidores.

A conclusão da releitura feita por Jesus dos cinco preceitos – não matarás, não cometerás adultério, não jurarás falso, olho por olho dente por dente e amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo – apresenta aos seus discípulos a Lei do amor. Ela está fundamentada na maneira como Deus Pai age com os homens e, ainda, no testemunho obediente de Jesus. A Igreja recebe assim um mandato de viver entre as pessoas um compromisso com o amor ao próximo, rejeitando toda forma de vingança e de ódio. Possa a perfeição do amor divino transparecer sempre através da atividade eclesial.


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A Lei do amor

17/02/2017 00:00

Celebrando o sexto domingo do Tempo Comum, a Igreja continua sua escuta orante do Sermão da Montanha (cf. Mt 5–7). Agora, Jesus chega ao clímax do seu discurso aos discípulos. Ele, depois de ter revelado o alcance dos mandamentos “não matarás”, “não cometerás adultério” e “não jurarás falso”, ensina o sentido dos relacionamentos humanos, desautorizando duas sentenças comuns no seu tempo (e, infelizmente, tão presentes ainda hoje): “olho por olho e dente por dente” e “amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo”. Com isso, o Mestre da Galileia pretende instaurar a justiça do Reino de Deus – manifestação do amor divino aos homens: “Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céu” (Mt 5, 20).

O texto evangélico de Mt 5,38-48 pode ser dividido em duas partes: a primeira versa sobre a lei de talião (Mt 5,38-41) e a segunda, sobre o amor aos inimigos. No final, existe ainda um imperativo conclusivo da releitura que Jesus fez dos cinco mandamentos: “Portanto, sede perfeitos como vosso Pai do Céu é perfeito” (Mt 5,42). Na realidade, temos uma moldura do discurso sobre a nova lei. Ela começa com uma exortação da superioridade da Justiça do Reino em relação a dos escribas e fariseus, e termina afirmando que tal justiça é a maneira como o próprio Deus age com os homens.

É muito interessante se pensarmos que antes de dar um código moral aos seus discípulos, Jesus estaria posicionando, em primeiro plano, a maneira como seu Pai se dirige aos homens: “Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos” (Mt 5,45). Se o Pai do Céu trata as pessoas dentro da lógica do amor, isso se visibiliza ainda mais plenamente na vida e no ministério de Jesus Cristo: “Não pensei que vim revogar a Lei ou os profetas. Não vim revogá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento” (Mt 5,17). É no testemunho do Filho de Deus que os discípulos experimentam a força da releitura dos mandamentos contida no Sermão da Montanha. Sem dúvida, a cruz é marca definitiva da vontade de Deus, identificada com o amor, o perdão e a misericórdia.

No tocante ao preceito da Lei de Talião “olho por olho, dente por dente”, apesar de na história do direito representar uma evolução em relação ao estado de livre vingança, Jesus o supera definitivamente, pois fala de um “amor” gratuito, bondoso e incondicional por aqueles que nos confrontam: “Eu, porém, vos digo: Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! Se alguém te forçar a andar um quilômetro, caminha dois com ele! Dá a quem te pedir e não vires as costas a quem te pede emprestado” (Mt 5,39-42). Os verbos “dar”, “oferecer”, caminhar” e as palavras “não virar as costas” marcam a postura substitutiva da justiça equiparativa da Lei de Talião pela prática do amor ao próximo. A questão se aprofunda ainda mais, chegando ao máximo da lei evangélica: “Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem” (Mt 5,44). Jesus rejeita a postura de fazer o bem e favorecer apenas aos familiares ou aqueles de quem se recebe um benefício. Mas, direciona seus discípulos a agirem com benevolência e a rezarem pelos inimigos e perseguidores.

A conclusão da releitura feita por Jesus dos cinco preceitos – não matarás, não cometerás adultério, não jurarás falso, olho por olho dente por dente e amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo – apresenta aos seus discípulos a Lei do amor. Ela está fundamentada na maneira como Deus Pai age com os homens e, ainda, no testemunho obediente de Jesus. A Igreja recebe assim um mandato de viver entre as pessoas um compromisso com o amor ao próximo, rejeitando toda forma de vingança e de ódio. Possa a perfeição do amor divino transparecer sempre através da atividade eclesial.


Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida