Arquidiocese do Rio de Janeiro

27º 20º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/08/2018

19 de Agosto de 2018

Tempo de ouvir o Senhor

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19 de Agosto de 2018

Tempo de ouvir o Senhor

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04/02/2017 00:00 - Atualizado em 06/02/2017 10:20

Tempo de ouvir o Senhor 0

04/02/2017 00:00 - Atualizado em 06/02/2017 10:20

Depois da extraordinária experiência pastoral partilhada por mais de 90 bispos no 26º. Encontro dos Bispos, no Sumaré, analisando a questão da nova evangelização, iniciamos, na segunda-feira passada, dia 30 de janeiro, o retiro da primeira turma do Clero da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, que tive a graça de participar. O retiro terminou nesta sexta-feira, dia 03 de fevereiro.

Todo presbítero deve, ao menos uma vez por ano, parar cinco dias, deixando de lado as suas atividades pastorais para subir ao monte para rezar. É uma obrigação canônica que todos nós cumprimos, com alegria de coração e de recolhimento, para buscar as forças necessárias para atender melhor e mais eficazmente as ovelhas que nos são confiadas pela Mãe Igreja.

Nestes dias ficam claro para o retirante cinco caminhos para a eficiência do seu retiro espiritual: 1 – silêncio para ouvir a voz de Deus, confrontar-se com o que a Trindade espera de cada um de nós; 2 – meditação: meditar sobre os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, fazendo uma retrospectiva da vida pastoral e da vida espiritual desde o último retiro; 3 – olhar para dentro de si mesmo e olhar a qualidade da vida interior e da frequência na oração; 4 – rezar mais intensamente e colocar-se diante do Sacrário para ouvir o que Deus quer falar; e, por fim, 5 – comprometer-se com o Evangelho da vida, da compaixão e da misericórdia.

O Papa Francisco, ao falar sobre a vida do padre, disse algumas palavras que são significativas na vida e no ministério do presbítero, que deveriam ser “mastigadas nos dias de retiro espiritual diocesano”: “Proximidade! Como Jesus esteve próximo de nós. Não há outro caminho: é a via da Encarnação. Hoje as propostas gnósticas são tantas, e aquele que pode até ser um bom sacerdote, mas não católico, gnóstico, não católico. Não, não! Católico, encarnado, próximo, que sabe acariciar e sofrer com a carne de Jesus nos doentes, nas crianças, no povo, nos problemas, nos tantos problemas que o nosso povo tem. Esta proximidade ajudar-vos-á muito, tanto! Para estar próximo como Jesus, para saber ‘por o pé’, como Jesus que evita que a porta (da Misericórdia, refere-se à mesma imagem de antes) se feche, é necessário conhecer Jesus. Mas eu perguntaria: quanto tempo passais por dia sentados diante do Tabernáculo? Uma das perguntas que fazia sempre aos sacerdotes, também bons, a todos, era: tu, à noite, como vais para a cama? E eles não compreendiam: ‘Mas o que me perguntas?’ – ‘Sim, sim” Como vais repousar? O que fazes?’ – ‘Oh, sim, volto cansado. Janto alguma coisa e depois vou dormir... Vejo a televisão... Repouso um pouco’. Ah, bom. Mas tu não saúdas ‘Aquele’ que te enviou ao povo? Pelo menos passar um momento diante do Tabernáculo”. (Cf. L’Osservatore Romano, número 50, 15 de dezembro de 2016, pág. 4).

Impactou-me muito a humanidade do Papa Francisco para com os seus padres de Roma, experiência esta muito viva na Arquidiocese de Buenos Aires. Nós somos chamados todos os dias, e, particularmente nos dias de retiro, a seguir o exemplo do Papa Francisco de estarmos em intimidade com o Senhor. Como ensinou Santa Teresinha do Menino Jesus, não podemos deixar o Senhor. E a melhor maneira de fazer companhia ao Senhor é ajoelhar-se diante do Sacrário e ouvirmos o que o Senhor tem a falar para cada um de nós. Jesus sempre quer nos consolar. O próprio Papa Francisco continua: “... mais importante é encontrar Jesus, e partindo de Jesus fazer o resto”. (Cf. L’Osservatore Romano, número 50, 15 de dezembro de 2016, pág. 4). E nós devemos sempre nos perguntar: visitamos o Santíssimo Sacramento para rezar em silêncio todos os dias, fazendo a oração de adoração ou a meditação diária?

Quando estamos na presença do Senhor não desanimamos de nossa missão pastoral, que muitas vezes é árdua. A oração faz brilhar na vida de cada um de nós a luz divina para clarear a escuridão de situações difíceis que experimentamos na fadiga pastoral, para superar a aridez que muitas vezes toma conta pelo excesso de trabalho. A busca do Senhor, esta inquietação que nos move a anunciar o Evangelho, deve iluminar o nosso caminho de ministros ordenados, vigilantes com a vela da caridade acessa na mão, para fugir dos perigos do mundo moderno, e conformando nossas vidas unicamente no Cristo Ressuscitado.

Nestes dias de retiro espiritual do clero, pudemos refletir sobre o caminho espiritual de São Bernardo, grande abade do século XI. Estivemos assessorados por um especialista no assunto, que nos ajudou a percorrer o caminho de um Deus que nos procura por primeiro, e o homem que responde procurando o Senhor. Esse grande homem, que tanto foi ativo na sociedade da época, conseguiu tudo fazer porque tinha no seu coração uma grande experiência de Deus e amor à Igreja.

Também três conselhos de Santo Agostinho em nossa caminhada para Jerusalém do Alto, e como fazer a nossa vida inteira como uma oração contínua: primeiro conselho: Em primeiro lugar, no que quer que façamos, nunca saiamos do centro de nossa atenção, que é Deus. Vivamos sempre recolhidos neste centro vital que é Deus. Em segundo lugar, o conselho da oração contínua seria o desejo: o desejo contínuo de Deus converte-se na oração contínua. “Se desejarmos continuamente alcançar a Deus e a vida eterna, com um amor vivo e intenso, estaremos em oração”: “Por conseguinte, ora com fé, na esperança; e com amor ora, pelos desejos incessantes (...)”. “Orai sem cessar. O que querem significar as palavras do Apóstolo a não ser desejai sem cessar a vida feliz e eterna (...)”? Terceiro conselho: é o de elevar frases breves e curtas, inflamadas no amor, que impulsionem o nosso pensamento em direção a Deus. Se pudermos pronunciar, no mais profundo do coração, essas jaculatórias – tais como são conhecidas na tradição espiritual ocidental –, se pudermos repetir essas frases breves e curtas, cheias e impregnadas de amor, reavivaremos o nosso vínculo de amor com Deus, isto é, a nossa oração.

Como nos dirigiu as exortações o Abade Cisterciense D. Luiz Alberto, fomos convidados a sempre colocar as preocupações e sonhos na oração universal da Igreja, na Liturgia das Horas ou Ofício Divino, e na celebração da Santa Missa, diante de Deus, apresentando todas as situações e dificuldades. E, temos certeza de que o Senhor nunca desamparará.

Terminamos a primeira turma! Outras cinco turmas farão o mesmo, subindo até o Sumaré para rezar e ouvir o Senhor. Que nos despojemos das falsas seguranças do mundo e, diante do Senhor, nos coloquemos livres e suplicantes, para que, refeitos no retiro, possamos servir melhor e mais eficazmente a ação que Deus e a Igreja confiam a cada um de nós.

Nestas horas e sempre rezemos por todos: pela Arquidiocese, pelo clero, pelas religiosas, pelas lideranças pastorais, pelo amado povo de Deus, para que a graça da paz se estabeleça em nossa cidade, e que os conflitos deem lugar à reconciliação. Não se esqueçam de que diante do Senhor a luz Divina brilha sempre, nos conduzindo pelos caminhos da graça e da santidade!


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04/02/2017 00:00 - Atualizado em 06/02/2017 10:20

Depois da extraordinária experiência pastoral partilhada por mais de 90 bispos no 26º. Encontro dos Bispos, no Sumaré, analisando a questão da nova evangelização, iniciamos, na segunda-feira passada, dia 30 de janeiro, o retiro da primeira turma do Clero da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, que tive a graça de participar. O retiro terminou nesta sexta-feira, dia 03 de fevereiro.

Todo presbítero deve, ao menos uma vez por ano, parar cinco dias, deixando de lado as suas atividades pastorais para subir ao monte para rezar. É uma obrigação canônica que todos nós cumprimos, com alegria de coração e de recolhimento, para buscar as forças necessárias para atender melhor e mais eficazmente as ovelhas que nos são confiadas pela Mãe Igreja.

Nestes dias ficam claro para o retirante cinco caminhos para a eficiência do seu retiro espiritual: 1 – silêncio para ouvir a voz de Deus, confrontar-se com o que a Trindade espera de cada um de nós; 2 – meditação: meditar sobre os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, fazendo uma retrospectiva da vida pastoral e da vida espiritual desde o último retiro; 3 – olhar para dentro de si mesmo e olhar a qualidade da vida interior e da frequência na oração; 4 – rezar mais intensamente e colocar-se diante do Sacrário para ouvir o que Deus quer falar; e, por fim, 5 – comprometer-se com o Evangelho da vida, da compaixão e da misericórdia.

O Papa Francisco, ao falar sobre a vida do padre, disse algumas palavras que são significativas na vida e no ministério do presbítero, que deveriam ser “mastigadas nos dias de retiro espiritual diocesano”: “Proximidade! Como Jesus esteve próximo de nós. Não há outro caminho: é a via da Encarnação. Hoje as propostas gnósticas são tantas, e aquele que pode até ser um bom sacerdote, mas não católico, gnóstico, não católico. Não, não! Católico, encarnado, próximo, que sabe acariciar e sofrer com a carne de Jesus nos doentes, nas crianças, no povo, nos problemas, nos tantos problemas que o nosso povo tem. Esta proximidade ajudar-vos-á muito, tanto! Para estar próximo como Jesus, para saber ‘por o pé’, como Jesus que evita que a porta (da Misericórdia, refere-se à mesma imagem de antes) se feche, é necessário conhecer Jesus. Mas eu perguntaria: quanto tempo passais por dia sentados diante do Tabernáculo? Uma das perguntas que fazia sempre aos sacerdotes, também bons, a todos, era: tu, à noite, como vais para a cama? E eles não compreendiam: ‘Mas o que me perguntas?’ – ‘Sim, sim” Como vais repousar? O que fazes?’ – ‘Oh, sim, volto cansado. Janto alguma coisa e depois vou dormir... Vejo a televisão... Repouso um pouco’. Ah, bom. Mas tu não saúdas ‘Aquele’ que te enviou ao povo? Pelo menos passar um momento diante do Tabernáculo”. (Cf. L’Osservatore Romano, número 50, 15 de dezembro de 2016, pág. 4).

Impactou-me muito a humanidade do Papa Francisco para com os seus padres de Roma, experiência esta muito viva na Arquidiocese de Buenos Aires. Nós somos chamados todos os dias, e, particularmente nos dias de retiro, a seguir o exemplo do Papa Francisco de estarmos em intimidade com o Senhor. Como ensinou Santa Teresinha do Menino Jesus, não podemos deixar o Senhor. E a melhor maneira de fazer companhia ao Senhor é ajoelhar-se diante do Sacrário e ouvirmos o que o Senhor tem a falar para cada um de nós. Jesus sempre quer nos consolar. O próprio Papa Francisco continua: “... mais importante é encontrar Jesus, e partindo de Jesus fazer o resto”. (Cf. L’Osservatore Romano, número 50, 15 de dezembro de 2016, pág. 4). E nós devemos sempre nos perguntar: visitamos o Santíssimo Sacramento para rezar em silêncio todos os dias, fazendo a oração de adoração ou a meditação diária?

Quando estamos na presença do Senhor não desanimamos de nossa missão pastoral, que muitas vezes é árdua. A oração faz brilhar na vida de cada um de nós a luz divina para clarear a escuridão de situações difíceis que experimentamos na fadiga pastoral, para superar a aridez que muitas vezes toma conta pelo excesso de trabalho. A busca do Senhor, esta inquietação que nos move a anunciar o Evangelho, deve iluminar o nosso caminho de ministros ordenados, vigilantes com a vela da caridade acessa na mão, para fugir dos perigos do mundo moderno, e conformando nossas vidas unicamente no Cristo Ressuscitado.

Nestes dias de retiro espiritual do clero, pudemos refletir sobre o caminho espiritual de São Bernardo, grande abade do século XI. Estivemos assessorados por um especialista no assunto, que nos ajudou a percorrer o caminho de um Deus que nos procura por primeiro, e o homem que responde procurando o Senhor. Esse grande homem, que tanto foi ativo na sociedade da época, conseguiu tudo fazer porque tinha no seu coração uma grande experiência de Deus e amor à Igreja.

Também três conselhos de Santo Agostinho em nossa caminhada para Jerusalém do Alto, e como fazer a nossa vida inteira como uma oração contínua: primeiro conselho: Em primeiro lugar, no que quer que façamos, nunca saiamos do centro de nossa atenção, que é Deus. Vivamos sempre recolhidos neste centro vital que é Deus. Em segundo lugar, o conselho da oração contínua seria o desejo: o desejo contínuo de Deus converte-se na oração contínua. “Se desejarmos continuamente alcançar a Deus e a vida eterna, com um amor vivo e intenso, estaremos em oração”: “Por conseguinte, ora com fé, na esperança; e com amor ora, pelos desejos incessantes (...)”. “Orai sem cessar. O que querem significar as palavras do Apóstolo a não ser desejai sem cessar a vida feliz e eterna (...)”? Terceiro conselho: é o de elevar frases breves e curtas, inflamadas no amor, que impulsionem o nosso pensamento em direção a Deus. Se pudermos pronunciar, no mais profundo do coração, essas jaculatórias – tais como são conhecidas na tradição espiritual ocidental –, se pudermos repetir essas frases breves e curtas, cheias e impregnadas de amor, reavivaremos o nosso vínculo de amor com Deus, isto é, a nossa oração.

Como nos dirigiu as exortações o Abade Cisterciense D. Luiz Alberto, fomos convidados a sempre colocar as preocupações e sonhos na oração universal da Igreja, na Liturgia das Horas ou Ofício Divino, e na celebração da Santa Missa, diante de Deus, apresentando todas as situações e dificuldades. E, temos certeza de que o Senhor nunca desamparará.

Terminamos a primeira turma! Outras cinco turmas farão o mesmo, subindo até o Sumaré para rezar e ouvir o Senhor. Que nos despojemos das falsas seguranças do mundo e, diante do Senhor, nos coloquemos livres e suplicantes, para que, refeitos no retiro, possamos servir melhor e mais eficazmente a ação que Deus e a Igreja confiam a cada um de nós.

Nestas horas e sempre rezemos por todos: pela Arquidiocese, pelo clero, pelas religiosas, pelas lideranças pastorais, pelo amado povo de Deus, para que a graça da paz se estabeleça em nossa cidade, e que os conflitos deem lugar à reconciliação. Não se esqueçam de que diante do Senhor a luz Divina brilha sempre, nos conduzindo pelos caminhos da graça e da santidade!


Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro