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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 25/09/2017

25 de Setembro de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (81): Interpretação e tradução da Bíblia

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25 de Setembro de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (81): Interpretação e tradução da Bíblia

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03/02/2017 12:25 - Atualizado em 03/02/2017 12:26

A Palavra de Deus na Bíblia (81): Interpretação e tradução da Bíblia 0

03/02/2017 12:25 - Atualizado em 03/02/2017 12:26

Antes de começarmos a galgar as últimas etapas da leitura deste esplêndido documento sobre a interpretação bíblica e a Igreja, é necessário concluir um tema importante, como foi aquele das interações entre a exegese bíblica e a teologia em seu sistema dogmático.

Por causa de sua orientação especulativa e sistemática, a teologia muitas vezes cedeu à tentação de considerar a Bíblia como um reservatório de dicta probantia destinado a confirmar teses doutrinárias. Em nossos dias, os dogmáticos adquiriram uma viva consciência da importância do contexto literário e histórico para a correta interpretação dos textos antigos, e eles recorrem muito mais à colaboração dos exegetas[1].

O hábito medieval e moderno, ao menos em uso na teologia até o fim do século XIX, de deduzir a doutrina dogmática como correta, caso existissem textos bíblicos (dicta) que provassem isso (probantia), se de um lado, demonstrava pouca habilidade com a ‘autonomia’ do texto bíblico, que, por isso, não deveria ser usado como sentença que legitimava um silogismo (raciocínio) teológico, por outro lado, insistia na regra da fé, isto é, que não há legítima teologia, enquanto, lógica de Deus, sem os recursos da revelação bíblica.

Enquanto Palavra de Deus colocada por escrito, a Bíblia tem uma riqueza de significado que não pode ser completamente captado nem emprisionado em nenhuma teologia sistemática. Uma das funções principais da Bíblia é aquela de lançar sérios desafios aos sistemas teológicos e de lembrar continuamente a existência de importantes aspectos da revelação divina e da realidade humana que algumas vezes foram esquecidos ou negligenciados nos esforços de reflexão sistemática. A renovação da metodologia exegética pode contribuir a esta tomada de consciência[2].

O século XX, impulsionado pelos avanços e inquietações do Concílio Vaticano II, que na verdade se realizou na Igreja, amparado por movimentos e ondas de renovação, iniciadas nos anos 20, na liturgia, nos estudos patrísticos, na Bíblia, enfim, em diversas áreas, trouxe à tona a necessidade de estabelecer novas relações entre a exegese bíblica e a teologia, que renovaram os resultados deste conluio indispensável!

Reciprocamente, a exegese deve se deixar iluminar pela pesquisa teológica. Esta a estimulará a apresentar aos textos questões importantes e descobrir melhor todo o alcance e a fecundidade deles. O estudo científico da Bíblia não pode se isolar da pesquisa teológica, nem da experiência espiritual e do discernimento da Igreja. A exegese produz seus melhores frutos quando ela se realiza no contexto da fé viva da comunidade cristã, que é orientada em direção da salvação do mundo inteiro[3].

“O estudo científico da Bíblia não pode se isolar da pesquisa teológica, nem da experiência espiritual e do discernimento da Igreja.” Como pudemos observar no início desta reflexão, um conflito insolúvel ocorre entre a teologia e a exegese, quando se estabelece como ambiente de produção acadêmica a teologia liberal.

Neste contexto, percebe-se em ato estes ‘isolamentos’ que deterioram tanto o bom funcionamento da pesquisa bíblica, quanto aquela da teologia.

A exegese isolada da Igreja viva, com sua tradição, contradições, exigências e dos ‘rumores do Espírito Santo’, é morta e danosa à saúde dos exegetas e dos fiéis que a produzem ou dela se alimentam. Reduz os ‘exegetas’ a intérpretes de um texto morto: “A exegese produz seus melhores frutos quando ela se realiza no contexto da fé viva da comunidade cristã”.

Com esta conclusão, passaremos adiante para a conclusão da leitura do documento “A Interpretação da Bíblia na Igreja” (1993), de autoria da Pontifícia Comissão Bíblica.

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A Palavra de Deus na Bíblia (81): Interpretação e tradução da Bíblia

03/02/2017 12:25 - Atualizado em 03/02/2017 12:26

Antes de começarmos a galgar as últimas etapas da leitura deste esplêndido documento sobre a interpretação bíblica e a Igreja, é necessário concluir um tema importante, como foi aquele das interações entre a exegese bíblica e a teologia em seu sistema dogmático.

Por causa de sua orientação especulativa e sistemática, a teologia muitas vezes cedeu à tentação de considerar a Bíblia como um reservatório de dicta probantia destinado a confirmar teses doutrinárias. Em nossos dias, os dogmáticos adquiriram uma viva consciência da importância do contexto literário e histórico para a correta interpretação dos textos antigos, e eles recorrem muito mais à colaboração dos exegetas[1].

O hábito medieval e moderno, ao menos em uso na teologia até o fim do século XIX, de deduzir a doutrina dogmática como correta, caso existissem textos bíblicos (dicta) que provassem isso (probantia), se de um lado, demonstrava pouca habilidade com a ‘autonomia’ do texto bíblico, que, por isso, não deveria ser usado como sentença que legitimava um silogismo (raciocínio) teológico, por outro lado, insistia na regra da fé, isto é, que não há legítima teologia, enquanto, lógica de Deus, sem os recursos da revelação bíblica.

Enquanto Palavra de Deus colocada por escrito, a Bíblia tem uma riqueza de significado que não pode ser completamente captado nem emprisionado em nenhuma teologia sistemática. Uma das funções principais da Bíblia é aquela de lançar sérios desafios aos sistemas teológicos e de lembrar continuamente a existência de importantes aspectos da revelação divina e da realidade humana que algumas vezes foram esquecidos ou negligenciados nos esforços de reflexão sistemática. A renovação da metodologia exegética pode contribuir a esta tomada de consciência[2].

O século XX, impulsionado pelos avanços e inquietações do Concílio Vaticano II, que na verdade se realizou na Igreja, amparado por movimentos e ondas de renovação, iniciadas nos anos 20, na liturgia, nos estudos patrísticos, na Bíblia, enfim, em diversas áreas, trouxe à tona a necessidade de estabelecer novas relações entre a exegese bíblica e a teologia, que renovaram os resultados deste conluio indispensável!

Reciprocamente, a exegese deve se deixar iluminar pela pesquisa teológica. Esta a estimulará a apresentar aos textos questões importantes e descobrir melhor todo o alcance e a fecundidade deles. O estudo científico da Bíblia não pode se isolar da pesquisa teológica, nem da experiência espiritual e do discernimento da Igreja. A exegese produz seus melhores frutos quando ela se realiza no contexto da fé viva da comunidade cristã, que é orientada em direção da salvação do mundo inteiro[3].

“O estudo científico da Bíblia não pode se isolar da pesquisa teológica, nem da experiência espiritual e do discernimento da Igreja.” Como pudemos observar no início desta reflexão, um conflito insolúvel ocorre entre a teologia e a exegese, quando se estabelece como ambiente de produção acadêmica a teologia liberal.

Neste contexto, percebe-se em ato estes ‘isolamentos’ que deterioram tanto o bom funcionamento da pesquisa bíblica, quanto aquela da teologia.

A exegese isolada da Igreja viva, com sua tradição, contradições, exigências e dos ‘rumores do Espírito Santo’, é morta e danosa à saúde dos exegetas e dos fiéis que a produzem ou dela se alimentam. Reduz os ‘exegetas’ a intérpretes de um texto morto: “A exegese produz seus melhores frutos quando ela se realiza no contexto da fé viva da comunidade cristã”.

Com esta conclusão, passaremos adiante para a conclusão da leitura do documento “A Interpretação da Bíblia na Igreja” (1993), de autoria da Pontifícia Comissão Bíblica.

Referências:


Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica