Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/12/2017

17 de Dezembro de 2017

A Lei de Cristo

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10/02/2017 12:08 - Atualizado em 10/02/2017 12:08

A Lei de Cristo 0

10/02/2017 12:08 - Atualizado em 10/02/2017 12:08

Celebrando o sexto domingo do Tempo Comum, a Igreja continua a sua leitura do “Sermão da Montanha” (cf. Mt 5–7), redescobrindo a nova lei do amor instaurada por Jesus Cristo. O texto de Ex 20,13-14.16 prescreve aos judeus piedosos o seguinte: “Não matarás. Não cometerás adultério. Não dirás falso testemunho contra o teu irmão”. Na perícope deste domingo, Mt 5,17-37, o Senhor reinterpreta tais mandamentos, revelando a sua plenitude e a verdadeira justiça por detrás deles.

A questão da interpretação do decálogo está presente em todo Evangelho. Jesus se apresenta como o intérprete autorizado da Lei e da vontade divina, com autoridade abalizada pelo seu testemunho e pelos seus sinais: “Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a ensiná-los” (Mt 5,1-2). Todavia, os fariseus e os mestres da Lei, também, se outorgavam o direito de explicar e ensinar o sentido dos textos da Escritura: “Porque eu vos digo: ‘Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céu’” (Mt 5,20). Na realidade, a postura de Jesus entrava em choque direto com o tipo de interpretação legalista, fundamentalista e restrita dos homens do seu tempo: “Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando” (Mt 23,13).

O texto de Mt 5,17-37 pode ser dividido em quatro partes: a importância da Lei no Reino de Deus (Mt 5,17-20) e a reinterpretação do mandamento “Não matarás” (Mt 5,21-26), do “não cometerás adultério” (Mt 5,27-32) e do “não jurar falso” (Mt 5,33-37). No próximo domingo, o discurso de Jesus avança chegando ao seu coração pulsante – Ele apresenta a suprema lei do amor ao próximo em franca abertura com toda espécie de ódio e vingança. De fato, todo o sermão da montanha só pode ser entendido à luz do mandamento do amor: “Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,44-45). Desta forma, para se entender a releitura feita pelo Senhor destes três primeiros mandamentos, é necessário entender que toda Lei se fundamenta no amor ao próximo.

Jesus foi educado religiosamente na fé judaica. Por isso, era conhecedor e praticante dos mandamentos desde a infância. Contudo, sua percepção mais profunda do significado dos preceitos do decálogo não foi uma mera elucubração intelectual teológica, filosófica ou social. Ele encarnava aquilo que pregava, transformando letra morta em experiência vivificante do Espírito (cf. 2Cor 3,6). Os três mandamentos interpretados por Jesus naquele dia revelam a maneira como os cristãos (e todos os homens) são vocacionados a se relacionarem uns com os outros: a primazia da vida, o respeito pelo outro e a confiança nas relações. Não se trata de mero cumprimento da Lei, mas de, no fim, relações marcadas pela salvação das desordens do pecado – morte, abuso e mentira.

A radicalidade da intepretação de Jesus nasce da sua vivência. Se dirigindo aos seus discípulos no “Sermão da Montanha”. Ele pretende inaugurar uma nova maneira de viver a Lei de Deus. Por conseguinte, indica aos seus discípulos o respeito à vida de maneira integral – evitando não só a morte, mas as diversas formas de humilhação das pessoas –, a aprenderem a amar e a respeitarem os relacionamentos – em especial, a vida familiar ameaçada por tantos abusos – e a serem sinceros e a se responsabilizarem pela palavra empenhada – diante de tanta duplicidade, falsidade e fingimento nas relações.

Que a escuta atenta ao “Sermão da Montanha” possa favorecer, na vida dos fiéis, a prática da caridade fraterna tal como testemunhada e indicada por Jesus Cristo. Seja a Igreja, nestes tempos nos quais ouvimos tantos gritos de ódio, violência, injustiça e guerra, a construir, por palavras e atos, relacionamentos interpessoais e sociais novos pautados na experiência vivificante da Lei nova – o evangelho do amor.


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A Lei de Cristo

10/02/2017 12:08 - Atualizado em 10/02/2017 12:08

Celebrando o sexto domingo do Tempo Comum, a Igreja continua a sua leitura do “Sermão da Montanha” (cf. Mt 5–7), redescobrindo a nova lei do amor instaurada por Jesus Cristo. O texto de Ex 20,13-14.16 prescreve aos judeus piedosos o seguinte: “Não matarás. Não cometerás adultério. Não dirás falso testemunho contra o teu irmão”. Na perícope deste domingo, Mt 5,17-37, o Senhor reinterpreta tais mandamentos, revelando a sua plenitude e a verdadeira justiça por detrás deles.

A questão da interpretação do decálogo está presente em todo Evangelho. Jesus se apresenta como o intérprete autorizado da Lei e da vontade divina, com autoridade abalizada pelo seu testemunho e pelos seus sinais: “Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a ensiná-los” (Mt 5,1-2). Todavia, os fariseus e os mestres da Lei, também, se outorgavam o direito de explicar e ensinar o sentido dos textos da Escritura: “Porque eu vos digo: ‘Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céu’” (Mt 5,20). Na realidade, a postura de Jesus entrava em choque direto com o tipo de interpretação legalista, fundamentalista e restrita dos homens do seu tempo: “Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando” (Mt 23,13).

O texto de Mt 5,17-37 pode ser dividido em quatro partes: a importância da Lei no Reino de Deus (Mt 5,17-20) e a reinterpretação do mandamento “Não matarás” (Mt 5,21-26), do “não cometerás adultério” (Mt 5,27-32) e do “não jurar falso” (Mt 5,33-37). No próximo domingo, o discurso de Jesus avança chegando ao seu coração pulsante – Ele apresenta a suprema lei do amor ao próximo em franca abertura com toda espécie de ódio e vingança. De fato, todo o sermão da montanha só pode ser entendido à luz do mandamento do amor: “Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,44-45). Desta forma, para se entender a releitura feita pelo Senhor destes três primeiros mandamentos, é necessário entender que toda Lei se fundamenta no amor ao próximo.

Jesus foi educado religiosamente na fé judaica. Por isso, era conhecedor e praticante dos mandamentos desde a infância. Contudo, sua percepção mais profunda do significado dos preceitos do decálogo não foi uma mera elucubração intelectual teológica, filosófica ou social. Ele encarnava aquilo que pregava, transformando letra morta em experiência vivificante do Espírito (cf. 2Cor 3,6). Os três mandamentos interpretados por Jesus naquele dia revelam a maneira como os cristãos (e todos os homens) são vocacionados a se relacionarem uns com os outros: a primazia da vida, o respeito pelo outro e a confiança nas relações. Não se trata de mero cumprimento da Lei, mas de, no fim, relações marcadas pela salvação das desordens do pecado – morte, abuso e mentira.

A radicalidade da intepretação de Jesus nasce da sua vivência. Se dirigindo aos seus discípulos no “Sermão da Montanha”. Ele pretende inaugurar uma nova maneira de viver a Lei de Deus. Por conseguinte, indica aos seus discípulos o respeito à vida de maneira integral – evitando não só a morte, mas as diversas formas de humilhação das pessoas –, a aprenderem a amar e a respeitarem os relacionamentos – em especial, a vida familiar ameaçada por tantos abusos – e a serem sinceros e a se responsabilizarem pela palavra empenhada – diante de tanta duplicidade, falsidade e fingimento nas relações.

Que a escuta atenta ao “Sermão da Montanha” possa favorecer, na vida dos fiéis, a prática da caridade fraterna tal como testemunhada e indicada por Jesus Cristo. Seja a Igreja, nestes tempos nos quais ouvimos tantos gritos de ódio, violência, injustiça e guerra, a construir, por palavras e atos, relacionamentos interpessoais e sociais novos pautados na experiência vivificante da Lei nova – o evangelho do amor.


Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida