Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/10/2017

17 de Outubro de 2017

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10/02/2017 14:21 - Atualizado em 10/02/2017 14:21

Até quando? 0

10/02/2017 14:21 - Atualizado em 10/02/2017 14:21

Até quando no título não é um artifício de marketing jornalístico!

É uma interrogação profunda do ser humano, angustiado, assustado e medroso diante das realidades atuais, que envolvem tremendamente a sua vida e lhe deixa desesperado e entregue ao desânimo.

A realidade da violência urbana: assaltos, homicídios cruéis em alguns presídios no Brasil, tiroteios nas ruas das grandes cidades, que tiram a vida de crianças, de pais e de mães inocentes, de moradores das comunidades pobres, etc.

A realidade econômica, política e social: taxa de desemprego em elevação, corrupção em altos níveis de governo, empresas envolvidas em negócios fraudulentos, funcionários públicos sem salários e sem perspectiva de futuro, pessoas sem dinheiro até para a condução que as levariam ao local de trabalho, profissionais competentes e íntegros sendo, injustamente, caluniados, perseguidos, massacrados por grupinhos insignificantes etc.

A realidade cultural presente nas universidades, escolas, veículos de comunicação: mentiras; lobbies ideológicos, informações distorcidas, palavras manipuladas, imagens criativas e bastantes sugestivas, que pretendem apossar-se de conceitos valiosos e deturpá-los para o povo; filmes, novelas, debates televisivos, programas famosos com finalidades educacionais malévolas para corromperem a infância e a juventude etc.

Até quando essas realidades continuarão oprimindo, abalando, psicológica e espiritualmente, o povo brasileiro?

Qual será o tempo, o momento, a hora das soluções de todas essas questões difíceis?

Segundo o livro bíblico do Eclesiastes, que apresenta o pensamento de um sábio ancião, com o intuito de instruir os jovens, “há um momento oportuno para cada coisa debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou, tempo de matar e tempo de curar, tempo de destruir e tempo de construir, tempo de chorar e tempo de rir, tempo de lamentar e tempo de dançar, tempo de espalhar pedras e tempo de as ajuntar, tempo de abraçar e tempo de perder, tempo de guardar e tempo de jogar fora, tempo de rasgar e tempo de costurar, tempo de calar e tempo de falar, tempo do amor e tempo do ódio, tempo da guerra e tempo da paz” (cf Ecl. 3,1-8).

Nesses 14 pares de momentos oportunos, de tempos da existência humana, encontram-se os desígnios inalteráveis e misteriosos de Deus, que cabe ao homem conhecê-los, mas não transformá-los e modificá-los.

Esses tempos concretos incidem sobre a humanidade como realidades que transcendem a capacidade intelectual e moral de cada pessoa. O porquê tem que ser assim? Até quando tem que ser assim?

Acontece, porém, que chegada a plenitude dos tempos o Filho de Deus veio fazer parte da história da humanidade. Assumiu os diversos tempos, experimentou os momentos difíceis da vida, encontrou-se com situações injustas, com pessoas marginalizadas, com governantes corruptos e cruéis, presenciou fatos e acontecimentos destruidores, odiosos e que arrancavam lamentações e lágrimas da sua alma. Jesus Cristo não desanimou, nem se desesperou, nem fugiu da realidade.

Desde que a Palavra de Deus – a pessoa do Filho eterno – entrou no tempo da história dos homens, uma nova era começou: a época da salvação, que só terá o seu término no retorno glorioso de Jesus Cristo no final dos tempos.

Dessa relação de Cristo com o tempo da humanidade vem o dever de inserir o “até quando?” na dimensão salvadora.

Quando o homem do século XXI entender que a “solução de todas as soluções” já existe há mais de 2000 anos, então a realidade não mais lhe angustiará, nem lhe assustará, nem lhe amedrontará, nem sequer lhe desanimará e lhe paralisará.

Então as realidades dos tempos atuais – violências, injustiças, corrupções, manipulações ideológicas etc. – passarão a ser encaradas pelos homens e mulheres de fé cristã como um convite para “render todos os talentos divinos presentes em cada pessoa”.

Que pena viver praticando como ocupação habitual a de matar o tempo, que é um tesouro de Deus, com lamentações, críticas, acusações e fugas dos problemas reais do mundo!

Que tristeza não tirar proveito, autêntico rendimento, de todas as capacidades – muitas ou poucas – que Deus concedeu a cada homem e a cada mulher, para que ele e ela se dediquem a plantar, a construir, a ajuntar pedras, a falar, a amar, a pacificar, conforme as orientações do sábio ancião aos jovens lidas no livro do Eclesiastes!

O quando de um mundo mais justo e humano, menos violento e mais seguro e pacífico, com mais oportunidades iguais para todos os cidadãos, será um momento objetivamente real, na medida em que nós, homens e mulheres de fé, nos convencermos de que as soluções dos problemas existem, e estão muito perto de nós, estão nas nossas próprias mãos.

Não estão, exclusivamente, nas mãos dos que governam, dos que legislam, dos que julgam!

Esperar tudo da máquina estatal é um grande e cômodo erro, cometido há tempos por nós, brasileiros!

Se cada brasileiro, se cada brasileira, se cada católico perdesse essa sua “ingenuidade”, e arregaçasse as mangas, utilizando melhor o seu tempo de vida para servir à pátria, e não servir-se da pátria. Se cada um dos leitores desse artigo – e entre os quais se inclui o seu autor – aproveitar cada situação histórica, pela qual o nosso país, estado e cidade do Rio de Janeiro passa, para crescer e desenvolver a sua cidadania, e então, sim, o mundo que nos “tocou” viver, com suas diversas realidades, será muito melhor e o até quando não mais será uma pergunta, mas será uma resposta determinada e concreta.

Comecemos cada um de nós por um ponto prático. O bom exemplo de cidadão honesto! Quem cumpre com suas obrigações civis, quem trata bem a sua cidade, quem ama e reza pelo seu país, quem não é classista, nem racista, nem indolente, mas é um ousado construtor de pontes, esse estará fazendo a sua parte para a existência de um mundo melhor.

Outro ponto prático para encontrar as soluções adequadas para os problemas existentes no Brasil e no Rio de Janeiro. Paremos de reclamar, de criticar, de “sonhar”, e nos formemos melhor na inteligência e na liberdade, a fim de sermos homens responsáveis, mulheres responsáveis, dentro da nossa sociedade, que querem assumir seu papel social.

Quem se forma na fé, na ciência e na cultura acaba realmente contribuindo para uma nova e mais digna civilização, porque acaba ordenando e ajustando as realidades do mundo moderno às exigências da verdade do bem para todos.

Não era apenas uma força de expressão o que nos deixou escrito o grande apóstolo São Paulo ao mencionar os gemidos de dores de parto, que o universo inteiro emitia na espera da libertação dos filhos de Deus (Rom. 8,22).

A libertação das realidades sociais, que não são coerentes com a dignidade e com o valor inestimável de cada pessoa humana, acontecerá no tempo certo.

Acontecerá, com certeza, e continuará acontecendo todos os dias, desde que ouçamos as seguintes palavras do Papa Francisco num trecho do Discurso ao Corpo Diplomático da Cidade do Vaticano, no dia 9 de janeiro de 2017: “no clima de geral apreensão pelo presente e de incerteza e angústia pelo futuro em que estamos mergulhados, é importante dirigir uma palavra de esperança, que indique também perspectivas de esperança, que indique também perspectivas de caminho (...) cada um pode contribuir para dar vida a uma cultura de misericórdia, com base na redescoberta do encontro com os outros: uma cultura na qual ninguém olhe para o outro com indiferença, nem vire a cara quando vê o sofrimento dos irmãos. Só assim será possível construir sociedades abertas e acolhedoras e, ao mesmo tempo, seguras e em paz no seu interior”.

A grande, eficaz e duradoura solução para os problemas atuais do mundo é essa “cultura da misericórdia”, e se nós formos exemplares e bem formados dentro dela o até quando? Será até breve!, e Deus abençoará, com certeza, o nosso Brasil e a nossa Cidade Maravilhosa.


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10/02/2017 14:21 - Atualizado em 10/02/2017 14:21

Até quando no título não é um artifício de marketing jornalístico!

É uma interrogação profunda do ser humano, angustiado, assustado e medroso diante das realidades atuais, que envolvem tremendamente a sua vida e lhe deixa desesperado e entregue ao desânimo.

A realidade da violência urbana: assaltos, homicídios cruéis em alguns presídios no Brasil, tiroteios nas ruas das grandes cidades, que tiram a vida de crianças, de pais e de mães inocentes, de moradores das comunidades pobres, etc.

A realidade econômica, política e social: taxa de desemprego em elevação, corrupção em altos níveis de governo, empresas envolvidas em negócios fraudulentos, funcionários públicos sem salários e sem perspectiva de futuro, pessoas sem dinheiro até para a condução que as levariam ao local de trabalho, profissionais competentes e íntegros sendo, injustamente, caluniados, perseguidos, massacrados por grupinhos insignificantes etc.

A realidade cultural presente nas universidades, escolas, veículos de comunicação: mentiras; lobbies ideológicos, informações distorcidas, palavras manipuladas, imagens criativas e bastantes sugestivas, que pretendem apossar-se de conceitos valiosos e deturpá-los para o povo; filmes, novelas, debates televisivos, programas famosos com finalidades educacionais malévolas para corromperem a infância e a juventude etc.

Até quando essas realidades continuarão oprimindo, abalando, psicológica e espiritualmente, o povo brasileiro?

Qual será o tempo, o momento, a hora das soluções de todas essas questões difíceis?

Segundo o livro bíblico do Eclesiastes, que apresenta o pensamento de um sábio ancião, com o intuito de instruir os jovens, “há um momento oportuno para cada coisa debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou, tempo de matar e tempo de curar, tempo de destruir e tempo de construir, tempo de chorar e tempo de rir, tempo de lamentar e tempo de dançar, tempo de espalhar pedras e tempo de as ajuntar, tempo de abraçar e tempo de perder, tempo de guardar e tempo de jogar fora, tempo de rasgar e tempo de costurar, tempo de calar e tempo de falar, tempo do amor e tempo do ódio, tempo da guerra e tempo da paz” (cf Ecl. 3,1-8).

Nesses 14 pares de momentos oportunos, de tempos da existência humana, encontram-se os desígnios inalteráveis e misteriosos de Deus, que cabe ao homem conhecê-los, mas não transformá-los e modificá-los.

Esses tempos concretos incidem sobre a humanidade como realidades que transcendem a capacidade intelectual e moral de cada pessoa. O porquê tem que ser assim? Até quando tem que ser assim?

Acontece, porém, que chegada a plenitude dos tempos o Filho de Deus veio fazer parte da história da humanidade. Assumiu os diversos tempos, experimentou os momentos difíceis da vida, encontrou-se com situações injustas, com pessoas marginalizadas, com governantes corruptos e cruéis, presenciou fatos e acontecimentos destruidores, odiosos e que arrancavam lamentações e lágrimas da sua alma. Jesus Cristo não desanimou, nem se desesperou, nem fugiu da realidade.

Desde que a Palavra de Deus – a pessoa do Filho eterno – entrou no tempo da história dos homens, uma nova era começou: a época da salvação, que só terá o seu término no retorno glorioso de Jesus Cristo no final dos tempos.

Dessa relação de Cristo com o tempo da humanidade vem o dever de inserir o “até quando?” na dimensão salvadora.

Quando o homem do século XXI entender que a “solução de todas as soluções” já existe há mais de 2000 anos, então a realidade não mais lhe angustiará, nem lhe assustará, nem lhe amedrontará, nem sequer lhe desanimará e lhe paralisará.

Então as realidades dos tempos atuais – violências, injustiças, corrupções, manipulações ideológicas etc. – passarão a ser encaradas pelos homens e mulheres de fé cristã como um convite para “render todos os talentos divinos presentes em cada pessoa”.

Que pena viver praticando como ocupação habitual a de matar o tempo, que é um tesouro de Deus, com lamentações, críticas, acusações e fugas dos problemas reais do mundo!

Que tristeza não tirar proveito, autêntico rendimento, de todas as capacidades – muitas ou poucas – que Deus concedeu a cada homem e a cada mulher, para que ele e ela se dediquem a plantar, a construir, a ajuntar pedras, a falar, a amar, a pacificar, conforme as orientações do sábio ancião aos jovens lidas no livro do Eclesiastes!

O quando de um mundo mais justo e humano, menos violento e mais seguro e pacífico, com mais oportunidades iguais para todos os cidadãos, será um momento objetivamente real, na medida em que nós, homens e mulheres de fé, nos convencermos de que as soluções dos problemas existem, e estão muito perto de nós, estão nas nossas próprias mãos.

Não estão, exclusivamente, nas mãos dos que governam, dos que legislam, dos que julgam!

Esperar tudo da máquina estatal é um grande e cômodo erro, cometido há tempos por nós, brasileiros!

Se cada brasileiro, se cada brasileira, se cada católico perdesse essa sua “ingenuidade”, e arregaçasse as mangas, utilizando melhor o seu tempo de vida para servir à pátria, e não servir-se da pátria. Se cada um dos leitores desse artigo – e entre os quais se inclui o seu autor – aproveitar cada situação histórica, pela qual o nosso país, estado e cidade do Rio de Janeiro passa, para crescer e desenvolver a sua cidadania, e então, sim, o mundo que nos “tocou” viver, com suas diversas realidades, será muito melhor e o até quando não mais será uma pergunta, mas será uma resposta determinada e concreta.

Comecemos cada um de nós por um ponto prático. O bom exemplo de cidadão honesto! Quem cumpre com suas obrigações civis, quem trata bem a sua cidade, quem ama e reza pelo seu país, quem não é classista, nem racista, nem indolente, mas é um ousado construtor de pontes, esse estará fazendo a sua parte para a existência de um mundo melhor.

Outro ponto prático para encontrar as soluções adequadas para os problemas existentes no Brasil e no Rio de Janeiro. Paremos de reclamar, de criticar, de “sonhar”, e nos formemos melhor na inteligência e na liberdade, a fim de sermos homens responsáveis, mulheres responsáveis, dentro da nossa sociedade, que querem assumir seu papel social.

Quem se forma na fé, na ciência e na cultura acaba realmente contribuindo para uma nova e mais digna civilização, porque acaba ordenando e ajustando as realidades do mundo moderno às exigências da verdade do bem para todos.

Não era apenas uma força de expressão o que nos deixou escrito o grande apóstolo São Paulo ao mencionar os gemidos de dores de parto, que o universo inteiro emitia na espera da libertação dos filhos de Deus (Rom. 8,22).

A libertação das realidades sociais, que não são coerentes com a dignidade e com o valor inestimável de cada pessoa humana, acontecerá no tempo certo.

Acontecerá, com certeza, e continuará acontecendo todos os dias, desde que ouçamos as seguintes palavras do Papa Francisco num trecho do Discurso ao Corpo Diplomático da Cidade do Vaticano, no dia 9 de janeiro de 2017: “no clima de geral apreensão pelo presente e de incerteza e angústia pelo futuro em que estamos mergulhados, é importante dirigir uma palavra de esperança, que indique também perspectivas de esperança, que indique também perspectivas de caminho (...) cada um pode contribuir para dar vida a uma cultura de misericórdia, com base na redescoberta do encontro com os outros: uma cultura na qual ninguém olhe para o outro com indiferença, nem vire a cara quando vê o sofrimento dos irmãos. Só assim será possível construir sociedades abertas e acolhedoras e, ao mesmo tempo, seguras e em paz no seu interior”.

A grande, eficaz e duradoura solução para os problemas atuais do mundo é essa “cultura da misericórdia”, e se nós formos exemplares e bem formados dentro dela o até quando? Será até breve!, e Deus abençoará, com certeza, o nosso Brasil e a nossa Cidade Maravilhosa.


Dom Antonio Augusto Dias Duarte
Autor

Dom Antonio Augusto Dias Duarte

Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro